Categoria: Televisão

Renata Lo Prete dá verdadeira aula de como fazer uma sabatina

Hoje ela botou no bolso a desastrosa postura de Cesar Tralli e Renata Vasconcelos no JN durante as sabatinas do primeiro turno

Foto: Globoplay

A Globo começou nesta quinta-feira (15) a série de sabatinas com os candidatos à Presidência da República no segundo turno. Lula abriu a rodada de entrevistas, enquanto Flávio Bolsonaro será o entrevistado desta sexta-feira. E uma coisa já ficou evidente: a diferença entre a sabatina comandada por Renata Lo Prete e aquela realizada pelo Jornal Nacional no primeiro turno é simplesmente gigantesca. Renata está dando uma verdadeira aula de jornalismo, mostrando que é possível fazer perguntas relevantes, cobrar respostas e confrontar candidatos sem transformar uma entrevista em um espetáculo de interrupções.

O que César Tralli e Renata Vasconcellos fizeram no primeiro turno foi um verdadeiro vexame. Aquilo não parecia uma sabatina, mas um interrogatório da Polícia Federal, daqueles que remetiam aos tempos da “República de Curitiba”. Os dois se atropelavam, interrompiam constantemente os candidatos e pareciam muito mais preocupados em demonstrar autoridade do que em permitir que o eleitor conhecesse as propostas de quem disputava a Presidência. E isso aconteceu dos dois lados, tanto com Lula quanto com Flávio Bolsonaro. Faltou equilíbrio, faltou condução e, principalmente, faltaram perguntas que realmente interessassem à população.

Renata Lo Prete, por outro lado, acertou em cheio no tom. É firme quando precisa ser, sabe questionar, mas também sabe ouvir. Parece algo básico para qualquer jornalista, mas virou artigo de luxo no telejornalismo brasileiro. A diferença é que Renata não precisa disputar protagonismo com o entrevistado. Ela entende que o personagem principal de uma sabatina presidencial é o candidato, e que o verdadeiro destinatário das respostas é o eleitor. As perguntas são mais inteligentes, mais objetivas e muito mais próximas das preocupações reais dos brasileiros. Finalmente, estamos vendo uma entrevista em que o candidato tem espaço para explicar suas propostas, em vez de apenas tentar concluir uma frase antes da próxima interrupção.

A comparação é inevitável e, até aqui, absolutamente constrangedora para a dupla do Jornal Nacional. Renata Lo Prete conseguiu, em uma única noite, expor todas as deficiências da condução de César Tralli e Renata Vasconcellos no primeiro turno. E olha que ainda falta a entrevista com Flávio nesta sexta-feira. Independentemente de preferência política, uma sabatina precisa servir ao público, não ao ego de quem está fazendo as perguntas. Renata compreendeu isso perfeitamente. A Globo acertou ao entregar a ela a condução dessas entrevistas. Está de parabéns! Porque jornalismo de verdade não é transformar candidato em réu, mas fazer as perguntas certas e permitir que o brasileiro tire suas próprias conclusões.

Daniel Vorcaro tem preferência por Roberto Cabrini para entrevista exclusiva

Sem acordo de delação premiada, entrevista bomba de “Dani Lindão” é o sonho de Record e Globo na briga pela audiência

Foto: UOL

A entrevista do ano pode estar a caminho! Daniel Vorcaro, personagem central de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil, envolvendo o Banco Master, pode finalmente quebrar o silêncio. Nos bastidores, circulam informações sobre possíveis negociações para uma entrevista exclusiva, com a Record aparecendo como a emissora de preferência do banqueiro. A Globo também estaria interessada em conseguir essa conversa. Se confirmada, seria um dos acontecimentos jornalísticos mais aguardados de 2026.

Até agora, o público conhece boa parte do caso por meio das investigações da Polícia Federal, dos documentos que vêm sendo revelados e das informações divulgadas pela imprensa. Vorcaro não firmou acordo de delação premiada e ainda não concedeu uma grande entrevista para apresentar publicamente sua versão dos acontecimentos. E é justamente isso que torna essa possibilidade tão interessante: pela primeira vez, o homem que está no centro do escândalo poderia responder diretamente às perguntas que o Brasil inteiro gostaria de fazer.

Se a entrevista realmente acontecer na Record, não consigo imaginar alguém melhor para conduzi-la do que Roberto Cabrini. Para mim, o melhor entrevistador do Brasil! Cabrini tem experiência, inteligência, faro jornalístico e, principalmente, sabe fazer as perguntas certas nos momentos certos. Seria uma oportunidade extraordinária para o jornalismo brasileiro, especialmente diante de um entrevistado que pode ter informações importantes sobre os bastidores de um escândalo que envolve cifras bilionárias, instituições financeiras e personagens influentes.

