Há 30 anos, menor preocupação dos colombianos era o esporte. Isso fez o país atrasar seus planos nos gramados

A Seleção Colombiana vive um daqueles momentos que misturam esperança e cobrança na mesma medida. Vice-campeã da Copa América 2024, ao perder a decisão para a Seleção Argentina, a Colômbia mostrou que tem material humano para competir em alto nível. A geração atual, liderada por nomes como James Rodríguez véio e Luis Díaz no auge, carrega talento comparável às safras históricas dos anos 90 e à equipe de 2014, que encantou o mundo. Mas talento, por si só, não garante protagonismo contínuo.
Existe um contexto mais profundo por trás dessa seleção. A Colômbia passou por décadas marcadas por conflitos internos e instabilidade, um período em que o futebol dividia espaço com questões muito mais urgentes como a do narcotráfico. O renascimento do país, tanto social quanto cultural, se reflete diretamente na forma como o futebol é vivido hoje: com paixão, orgulho e identidade. O torcedor colombiano transformou o apoio à seleção em uma extensão desse novo momento nacional — vibrante, acolhedor e cheio de esperança.
Dentro de campo, porém, o desafio é outro: transformar talento em consistência. A Colômbia ainda busca aquilo que separa boas gerações de seleções vencedoras — a famosa “liga”. Falta regularidade em competições longas, falta maturidade em momentos decisivos e, principalmente, falta um padrão coletivo que sustente o brilho individual. Enquanto isso, o posto de terceira força do continente segue em aberto, disputado com seleções como Seleção Uruguaia e Seleção Equatoriana, que também vivem seus próprios ciclos de reconstrução e afirmação.
O caminho colombiano, no entanto, parece bem desenhado. Clubes como Envigado Fútbol Club, Millonarios FC e Deportivo Cali investem forte nas categorias de base, formando jogadores desde cedo com estrutura e metodologia modernas. Essa base sólida é o que pode garantir presença constante em Copas do Mundo — evitando ausências como a de 2022 — e competitividade nas próximas edições da Copa América. Por enquanto, a Colômbia ainda parece uma seleção em construção no cenário mundial, mas com potencial claro de, no médio prazo, deixar de ser promessa e se firmar de vez como protagonista sul-americana.