Após eliminar a Alemanha, Paraguai enfrenta nada menos que o exército de Napoleão e Mbappé

Gustavo Alfaro volta a mostrar nesta Copa do Mundo por que é um dos treinadores mais competitivos do futebol sul-americano. A trajetória do Paraguai começou da pior forma possível, com uma derrota diante dos Estados Unidos de Mauricio Pochettino, em um interessante duelo entre dois treinadores argentinos. Naquele primeiro jogo, o time paraguaio sofreu com a intensidade americana e viu o adversário impor seu ritmo. Mas, ao contrário de muitas seleções que se abalam após uma estreia ruim, Alfaro manteve suas convicções e trabalhou em cima do que considera inegociável: organização, disciplina tática e competitividade.
A partir dali, o Paraguai cresceu rodada após rodada. Sem abrir mão de um futebol pragmático, muito bem estruturado defensivamente e extremamente comprometido sem a bola, a equipe encontrou seu caminho na competição. É um estilo que lembra um bilardismo moderado: linhas compactas, pouca exposição, aproveitamento máximo das oportunidades e uma enorme capacidade de sofrer sem perder a organização. A grande prova desse amadurecimento veio no mata-mata, quando eliminou a Alemanha, uma das favoritas ao título, mostrando que, em Copa do Mundo, nem sempre quem controla mais a posse controla o jogo. O Paraguai soube transformar a partida exatamente no cenário que mais lhe interessava e saiu com uma classificação histórica.
O trabalho de Alfaro também ganha ainda mais valor quando se observa sua trajetória recente em Mundiais. Em 2022, comandando a seleção do Equador, ele levou uma equipe jovem para as oitavas de final, organizando um time competitivo, intenso e muito difícil de ser batido. Embora tenha sido eliminado pela Inglaterra, deixou a impressão de que havia extraído praticamente o máximo daquele elenco. Agora, no Paraguai, repete a fórmula: constrói uma equipe antes de pensar em construir um espetáculo. Seu futebol pode não ser o mais bonito para quem valoriza apenas a posse de bola, mas dificilmente deixa seus jogadores desorganizados ou vulneráveis.
O próximo desafio, porém, será o maior de todos. Pela frente está a França, provavelmente a seleção que chega em melhor momento nesta Copa do Mundo. Os franceses possuem enorme qualidade técnica, velocidade, profundidade e um poder ofensivo capaz de desmontar qualquer sistema defensivo. Para Alfaro, será mais uma oportunidade de provar que, em torneios curtos, estratégia, disciplina e competitividade podem equilibrar diferenças técnicas. Se alguém mostrou nesta Copa que sabe transformar uma equipe desacreditada em um adversário indigesto, esse alguém foi Gustavo Alfaro. Agora resta saber se seu pragmatismo será suficiente para superar aquela que, até aqui, parece ser a equipe mais forte do Mundial.




