Sertanejo virou só regravação

E ninguém aguenta mais!

Foto: G1 (Imagem ilustrativa)

O sertanejo sempre conviveu com regravações — isso nunca foi o problema. Desde os tempos de Liu & Leo até o auge do universitário, revisitar músicas fazia parte da cultura do gênero. A diferença é que agora virou excesso. Hoje, o que se vê é um cenário praticamente dominado por versões de sucessos antigos, repetidas à exaustão. E isso tem um efeito colateral claro: desgasta. A música perde força, perde novidade, e o público acaba voltando pro original, porque é ali que está a essência que nenhuma releitura consegue substituir.

Ao mesmo tempo, surge uma nova geração que conhece essas músicas apenas pelas regravações — e nem faz ideia de quem gravou primeiro. Isso também é preocupante. Porque não se trata só de cantar de novo, mas de respeitar a história. Outro ponto que evidencia o esgotamento é a falta de repertório. Não basta as mesmas regravações de sempre como “Boate Azul”, “Ela é Demais” e “Estou Apaixonado”, agora ficou pior. O sertanejo parece ter chegado num limite criativo, e a saída encontrada tem sido buscar músicas de outros gêneros — principalmente o pagode. De repente, rodas de viola viraram rodas de regravação, com vários artistas reunidos cantando sucessos que não são dali. Quando uma música vira “hit” novamente sem qualquer menção ao artista original, cria-se uma distorção e clima chato.

Casos recentes, como o da canção “Fim da Noite”, eternizada por Adryana Ribeiro na época do Adryana e a Rapaziada, escancaram isso. A música ganha nova vida, mas sem contexto — e pior, com uma interpretação em palco que trata aquele sentimento como se fosse inédito, quase autoral, por parte de quem está cantando. Isso não é só falta de crédito, é falta de conexão com a própria essência. No entanto, tem artista que se não fosse as regravações, ele nem existiria. Além de mais um problema no mercado: artista de anos de carreira que estouram com regravação, como aconteceu com Lauana Prado na “Escrito nas Estrelas”. Ao menos ela sempre fez menção a versão original de Tetê Espíndola.

Pra completar, os escritórios apostam nessa fórmula de regravar porque dá engajamento fácil, mas artisticamente é pobre. O público até consome, mas muito mais por falta de opção do que por entusiasmo real. Enquanto isso, gêneros como o pagode e o forró seguem em movimento, apostando em projetos novos, caras novas e repertórios inéditos. O sertanejo, que já foi símbolo de renovação dentro da música brasileira, hoje parece estagnado, girando em torno de si mesmo. A nova geração canta agrofunk…

E o resultado é mais um ano marcado por músicas esquecíveis e versões recicladas. No fim, sobra aquela sensação meio amarga: se for pra ouvir de novo, melhor ficar nas antigas mesmo — aquelas que marcaram de verdade e que, pelo visto, continuam sendo insuperáveis. Certo está o Zezé di Camargo em não liberar regravações de suas obras. No fim das contas, o sertanejo parece preso em um looping criativo que ele mesmo alimentou.

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