Pochettino foi o melhor técnico argentino na Copa; Bielsa o pior, como sempre

Seis treinadores da escola porteña marcaram a trajetória de suas seleções no Mundial 2026

Foto: Telemundo Deportes

Os técnicos argentinos voltaram a mostrar sua força nesta Copa do Mundo, mas cada um deixou uma impressão diferente. Para mim, dos seis que estavam na competição, o grande destaque foi Mauricio Pochettino. O trabalho realizado com os Estados Unidos foi diferenciado e merece enorme reconhecimento. Pegou uma seleção que historicamente nunca teve grande tradição e conseguiu transformá-la em um time competitivo, organizado e que até incorporou um pouco da catimba latina, algo impensável há alguns anos. Foi, sem dúvida, o treinador argentino que mais valorizou seu trabalho neste Mundial.

Na segunda posição coloco Lionel Scaloni. Chegar a uma segunda final consecutiva de Copa do Mundo é um feito reservado a pouquíssimos técnicos. Ele repetiu o que Carlos Bilardo havia conseguido décadas atrás, em 1990; e manteve a Argentina entre as maiores potências do planeta. Independentemente do resultado da decisão, consolidou um ciclo histórico para a seleção argentina.

O terceiro lugar fica com Gustavo Alfaro. Eliminar a Alemanha foi uma demonstração clara da identidade que ele consegue dar às suas equipes: organização, disciplina tática e um sistema defensivo extremamente sólido. Logo atrás aparece Sebastián Beccacece. Mesmo enfrentando turbulências no Equador, conseguiu uma vitória marcante sobre a Alemanha e deixou o cargo de maneira digna, sendo eliminado pelos anfitriões, o México, após uma campanha que mostrou evolução da equipe.

Na reta final do ranking está Néstor Lorenzo. A Colômbia tinha elenco para produzir muito mais, mas o treinador nunca conseguiu assumir o controle do vestiário. Acabou se rendendo à dependência de James Rodríguez e deixou no banco jogadores que poderiam dar muito mais intensidade e dinamismo ao time.

Em último lugar, Marcelo Bielsa. Novamente, sua passagem por uma Copa termina de forma decepcionante. O Uruguai jamais conseguiu atuar como uma equipe de verdade, e a relação desgastada entre elenco e treinador ficou evidente durante o torneio. A melancolia da campanha contrastou com os tempos do Maestro Tabárez, quando a Celeste tinha identidade, união e competitividade. Em geral, os técnicos argentinos seguem seus princípios e continuarão dominantes no mercado da bola.

Argentina e Colômbia precisam se reformular para 2030

Copa do Mundo mostrou o quanto as duas seleções devem aprender a viver sem seus camisas 10 daqui pra frente

Foto: TyC Sports

A Copa do Mundo de 2026 deixou um recado muito claro para Argentina e Colômbia: é hora de iniciar uma grande reformulação. Pensando em 2030, não faz sentido imaginar que as duas seleções chegarão competitivas mantendo praticamente a mesma base. O ciclo mudou, o futebol mudou e, principalmente, os protagonistas também estão mudando. Por coincidência, ambas foram as finalistas da última Copa América, sendo as seleções do continente que também foram mais longe no Mundial deste ano.

No caso da Argentina, o maior desafio será aprender a viver sem Lionel Messi. Nenhum jogador será capaz de substituí-lo individualmente, porque isso simplesmente não existe. O caminho será construir uma equipe com novas lideranças, uma identidade coletiva forte e dar espaço para uma geração que já começa a aparecer. Alguns nomes mais jovens da atual seleção devem permanecer, mas boa parte do elenco precisará ser renovada para que a equipe chegue forte ao próximo Mundial.

A Colômbia vive uma situação semelhante. James Rodríguez foi o grande símbolo de uma geração histórica, mas o futebol colombiano precisa olhar para frente. É hora de deixar de depender do camisa 10 e montar uma seleção pensando no futuro, aproveitando alguns atletas que ainda podem contribuir, mas abrindo espaço para novos protagonistas. Permanecer preso ao passado pode custar mais um ciclo perdido.

Na minha visão, cerca de 70% do elenco das duas seleções precisa ser renovado até 2030. Não significa descartar toda a experiência, mas entender que um novo ciclo exige novas ideias, novas lideranças e jogadores fisicamente preparados para disputar uma Copa do Mundo em alto nível. Argentina e Colômbia têm talento de sobra nas categorias de base. Agora, falta coragem para iniciar essa transição antes que seja tarde demais.

