Categoria: Estilo de Vida

Que programa chato deram para a Eliana

Quadros sem pé nem cabeça atrapalham a apresentadora fazer o que realmente sabe

Foto: Instagram

Tem alguma coisa muito errada acontecendo nesse Em Família com Eliana. E não é implicância, é sensação coletiva mesmo: o programa simplesmente não encaixou. A Eliana, que sempre teve um carisma natural e uma conexão absurda com o público, parece coagida num formato que não conversa com quem está do outro lado da tela. Domingo à tarde pede leveza, identificação, emoção — e não esse monte de quadro sem alma.

Vamos ser sinceros: ninguém quer assistir família desconhecida cantando como se fosse um reality improvisado. Não cria vínculo, não gera torcida, não prende. E aí você soma isso com famosos participando de dinâmicas aleatórias, falando em um caralho de microfone que distorce a voz… qual é a proposta disso? É confuso, é barulhento e, principalmente, é chato. Aqueles games então… parecem quadros genéricos, sem criatividade, que não exploram absolutamente nada do potencial de quem está ali. Ninguém merece isso, especialmente a apresentadora tida como “herdeira” de Hebe Camargo pela carreira que construiu.

E o mais curioso é que não falta referência do que funciona. A própria Eliana já fez isso muito bem. Quando ela ia até a casa dos artistas, sem ser somente cantores, quando transformava histórias reais em quadros emocionantes (tipo o Beleza Renovada), quando fazia entrevistas no palco com calma, escuta e presença — ali existia televisão de verdade. Era próximo, era humano. Hoje, o programa parece mais preocupado em preencher tempo do que em criar momentos.

No fim das contas, dá a impressão de que estão tentando encaixar a Eliana num molde que não é dela. E isso é um erro enorme. Porque talento ela tem de sobra — o que falta é direção. Se a Globo quiser mesmo fazer esse programa dar certo, precisa olhar menos pra fórmula e mais pra essência. Porque o lugar da Eliana não é nesse monte de dinâmica vazia. O lugar dela é onde ela sempre brilhou: contando histórias, ouvindo gente de verdade e sendo, simplesmente, ela. Estão atrapalhando a vida de Eliana criando coisa que ninguém quer assistir num domingo à tarde!

O Testamento: Fofoca pesada para maratonar e se divertir

Candidata a série documental do ano, “O Testamento” traz briga, rolo e confusão em torno da fortuna de dona da Pernambucanas – em coma há dez anos

Foto: Globoplay

A série documental O Testamento mergulha em uma daquelas histórias reais que parecem ficção de tão cheias de reviravoltas, disputas e personagens excêntricos. No centro de tudo está Anita Harley, uma das maiores figuras por trás do império da Pernambucanas, que está há 10 anos em coma após um AVC — condição que torna toda a disputa em torno de sua vida e, principalmente, de seu testamento, ainda mais delicada e controversa. É justamente essa ausência silenciosa da protagonista que abre espaço para uma batalha intensa entre pessoas próximas, interesses milionários e versões conflitantes sobre lealdade, poder e influência. O caso se tornou uma série nível “Vale o Escrito” no Globoplay.

Entre os nomes que orbitam essa trama, ganha destaque Cristine, vista como a pessoa de maior confiança de Anita em sua vida profissional e pessoal. Do outro lado, surge Sônia Soares, a Suzuki, figura central na briga judicial que movimenta a série. O conflito entre essas partes vai muito além de dinheiro: ele escancara relações frágeis, ressentimentos antigos e uma disputa por narrativa — quem realmente estava ao lado de Anita e quem apenas orbitava o poder. Essa séria só ganhou forma após a diretora e jornalista Camila Appel, passar uns dias no mesmo hospital em que Anita está há anos em cuidados. No ano de 2021, Camila acompanhava o pai em uma internação, no mesmo corredor do quarto ‘secreto’ em que a bilionária se encontra. Curiosa com os seguranças na porta do quarto e sem receber visitas, com seu instinto investigativo foi perguntar quem estava no quarto. Ao descobrir a história, trabalhou para esse roteiro louco da vida real ganhasse a série.

Mas O Testamento não vive só de tensão. Um dos grandes acertos da série está no seu lado quase cômico involuntário, especialmente nas participações das sobrinhas, que protagonizam momentos que viralizaram entre quem assiste. A famosa frase “Titia Helena odiaaaava a Suzuki” não é apenas um detalhe: ela sintetiza o tom ácido, quase novelesco mexicano, que permeia certos depoimentos. Essas falas, carregadas de emoção e uma pitada de exagero, funcionam como respiro em meio ao clima pesado — e ajudam a humanizar (e até ridicularizar, em alguns momentos) os conflitos familiares.

No campo jurídico, o documentário também ganha contornos quase teatrais. De um lado, o advogado de defesa de Suzuki, Daniel Silvestri, chama atenção não só pelo posicionamento firme, mas também por uma postura considerada estranha, quase enigmática, que levanta dúvidas e curiosidade. Do outro, representando Cristine, está José Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça, cuja presença adiciona peso político e técnico ao caso. A entrada de uma figura desse calibre deixa claro que o que está em jogo ali vai muito além de uma simples disputa familiar — é uma batalha de influência, estratégia e poder que se desenrola diante das câmeras com a intensidade de um grande drama brasileiro. Assista para se divertir, ao menos!

