Bilardo passa bem!

E é uma obrigação de todos nós, bilardistas, aguentar essa Copa até o fim igual a ele 😂

Foto: TyC Sports (2022)

Há algo de profundamente emocionante em saber que Carlos Bilardo continua vivendo o futebol, mesmo que hoje o faça em silêncio. O treinador que revolucionou a Seleção Argentina, campeão do mundo em 1986 e vice em 1990, já não pode mais participar dos intermináveis debates táticos que marcaram sua carreira. Mas, diante da televisão, quando Lionel Messi veste a camisa da Argentina, ainda existe um brilho. Um sorriso discreto. Um gesto que diz muito mais do que qualquer palavra.

Jorge Bilardo revelou que o irmão acompanha todos os jogos da Albiceleste durante a Copa do Mundo. Não há grandes conversas, nem análises sobre esquemas táticos ou movimentações defensivas. Carlos observa atentamente, fixa os olhos em Messi e sorri quando o camisa 10 decide uma partida. Para quem dedicou a vida inteira ao futebol, talvez esse seja o último idioma que permaneça intacto: a emoção provocada pela bola rolando.

É impossível não enxergar um simbolismo nessa cena. Bilardo pertence a uma geração que teve Diego Maradona como seu grande líder em campo. Décadas depois, acompanha Lionel Messi escrevendo outro capítulo eterno da história argentina. São épocas diferentes, jogadores diferentes e contextos distintos, mas unidos por uma mesma paixão que sempre moveu o “Narigón”: ver a Seleção Argentina competir para vencer.

O estado de saúde de Bilardo inspira cuidados permanentes, mas essas pequenas reações mostram que algumas memórias afetivas permanecem vivas. O futebol continua encontrando um caminho até ele. E talvez essa seja a maior vitória de todas: perceber que, mesmo diante das limitações impostas pela doença, o homem que fez da estratégia uma arte ainda consegue sorrir quando vê a Argentina em campo. Para quem conhece a história de Carlos Bilardo, esse sorriso vale tanto quanto qualquer título. E se ele está sobrevivendo a essa trajetória sofrida da Argentina, seguimos como ele, resilientes.

Minions & Monstros: O filme das férias chegou

Divertido e inteligente, com os minions em sua melhor forma para agradar Enzos e adultos

Foto: Arquivo Pessoal

Minions e Monstros chegou aos cinemas como o grande filme das férias. É uma animação extremamente divertida, leve e feita para arrancar gargalhadas do começo ao fim. As crianças se encantam com o humor característico dos Minions, enquanto os adultos encontram uma oportunidade perfeita para esquecer os problemas do lado de fora da sala e simplesmente aproveitar uma boa sessão de cinema. É o tipo de filme que diverte todas as idades sem precisar complicar a própria proposta.

Além do humor, o longa acerta ao entregar uma história inteligente, dinâmica e muito bem construída. Tudo funciona no tempo certo, com piadas que agradam tanto ao público infantil quanto aos espectadores mais velhos. É uma produção que entende perfeitamente o seu público e transforma cada cena em uma experiência leve e extremamente agradável fazendo várias referências aos clássicos do cinema. Eu me diverti do início ao fim e saí da sessão com a sensação de que valeu cada minuto.

E se existe um filme que justifica o passeio completo ao cinema, é este. Vale o ingresso, vale o combo, vale até passar na Americanas antes da sessão para garantir aquele salgadinho. Mesmo com os shoppings completamente tomados pelas crianças durante as férias escolares, o clima é justamente o que se espera de um lançamento como esse: famílias reunidas, muita animação e uma plateia que entra de cabeça na diversão. E, diga-se de passagem, as crianças deram um show de comportamento durante a sessão, completamente envolvidas pela magia dos Minions.

Tudo indica que Minions e Monstros será um dos grandes fenômenos de bilheteria desta temporada, disputando espaço diretamente com Toy Story 5. Mas os Minions chegaram com o pé na porta e mostram que têm força de sobra para dominar as férias. É um dos melhores filmes do ano até aqui, uma animação que entrega exatamente o que promete e ainda consegue superar as expectativas. Diversão garantida para toda a família.

Pragmático como Bilardo, Alfaro vai encarar a melhor seleção da atualidade

Após eliminar a Alemanha, Paraguai enfrenta nada menos que o exército de Napoleão e Mbappé

Foto: FIFA WC

Gustavo Alfaro volta a mostrar nesta Copa do Mundo por que é um dos treinadores mais competitivos do futebol sul-americano. A trajetória do Paraguai começou da pior forma possível, com uma derrota diante dos Estados Unidos de Mauricio Pochettino, em um interessante duelo entre dois treinadores argentinos. Naquele primeiro jogo, o time paraguaio sofreu com a intensidade americana e viu o adversário impor seu ritmo. Mas, ao contrário de muitas seleções que se abalam após uma estreia ruim, Alfaro manteve suas convicções e trabalhou em cima do que considera inegociável: organização, disciplina tática e competitividade.

