Cara de Um, Focinho de Outro: Divertida e emocionante

Animação é bonita e traz forte mensagem da relação do ser humano com a natureza

Foto: Arquivo Pessoal

A nova animação da Pixar em parceria com a Walt Disney Pictures, Cara de um Focinho de Outro, é daquelas histórias que abraçam o coração da gente antes mesmo dos créditos subirem. Visualmente deslumbrante, com cenários naturais riquíssimos em detalhes, o filme mergulha no universo dos animais da floresta para contar uma fábula moderna sobre pertencimento, identidade e, principalmente, a relação do ser humano com a natureza. É leve, é engraçado, mas carrega uma mensagem poderosa que ecoa depois que a sessão termina.

A protagonista, Mabel, é o grande motor da narrativa. Curiosa, questionadora e cheia de energia, ela conduz o público por essa jornada sensível que mistura fantasia e reflexão. Em um dos momentos mais marcantes da trama, Mabel se transforma em uma pequena castor — uma castorzinha — e é justamente a partir dessa transformação que o filme ganha ainda mais força. Ao experimentar o mundo sob outra perspectiva, ela aprende (e ensina) sobre empatia, equilíbrio ambiental e responsabilidade coletiva.

Escolher castores como protagonistas é um acerto delicado e simbólico. São animais conhecidos por construir, transformar o ambiente e viver em comunidade — exatamente como nós. O reino animal é retratado de forma carinhosa, quase poética, tornando tudo ainda mais fofo e encantador. Mas não se engane: por trás da fofura, existe uma crítica sutil sobre como tratamos o planeta e como nossas escolhas impactam todo um ecossistema.

Eu assisti na pré-estreia e saí da sala com aquela sensação gostosa de ter visto algo especial. A estreia oficial é dia 5 de março, e vale muito a pena levar as crianças — e ir preparado para também se emocionar. “Cara de um Focinho de Outro” diverte, encanta e, no final, convida a gente a olhar para a natureza não como cenário, mas como parte essencial da nossa própria história. É Pixar sendo Pixar: entretenimento com alma. Vale o combo, com pipoca e balde!

Foto: Arquivo Pessoal

Nova contratada da Sony Music, Raphaela Santos deve consolidar carreira a nível nacional

Sucesso absoluto no Nordeste, “a Favorita” tem estilo próprio e se destaca no brega com personalidade

Foto: Instagram

A cantora Raphaela Santos está pronta para escrever um novo capítulo na música brasileira. A artista que já se consolidou como uma das vozes mais influentes do brega contemporâneo no Nordeste — acaba de assinar contrato com a Sony Music Brasil, numa assinatura que marca o início de uma fase de projeção nacional para sua carreira. A contratação é vista como um movimento estratégico pela gravadora, que quer ampliar ainda mais a presença de artistas nordestinos no cenário fonográfico do país. 

O início dessa nova etapa vem acompanhado de uma grande novidade: o lançamento da canção “Impossível”, uma parceria com a cantora Ludmilla. A faixa, que faz parte do projeto audiovisual Ao Vivo na Paraíba, chega às plataformas digitais no dia 5 de março e simboliza a união de duas potências femininas da música nacional, sinalizando que Raphaela está pronta para dialogar com públicos de diferentes regiões e estilos no Brasil. Na verdade, muitos fora do mercado nordestino já conhecem Rapha por estar em muitos eventos e programas ao lado de Wesley Safadão.

Raphaela construiu sua trajetória com muita dedicação e talento. Lapidada artisticamente em Recife, ela começou a cantar ainda criança e ganhou destaque ao integrar a banda A Favorita ainda na adolescência, gravando hits que se tornaram presença constante nas rádios do Nordeste. Seus trabalhos na carreira solo, como “Só Dá Tu”, “Pense o Que Quiser de Mim” e “Foi Logo Amor”, viralizaram nas plataformas digitais e reforçaram sua força contemporânea, conectando o brega a uma sonoridade mais evidente e popular. 

