Especial cheio de ação com Frank Castle está no Disney Plus
Foto: Televisa
Um banquete de sangue! O Justiceiro: Uma Última Morte mostra exatamente por que Jon Bernthal nasceu para viver Frank Castle. Ele entende o peso do personagem, a dor, a raiva e principalmente o lado humano do Justiceiro. Mesmo em meio a tanta violência, o especial consegue entregar emoção e uma carga dramática muito forte. Não é só tiro, morte e vingança: é um personagem completamente destruído tentando encontrar algum sentido depois de tudo o que viveu.
O mais interessante é como o especial abraça de vez esse lado urbano e pesado da Marvel. A ação é brutal, intensa e sem economizar impacto, lembrando bastante o clima das séries da Netflix que os fãs tanto gostavam. E isso funciona porque Bernthal entrega uma presença absurda em cena. Cada olhar dele passa sofrimento, tensão e fúria. É aquele tipo de atuação em que você acredita completamente no personagem. Muita gente já associa automaticamente o Justiceiro ao ator, porque hoje é impossível imaginar outro Frank Castle em live-action.
Mesmo sendo um especial mais curto, ele funciona quase como um encerramento emocional da jornada iniciada lá atrás na série do Justiceiro e também como uma ponte para o futuro da Marvel. A produção claramente prepara terreno para a participação do personagem em Homem-Aranha: Um Novo Dia, trazendo essa atmosfera mais sombria e pé no chão que combina demais com o núcleo de rua da Marvel. É praticamente um “aquecimento” para ver Frank Castle dividindo espaço com o Homem-Aranha nos cinemas.
No fim, O Justiceiro: Uma Última Morte é exatamente o que os fãs queriam: violento, emocional, intenso e extremamente fiel ao espírito do personagem. Pode até ser um especial curto, mas deixa um impacto enorme. E principalmente: prova mais uma vez que Jon Bernthal não apenas interpreta o Justiceiro. Ele é o Justiceiro, assim como Robert Downey Jr é Tony Stark.
Filme é divertido com muita ação e lição de lealdade entre os protagonistas
Foto: Arquivo Pessoal
Tem filme que não precisa reinventar a roda para conquistar o público. O Mandaloriano & Grogu entende exatamente isso. A produção funciona como uma grande aventura espacial com alma de sessão da tarde: divertida, leve, emocionante e com aquele clima clássico de acompanhar personagens carismáticos vivendo perigos pelo universo. E talvez seja justamente essa simplicidade que faça o longa funcionar tão bem.
O grande coração do filme está na relação entre o Mandaloriano e Grogu. A conexão entre os dois continua sendo o ponto mais forte da história, trazendo momentos fofos, engraçados e até emocionantes sem precisar forçar nada. Existe uma lealdade muito bonita construída ali, quase como uma relação de pai e filho, que prende o espectador até nas cenas mais simples. Grogu, claro, segue roubando todas as atenções possíveis.
Visualmente, o filme também entrega aquilo que os fãs de Star Wars gostam: perseguições, criaturas diferentes, planetas interessantes e cenas de ação muito bem encaixadas dentro da narrativa. Mas o mérito está justamente em não transformar tudo apenas em espetáculo vazio. O longa sabe equilibrar ação com emoção, humor e aquele sentimento gostoso de aventura despretensiosa. Eu não esperava nada e recebi um filme bem divertido estilo Sessão da Tarde.
E sim: é um daqueles filmes que valem o combo no cinema. Assistir à jornada dos dois na telona deixa tudo ainda mais divertido, principalmente pela experiência coletiva da sala reagindo aos momentos do Grogu. A criatura fofa e Din Djarin (Sr. Fantástico da Marvel) conseguem entregar exatamente o que muita gente procura ao entrar numa sessão: entretenimento sincero, carisma e uma aventura boa do começo ao fim.