Vorcaro é praticamente um arquivo-bomba vivo. Evidentemente, uma entrevista não substitui as investigações, e tudo o que for dito precisará ser confrontado com provas. Mas, se ele estiver realmente disposto a falar, explicar suas relações e responder sem fugir das perguntas mais difíceis, teremos um acontecimento de enorme repercussão. Agora é aguardar para saber se essa negociação vai se concretizar. E, particularmente, torço para que seja com Cabrini. O caso Master já é um dos grandes assuntos do ano, mas uma entrevista reveladora com Dani Vorcaro poderia se transformar em um dos maiores momentos da televisão brasileira em 2026.

Tia Helena odiaaaava Suzuki: “O Testamento” continua sendo o melhor doc do ano

História de Anita Harley, herdeira da Pernambucanas que está em coma há 10 anos, voltou a ser assunto ao passar na TV aberta

Foto: Globoplay

“O Testamento: O Segredo de Anita Harley” é, sem dúvidas, um dos melhores documentários de 2026! Exibida nesta semana na TV aberta, a produção voltou a ser assunto nas redes sociais e colocou novamente os holofotes sobre uma das histórias mais inacreditáveis do Brasil. No centro da trama está Anita Harley, herdeira do império das Casas Pernambucanas, que permanece em coma há cerca de uma década. Enquanto Anita não pode se manifestar, uma verdadeira guerra pelo controle de sua fortuna e de seus interesses transforma a realidade em um enredo digno das melhores novelas brasileiras. E olha que nem o autor mais criativo conseguiria imaginar tantos personagens e reviravoltas!

Entre os personagens mais intrigantes dessa história está Suzuki, apresentada como dama de companhia de Anita Harley e uma das figuras centrais das disputas envolvendo a empresária. Sua presença rende alguns dos momentos mais curiosos do documentário, especialmente quando entram em cena as sobrinhas de Anita, responsáveis por uma das frases mais divertidas que viralizaram nas redes sociais: “Tia Helena odiaaaava Suzuki!”. A maneira como a frase é pronunciada virou praticamente um bordão e mostra como uma história envolvendo bilhões, disputas judiciais e relações familiares pode também render momentos involuntariamente cômicos.

O mais interessante é que o documentário consegue reunir todos os ingredientes de uma grande novela: uma herdeira milionária, uma fortuna gigantesca, familiares em conflito, personagens excêntricos, acusações, segredos e uma cadeira vazia que todos parecem querer ocupar. A cada episódio, surge uma nova versão, um novo personagem ou uma revelação capaz de mudar completamente a percepção do espectador. É aquele tipo de produção que faz a gente pensar que, se fosse ficção, certamente diriam que o roteirista exagerou. Mas não! Estamos diante de uma história real, com situações tão absurdas que chegam a ser inacreditáveis.

“O Testamento” é entretenimento de primeira qualidade, com uma narrativa envolvente e personagens que dificilmente serão esquecidos. A chegada à TV aberta deu novo fôlego a uma história que já havia conquistado o público e provou que os melhores roteiros, muitas vezes, são escritos pela própria realidade. Entre a fortuna das Pernambucanas, os mistérios envolvendo Anita e o inesquecível “Tia Helena odiaaaava Suzuki!”, fica a certeza de que estamos diante de um dos documentários mais fascinantes do ano. E pensar que, no meio de toda essa confusão, a protagonista sequer pode contar sua própria versão da história. O doc está disponível no Globoplay.

Jornalismo da Globo sai pior das eleições

Apuração deixou a desejar tanto no canal aberto quanto na GloboNews

Foto: Globoplay

O jornalismo da Globo vai de mal a pior, e essa eleição deixou isso ainda mais evidente. Da sabatina com os presidenciáveis à apuração do primeiro turno, a sensação foi de uma cobertura muito abaixo da imponência que a emissora já teve em eleições brasileiras. No domingo, durante a apuração, Renata Lo Prete foi quem mais demonstrou aquela postura de quem realmente está comandando uma noite eleitoral. César Tralli, por outro lado, parecia completamente avulso, perdido em alguns momentos, quase um “boneco de posto” no estúdio.

É evidente que Tralli não precisa — e nem deve — ser um novo William Bonner, mas ainda parece faltar a ele o peso de quem ocupa a bancada do Jornal Nacional em um dos momentos mais importantes do país. E isso ficará ainda mais evidente no segundo turno. Quem estará diante das câmeras no instante em que a eleição estiver matematicamente definida? Quem terá a presença necessária para interromper a programação e dizer: “Está eleito o novo presidente da República”? Hoje, Renata Lo Prete parece muito mais preparada para assumir esse momento.

