Horário das Seis exige leveza para público que está exausto chegando em casa. A novela só proporciona metade disso

Tem novela que conquista pelo conjunto da obra. A Nobreza do Amor é exatamente isso: um acerto cheio de charme, com personagens que funcionam e uma história que sabe prender. Não é daquelas tramas que dependem de um grande acontecimento a cada capítulo — ela vai te ganhando no detalhe, no diálogo bem escrito, na construção de relações que fazem sentido. E quando você percebe, já está completamente envolvido. Nessa novela isso funciona no núcleo nordestino de Barro Preto.
Mas como nem tudo são flores, o tal do reino de Batanga consegue ser um teste de paciência. Toda vez que a novela corta pra esse núcleo, parece que o ritmo dá uma freada brusca. Falta carisma, falta humor, falta algo interessante, falta aquela faísca que faz o público querer continuar ali. Não chega a estragar a experiência, mas dá aquela sensação de “tá, já pode voltar ao que importa”. Além de tudo lá ser muito escuro no cenário e ter um ar sombrio com o vilão atormentando todos.
Parece que tudo o que importa mesmo é Barro Preto. Esse núcleo é o coração pulsante da novela. É onde a história anda, onde os personagens têm vida, onde o humor aparece na medida certa. Tem química, tem timing, tem aquela energia que faz você assistir sorrindo — ou pelo menos interessado. É ali que A Nobreza do Amor encontra sua melhor versão, sem esforço. Enquanto na novela das 7h o público tem um mocinho bunda mole como o tal do João Raul, o protagonista Tonho é um exemplo do que toda mulher sonha em ter ao seu lado. Ele só exalta a beleza e força da princesa protagonista Alika/Lúcia.
No fim das contas, é uma novela que vale a pena acompanhar, mesmo com seus tropeços pontuais. Porque quando acerta — e acerta bastante — ela entrega exatamente o que o público quer: entretenimento de qualidade, com personagens marcantes e uma trama que te faz voltar no dia seguinte. Se desse pra diminuir Batanga e aumentar Barro Preto, aí sim a gente estaria falando de um fenômeno sem ressalvas. Esse horário das Seis precisa de uma novela tranquila e divertida para o povo que chega em casa exausto de sua rotina. Ninguém merece ver conflitos de um reino que não vão agregar em nada na vida de quem assiste.