Riquelme confirmou que vai despachar Claudio Úbeda. Gareca é desejo antigo do clube

A possível chegada de Ricardo Gareca ao Boca Juniors desperta curiosidade não apenas pelo peso de seu nome no futebol sul-americano, mas também pelo estilo de jogo que costuma implementar em suas equipes. Ao longo da carreira, o treinador argentino construiu uma identidade baseada em organização tática, equilíbrio entre defesa e ataque e valorização da posse de bola. Considerado por muitos um técnico de influência menottista, Gareca costuma defender um futebol propositivo, com equipes que buscam controlar as partidas através da técnica e da construção das jogadas.
Diferentemente de treinadores que apostam em um futebol excessivamente defensivo ou totalmente ofensivo, Gareca procura um ponto de equilíbrio. Suas equipes geralmente apresentam linhas compactas, boa ocupação de espaços e uma saída de bola trabalhada desde a defesa. O objetivo é controlar o ritmo do jogo e reduzir os erros que possam oferecer oportunidades ao adversário, sem abrir mão da busca pelo protagonismo.
Outro ponto marcante de seu trabalho é a confiança nos jogadores de velocidade pelos lados do campo. Gareca gosta de equipes capazes de acelerar as jogadas rapidamente após recuperar a posse, explorando os espaços deixados pelos rivais. Ao mesmo tempo, costuma exigir bastante movimentação dos atacantes, que participam não apenas da finalização das jogadas, mas também da construção ofensiva.
A passagem histórica pela seleção peruana talvez seja o melhor exemplo de sua filosofia. Sob seu comando, o Peru apresentou um futebol competitivo, organizado e, em muitos momentos, bastante agradável de assistir vivendo a melhor fase da seleção peruana até hoje. Gareca conseguiu potencializar atletas que não eram considerados estrelas internacionais e transformou o conjunto em sua principal força, algo que costuma ser uma de suas maiores virtudes.
Nos bastidores do Boca Juniors, cresce a expectativa de que essa filosofia possa desembarcar em La Bombonera nos próximos meses. Após a confirmação de Juan Román Riquelme de que Claudio Úbeda não seguirá no comando da equipe, a tendência é que a mudança seja oficializada ao fim de junho. O grande sonho da diretoria é contar com Ricardo Gareca já em julho, durante a pausa da Copa do Mundo, iniciando um novo ciclo em um dos clubes mais exigentes do continente. Caso a negociação avance, o Boca apostará em um treinador experiente, identificado com um futebol de proposta ofensiva e que acredita na força do jogo coletivo para alcançar resultados.