Documentário sobre Raimundos revive grandeza da banda mergulhando no embate das personalidades de Rodolfo, Digão, Canisso e Fred

Do auge a queda, “Andar na Pedra” traz a história da principal banda de punk rock do Brasil de forma inédita no Globoplay

Foto: Reprodução

O documentário Andar na Pedra mergulha de cabeça na história de Raimundos, entregando muito mais do que uma simples linha do tempo da banda. Ao longo de cinco episódios, a produção abre os bastidores de forma crua, mostrando conflitos, excessos, decisões difíceis e, principalmente, a personalidade única de cada integrante da formação original: Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred. É aquele tipo de conteúdo que prende não só pelo que conta, mas pela forma honesta como escolhe contar.

O grande eixo emocional da narrativa está em Rodolfo. O documentário se aprofunda na mente e nas atitudes do vocalista, mostrando como sua intensidade foi tão fundamental para o sucesso quanto para a ruptura. Sua saída da banda não é tratada de forma superficial — pelo contrário, ganha camadas, contexto e peso. É ali que o espectador entende que o fim de uma era não aconteceu de repente, mas foi sendo construído aos poucos, em meio a conflitos internos e mudanças pessoais profundas.

Do outro lado, Digão emerge como uma figura central na reconstrução. O que antes era “apenas” um guitarrista se transforma em um verdadeiro pilar da banda. O documentário mostra bem esse processo de transição, quase como uma passagem de bastão forçada, em que ele precisa assumir responsabilidades, liderança e até a identidade do Raimundos em um novo momento. É um retrato de resiliência, mas também de pressão — porque manter viva uma banda tão marcante nunca foi uma tarefa simples.

E se tem algo que Andar na Pedra deixa claro é a essência do Raimundos: o caos criativo equilibrado por talento bruto. Canisso representa essa alma irreverente e visceral, enquanto Fred surge como a mente organizadora, o cara que colocava ordem na casa e transformava energia em música. O resultado é um documentário completo, viciante e impossível de assistir aos poucos — daqueles que você começa e só percebe que acabou quando já maratonou tudo. Para fãs de rock nacional, especialmente dos anos 90 e 2000, é mais do que recomendação: é praticamente obrigatório.

Feliz cumpleaños, Maestro Bilardo

Maior técnico da história da Argentina, ‘el doctor’ completa 88 anos de vida, enfrentando doença degenerativa

Foto: Clarín Deportes

O maestro mor do futebol, Carlos Bilardo completou nesta semana, 88 anos de vida. Figura emblemática do futebol argentino, ele não é apenas lembrado pelos títulos, mas principalmente por ter criado uma filosofia própria dentro do esporte. Para muitos, é o maior treinador da história da Seleção Argentina, alguém que transformou a forma de competir e pensar o jogo, sempre com um olhar obsessivo pelos detalhes e pela vitória. “El doctor” foi um técnico muito além dos gramados, usando sua profissão, a Medicina, para ter um estilo diferenciado e uma visão única que o fez ser lendário.

A consagração máxima veio na Copa do Mundo FIFA de 1986, quando liderou a Argentina ao título mundial, tendo como grande protagonista Diego Maradona. A conquista não apenas eternizou seu nome, como também consolidou o chamado “Bilardismo” — uma escola que valoriza estratégia, disciplina tática e o resultado acima de qualquer estética. Bilardo não queria só ganhar, queria controlar cada variável possível dentro de um jogo. Da sua ‘escola’ saíram devotos como Diego Simeone, Carlos Bianchi, Diego Dabove, Lionel Scaloni e Alejandro Sabella.

Mas a genialidade de Bilardo sempre veio acompanhada de histórias peculiares, quase folclóricas. Uma das mais conhecidas aconteceu em 2004, quando, comandando o Estudiantes de La Plata, deu uma mistura de coca-cola com cafiaspirina ao jogador Marcos Angeleri durante uma partida contra o Quilmes. A ideia? Ajudar na recuperação física, o acordar e manter o atleta em campo, evidenciando seu estilo nada convencional e sua disposição de ir além dos métodos tradicionais.

Atualmente, Bilardo enfrenta uma doença degenerativa desde 2014, vivendo de forma mais reservada em casa, cercado de cuidados e carinho. Ainda assim, segue recebendo visitas frequentes, especialmente de ex-jogadores daquela geração histórica de 1986, que fazem questão de retribuir tudo o que ele representou em suas carreiras. Nos últimos anos, seu estado tem sido considerado estável, dentro das limitações da doença, e há um conforto simbólico que emociona: ele pôde ver e reconhecer a conquista da Seleção Argentina na Copa do Mundo FIFA de 2022.

