Jogador mais completo e histórico do futebol brasileiro pós-Pelé, Zico tem merecido documentário sobre sua trajetória nas telonas

O documentário Zico, O Samurai de Quintino chega como mais do que um registro histórico: é um lembrete necessário de quem ajudou a moldar o futebol brasileiro em sua essência mais pura. Falar de Zico (Arthur Antunes Coimbra) é falar de técnica refinada, inteligência em campo e uma relação quase artesanal com a bola. De longe foi o melhor jogador brasileiro pós-Pelé. Ídolo máximo do Flamengo, ele não apenas encantou gerações, mas elevou o nível de exigência sobre o que significa jogar futebol no Brasil. E nem precisa ser flamenguista para adorar Zico. Sua forma de pensar o jogo — com criatividade, disciplina e obsessão pelo detalhe — ajudou a pavimentar o caminho para a evolução tática e técnica que viria depois.
Mas reduzir Zico ao Brasil é não entender a dimensão real do seu impacto. Quando atravessou o mundo para atuar e ensinar no Kashima Antlers, ele fez muito mais do que jogar: ele educou. Em um país que ainda estruturava sua identidade no futebol, Zico foi um verdadeiro arquiteto do jogo. Levou fundamentos, profissionalismo e uma visão moderna que ajudaram a transformar o Japão em uma potência emergente no esporte. Não é exagero dizer que boa parte do que o futebol japonês se tornou passa diretamente pelas mãos — e pelos pés — do Galinho.
O filme acerta ao resgatar essa dualidade: o craque genial e o formador de cultura esportiva. Porque Zico nunca foi apenas talento — ele sempre foi método. Treinava faltas à exaustão, estudava o jogo e tratava o futebol como ciência antes mesmo disso se tornar comum. É essa mentalidade que o coloca em um patamar diferente, como um elo entre o futebol arte e o futebol moderno. Ele não só brilhou em campo, como ensinou o caminho para que outros brilhassem.
No fim, assistir a esse documentário é entender que Zico não pertence apenas à história — ele pertence à evolução do futebol. Do Quintino para o mundo, sua trajetória é a prova de que talento sem dedicação não sustenta legado, mas quando os dois se encontram, o resultado é eterno. E Zico, definitivamente, é eterno. A experiência de ver sua história no cinema vale o combo e o salgadinho da Americanas. No esquenta para o filme, ouça o samba da Imperatriz Leopoldinense 2014, do qual Zico foi enredo.