Categoria: Televisão

Marcos Mion precisa parar de achar que tudo é sobre ele

Egocentrismo do apresentador deixa programa ainda mais chato do que já está

Foto: Globoplay

O Caldeirão com Mion aos sábados virou um caso curioso de como uma atração pode perder completamente sua identidade. Desde que Marcos Mion assumiu o comando, o que antes era leve, divertido e espontâneo acabou se transformando em algo cansativo, previsível e, muitas vezes, desconfortável de assistir. Não é sobre mudança — mudanças são naturais —, mas sobre perder a essência no caminho.

O grande problema é que tudo, absolutamente tudo, precisa girar em torno do próprio Mion. Seja um quadro simples ou uma grande homenagem, sempre existe um momento em que ele puxa a narrativa para si, encaixando histórias pessoais, opiniões e até comparações que não acrescentam em nada ao que está sendo apresentado. Fica menos sobre o programa e mais sobre o apresentador — e isso, semana após semana, desgasta.

E quando não é sobre ele, é sobre a família. A insistência em inserir o filho ou momentos familiares em situações aleatórias do programa passa longe de ser carisma e começa a soar como forçado. Não há problema nenhum em mostrar esse lado pessoal, mas existe hora, contexto e medida — coisas que o programa claramente perdeu. O público não liga a TV no sábado esperando acompanhar um álbum de família disfarçado de entretenimento.

No fim das contas, fica a sensação de que Marcos Mion estaria mais à vontade em um canal próprio, no YouTube, onde poderia falar de si à vontade, sem precisar dividir espaço com quadros ou convidados. Porque nem mesmo nos momentos de homenagem ele consegue deixar o “eu” de lado. E aí o que deveria emocionar vira incômodo — e o que deveria entreter, simplesmente cansa.

Que programa chato deram para a Eliana

Quadros sem pé nem cabeça atrapalham a apresentadora fazer o que realmente sabe

Foto: Instagram

Tem alguma coisa muito errada acontecendo nesse Em Família com Eliana. E não é implicância, é sensação coletiva mesmo: o programa simplesmente não encaixou. A Eliana, que sempre teve um carisma natural e uma conexão absurda com o público, parece coagida num formato que não conversa com quem está do outro lado da tela. Domingo à tarde pede leveza, identificação, emoção — e não esse monte de quadro sem alma.

Vamos ser sinceros: ninguém quer assistir família desconhecida cantando como se fosse um reality improvisado. Não cria vínculo, não gera torcida, não prende. E aí você soma isso com famosos participando de dinâmicas aleatórias, falando em um caralho de microfone que distorce a voz… qual é a proposta disso? É confuso, é barulhento e, principalmente, é chato. Aqueles games então… parecem quadros genéricos, sem criatividade, que não exploram absolutamente nada do potencial de quem está ali. Ninguém merece isso, especialmente a apresentadora tida como “herdeira” de Hebe Camargo pela carreira que construiu.

E o mais curioso é que não falta referência do que funciona. A própria Eliana já fez isso muito bem. Quando ela ia até a casa dos artistas, sem ser somente cantores, quando transformava histórias reais em quadros emocionantes (tipo o Beleza Renovada), quando fazia entrevistas no palco com calma, escuta e presença — ali existia televisão de verdade. Era próximo, era humano. Hoje, o programa parece mais preocupado em preencher tempo do que em criar momentos.

No fim das contas, dá a impressão de que estão tentando encaixar a Eliana num molde que não é dela. E isso é um erro enorme. Porque talento ela tem de sobra — o que falta é direção. Se a Globo quiser mesmo fazer esse programa dar certo, precisa olhar menos pra fórmula e mais pra essência. Porque o lugar da Eliana não é nesse monte de dinâmica vazia. O lugar dela é onde ela sempre brilhou: contando histórias, ouvindo gente de verdade e sendo, simplesmente, ela. Estão atrapalhando a vida de Eliana criando coisa que ninguém quer assistir num domingo à tarde!

F1 na Globo continua um velório

Somente Mariana Becker faz a transmissão render fora do Jornalismo engessado

Foto: Sky Sports

Tem corrida de madrugada que compensa o sacrifício. O GP do Japão deste fim de semana… definitivamente não foi uma delas. A gente já entra na missão sabendo que vai brigar contra o sono, mas espera pelo menos uma recompensa: emoção, disputa, alguma coisa que justifique estar acordado naquele horário. Só que, quando a corrida não empolga e a transmissão também não ajuda, vira praticamente um teste de resistência. A TV Globo até carrega o peso da tradição, mas entrega uma narração engessada, fria, mais preocupada em ser informativa do que envolvente. Falta ritmo, falta vibração — e sobra aquela sensação de que você podia simplesmente ter dormido.