Escola de Castorzinho vai levar pra avenida desfile intitulado “Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto”
(Mascote faz referência a Bad Bunny) Foto: Instagram
A Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu um caminho ousado, político e extremamente simbólico para o Carnaval 2027. Inspirada na obra “América Invertida”, do artista uruguaio Joaquín Torres García, a escola levará para a Sapucaí o enredo “Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto”, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcellos. A ideia nasce justamente do famoso desenho criado em 1943, que inverte o mapa da América do Sul e coloca o Sul no topo, como forma de questionar a visão eurocêntrica do mundo e afirmar a identidade latino-americana.
O mais interessante é que a Mocidade parece recuperar justamente aquilo que sempre fez dela uma escola tão especial: a coragem de provocar. Historicamente, a verde e branca brilhou quando decidiu sair do óbvio e apostar em desfiles críticos, modernos e cheios de personalidade. E esse novo enredo conversa diretamente com essa essência. A proposta de “nosso norte é o Sul”, frase eternizada por Joaquín Torres García em seu manifesto, transforma o desfile em uma grande defesa da cultura latino-americana, da autonomia artística e da valorização das próprias raízes.
Além do discurso político e cultural, existe também um potencial visual gigantesco. Jack Vasconcellos costuma trabalhar com conceitos muito imagéticos, e um desfile baseado em geopolítica, arte, resistência cultural e identidade latina pode render alegorias extremamente criativas e impactantes. A obra “América Invertida” virou um símbolo cultural justamente porque desafia a lógica tradicional dos mapas e reposiciona a América Latina como centro do olhar. E poucos lugares no mundo conseguem transformar reflexão política em espetáculo visual como o Carnaval carioca.
No fim, o anúncio do enredo passa uma sensação importante: a de que a Mocidade quer voltar a ser protagonista. Depois de anos oscilando no Grupo Especial, a escola parece buscar novamente uma identidade forte e autoral. E talvez não exista escolha melhor do que olhar para a América Latina, suas raízes e sua potência cultural justamente em um momento em que o Carnaval também disputa narrativas. A Mocidade não quer apenas desfilar em 2027. Quer provocar, fazer pensar e lembrar que, para nós, o Sul também pode ser o centro do mundo. E com um desafio extra, que é o de ser tão emblemático quanto a Vila Isabel 2006, com o “Soy Loco Por Ti, America”. ¡Mucho éxito!
País da melhor escola técnica de futebol mantém tradição de exportar seus comandantes para outras seleções
Foto: TyC Sports
Seis nomes da escola técnica argentina de futebol estarão na Copa do Mundo de 2026. Além de Lionel Scaloni, atual campeão mundial com a Argentina, outros cinco treinadores argentinos representarão o país de albiceleste no maior torneio do planeta. O verdadeiro país do futebol segue exportando não apenas craques dentro de campo, mas também algumas das maiores mentes táticas do esporte. Aliás, a Argentina será novamente o país com mais técnicos na Copa do Mundo, reforçando sua influência histórica no jogo.
Desde que a Argentina conquistou a Copa do Mundo de 1978 sob o comando de César Luis Menotti e, anos depois, o Mundial de 1986 com Carlos Bilardo, o futebol argentino passou a viver uma eterna divisão filosófica. De um lado, os menottistas, defensores do jogo ofensivo, da posse de bola, da estética e da criatividade. Do outro, os bilardistas, mais pragmáticos, intensos, competitivos e obcecados pelo resultado. Em 2026, os treinadores argentinos presentes no Mundial carregarão traços dessas escolas históricas — com uma exceção importante: Marcelo Bielsa, criador de sua própria corrente, o “bielsismo”.
Marcelo Bielsa é justamente o caso mais único do futebol mundial. Comandando o Uruguai, Bielsa não é menottista nem bilardista. Sua filosofia transcende essa divisão. O “bielsismo” é baseado em intensidade máxima, pressão alta, verticalidade, obsessão tática e um futebol emocional, quase anárquico em alguns momentos. Seus times atacam o tempo inteiro, marcam individualmente em praticamente todo o campo e vivem no limite físico e mental. Bielsa influenciou treinadores como Pep Guardiola, Tata Martino, Beccacece, Sampaoli e Fernando Diniz; mesmo sem nunca ter conquistado uma Copa do Mundo. O Uruguai atual joga num ritmo sufocante, com transições rápidas e agressividade constante.
