Toy Story 5: Não prometeu nada e entregou tudo

Filme tem ótimo roteiro, com crítica ao domínio da tecnologia na vida de Enzos, Valentinas e adultos

Foto: Arquivo pessoal

Quando anunciaram Toy Story 5, confesso que minhas expectativas não eram das maiores. A franquia já havia encerrado ciclos importantes e existia aquela sensação de que talvez não houvesse mais histórias para contar. Mas o novo filme surpreende justamente por encontrar um caminho que ninguém imaginava. Desde os primeiros minutos, fica claro que a proposta é diferente, mais madura e muito mais inteligente do que parecia nos trailers e nas primeiras informações divulgadas.

A grande desconfiança do público surgiu quando foi revelado que um tablet teria papel central na trama. A ideia parecia estranha e até deslocada dentro do universo de Woody, Buzz e companhia. No entanto, o roteiro consegue amarrar essa escolha de forma extremamente competente. O que poderia ser apenas uma crítica superficial à tecnologia se transforma em uma reflexão muito mais profunda sobre comportamento, relações humanas e a forma como as telas ocupam espaço em nossas vidas.

E talvez esteja aí o maior mérito de Toy Story 5. O filme não fala apenas sobre crianças cada vez mais conectadas aos dispositivos eletrônicos. A verdadeira crítica é direcionada aos adultos. Em vários momentos, a história funciona como um espelho desconfortável, mostrando como também nos tornamos dependentes da tecnologia e, muitas vezes, deixamos de viver experiências reais por causa dela. É um daqueles filmes que divertem, emocionam e ainda fazem pensar depois que as luzes da sala se acendem.

No fim das contas, Toy Story 5 entrega muito mais do que prometeu. É emocionante, tem coração, tem mensagem e consegue honrar o legado de uma das franquias mais importantes da animação. E vou além: é um daqueles filmes que valem a experiência completa. Vale a pipoca, vale o balde temático, vale o copo colecionável e vale cada minuto dentro da sala de cinema. Para mim, já é um dos filmes mais legais do ano e tem tudo para ultrapassar a marca do bilhão de dólares nas bilheterias mundiais.

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