Colômbia terá segundo turno nas eleições presidenciais

Candidato do atual presidente ficou em segundo lugar na votação deste domingo. Decisão será dia 21 de junho

Foto: RCN Notícias

A eleição presidencial da Colômbia chega ao segundo turno em um cenário de forte polarização entre dois projetos completamente diferentes para o país. De um lado está Abelardo de la Espriella, advogado de direita que terminou o primeiro turno na liderança com cerca de 44% dos votos. Do outro, Iván Cepeda, senador de esquerda ligado ao presidente Gustavo Petro, que ficou próximo dos 41%. A votação decisiva acontece em 21 de junho e promete ser uma das mais disputadas da história recente do país.  

O cenário parece inicialmente mais favorável para De la Espriella porque boa parte do eleitorado conservador e de direita já começou a se unificar ao seu redor. Lideranças tradicionais, incluindo aliados do ex-presidente Álvaro Uribe, declararam apoio ao candidato após o primeiro turno. Além disso, a preocupação crescente da população com segurança pública, narcotráfico e violência tem fortalecido seu discurso de endurecimento contra grupos criminosos, estratégia que lembra, para muitos analistas, o modelo adotado por Nayib Bukele.  

Já Cepeda aposta em outro caminho para tentar virar a disputa. Sua esperança está na mobilização dos eleitores de centro, dos jovens e dos setores que temem uma guinada muito forte à direita. O senador defende a continuidade de políticas sociais, negociações de paz com grupos armados e reformas iniciadas durante o governo Petro. Analistas apontam que parte dos eleitores moderados pode migrar para Cepeda caso considere De la Espriella excessivamente radical ou imprevisível. A taxa de participação no primeiro turno também deixou milhões de eleitores fora das urnas, o que abre espaço para mudanças no quadro eleitoral.  

No cenário internacional, a disputa também desperta atenção. O governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva tende a enxergar uma eventual vitória de Cepeda com mais simpatia política, já que ele representa a continuidade de uma linha próxima à de Petro em temas como integração regional, diálogo diplomático e políticas sociais. Por outro lado, a Argentina de Javier Milei provavelmente veria com melhores olhos uma vitória de De la Espriella, que possui discurso liberal na economia, postura mais conservadora e forte oposição à esquerda latino-americana.

Mesmo que Brasil e Argentina dificilmente façam declarações formais de apoio durante a campanha, o resultado poderá influenciar diretamente o equilíbrio político da América do Sul nos próximos anos, especialmente em temas como segurança regional, comércio, energia e integração continental. Essa é uma das razões pelas quais o segundo turno colombiano vem sendo acompanhado com tanta atenção pelos governos vizinhos.

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