Foto: TyC Sports
Já Lionel Scaloni representa um equilíbrio raro entre as duas escolas. Campeão do mundo com a Argentina em 2022, Scaloni nasceu mais próximo do bilardismo pela competitividade e pela capacidade de adaptação aos jogos, mas incorporou elementos modernos e associativos que aproximam sua seleção do menottismo em alguns momentos. Sua“Scaloneta” é extremamente inteligente taticamente: sabe pressionar, sabe sofrer, sabe controlar a posse e sabe atacar em velocidade. Scaloni talvez seja o grande símbolo do futebol argentino contemporâneo justamente porque não se prende a dogmas.
Gustavo Alfaro, hoje no Paraguai, é um bilardista clássico. Seus times são organizados defensivamente, intensos na marcação e emocionalmente muito competitivos. Alfaro valoriza compactação, bolas paradas e transições rápidas. Não é um treinador que prioriza espetáculo, mas sim eficiência. Foi assim que conseguiu reorganizar seleções desacreditadas ao longo da carreira. O Paraguai atual reflete exatamente isso: um time duro, físico, resiliente e extremamente difícil de enfrentar em jogos eliminatórios.
Mauricio Pochettino, comandante dos Estados Unidos, tem raízes fortíssimas no bielsismo. Foi jogador de Bielsa e absorveu muito de sua intensidade sem necessariamente copiar tudo. Seu futebol mistura pressão alta, saída de bola organizada e velocidade pelos lados do campo. Pochettino é mais equilibrado emocionalmente que el loco Bielsa e trabalha melhor os momentos de controle do jogo, mas ainda carrega essa essência ofensiva e agressiva. Dentro da divisão argentina tradicional, ele se aproxima mais do menottismo moderno.
Na mesma linha aparece Sebastián Beccacece, hoje treinador do Equador. Discípulo direto de Bielsa e ex-braço direito de Jorge Sampaoli, Beccacece vive intensamente o jogo. Seu estilo é extremamente ofensivo, vertical e agressivo sem a bola. O Equador ganhou uma identidade de pressão constante e muita velocidade pelos corredores. Em vários momentos, suas equipes parecem jogar num caos organizado, algo muito característico da influência bielsista.
Por fim, Néstor Lorenzo, técnico da Colômbia, talvez seja o mais “bilardista silencioso” entre todos. Sua equipe é extremamente equilibrada, competitiva e madura taticamente. Lorenzo não busca posse excessiva nem um futebol necessariamente vistoso. Prefere organização, intensidade sem bola e ataques objetivos, aproveitando muito a qualidade individual de seus jogadores. A Colômbia atual sabe controlar espaços e competir em alto nível contra qualquer adversário.
A Copa do Mundo de 2026 também será uma vitrine da influência argentina no futebol mundial. Seis maestros, seis estilos diferentes e três grandes correntes filosóficas: o pragmatismo bilardista, o romantismo menottista e a revolução permanente do bielsismo. A Argentina segue exportando muito mais do que jogadores. Exporta ideias, identidade e maneiras completamente distintas de enxergar o futebol.
Atual campeã vai em busca do bicampeonato com o que sabe fazer de melhor
Foto: Arquivo Pessoal
Depois de emocionar a Sapucaí com um desfile arrebatador sobre Mestre Ciça e conquistar mais um título, a Unidos do Viradouro já mostrou que não pretende entrar em 2027 apenas para “cumprir tabela”. A escolha de homenagear os griôs, figuras fundamentais na preservação da memória e da tradição oral africana, parece muito mais do que um enredo bonito: é uma declaração artística. A Viradouro entendeu há tempos que carnaval campeão não vive só de luxo ou tecnologia. Vive de narrativa, emoção e identidade.