Existe uma imagem marcante dele, sentado no sofá, assistindo a uma entrevista de Lionel Messi com a taça nas mãos — um retrato silencioso de alguém que ajudou a construir o caminho para que a Argentina voltasse ao topo do mundo. Entre a genialidade e a obsessão, Bilardo construiu uma carreira que vai muito além das quatro linhas. Sua influência segue viva no futebol argentino até hoje, dividindo opiniões, mas sempre impondo respeito. Afinal, poucos treinadores conseguiram deixar uma marca tão forte, criando não só um time vencedor, mas uma verdadeira forma de enxergar o futebol.

(Foto feita na última segunda (16), dia em que Bilardo comemorou seu aniversário em casa)

Coração Acelerado: Novela ultrapassada, sem enredo e difícil de assistir

Público não comprou a ideia e conta os dias para trama sair do ar. Era coisa para ser feita em 2012

Foto: Instagram

A novela Coração Acelerado chegou com a promessa de misturar drama, música e o universo sertanejo, mas na prática acabou se tornando uma produção confusa e difícil de acompanhar. O problema principal parece estar no enredo, que simplesmente não se sustenta. As histórias não se conectam direito, os conflitos não prendem a atenção e o público fica com a sensação de que está assistindo a cenas soltas, sem um rumo claro. Falta direção narrativa, falta objetivo — e novela sem história forte vira um teste de paciência.

O mais curioso é que o elenco não é o problema. Pelo contrário: há bons atores e atrizes no projeto, gente com experiência e talento suficientes para carregar tramas interessantes. Só que a novela não sabe aproveitar esse potencial. Personagens aparecem sem profundidade, arcos dramáticos começam e não evoluem, e muitos talentos acabam desperdiçados dentro de uma história que não encontra seu próprio tom.

Outro ponto que pesa contra a trama é o desequilíbrio típico das novelas mal conduzidas: a vilã parece estar sempre vencendo. Conflito é importante em dramaturgia, claro, mas quando o mal se impõe o tempo todo sem contraponto convincente, o público começa a perder o interesse. Fica cansativo acompanhar uma história em que a sensação constante é de frustração.

Nem mesmo a trilha sonora — que deveria ser um dos grandes atrativos de uma novela ambientada no universo sertanejo — consegue empolgar. Falta aquele impacto cultural que outras produções musicais já tiveram na televisão brasileira. As músicas hoje não estouram, não viram assunto, não criam identificação com quem está assistindo. É como se tudo passasse sem deixar marca. E a abertura, que todos esperavam a música “Fora do Compasso” e enfiaram uma da Ana Castela, mais saturada que tudo de tanto aparecer?

No fundo, Coração Acelerado também parece uma novela fora do seu tempo. A ideia de uma trama centrada no universo sertanejo talvez funcionasse muito melhor lá por 2012 ou 2013, quando esse tipo de estética estava mais alinhado com o momento cultural da TV. Hoje, com o público mais exigente e acostumado a narrativas mais dinâmicas, a produção soa datada — e acaba se tornando uma novela difícil de engolir.

Se quiser ter chances reais nas eleições, PSD precisa lançar Ratinho Jr para ontem

Crise do Banco Master de Vorcaro vai bater nos líderes das pequisas, Lula e Flávio Bolsonaro. Brecha para terceira via crescer é agora

Foto: Estadão SP

Caso queira ter alguma chance real de disputar a Presidência em 2026, o PSD precisa parar de hesitar e apostar logo em um nome: Ratinho Jr.. Em política, tempo é tudo — e quem demora demais para decidir acaba chegando atrasado na corrida. O partido tem hoje alguns nomes possíveis no campo de centro-direita, mas a indecisão pode custar caro.

O cenário começa a abrir uma fresta inesperada. O escândalo envolvendo o Banco Master pode respingar justamente nos dois nomes que hoje aparecem como protagonistas da polarização nacional: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Se a crise política ganhar corpo, abre-se espaço para uma alternativa fora desse duelo já conhecido que domina o debate público desde 2018.

É justamente aí que entra a possibilidade de crescimento de Ratinho Jr.. Jovem para os padrões da política nacional, governador bem avaliado no Paraná e com perfil menos ideológico, ele poderia se apresentar como um nome de renovação moderada. Mas isso exige construção de imagem nacional desde já — algo que não se faz em seis meses de campanha. Ter sangue novo ajuda muito, mas mostrar a experiência que já se tem provando capacidade para governar leva tempo ao chegar no eleitor.

O problema é que o PSD ainda parece preso em discussões internas, tentando decidir entre Ronaldo Caiado, Eduardo Leite ou o próprio Ratinho Jr.. Essa dúvida estratégica pode acabar diluindo a força de um partido que, vale lembrar, foi o que mais elegeu prefeitos nas eleições municipais de 2024, demonstrando capilaridade e presença política em todo o país.

Se existe um partido com base municipal suficiente para lançar um projeto presidencial competitivo, esse partido é o PSD. Mas para transformar estrutura em candidatura viável, será preciso abandonar a cautela excessiva. Em política, quem quer ocupar o espaço da terceira via precisa começar a caminhada antes de todo mundo — e não quando a eleição já estiver batendo à porta.