Categoria: Estilo de Vida

Bagunça no extracampo é o que mais atrapalha a seleção brasileira

70 pessoas da família, parças viajando pedindo ingresso, influencers querendo exclusiva com jogadores e preocupação com cabeleireiros matam a concentração do time há anos

Foto: Instagram (Granja Comari 2014)

A seleção brasileira virou um reality show ambulante. Nunca é só futebol. Tem que levar família, parça, influencer, cabeleireiro, namorada famosa, assessor, amigo do amigo, gente querendo ingresso, patrocinador querendo gravar conteúdo, imprensa querendo exclusiva, TikTok, dancinha, publi, Luciano Huck querendo invadir o treino… Tem de tudo, menos concentração. Parece que ninguém consegue ficar trinta ou quarenta dias isolado pensando apenas em ganhar uma Copa do Mundo. O ambiente da Seleção virou um desfile de vaidade e distração, enquanto outras seleções entendem que Mundial se ganha com foco absoluto. Futebol de alto nível exige sacrifício, silêncio e concentração. Não é colônia de férias.

A França, campeã de 2018, é um exemplo claro disso. Os caras ficaram praticamente isolados em Kazan, na Rússia. Quase ninguém tinha acesso aos jogadores. Não tinha bagunça, não tinha celebridade entrando em concentração, não tinha influencer fazendo conteúdo dentro do hotel. Os jogadores passaram semanas longe da família, mas voltaram campeões do mundo. Enquanto isso, o Brasil parece sempre preocupado em transformar Copa em evento social. Em 2014, dentro da concentração tinha celebridade, cantor, amigo de jogador, visita toda hora. David Brazil andando pra lá e pra cá, Turma do Pagode cantando, Bruna Marquezine e uma atmosfera completamente distante do que deveria ser uma preparação séria para uma semifinal de Copa em casa. Resultado: 7 a 1. A maior vergonha da história das Copas.

E não parou por aí. Em 2018, mais bagunça. Em 2022, a sensação era de que o extracampo novamente chamava mais atenção do que a bola rolando. Jogador preocupado com marca de cosmético, perfume, skincare, cabelo, publi e rede social. Existe um estrelismo que contaminou a Seleção há anos. Parece que alguns entram mais preocupados em fortalecer a própria imagem do que em construir um time campeão. E isso passa para o torcedor. A conexão entre povo e Seleção foi se perdendo justamente porque muita gente olha e não vê mais aquela obsessão pela vitória que existia antigamente.

Por isso não é absurdo nenhum ver brasileiros torcendo para outras seleções hoje. Estamos em um mundo globalizado. Eu em 2003 conheci Bilardo através da TyC Sports e comecei a torcer pelo Estudiantes LP. Por consequência me apeguei a seleção argentina de Jose Pékerman. Enfim… Muita gente se identifica mais com times organizados, focados e comprometidos do que com essa imagem de uma Seleção transformada em camarote VIP. Jornalistas que cobrem a Copa chegan a ficar mais de 50 dias longe da família. Os jogadores não conseguem fazer o mesmo? Precisam levar 70 pessoas numa excursão pelo país da Copa?

O Brasil sempre teve o melhor futebol do mundo quando colocou a bola acima do ego quando a prioridade era treinar, competir e vencer. Assistiram ao documentário do Zico? Aquilo era futebol em essência. Enquanto continuar existindo mais preocupação com marketing, fama e conforto do que com concentração e espírito coletivo, a Seleção continuará distante do topo do futebol mundial. Com ou sem o tal menino Ney. Ele não vai resolver nada do que estão esperando. O buraco é mais embaixo.

Tem gente que não gostou de Michael, nem de Devoradores de Estrelas, nem de Mortal Kombat… ESSE POVO QUER O QUÊ NO CINEMA?

A pessoa se acha votante do Oscar, só pode!

Foto: Vogue Magazine

Tem uma galera irritante que simplesmente desaprendeu a se divertir no cinema. O sujeito não gostou de Devoradores de Estrelas, não gostou do filme do Michael Jackson, não gostou de Mortal Kombat II, não gostou de Pânico 7, não gostou nem do filme do Super Mario. Aí eu pergunto: essa pessoa quer o quê afinal? Porque nada está bom. Absolutamente nada! Tudo é ruim, tudo é “fraco”, tudo é “roteiro preguiçoso”, tudo é “fan service” ou falta de fidelidade na obra tal… Meu irmão, então fica em casa! Assina streaming, pega seu controle remoto e vai assistir o que você quiser sozinho no sofá, porque claramente o cinema virou uma experiência impossível de agradar você.

O pior é a crítica militante de internet. O cara fala do filme como se fosse votante da Academia. Parece que tá decidindo Melhor Filme no Oscar, Melhor Direção, Melhor Figurino, Melhor Roteiro. Mas nunca fez um curso de artes cênicas na vida, nunca estudou cinema, nunca pegou uma câmera. Só quer pagar de intelectual na timeline. A pessoa vai assistir um filme de luta, explosão, perseguição, sangue e fatality e quer encontrar a profundidade filosófica de A Odisseia com direção do Nolan. Não sabe desligar a cabeça por duas horas e simplesmente curtir.

