Considerada maior artista colombiana do pop, cantora vai levar seu país e todo um continente para apresentação histórica

O show de Shakira em Copacabana promete ser mais do que uma apresentação: é um marco histórico na carreira de uma artista que ajudou a redesenhar o mapa da música latina no mundo. Em um dos cenários mais simbólicos do planeta, diante de uma multidão que deve transformar a orla em um espetáculo à parte, Shakira celebra não só sua trajetória, mas a força de uma cultura que por muito tempo buscou seu espaço global. Ao lado de nomes como Ricky Martin, ela foi pioneira em abrir portas para que o som latino deixasse de ser regional e se tornasse universal.
A história de Shakira se entrelaça diretamente com a de Colômbia. Quando iniciou sua carreira internacional, o país enfrentava desafios profundos e carregava uma imagem distante do que representa hoje. Com o tempo, ambos passaram por um processo de reconstrução simbólica: a Colômbia se reposicionou no cenário global, e Shakira se consolidou como uma das maiores artistas do planeta. Há quase uma narrativa paralela entre artista e nação — duas trajetórias que renasceram das cinzas e encontraram no mundo um palco para reescrever suas histórias. Hoje, ela é mais do que cantora: é uma embaixadora cultural, que carrega em cada performance a energia de Barranquilla e a diversidade de todo o seu país.
Essa conexão com o Brasil, aliás, vem de muito antes dos grandes palcos globais. No início da carreira internacional, Shakira passou por programas icônicos da televisão brasileira, marcando presença nos palcos de Domingão do Faustão, comandado por Faustão, além das atrações de Gugu Liberato e Hebe Camargo. No SBT ela chegou a ser jurada da banheira do Gugu e cantar músicas em português da banda Raimundos. Foi ali, diante do público brasileiro, que “la loba” começou a construir uma relação afetiva com o país, muito antes de se tornar o fenômeno global que conhecemos hoje.
Esse show também reacende uma discussão importante: a relação musical entre Brasil e Colômbia. Embora os colombianos tenham se destacado com enorme força dentro do reggaeton e da música latina contemporânea, ainda existe um espaço pouco explorado no diálogo com o mercado brasileiro. Artistas do país cafetero têm potencial de sobra — e nomes como Maluma e Carlos Vives, ao lado da própria Shakira, formam um trio de gigantes que poderiam ser ainda mais abraçados por aqui. Há uma conexão cultural latente entre os países, mas que ainda não se traduz totalmente em trocas musicais proporcionais à sua riqueza.
No palco de Copacabana, o repertório escolhido reforça essa trajetória de sucesso, reunindo hits que marcaram gerações. Pode até faltar uma ou outra faixa querida — como “Te Dejo Madrid”, que foge um pouco do clima de celebração praiana —, mas a energia será compensada por clássicos e colaborações icônicas, como “Chantaje” e “Me Enanoré” – além de clássicos que embalaram novelas e Copas do Mundo. Mais do que um show, o que se verá é um manifesto: a consagração de uma artista que representa um país, um idioma e uma cultura inteira, em um dos palcos mais emblemáticos do mundo.