Tralli ainda carrega, para mim, aquela imagem do apresentador do Jornal Hoje; ainda não se transformou completamente no grande nome do Jornal Nacional. Bonner tinha uma imponência muito particular nessas ocasiões. Não se trata de copiar seu estilo, mas de entender que uma eleição presidencial exige segurança, autoridade jornalística e domínio absoluto da transmissão.

Na GloboNews, o problema é outro — e talvez ainda pior. Os debates estão cada vez mais difíceis de acompanhar: comentarista falando por cima de comentarista, interrupções, gritaria e pouca preocupação em permitir que o telespectador compreenda o que está sendo discutido. Em determinados momentos, parece mais um programa de fofoca do que um canal dedicado ao jornalismo político. A GloboNews já teve discussões muito mais organizadas e interessantes; hoje, em alguns programas, chega ao nível de uma disputa para descobrir quem consegue falar mais alto.

Enquanto isso, concorrentes conseguiram se destacar nesta eleição: o SBT fez uma transmissão muito competente, e a Band manteve aquela tradição e credibilidade que construiu na cobertura eleitoral brasileira desde a redemocratização. A Globo, portanto, saiu derrotada nesta eleição não apenas pelas concorrentes, mas principalmente pelos próprios erros. O cancelamento do debate às vésperas do primeiro turno simbolizou uma emissora que parece ter perdido parte do protagonismo que durante décadas parecia incontestável.

Até profissionais do entretenimento da própria Globo fizeram críticas à condução das sabatinas, especialmente ao trabalho de César Tralli e Renata Vasconcellos, e a reação às críticas também chamou atenção. Quem ocupa a bancada do maior telejornal do país inevitavelmente será elogiado e criticado — faz parte do posto. A Globo continua sendo uma potência, mas potência nenhuma está acima de crítica. E, atualmente, quando penso em um telejornal que transmite sobriedade e credibilidade, minha preferência é clara: o Jornal da Band.

Globo: Sem jogos da Copa, e agora, sem debate

Ano terrível pra emissora esquecer

Foto: Globoplay

O ano de 2026 tem sido um pesadelo para a poderosa Rede Globo. Primeiro veio a Copa do Mundo. Acostumada durante décadas a praticamente ser sinônimo de Copa na televisão brasileira, a Globo desta vez não teve 100% do Mundial em suas mãos. Transmitiu partidas importantes, é verdade, inclusive jogos do Brasil e do mata-mata, mas já não teve aquela exclusividade e aquela centralidade absoluta de outros tempos.

Agora veio talvez o episódio mais simbólico do ano: faltando três dias para o primeiro turno da eleição presidencial, a Globo cancelou seu tradicional debate. A emissora recebeu decisões judiciais que alteraram as regras previamente estabelecidas — uma delas proibindo o púlpito vazio destinado a Lula e outra determinando a participação de Renan Santos — e, depois da desistência de Flávio Bolsonaro, decidiu simplesmente cancelar o programa. Lula, que já havia informado que não iria ao debate, estava no Flow Podcast. Resultado: o debate mais tradicional da televisão brasileira simplesmente não aconteceu.

A Globo diz que seu propósito ao realizar debates é promover a discussão de ideias e oferecer ao eleitor a oportunidade de comparar projetos, relacionando isso ao fortalecimento da democracia. Mas eu discordo dessa dramatização de que, sem o debate da Globo, “a democracia perde”. Quem decide a eleição é o brasileiro na urna no domingo. A Globo perde um dos acontecimentos mais importantes de sua cobertura eleitoral; a democracia continua sendo exercida pelo eleitor, independentemente de quem vença.

E é impossível ouvir esse discurso sem lembrar de 1989. Depois do segundo debate entre Lula e Fernando Collor, o Jornal Nacional exibiu uma edição que se tornou um dos episódios mais controversos da história da emissora. A própria Memória Globo registra que a reportagem foi acusada de selecionar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula, além de conceder mais tempo ao candidato do PRN. A repercussão foi tamanha que a Globo posteriormente decidiu não mais editar debates políticos daquela maneira. Portanto, quando a emissora se coloca quase como guardiã indispensável do debate democrático, sua própria história recomenda um pouco mais de cautela.

E 2026 já vinha sendo uma eleição problemática para a Globo antes desta quinta-feira. Na minha avaliação, as sabatinas foram péssimas. Em vários momentos, pareciam muito mais interrogatórios do que entrevistas destinadas a permitir que o eleitor conhecesse propostas. Independentemente do candidato sentado na bancada, o tom frequentemente parecia mais interessado no confronto entre entrevistador e entrevistado do que em extrair respostas claras sobre aquilo que realmente interessa ao país.