Por acaso, ou não, a Argentina se tornou outra após morte de Maradona

Provável que Don Diego se tornou o Deus que eles tanto queriam no céu

Foto: Clarín Deportes

Há coincidências que o futebol nunca consegue explicar. E talvez a maior delas seja a transformação da Argentina depois da morte de Diego Maradona, em 30 de novembro de 2020. Não se trata de dizer que foi ele quem ganhou os títulos do céu. Trata-se de reconhecer que, desde aquele dia, algo mudou. Mudou a seleção. Mudou Lionel Messi. Mudou a forma como a Argentina passou a competir.

Maradona sempre foi uma presença constante na vida da seleção. Esteve à beira do campo como treinador na Copa de 2010, viveu intensamente cada jogo e monopolizava as câmeras por onde passava. Em 2018, na dramática vitória sobre a Nigéria, protagonizou uma das imagens mais marcantes de sua vida, com os braços erguidos nas arquibancadas e um feixe de luz em cima de sua cabeça. Para os argentinos, Don Diego era muito mais do que um ex-jogador: era uma entidade nacional, quase uma divindade. O destino, porém, foi cruel. Ele jamais viu a Argentina conquistar outro grande título depois da Copa do Mundo de 1986.

Quase oito meses após sua morte, a Argentina venceu a Copa América no Maracanã, encerrando um jejum de 28 anos. Dias depois da partida, era impossível não lembrar que outro personagem fundamental também já não estava entre nós: Alejandro Sabella, o técnico da campanha da Copa de 2014, falecido em 8 de dezembro de 2020, apenas oito dias depois de Maradona. Dois símbolos do futebol argentino partiram sem ver a geração que enfim voltaria a colocar o país no topo. Para quem gosta de poesia no esporte, é como se Diego e Sabella tivessem se transformado em duas estrelas guiando essa equipe aguerrida, intensa e obstinada, que aprendeu a vencer dando o sangue até o último minuto.

E talvez a maior transformação tenha acontecido justamente em Messi. Ainda na semana da morte de Maradona, ele prestou uma homenagem inesquecível ao marcar um gol e reproduzir exatamente a comemoração de Diego com a camisa do Newell’s Old Boys, clube pelo qual ambos passaram. Mas a mudança foi muito além daquele gesto. O Messi reservado, quase tímido, deu lugar a um líder emocional. Na Copa do Mundo de 2022, apareceu o capitão que peitou adversários, discutiu, brigou pelo grupo e eternizou o famoso “¿Qué mirás, bobo?”. Era um Messi diferente, mais argentino do que nunca, disposto a carregar o peso da camisa e da história. Se teve uma época que ele nem cantava o hino e até pediu dispensa da seleção, dessa vez ele canta a plenos pulmões: “O juremos con gloria morir”.

Coincidência? Talvez. Futebol também vive de símbolos, de crenças e de histórias que desafiam qualquer explicação racional. Ninguém pode afirmar que a morte de Maradona mudou o destino da Argentina. Mas é impossível ignorar que, desde que Diego partiu, a seleção encontrou sua identidade definitiva, Messi alcançou a plenitude como líder e Scaloni construiu uma equipe que resgatou a essência maradoniana e, ao mesmo tempo, herdou muito da organização deixada por Sabella. Entre o céu, a terra e a Argentina, existem mistérios que a ciência talvez nunca explique. E entre Maradona, Messi e a Selección existe uma conexão que os números jamais conseguirão traduzir. Nem sempre o céu explica tudo, como se afirma na música de Henrique & Juliano.

A Odisseia: Entreguem o Oscar

O maior filme da década chegou, entregando tudo o que prometeu

Foto: Reprodução

Depois de tanta expectativa, Christopher Nolan entrega em A Odisseia exatamente aquilo que prometeu — e talvez até mais. É um daqueles filmes que prendem o espectador do primeiro ao último minuto. Não existe espaço para distração: cada cena tem um propósito, cada diálogo carrega peso e cada decisão faz a jornada de Ulisses ficar ainda mais envolvente. É uma experiência intensa, instigante e emocionante.

O que mais impressiona é o respeito pela obra que inspirou o filme. Nolan consegue transformar um dos maiores clássicos da literatura em um espetáculo cinematográfico sem perder a essência da história. A grandiosidade das batalhas, a beleza dos cenários, a tensão constante e a humanidade dos personagens fazem com que a longa jornada de retorno para casa ganhe uma força impressionante na tela.

O elenco também merece todos os aplausos. Matt Damon entrega um Ulisses marcante, equilibrando inteligência, vulnerabilidade e liderança. Tom Holland, Anne Hathaway e o restante do elenco estrelado estão impecáveis, cada um encontrando o tom perfeito para seus personagens. É o tipo de filme em que ninguém parece fora do lugar; tudo funciona no tempo certo, com atuações de altíssimo nível.

