Péssimo nos clubes, mas excelente na seleção, camisa 10 cafetero gera desconfiança por falta de ritmo de jogos

A pré-lista de 55 nomes da seleção da Colômbia para a Copa do Mundo de 2026 colocou novamente James Rodríguez no centro de um debate que divide o país. Para muitos colombianos, o camisa 10 ainda merece mais um Mundial por tudo o que representa para a história do futebol do país. Afinal, mesmo vivendo temporadas instáveis nos clubes nos últimos anos, James continua sendo visto como um dos maiores talentos que a Colômbia já produziu, especialmente pela forma como se transforma quando veste a camisa da seleção. Há quem enxergue nele o último grande elo daquela geração que encantou o mundo em 2014 e alcançou as quartas de final no Brasil.
Por outro lado, uma parte da torcida acredita que esse ciclo já deveria ter terminado. O argumento principal é que James praticamente deixou de ter sequência em clubes importantes há cinco ou seis anos. Entre mudanças constantes de país, contratos curtos e períodos treinando sozinho, ele passou a viver muito mais da memória construída no passado do que do rendimento atual no futebol de alto nível. Ainda assim, toda vez que atua pela Colômbia, o meia parece recuperar a confiança, a liderança e o brilho técnico que desapareceram em muitos momentos da carreira desde a base do Envigado, seu surgimento no Banfield, até sua boa fase europeia após passagens por gigantes como Porto, Real Madrid e Bayern de Munique.

A discussão também passa pelo papel que James teria dentro do elenco comandado por Néstor Lorenzo. Hoje, a seleção colombiana possui uma geração mais madura e competitiva, com Luis Díaz vivendo o auge técnico e nomes como Richard Ríos ganhando espaço e protagonismo. Por isso, muitos torcedores questionam se vale a pena montar parte do time pensando em um jogador que talvez já não tenha condições físicas de suportar 90 minutos em partidas decisivas. Existe até a possibilidade de James ser utilizado mais como liderança de grupo ou opção pontual durante os jogos, enquanto Radamel Falcao García pode integrar a comissão técnica e ajudar justamente nessa transição entre gerações.
No fundo, o debate sobre James Rodríguez vai além do futebol. Ele representa a dúvida entre apostar na experiência de um ídolo histórico ou acelerar de vez a renovação pensando em uma Colômbia capaz de fazer algo maior em 2026. A torcida colombiana não quer apenas repetir campanhas dignas; quer sonhar novamente com uma seleção capaz de ir além das quartas de final e disputar espaço entre as potências do Mundial. E é justamente aí que nasce a pergunta que hoje domina o país: ainda existe espaço para James em uma seleção que já encontrou novos protagonistas? A resposta definitiva só virá quando sair a convocação oficial do DT Néstor.