E outra: ano passado o povo reclamava que só tinha filme vagabundo. Agora, esse ano tá cheio de blockbuster, filme brabo, continuação aguardada, animação bombando, terror lotando sessão, e continuam reclamando de tudo. O Diabo Veste Prada 2 está explodindo em bilheteria, um monte de produção gigante chegando, cinema movimentado de novo, e ainda assim nada agrada. Daqui a pouco estreia Minions & Monstros, onde com certeza vai aparecer um cidadão fazendo thread de 40 tweets criticando o roteiro dos Minions. Quem sente necessidade de tacar hate em um filme desse, tá morto por dentro já. Não tem mais o que fazer.

Cinema também é diversão, exagero, pipoca, salgadinho da Americanas, choradeira, nostalgia. Nem tudo precisa ser tratado como um filme conceito do Nolan candidato ao Oscar. Tem filme que existe só pra divertir, e tá tudo bem. O problema é que hoje tem gente que entra na sessão já querendo odiar alguma coisa pra poder postar depois. A experiência do cinema virou competição de quem parece mais culto na internet. Enquanto isso, quem realmente sabe aproveitar tá lá feliz vendo lutas, sustos, corridas, piadas idiotas, animações e saindo do cinema satisfeito. Porque no fim das contas é isso que importa!

Mauro Beting e PVC fizeram o melhor canal de futebol da atualidade

Muito conhecimento, memórias de elefante e ótimas conversas divertem o público cansado de mesmice

Foto: Youtube

Tem encontros que parecem óbvios, quase inevitáveis, e ainda assim conseguem surpreender quando finalmente acontecem. A união de Mauro Beting com Paulo Vinícius Coelho em um canal no YouTube é exatamente isso: uma parceria que carrega décadas de estrada, de convivência em redações, transmissões e coberturas históricas do futebol, mas que ganha um frescor único no ambiente digital. São anos dividindo bastidores, opiniões e análises em Copas do Mundo, Libertadores e tudo que envolve o esporte mais popular do planeta.

O resultado é um daqueles achados raros para quem realmente gosta de futebol. Não é só sobre comentar o jogo da rodada ou repercutir polêmicas do momento — é sobre entender o futebol em sua essência. Mauro e PVC entregam algo que anda cada vez mais escasso: contexto e descontração na medida certa. Eles resgatam histórias, conectam épocas e explicam o presente com base em um passado que poucos dominam com tanta precisão. É quase uma aula, mas com a leveza de quem conversa com o público como se estivesse numa resenha entre amigos.

Muito disso passa pela característica mais marcante dos dois: a memória impressionante. Tanto Mauro quanto PVC parecem ter um arquivo vivo na cabeça, capaz de puxar escalações, lances, curiosidades e bastidores com uma naturalidade que impressiona. E não é só memória por memória — é memória com significado, que ajuda a construir análises mais profundas, mais ricas e muito mais interessantes de acompanhar. Soma-se a isso o talento de escrita e oratória dos dois, e o resultado é um conteúdo que prende do início ao fim.

Em um ano de Copa do Mundo no horizonte, esse canal se torna praticamente obrigatório para quem quer acompanhar futebol de verdade. Longe do barulho superficial e das discussões vazias, Mauro Beting e PVC oferecem exatamente o que o torcedor precisa: informação de qualidade, leitura de jogo e, principalmente, história. É o tipo de conteúdo que não só informa, mas forma — e que faz a gente lembrar por que se apaixonou pelo futebol. Não é um canal apenas de dois jornalistas ou dois palmeirenses. É um canal da pura essência do futebol em seu maior refinamento. O melhor da atualidade em um mundo esportivo saturado de tudo.

Melhor cidade da Colômbia, Medellín recebe o Flamengo na Libertadores

Qualidade de vida, beleza e cultura definem a cidade que renasceu das cinzas para a eterna primavera

Foto: Arquivo Pessoal

Medellín já foi sinônimo de medo. Hoje, é um dos maiores símbolos de reinvenção urbana do mundo. Nas últimas duas décadas e meia, a cidade colombiana deixou para trás o estigma dos anos 80 e 90 — marcados pela violência associada a desgraça do Pablo Escobar — e se transformou em um exemplo global de mobilidade, urbanismo e qualidade de vida. Um verde verdolaga, na cor do Atlético Nacional, reluz pela cidade que salta aos olhos de quem visita e nunca mais quer ir embora.

Com metrô eficiente, teleféricos integrando comunidades e uma quantidade impressionante de áreas verdes, Medellín hoje respira organização, segurança e bem-estar. É a arborizada das Américas, vibrante e, sobretudo, viva com sua eterna primavera (apelido recebido pelo seu clima durante o ano). Uma cidade que aprendeu a se reconstruir — e fez isso com identidade própria.