Saí do cinema completamente emocionada. Fazia tempo que um filme não me deixava com essa sensação de estar diante de algo realmente especial. Vale o ingresso, vale o combo, vale cada minuto na sala de cinema. Para mim, A Odisseia já entra na disputa como o melhor filme do ano e, sinceramente, tem tudo para ser lembrado como um dos grandes filmes da década. É uma obra gigantesca, daquelas que ficam na memória muito depois que os créditos terminam. Vai levar o Oscar e todos os prêmios possíveis!

Foto: Arquivo pessoal

Bilardo passa bem!

E é uma obrigação de todos nós, bilardistas, aguentar essa Copa até o fim igual a ele 😂

Foto: TyC Sports (2022)

Há algo de profundamente emocionante em saber que Carlos Bilardo continua vivendo o futebol, mesmo que hoje o faça em silêncio. O treinador que revolucionou a Seleção Argentina, campeão do mundo em 1986 e vice em 1990, já não pode mais participar dos intermináveis debates táticos que marcaram sua carreira. Mas, diante da televisão, quando Lionel Messi veste a camisa da Argentina, ainda existe um brilho. Um sorriso discreto. Um gesto que diz muito mais do que qualquer palavra.

Jorge Bilardo revelou que o irmão acompanha todos os jogos da Albiceleste durante a Copa do Mundo. Não há grandes conversas, nem análises sobre esquemas táticos ou movimentações defensivas. Carlos observa atentamente, fixa os olhos em Messi e sorri quando o camisa 10 decide uma partida. Para quem dedicou a vida inteira ao futebol, talvez esse seja o último idioma que permaneça intacto: a emoção provocada pela bola rolando.

É impossível não enxergar um simbolismo nessa cena. Bilardo pertence a uma geração que teve Diego Maradona como seu grande líder em campo. Décadas depois, acompanha Lionel Messi escrevendo outro capítulo eterno da história argentina. São épocas diferentes, jogadores diferentes e contextos distintos, mas unidos por uma mesma paixão que sempre moveu o “Narigón”: ver a Seleção Argentina competir para vencer.

O estado de saúde de Bilardo inspira cuidados permanentes, mas essas pequenas reações mostram que algumas memórias afetivas permanecem vivas. O futebol continua encontrando um caminho até ele. E talvez essa seja a maior vitória de todas: perceber que, mesmo diante das limitações impostas pela doença, o homem que fez da estratégia uma arte ainda consegue sorrir quando vê a Argentina em campo. Para quem conhece a história de Carlos Bilardo, esse sorriso vale tanto quanto qualquer título. E se ele está sobrevivendo a essa trajetória sofrida da Argentina, seguimos como ele, resilientes.

Minions & Monstros: O filme das férias chegou

Divertido e inteligente, com os minions em sua melhor forma para agradar Enzos e adultos

Foto: Arquivo Pessoal

Minions e Monstros chegou aos cinemas como o grande filme das férias. É uma animação extremamente divertida, leve e feita para arrancar gargalhadas do começo ao fim. As crianças se encantam com o humor característico dos Minions, enquanto os adultos encontram uma oportunidade perfeita para esquecer os problemas do lado de fora da sala e simplesmente aproveitar uma boa sessão de cinema. É o tipo de filme que diverte todas as idades sem precisar complicar a própria proposta.

Além do humor, o longa acerta ao entregar uma história inteligente, dinâmica e muito bem construída. Tudo funciona no tempo certo, com piadas que agradam tanto ao público infantil quanto aos espectadores mais velhos. É uma produção que entende perfeitamente o seu público e transforma cada cena em uma experiência leve e extremamente agradável fazendo várias referências aos clássicos do cinema. Eu me diverti do início ao fim e saí da sessão com a sensação de que valeu cada minuto.

E se existe um filme que justifica o passeio completo ao cinema, é este. Vale o ingresso, vale o combo, vale até passar na Americanas antes da sessão para garantir aquele salgadinho. Mesmo com os shoppings completamente tomados pelas crianças durante as férias escolares, o clima é justamente o que se espera de um lançamento como esse: famílias reunidas, muita animação e uma plateia que entra de cabeça na diversão. E, diga-se de passagem, as crianças deram um show de comportamento durante a sessão, completamente envolvidas pela magia dos Minions.

Tudo indica que Minions e Monstros será um dos grandes fenômenos de bilheteria desta temporada, disputando espaço diretamente com Toy Story 5. Mas os Minions chegaram com o pé na porta e mostram que têm força de sobra para dominar as férias. É um dos melhores filmes do ano até aqui, uma animação que entrega exatamente o que promete e ainda consegue superar as expectativas. Diversão garantida para toda a família.