Assinar com uma gravadora do porte da Sony Music Brasil é mais do que um contrato, é a confirmação de que Raphaela Santos está pronta para romper fronteiras. Com presença de palco impactante, voz marcante e uma legião de fãs que a acompanha desde os palcos regionais até as redes sociais, ela representa uma das apostas mais promissoras da música brasileira atual, que olha muito para os talentos do Nordeste. Uma artista que já consolidou seu nome no mercado mais exigente do país, tem tudo para conquistar todo o Brasil.

Uma das grandes responsáveis pela contratação de Raphaela é Polly Ferreira. Atual A&R de sertanejo e forró na Sony Music Brasil, Polly tem visão de mercado muito ampla e apurada no Nordeste. O sertanejo também faz parte do seu trabalho, mas seu coração bate mais forte no forró, no brega e no arrocha. Foi ela quem descobriu antes de todo o Brasil fenômenos como Henry Freitas e Os Barões da Pisadinha, quando ainda trabalhava como editora na Deezer. Agora, com Raphaela fazendo parte de seu casting, conseguirá ampliar o trabalho da cantora a nível nacional.

Raphaela Santos e Polly (Foto: Instagram)

Quem é Ryan Castro, atual fenômeno de Medellín

Artista esgotou o Atanasio Girardot em menos de 3 horas, onde fará o maior show da sua carreira

Foto: Grammy 2026

Novo fenômeno de Medellín, Ryan Castro é a prova viva de que o reggaeton colombiano segue se reinventando. Nascido e criado na capital antioquenha, ele mistura o peso do reggaeton com a vibração contagiante da salsa choque, estilo que carrega a energia das ruas e das festas populares. Antes da fama, vendia comida típica em uma lanchonete — arepas, tacos e bandeja paisa, que o ajudava nas contas em casa. Três anos depois, a história mudou completamente: virou um dos maiores nomes da nova geração da música urbana colombiana.

Apadrinhado por J Balvin, ele rapidamente passou a ser apontado como o “novo Maluma” — não apenas pela origem em Medellín, mas por ser um artista completo. Ryan não é só hit de streaming; ele canta, performa, dança e domina o palco. Em abril, fará o maior show da carreira no Estádio Atanasio Girardot, com ingressos que foram esgotados em menos de três horas. Lotar o Atanasio não é para qualquer um. É praticamente um rito de passagem para quem realmente virou gigante na indústria da música na Colômbia e quer conquistar o continente. Entre seus sucessos estão “Ojalá”, “Parte y Choke” e “Dónde”.

Em dezembro de 2025, ele mostrou que não esquece de onde veio. Fez um show gratuito na Comuna 13, região que marcou sua trajetória, e também se apresentou no El Poblado, bairro onde cantava à noite antes do sucesso explodir e Bello, onde nasceu. Esses movimentos reforçam algo que vai além da música: Ryan carrega Medellín no discurso, na estética e na identidade. Ele representa essa nova geração que saiu das comunas para o mundo, mas sem romper com as próprias raízes.

E aqui entra um lado mais pessoal. Eu ouvia o Ryan no Spotify e, sinceramente, ele parecia “mais um” entre tantos nomes do reggaeton de Medellín. Até que fui a um show dele em Cartagena durante minhas férias no fim do ano passado. Ali, ao vivo, tudo mudou. Ele tem uma presença de palco imponente, luz própria, carisma natural e entrega absolutamente tudo. Não é só voz — é o conjunto da obra.

Ele é o tipo artista de verdade que só as terras colombianas consegue produzir. E em 25 de abril estarei lá novamente, no Atanasio. Dessa vez não será para ver o Atlético Nacional (time do Ryan), mas para ver o show que mudará a carreira dele de patamar. Até porque, alguns fenômenos a gente precisa ver de perto para entender que não são passageiros, mas sim, realidade que oxigeniza a música do país cafetero.