A partir dali, o Paraguai cresceu rodada após rodada. Sem abrir mão de um futebol pragmático, muito bem estruturado defensivamente e extremamente comprometido sem a bola, a equipe encontrou seu caminho na competição. É um estilo que lembra um bilardismo moderado: linhas compactas, pouca exposição, aproveitamento máximo das oportunidades e uma enorme capacidade de sofrer sem perder a organização. A grande prova desse amadurecimento veio no mata-mata, quando eliminou a Alemanha, uma das favoritas ao título, mostrando que, em Copa do Mundo, nem sempre quem controla mais a posse controla o jogo. O Paraguai soube transformar a partida exatamente no cenário que mais lhe interessava e saiu com uma classificação histórica.

O trabalho de Alfaro também ganha ainda mais valor quando se observa sua trajetória recente em Mundiais. Em 2022, comandando a seleção do Equador, ele levou uma equipe jovem para as oitavas de final, organizando um time competitivo, intenso e muito difícil de ser batido. Embora tenha sido eliminado pela Inglaterra, deixou a impressão de que havia extraído praticamente o máximo daquele elenco. Agora, no Paraguai, repete a fórmula: constrói uma equipe antes de pensar em construir um espetáculo. Seu futebol pode não ser o mais bonito para quem valoriza apenas a posse de bola, mas dificilmente deixa seus jogadores desorganizados ou vulneráveis.

O próximo desafio, porém, será o maior de todos. Pela frente está a França, provavelmente a seleção que chega em melhor momento nesta Copa do Mundo. Os franceses possuem enorme qualidade técnica, velocidade, profundidade e um poder ofensivo capaz de desmontar qualquer sistema defensivo. Para Alfaro, será mais uma oportunidade de provar que, em torneios curtos, estratégia, disciplina e competitividade podem equilibrar diferenças técnicas. Se alguém mostrou nesta Copa que sabe transformar uma equipe desacreditada em um adversário indigesto, esse alguém foi Gustavo Alfaro. Agora resta saber se seu pragmatismo será suficiente para superar aquela que, até aqui, parece ser a equipe mais forte do Mundial.

Bielsa passa vergonha em mais uma Copa

Graças a Deus nasci Bilardista!

Foto: FIFA WC

O Uruguai encerrou sua participação nesta Copa do Mundo da pior maneira possível: eliminado sem vencer uma única partida. Foram dois empates e uma derrota para a Espanha, em um jogo de baixíssimo nível técnico. A seleção espanhola também esteve muito longe de fazer uma grande atuação, mas conseguiu encontrar um lance decisivo para vencer por 1 a 0. No fim das contas, foi um verdadeiro espetáculo de erros, pouca criatividade e quase nenhuma inspiração das duas equipes.

Mais uma vez, o trabalho de Marcelo Bielsa deixa a sensação de que existe muito discurso e pouca efetividade. A ideia de jogo baseada em posse de bola, intensidade e pressão alta pode até encantar em determinados momentos, mas, quando chega a hora das grandes decisões, o que fica é a ausência de resultados. Futebol não se resume a estatísticas de posse ou volume ofensivo. O que decide campeonatos continua sendo eficiência, organização e capacidade de transformar superioridade em gols.

Após a eliminação, Bielsa ainda protagonizou uma cena lamentável ao responder de forma ríspida a uma repórter durante a entrevista no gramado. Independentemente da frustração pela derrota, espera-se que um treinador com sua experiência saiba lidar melhor com a imprensa e com o momento difícil. A atitude apenas reforçou a imagem de um técnico muitas vezes visto como excessivamente convicto de suas próprias ideias, mesmo quando os resultados não correspondem às expectativas.

O Mundial termina como um duro golpe para a seleção uruguaia. Com um elenco talentoso e tradição em competições internacionais, esperava-se muito mais do que uma campanha sem vitórias e uma eliminação precoce. No futebol, conceitos e filosofias têm seu valor, mas a história é escrita pelos resultados. Quando eles não aparecem, sobra apenas a frustração de uma campanha que ficará marcada como uma das mais decepcionantes da história recente da Celeste.

A eliminação apenas reforça um roteiro que já se repetiu diversas vezes na carreira de Marcelo Bielsa. Depois do enorme fracasso na Copa do Mundo de 2002, quando comandava uma talentosa seleção argentina que sequer conseguiu passar da fase de grupos, vieram outras campanhas decepcionantes em Mundiais. Com o Chile, apesar dos elogios ao estilo de jogo, os resultados também ficaram muito abaixo do esperado saindo nas oitavas em 2010. Mais uma vez, o discurso, a filosofia e a posse de bola não se transformaram em conquistas.

No futebol, ideias bonitas precisam ser acompanhadas de títulos e campanhas marcantes. Bielsa continua sendo reverenciado por muitos como um gênio, mas sua trajetória em Copas do Mundo está muito mais associada às frustrações do que aos grandes feitos. E, vendo mais um fracasso do bielsismo no maior palco do futebol, só posso repetir uma frase: graças a Deus, sou bilardista.