Apenas Mariana Becker se destaca, como já disse no texto sobre o GP da Austrália. Dentro da pista, pelo menos, teve história sendo escrita. Kimi Antonelli venceu mais uma vez na Fórmula 1, conquistando sua segunda vitória consecutiva na carreira — e mostrando que não é mais promessa, é realidade. O pódio foi completado por Oscar Piastri, que salvou o fim de semana da McLaren com um segundo lugar sólido, e Charles Leclerc, colocando a Ferrari no terceiro degrau. Um pódio jovem, interessante, até simbólico… mas que, sinceramente, não foi acompanhado por uma corrida à altura.

E aí entra a frustração: a McLaren até aparece no pódio, mas não convence. Parece aquele time que chega, mas não assusta. Fica ali, no “quase”, sem brigar de verdade pela vitória. Depois de dar sinais de reação, volta a ser a famosa “McLata” que o torcedor já conhece — muita expectativa, pouca imposição. O segundo lugar de Piastri é mais um alívio do que um sinal de domínio. Falta aquele passo a mais, aquela agressividade de quem quer ganhar corrida, não só participar.

No fim das contas, o GP do Japão resume bem esse momento: novos nomes surgindo, histórias interessantes acontecendo… mas embaladas de um jeito que não prende. A Fórmula 1 continua gigante, claro, mas precisa entender que não é só sobre o que acontece na pista — é também sobre como isso chega até a gente. Porque, do jeito que foi, ficou difícil competir com o travesseiro. Mais uma vez, F1 é entretenimento e diversão, não é cobertura de guerra.

O Testamento: Fofoca pesada para maratonar e se divertir

Candidata a série documental do ano, “O Testamento” traz briga, rolo e confusão em torno da fortuna de dona da Pernambucanas – em coma há dez anos

Foto: Globoplay

A série documental O Testamento mergulha em uma daquelas histórias reais que parecem ficção de tão cheias de reviravoltas, disputas e personagens excêntricos. No centro de tudo está Anita Harley, uma das maiores figuras por trás do império da Pernambucanas, que está há 10 anos em coma após um AVC — condição que torna toda a disputa em torno de sua vida e, principalmente, de seu testamento, ainda mais delicada e controversa. É justamente essa ausência silenciosa da protagonista que abre espaço para uma batalha intensa entre pessoas próximas, interesses milionários e versões conflitantes sobre lealdade, poder e influência. O caso se tornou uma série nível “Vale o Escrito” no Globoplay.

Entre os nomes que orbitam essa trama, ganha destaque Cristine, vista como a pessoa de maior confiança de Anita em sua vida profissional e pessoal. Do outro lado, surge Sônia Soares, a Suzuki, figura central na briga judicial que movimenta a série. O conflito entre essas partes vai muito além de dinheiro: ele escancara relações frágeis, ressentimentos antigos e uma disputa por narrativa — quem realmente estava ao lado de Anita e quem apenas orbitava o poder. Essa séria só ganhou forma após a diretora e jornalista Camila Appel, passar uns dias no mesmo hospital em que Anita está há anos em cuidados. No ano de 2021, Camila acompanhava o pai em uma internação, no mesmo corredor do quarto ‘secreto’ em que a bilionária se encontra. Curiosa com os seguranças na porta do quarto e sem receber visitas, com seu instinto investigativo foi perguntar quem estava no quarto. Ao descobrir a história, trabalhou para esse roteiro louco da vida real ganhasse a série.

Mas O Testamento não vive só de tensão. Um dos grandes acertos da série está no seu lado quase cômico involuntário, especialmente nas participações das sobrinhas, que protagonizam momentos que viralizaram entre quem assiste. A famosa frase “Titia Helena odiaaaava a Suzuki” não é apenas um detalhe: ela sintetiza o tom ácido, quase novelesco mexicano, que permeia certos depoimentos. Essas falas, carregadas de emoção e uma pitada de exagero, funcionam como respiro em meio ao clima pesado — e ajudam a humanizar (e até ridicularizar, em alguns momentos) os conflitos familiares.

No campo jurídico, o documentário também ganha contornos quase teatrais. De um lado, o advogado de defesa de Suzuki, Daniel Silvestri, chama atenção não só pelo posicionamento firme, mas também por uma postura considerada estranha, quase enigmática, que levanta dúvidas e curiosidade. Do outro, representando Cristine, está José Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça, cuja presença adiciona peso político e técnico ao caso. A entrada de uma figura desse calibre deixa claro que o que está em jogo ali vai muito além de uma simples disputa familiar — é uma batalha de influência, estratégia e poder que se desenrola diante das câmeras com a intensidade de um grande drama brasileiro. Assista para se divertir, ao menos!

