Está cada vez mais difícil assistir ao programa Viver Sertanejo

Dominical está se saturando com convidados “série C” e edição corrida sem tempo para conversas mais aprofundadas

Foto: Globoplay

O Viver Sertanejo nasceu com aquele ar de aconchego raro na TV aberta, uma mistura de nostalgia, música boa e conversas incríveis que faziam qualquer um querer acordar cedo no domingo. Com Daniel no comando, a proposta parecia imbatível — e, de fato, foi por um tempo. Mas o que era frescor está começando a dar sinais de grande desgaste. O problema não está na essência do programa, e muito menos no apresentador. Está no conteúdo, que vem se repetindo e, pior, se esvaziando.

Falta peso nos convidados. A ausência de artistas de primeira prateleira impacta diretamente na qualidade das conversas, que já não mergulham como antes. Tudo soa superficial, como se a edição passasse uma borracha em qualquer possibilidade de profundidade. Um programa com apenas uma hora de duração simplesmente não comporta o tipo de papo que ele se propõe a ter — ainda mais naquele clima de café que pede calma, tempo e histórias bem contadas. O resultado são diálogos que começam interessantes, mas terminam rasos e tudo muito corrido.

E quando nomes fortes aparecem, nem sempre o resultado acompanha. O encontro com produtores experientes como Rick (Renner), Pinocchio e Iva Miyazato, por exemplo, tinha tudo para render bastidores inéditos, mas acabou caindo no óbvio. Histórias já conhecidas, sem novidade alguma. Um claro fato foi a discussão sobre a produção de Miyazato em “Largado às Traças”. Ficou no superficial, ignorando detalhes relevantes — como o fato de que o arranjo gravado veio da guia original e do violão de Pancadinha (compositor da música). Sem contar que a insistência do cantor Zé Neto, para o arranjo original permanecer e a canção não virar uma vaneira, foi decisiva para o resultado final. Esse tipo de informação faz falta — e quando aparece, passa batido.

Outro ponto que incomoda é a escolha de artistas menos relevantes no cenário, a chamada “série C” do sertanejo, que não conseguem sustentar o interesse do público. Quem acordava animado para ver Chitãozinho & Xororó ao lado de Daniel nas primeiras semanas de programa, hoje já não faz tanta questão assim. E a dinâmica do programa também contribui para momentos desconfortáveis: quando um convidado entra primeiro, depois é praticamente ignorado com a chegada de outro, fica evidente a falta de direção narrativa. É estranho, deselegante e quebra completamente o clima. Fora que, os convidados nem sempre tem relação um com o outro, transparecendo um encontro totalmente aleatório durante o programa.

O mais curioso é que o Viver Sertanejo ainda tem potencial de sobra. Existe material gravado que nunca foi ao ar, há espaço claro para um spin-off num Globoplay da vida e possibilidades de aprofundar muito mais esse universo com os conteúdos inéditos. Mas nada disso é explorado. Com um programa fixo todo domingo e gravações concentradas em Brotas, o desafio de encontrar bons convidados só aumenta — e isso já começa a aparecer na tela. O alerta está dado: saturar um produto tão bom pode custar caro. Ainda dá tempo de corrigir o rumo, mas é preciso agir antes que o público simplesmente pare de ligar a TV no domingo de manhã (voz do Belutti). Enfim, paciência…

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