Video: Arquivo Pessoal

Um Cabra Bom de Bola: Ótima animação para começar bem a nova temporada do cinema

Foto: Reprodução

Eu e os Enzo adoramos! Um Cabra Bom de Bola é uma das animações mais empolgantes e visualmente impressionantes lançadas recentemente pela Sony Pictures Animation. O filme mistura humor, emoção e esporte em um mundo animal antropomórfico vibrante, acompanhando a jornada de Will, uma pequena cabra com um sonho gigantesco: provar que pode jogar roarball – um esporte inspirado no basquete, porém ainda mais dinâmico e alucinante. 

O visual da animação é um dos seus grandes trunfos. Com cores fortes, personagens cheios de personalidade e sequências de jogo que mais parecem videogames em movimento, o estilo de Um Cabra Bom de Bola é ao mesmo tempo ousado e eficiente, lembrando um pouco a experimentação vista em produções como Homem-Aranha no Aranhaverso — mas com sua própria identidade visual. A direção de arte e a fluidez das cenas esportivas criam uma experiência cinematográfica envolvente, ideal para públicos de todas as idades que buscam diversão e energia ininterruptas. 

Além disso, o filme vem conquistando o público nas bilheterias. Desde sua estreia, Um Cabra Bom de Bola ultrapassou a marca de mais de US$ 100 milhões arrecadados globalmente, liderando as paradas nos Estados Unidos e consolidando-se como um dos maiores sucessos recentes da Sony em animação original. Isso é particularmente notável em um cenário competitivo, onde poucos novos títulos originais conseguem capturar tanta atenção do público familiar e jovem. 

Um dos grandes diferenciais dessa produção é a participação de Stephen Curry — tetracampeão da NBA e ícone do basquete mundial — que não só atua como produtor executivo, como também dá voz ao personagem Lenny, uma girafa jogador de roarball. A presença de Curry é mais do que um simples nome no elenco: ele ajudou a moldar alguns dos elementos esportivos do filme e trouxe autenticidade à representação do jogo, além de ser uma peça importante na divulgação e no apelo popular da história. 

No fim das contas, a animação entrega aquilo que promete: algo divertido, cheio de cor, movimento, coração e boas risadas, com uma mensagem clara sobre sonhar grande e desafiar expectativas — tudo temperado com a energia contagiante de um esporte reinventado para encantar públicos ao redor do mundo. É uma experiência cinematográfica que merece ser vista nas telonas, especialmente para quem gosta quando animação, humor e esporte se encontram de forma tão criativa. Vale a pipoca e combo do cinema!

Gallardo se despede do River; Eduardo Coudet e Ariel Holan são os favoritos para seu lugar

El Muñeco dá segundo adeus ao clube que transformou sua história. Foi o técnico que mais cobri na Argentina e guardarei os bons momentos

Foto: Arquivo Pessoal

A segunda passagem de Marcelo Gallardo pelo River Plate terminou de forma melancólica. Depois de um ciclo marcado por derrotas doloridas, eliminações precoces e um time que nunca conseguiu engrenar de verdade, o treinador decidiu pedir demissão nesta segunda-feira e se despede do time contra o Banfield na quinta-feira desta semana. El DT deixa o clube após 35 vitórias, 32 empates e 17 tenebrosas derrotas. Para quem construiu uma era histórica no clube, a saída deixa um gosto amargo — principalmente porque, desta vez, não houve títulos que sustentassem o discurso de reconstrução.

Na primeira etapa, Gallardo foi sinônimo de glória: 2 Libertadores, somou títulos nacionais, finais épicas e um River protagonista na América do Sul. Mas o futebol não vive de passado, e essa segunda passagem acabou atravessada por instabilidade, elenco irregular e um rendimento muito abaixo do que a torcida do Monumental se acostumou a ver. A pressão aumentou rodada após rodada, e o ambiente, que antes era de idolatria absoluta, passou a ser de cobrança constante até culminar na decisão pela saída.