Principal estrela do Lolla, Sabrina Carpenter fará maior show de sua carreira no Brasil

Após espetáculo na Argentina, Sabrina quer entregar seu maior show pelas Américas em Interlagos

Foto: Instagram

Se tem um nome que resume o momento pop atual, esse nome é Sabrina Carpenter. Em meio a um line-up mediano, ela desponta como a grande atração do Lollapalooza Brasil neste ano. E não é exagero: o show que ela prepara para o país promete ser o maior de sua carreira na América Latina — mais longo, mais elaborado e com aquela sensação de “estamos vendo história sendo feita ao vivo”. O setlist também vai ser especial.

A virada de chave da pequena loira veio com “Espresso”. Foi ali que Sabrina deixou de ser apenas uma promessa para se tornar uma realidade incontestável no pop mundial. A música viralizou, dominou playlists e redes sociais, e, mais do que isso, apresentou uma artista segura, irônica, feliz e extremamente consciente da própria identidade. “Espresso” não só mudou sua carreira — redefiniu sua posição na indústria.

E quando você soma isso a faixas como “Taste”, “Please Please Please” e “Manchild”, o resultado é uma sequência de hits que consolidam um estilo próprio: pop afiado, inteligente e cheio de personalidade. Sabrina encontrou o equilíbrio raro entre ser comercial e autêntica — algo que poucas conseguem sustentar por tanto tempo.

Não à toa, muita gente já enxerga nela uma espécie de “herdeira natural” de Taylor Swift. Não por ter sido apenas revelada pela loirinha, mas por entender o jogo: narrativa, conexão com o público e domínio do próprio repertório. Sabrina é, sim, essa “cria perfeita de Taylor” — uma artista que bebe da fonte certa, mas entrega com identidade própria.

E talvez o mais curioso de tudo seja o contraste: mesmo sendo baixinha, Sabrina Carpenter se agiganta no palco. Sua presença é magnética, sua entrega é intensa e sua confiança transborda em cada performance. No fim das contas, tamanho nunca foi documento — e Sabrina prova, show após show, que já é gigante onde realmente importa, no palco e na indústria musical.

Venezuela conquista Mundial de Beisebol pela primeira vez

País apaixonado pelo esporte com estádios impecáveis derrotou os Estados Unidos em Miami

Foto: Televisa Deportes

Em uma final eletrizante do Clássico Mundial de Beisebol 2026, disputada em Miami, a seleção venezuelana venceu os Estados Unidos por 3 a 2 e conquistou, pela primeira vez, o título mais importante do beisebol internacional. Mais do que um troféu, foi um marco simbólico para um país apaixonado pelo esporte e acostumado a formar grandes talentos que brilham na Major League Baseball. Definitivamente o dia 17 de março de 2026 entrou para a história do esporte mundial — e principalmente da Venezuela.

Dentro de campo, o jogo foi digno de final. A Venezuela abriu vantagem ainda nas primeiras entradas, controlando bem o ataque americano com um sistema de arremessadores consistente. Mas, quando tudo parecia encaminhado, os Estados Unidos reagiram no oitavo inning com um home run de Bryce Harper, empatando a partida e levando a tensão ao limite. Foi então que, na nona entrada, brilhou a estrela de Eugenio Suárez, que bateu o double decisivo, garantindo a corrida da vitória. No fechamento, o arremessador Daniel Palencia selou o triunfo com autoridade, diante de um estádio tomado por torcedores venezuelanos.

O título tem um peso ainda maior quando se entende o que o beisebol representa para a Venezuela. O esporte é, ao lado do futebol, uma das maiores paixões nacionais, com forte presença cultural, social e até identitária. De bairros humildes a grandes ligas, o beisebol sempre foi uma via de ascensão e orgulho para milhares de venezuelanos. Não por acaso, o país é um dos maiores exportadores de talentos para a MLB, e essa conquista no cenário mundial funciona como uma consagração coletiva de décadas de investimento, talento e amor pelo jogo. Além disso, seus estádios tem estrutura nível LA Dodgers.

Fora das quatro linhas, a vitória também ganhou contornos simbólicos. Em meio a tensões políticas e episódios recentes envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, o resultado foi interpretado por muitos como uma espécie de revanche esportiva — um momento em que o país sul-americano superou, ao menos no campo simbólico, uma potência global. Ainda que o esporte não resolva conflitos geopolíticos, ele tem o poder de unir, emocionar e ressignificar narrativas. E, naquela noite em Miami, a Venezuela não venceu apenas um jogo: venceu um capítulo da sua própria história.