E talvez esse seja justamente o maior diferencial da escola hoje. Enquanto muita gente ainda tenta descobrir qual é a fórmula para vencer no Grupo Especial, a Viradouro parece ter encontrado um caminho muito próprio: transformar cultura afro-brasileira em espetáculo sem perder profundidade. Foi assim em “Viradouro de Alma Lavada”, foi assim com Mestre Ciça e tudo indica que será novamente agora. O tema dos griôs abre possibilidades gigantescas para um desfile poético, ancestral e extremamente sensível visualmente.
O mais interessante é perceber como a escola de Niterói vem construindo uma identidade artística muito sólida nos últimos anos. Existe uma assinatura nos desfiles da Viradouro. Você bate o olho e entende a proposta. Há emoção, há teatralidade, mas também existe pesquisa e respeito histórico. E isso pesa demais num carnaval em que o público está cada vez mais exigente. O sambista quer se emocionar, mas também quer sair da Sapucaí sentindo que aprendeu algo, que viveu uma experiência. A Viradouro vem entregando exatamente isso.
Se o samba vier forte — e normalmente vem —, a sensação é de que a escola já larga como uma das favoritas naturais para 2027. Porque quando um enredo consegue unir ancestralidade, potência visual e uma mensagem universal sobre memória e transmissão de saberes, o impacto costuma ser enorme na avenida. E sinceramente? A Viradouro parece viver aquele momento raro em que tudo encaixa: gestão, comunidade, bateria, identidade e confiança. É aquele tipo de fase em que a escola entra na Sapucaí já com cara de protagonista.
O “exército de Napoleão” soube se renovar com trabalho feito nas bases, iniciado por Aimé Jacquet, campeão de 1998
Foto: Equipe de France
A convocação da Seleção Francesa para a Copa do Mundo de 2026 mostra o quanto o país conseguiu se reinventar sem perder competitividade. Dos 26 jogadores chamados, apenas quatro estiveram no elenco campeão mundial em 2018: Lucas Hernández, N’Golo Kanté, Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé. O dado impressiona porque evidencia a enorme capacidade de renovação francesa, algo raro em seleções que conseguem permanecer tanto tempo no topo do futebol mundial.
O trabalho de Didier Deschamps é o grande reflexo de tudo o que a França construiu nas últimas duas décadas. Campeão do mundo como jogador em 1998 e técnico em 2018, ele lidera uma transição geracional praticamente perfeita. A França criou uma identidade forte nas categorias de base e passou a formar atletas preparados física, mental e tecnicamente para assumir protagonismo cedo, mantendo a seleção sempre entre as favoritas em qualquer competição.
E talvez essa geração atual seja ainda mais forte do que a campeã de 2018 e a vice de 2022. Além do experiente Kanté, a França conta com jogadores jovens que já são realidade no futebol europeu, como Bradley Barcola, Michael Olise, Désiré Doué, de apenas 20 anos e vivendo fase espetacular, além de Rayan Cherki, considerado um dos talentos mais criativos da nova geração francesa. E claro, mantém nomes de potência ofensiva e decisivos como Dembélé e Mbappé, formando uma seleção pronta para passar o trator por cima de praticamente qualquer adversário no Mundial.
Tudo isso é consequência de um projeto iniciado após o título conquistado na Copa do Mundo de 1998, comandado pelo técnico Aimé Jaquet. Ele foi dar aulas em escolas e nas categorias de base dos clubes franceses sobre tática, técnica e superação para vencer na vida. A conquista no Stade de France mudou a relação do país com o futebol e impulsionou investimentos pesados em formação, inclusão social e desenvolvimento esportivo que moldou novas gerações.
Mais de vinte anos depois, a França colhe os frutos de um sistema que virou referência mundial e transformou o país em uma máquina de revelar craques. Não por acaso, é carinhosamente chamada de “exército de Napoleão”, devido a postura nítida ao cantarem o hino “La Marseillaise”. Em 2026, a sensação é de que a seleção francesa chega mais forte do que nunca na busca pelo tricampeonato que Messi apenas adiou em 2022. Quem vai bater de frente com esse esquadrão?