Supergirl: Fiel aos quadrinhos e tudo na medida certa

Em meio à Copa do Mundo, Krypto volta aos cinemas ao lado de sua dona

Foto: Arquivo Pessoal

Supergirl é uma das grandes surpresas do ano. O filme entrega exatamente aquilo que os fãs esperavam da personagem: muita ação, aventura, emoção e um bom equilíbrio entre os momentos mais leves e os mais tensos. A trama consegue manter um ritmo constante do início ao fim, sem se perder em exageros ou em longas explicações. É um daqueles filmes que prendem a atenção e fazem as quase duas horas passarem rapidamente.

Um dos maiores acertos da produção está na forma como a heroína é retratada. A Supergirl apresentada nas telas é forte, determinada e carismática, mas também carrega suas dúvidas, dores e conflitos pessoais. Isso faz com que a personagem pareça humana e próxima do público, algo fundamental para criar conexão emocional. Os momentos dramáticos funcionam muito bem e ajudam a dar peso às decisões que ela toma ao longo da história.

A ação também merece destaque. As cenas de combate são bem coreografadas, os efeitos visuais convencem e há sequências que realmente passam a sensação de grandiosidade que se espera de uma produção da DC. Ao mesmo tempo, o filme não esquece de incluir momentos divertidos e até algumas situações engraçadas que aliviam a tensão sem quebrar o clima da narrativa. Tudo parece estar na medida certa, sem excessos. Além disso, dois personagens acabam roubando a cena em vários momentos: o irreverente Lobo, que está simplesmente perfeito na adaptação, e o adorável Krypto. Sempre que aparece em tela, Krypto conquista o público com seu jeito atrapalhado e carismático, rendendo alguns dos momentos mais divertidos e fofos do filme.

Outro ponto positivo é a fidelidade ao material original. Os fãs dos quadrinhos certamente vão reconhecer referências, características da personagem e elementos importantes do universo da DC que foram respeitados na adaptação. Por isso, Supergirl é um filme que vale o preço do ingresso e entrega uma experiência muito satisfatória para quem gosta de histórias de super-heróis. Já o combo do cinema talvez não seja tão indispensável assim — principalmente em salas que nem oferecem um temático do filme. Nesse caso, talvez valha mais a pena garantir um salgadinho das Americanas antes da sessão e aproveitar a aventura sem gastar além da conta.

Bielsa e Beccacece mostram que estilo bielsista não cabe em Copa do Mundo

Foto: Diario Olé

A segunda rodada da Copa do Mundo voltou a expor uma discussão que acompanha o futebol sul-americano há anos. Tanto Sebastián Beccacece, no Equador, quanto Marcelo Bielsa, no Uruguai, tropeçaram novamente em resultados que deixaram suas seleções em situação delicada. O Equador ficou no empate sem gols diante de Curaçao, enquanto o Uruguai empatou por 2 a 2 com Cabo Verde. Em comum, os dois jogos tiveram a marca registrada dos times comandados por discípulos da escola bielsista: muita movimentação, intensidade e volume de jogo, mas pouca capacidade de transformar superioridade em vitórias.

O chamado “bielsismo” sempre encantou torcedores, jornalistas e até outros treinadores. A proposta ofensiva, a pressão alta e a coragem para atacar são conceitos que ajudaram a revolucionar o futebol moderno. O problema é que Copa do Mundo não premia intenções. Como dizia Zagallo, um Mundial é composto por oito finais. Cada partida exige maturidade competitiva, leitura de contexto e eficiência. Quando um time cria muito e não marca, ou quando se expõe demais defensivamente em busca de um ideal estético, o resultado costuma ser o mesmo: pontos perdidos.

O empate do Equador contra Curaçao talvez seja o exemplo mais claro disso. Diante de um adversário teoricamente inferior, a seleção de Beccacece teve dificuldades para transformar posse de bola e iniciativa em chances realmente perigosas. Já o Uruguai de Bielsa conseguiu marcar duas vezes contra Cabo Verde, mas voltou a apresentar fragilidades defensivas incompatíveis com uma equipe que sonha em competir entre as melhores do mundo. São erros que não podem ser tratados como detalhes em um torneio tão curto. Em Copa do Mundo, eficiência vale tanto quanto qualidade técnica.

Talvez a exceção mais interessante entre os treinadores influenciados por Bielsa seja Mauricio Pochettino. Embora tenha absorvido conceitos do mestre argentino, seu trabalho atual nos Estados Unidos parece seguir um caminho diferente, mais próximo do menotismo e de referências como José Pekerman na Colômbia de 2014. Há mais equilíbrio entre ataque e defesa, entre ideia e resultado. E é justamente esse equilíbrio que parece faltar ao bielsismo quando o cenário é uma Copa do Mundo. Porque, no fim das contas, Mundiais não são vencidos por quem apresenta a filosofia mais sedutora, mas por quem consegue transformar boas ideias em vitórias. E, até aqui, Bielsa e seus herdeiros seguem devendo essa resposta nos momentos mais decisivos. Nem precisamos lembrar da bagunça de Jorge Sampaoli na Argentina de 2018…