Angra inclui versão de Calcinha Preta em nova tour com Edu Falaschi

“Bleeding Heart” ganhou espaço para trecho de “Agora Estou Sofrendo”, sucesso na voz de Daniel Diau que se tornou hino do forró

Foto: Instagram

O Angra vive um daqueles momentos que mexem com a memória afetiva de quem acompanha a banda há anos. A formação com os vocais de Edu Falaschi, eternizada no álbum Rebirth, voltou aos palcos em uma turnê especial que vai além da nostalgia: é praticamente uma celebração de um período que redefiniu o metal melódico brasileiro. E não é exagero dizer que essa fase tem um peso enorme, porque foi ali que a banda mostrou sua capacidade de se reinventar e seguir relevante mesmo após mudanças importantes na formação original.

O mais interessante dessa turnê é justamente o repertório, que não fica preso ao óbvio. Entre clássicos esperados, um momento chama atenção: “Bleeding Heart”. A música ganhou uma nova vida fora da bolha do metal por causa da versão em português, “Agora Estou Sofrendo”, popularizada no forró pela Calcinha Preta. E o Angra abraçou isso sem medo. Nos shows, a inclusão desse trecho em português dentro da própria música cria um dos momentos mais curiosos — e também mais simbólicos — do reencontro. É o tipo de mistura que poderia soar estranha, mas funciona porque carrega história.

E essa conexão não surgiu por acaso. Edu Falaschi participou do DVD Atemporal, da Calcinha Preta em 2024, cantando justamente essa música que ele mesmo compôs ao lado de Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt. Ou seja, não é apenas uma adaptação que viralizou — existe um elo direto entre os universos. A canção, que já era forte no metal, acabou se tornando um fenômeno também no forró, ganhando novas camadas e alcançando um público completamente diferente.

E se já não bastasse essa travessia entre gêneros, “Agora Estou Sofrendo” ainda se consolidou no cenário popular com outras releituras, incluindo um feat com Gusttavo Lima e a banda nordestina. No meio de tudo isso, ver a versão original sendo executada ao vivo com Edu Falaschi, como aconteceu no Atemporal e agora nessa turnê com o metal do Angra, fecha um ciclo quase improvável. É a prova de que a música não respeita fronteiras — e que, quando é boa de verdade, encontra caminhos que ninguém prevê.

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