Agora, a diretoria se movimenta para definir o novo comandante. O favorito neste momento é Eduardo Coudet, que desponta como o principal nome da lista. Logo atrás aparece Ariel Holan, tratado como segunda opção mais forte. Na sequência surge Pablo Aymar, ídolo do clube e nome que agrada pela identificação com a casa. Também estão no radar Gabriel Milito, Martín Palermo, Ramón Díaz e Hernán Crespo — todos com perfis distintos e diferentes propostas de jogo.

A decisão não será simples. O River precisa escolher mais do que um treinador: precisa definir que rumo quer tomar após um ciclo frustrado. Substituir Gallardo, mesmo em baixa, é uma responsabilidade enorme. Comandar a equipe do Monumental exige protagonismo, intensidade e títulos. Quem assumir terá a missão de reconstruir a confiança e recolocar o clube no lugar onde sua torcida acredita que ele nunca deveria ter saído: no topo da Argentina e da América.

Marcelo Gallardo foi o técnico que mais cobri na Argentina. Comecei a ver sua trajetória ainda no Nacional (URU), onde ele já se destacava com o cabelo todo bagunçado e uma visão de jogo diferenciada. Sua chegada no River tirou o time de um lamaçal e transformou toda uma estrutura, que começa do porteiro do CT River Camp aos jogadores que passaram por suas mãos na Glória Eterna contra o Boca Juniors em 2018. Apesar da sua estátua em Núñez ser bem estranha, na minha opinião, ele se tornou gigante como o clube. Mas precisa seguir um novo caminho. Sempre lembrarei de suas entrevistas coletivas onde mesmo atrasado, ele respondia a todos nós. Mucha suerte, Muñeco, el Napoleón del Monumental.

Ser mulher no futebol brasileiro é um inferno

Fazer carreira fora, para quem pode, muitas vezes é uma válvula de escape

Foto: O Globo

Ser mulher no futebol brasileiro é, muitas vezes, um exercício diário de resistência. O preconceito atravessa todos os setores: começa na arquibancada, ecoa nas redes sociais e se infiltra dentro de campo, especialmente quando falamos de árbitras e repórteres. A cobrança é sempre maior, a desconfiança é automática e o erro — que para os homens é “normal do jogo” — para a mulher vira sentença definitiva. No Jornalismo Esportivo, então, a barreira é ainda mais cruel: não basta estudar, entender de tática, mercado e bastidores. É preciso provar, todos os dias, que você “merece” estar ali. Neste fim de semana, foi a vez da árbitra, Daiane Muniz, sofrer com comentários horríveis por parte de um jogador no Paulistão.

Enquanto isso, países vizinhos mostram que é possível fazer diferente. Em mercados como o mexicano e o argentino, as mulheres conquistaram mais espaço diante das câmeras, nos estúdios e na beira do campo — e, principalmente, mais respeito. Não é que não exista machismo, ele está em toda parte. Mas há abertura real para crescimento profissional. Lá, repórteres e apresentadoras não são vistas como “enfeite” de transmissão. São jornalistas de verdade. São protagonistas. São vozes que analisam, opinam e pautam. E além disso, são muito respeitadas pelas torcidas.

Eu tive a sorte — e digo sorte mesmo — de construir carreira no futebol mexicano e argentino. Se dependesse exclusivamente do mercado brasileiro, talvez eu não tivesse nem 70% da trajetória que consegui consolidar. Trabalhar fora me deu rodagem, autoridade e reconhecimento que, muitas vezes, são negados aqui dentro. É duro admitir, mas o Brasil ainda trata a mulher no esporte como exceção, quando ela já deveria ser regra.

E o problema vai além do campo. O Brasil vive um retrocesso preocupante em relação à vida e ao respeito à mulher. Durante anos, apontaram o dedo para o México como o país com uma das maiores taxas de feminicídio do mundo. Hoje, o Brasil flerta perigosamente com esse topo vergonhoso. O machismo estrutural que deslegitima uma árbitra é o mesmo que silencia uma vítima. A pergunta que fica é simples e dolorosa: até quando vamos tratar a presença feminina no futebol — e na sociedade — como algo que precisa ser tolerado, e não respeitado?