Enquanto isso, outras emissoras conseguiram ocupar espaço na cobertura eleitoral, e os podcasts se consolidaram ainda mais como alternativa. O próprio presidente e candidato à reeleição, Lula, escolheu estar no Flow justamente na noite em que aconteceria o debate da Globo. Flávio Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas divulgadas nesta reta final, desistiu poucas horas antes do programa. E Renan Santos, inicialmente fora pelos critérios de representação parlamentar, conseguiu judicialmente o direito de participar. No meio desse caos, a Globo resolveu que não haveria debate.

É um desfecho melancólico para uma emissora que durante décadas transformou o debate da véspera da eleição em um dos grandes acontecimentos da política brasileira. E talvez seja isso que mais chame atenção em 2026: a Globo parece ter perdido parte daquela capacidade de transformar determinados acontecimentos nacionais em eventos obrigatórios. No esporte, está cada dia pior. No entretenimento e nas novelas, enfrenta questionamentos e concorrência por falta de qualidade. Domingo só tem apanhado do SBT. E agora até seu tradicional debate presidencial terminou cancelado poucas horas antes de começar.

Para mim, a crise não é da política porque não houve debate na Globo. A crise é da própria Globo, que precisa olhar para dentro e entender por que tantas coisas deram errado neste ano. Tem muita coisa para ser revista em 2027. Pelo jeito não é só o futuro do Louro Mané no programa Mais Você que preocupa na emissora.

Sabatina JN: Se você for escolher seu candidato pelas entrevistas, não votará em ninguém

Todos foram péssimos, inclusive os entrevistadores da bancada do jornal mais famoso do país

Foto: O Globo

Se alguém pretende escolher o próximo presidente da República baseado apenas nas sabatinas feitas pelo Jornal Nacional na semana passada, eu tenho uma péssima notícia: estamos todos enrolados. Os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas que passaram pela bancada — Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury — tiveram atuações, no mínimo, decepcionantes. Nenhum conseguiu, de fato, transformar aquele espaço em uma oportunidade para apresentar um projeto convincente para o Brasil.

Mas é preciso fazer uma crítica também à postura dos entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcelos. Em vários momentos, aquilo pareceu menos uma sabatina jornalística e mais um interrogatório. Perguntas em tom agressivo, de acusação, quase como se os apresentadores estivessem diante de um tribunal. O próprio Lula falou isso durante a entrevista — e, nesse ponto, ele não está errado. O problema é que praticamente todos os candidatos receberam o mesmo tratamento. Lula talvez tenha sentido ainda mais a pressão, assim como Flávio Bolsonaro, muito provavelmente pelo histórico de denúncias e escândalos que envolve os dois lados.

E é justamente aí que, na minha opinião, o Jornal Nacional perdeu uma grande oportunidade. O brasileiro queria saber sobre o que realmente afeta a vida dele. Como cada candidato pretende controlar a inflação? O que fará para reduzir o preço dos alimentos? Como pretende melhorar a economia? Como vai gerar empregos? O que fará pela saúde, educação e segurança? Qual é o plano de governo? Essas são perguntas que interessam diretamente a quem está em casa pagando supermercado, aluguel, conta de luz e combustível. Mas boa parte da sabatina ficou presa a polêmicas, declarações controversas e escândalos.

E os candidatos também não ajudaram. Caiado falando sobre enfrentar a bandidagem a qualquer custo, Renan Santos defendendo ideias como a de uma bomba atômica, Augusto Cury tendo de explicar declarações envolvendo drones, Zema sem conseguir apresentar uma defesa convincente de sua gestão em Minas e Flávio Bolsonaro passando boa parte da entrevista falando de Lula. Do outro lado, Lula nem citou o sobrenome Bolsonaro, mas também não teve uma grande atuação: ficou nervoso, se enrolou em diversas respostas e não conseguiu aproveitar o espaço como poderia.

No fim das contas, ficou a sensação de que o eleitor brasileiro está diante de um cenário muito ruim. Seis nomes importantes tiveram a oportunidade de mostrar por que deveriam comandar o país e, para mim, nenhum conseguiu convencer. E isso é preocupante, porque eleição presidencial não deveria ser uma escolha entre quem é “menos pior”. Mas, infelizmente, é exatamente assim que muita gente está se sentindo: escolhendo um nome não porque acredita plenamente nele, mas porque não enxerga uma alternativa melhor.

Eu mesma já tenho uma escolha. Mas é uma escolha muito mais pela falta de opção do que por entusiasmo. E talvez esse seja o retrato mais triste dessa eleição: independentemente de quem você escolher, a sensação é de que o brasileiro está lascado de qualquer jeito. Não está fácil encontrar para onde correr. Vamos seguir no marasmo como país.