E essa identidade aparece com força quando o sol se põe. A vida noturna de Medellín é uma das mais animadas da América Latina, com ruas cheias, música em todos os cantos e uma energia contagiante. Bairros como El Poblado, Provenza e Laureles são o coração dessa experiência: seguros, modernos, cheios de bares, restaurantes e gente do mundo inteiro.

E para quem visita no fim do ano, a cidade entrega um espetáculo à parte com sua famosa iluminação natalina, considerada uma das mais bonitas do continente. No futebol, Medellín também pulsa forte. O tradicional Estádio Atanasio Girardot é um dos grandes templos esportivos da Colômbia — palco de jogos históricos e também de megashows de artistas como J Balvin, Maluma, Karol G, Carlos Vives, Ryan Castro – mais recentementee Bad Bunny.

Foto: Telemedellín

É ali que o Independiente Medellín recebe o Flamengo pela Libertadores nesta semana, em um cenário que mistura paixão, festa e tradição. O clube é protagonista do clássico mais popular do país, o “Clássico Paisa”, contra o Atlético Nacional — um duelo que ainda hoje mantém a divisão de torcidas no estádio, algo cada vez mais raro no futebol sul-americano.

E Medellín também guarda histórias curiosas que conectam música e esporte. Antes de se tornar um fenômeno global, Maluma sonhava com o futebol. Passou pelas categorias de base de clubes como Envigado FC, Atlético Nacional e La Equidad, e chegou a jogar no próprio Atanasio Girardot.

A Colômbia pode até ter perdido um possível jogador daquela geração talentosa, mas ganhou um dos maiores astros pop do planeta. Medellín é isso: uma cidade que mistura passado e futuro, cultura e transformação, futebol e música. E, definitivamente, um dos destinos mais incríveis que você pode escolher conhecer na América Latina.

Guatapé, cerca de 2h de Medellín, proporciona um dos melhores passeios pela região (Foto: Arquivo Pessoal)

Carol Minhoto relata como a fé foi determinante para passar por demissão na TV Gazeta

Brilhando atualmente na Rede Brasil com o “Beleza e Vida”, a apresentadora contou detalhes de tudo o que passou no fim de 2025

Foto: Instagram @carol_minhoto

Minha apresentadora escorpiana favorita não passaria o feriado apenas aproveitando o Grande Hotel Senac. Enquanto estava tomando seu sol, ela contou detalhes de como foi a fatídica semana de sua demissão na ex-emissora. A trajetória de Carol Minhoto nos últimos meses parece roteiro louco de televisão — daqueles que misturam tensão, queda e uma virada que ninguém conseguiria ignorar. Demitida da TV Gazeta em dezembro do ano passado, em uma decisão que pegou público e bastidores de surpresa, ela finalmente abriu o coração neste fim de semana e revelou os bastidores desse momento delicado. Sua demissão estava sendo articulada meses antes de se oficializar. A apresentora, no entanto, não imaginava que realmente aquilo iria acontecer e seguiu sendo dedicada e muito profissional até seu último dia na antiga emissora.

Mais do que detalhes profissionais, o que chamou atenção foi a forma como ela encarou tudo: com , sensibilidade e uma conexão espiritual que guiou cada passo do processo. No relato, Carol contou que já sentia sinais de que algo estava por vir, especialmente em suas orações para Virgem Maria. Segundo ela, houve uma espécie de preparo emocional e espiritual antes da notícia oficialmente chegar até ela, inclusive com a oportunidade de saber da demissão dias antes. Esse meio tempo, que poderia ser apenas um detalhe, se tornou um capítulo importante: permitiu que ela se despedisse com dignidade do público que a acompanhava no programa “Você Bonita” e também organizasse internamente tudo o que precisava para dar os próximos passos na carreira.

E o que parecia um fim virou recomeço em questão de dias. Logo após sua saída, Carol já articulava sua chegada à Rede Brasil, onde hoje comanda o “Beleza e Vida”. O programa mantém a essência do que ela construiu ao longo de duas décadas, mas agora com uma sensação de liberdade criativa e valorização que salta aos olhos. Em um cenário onde poucos conseguem sustentar um programa diário com conteúdo relevante, leve e informativo, Carol prova que não só consegue — como eleva o nível. Saúde, bem-estar, entretenimento e beleza seguem sendo tratados com a naturalidade de quem domina o formato como ninguém.

No fim das contas, a história de Carol Minhoto vai além da televisão. É sobre , sobre entender que nem sempre o que parece perda é realmente perda, e sobre confiar em algo maior — seja em Jesus Cristo, na intercessão dos santos ou na força espiritual que cada um carrega. Cada pessoa encontra seu caminho: para alguns, como eu, é São Jorge; para Carol, foi Maria. O fato é que, quando a gente olha de fora, fica claro que 2026 já começou abençoado para ela. E talvez essa seja a maior prova de que os planos de Deus, no tempo certo, sempre surpreendem e superam nossos próprios planos.

Sertanejo virou só regravação

E ninguém aguenta mais!

Foto: G1 (Imagem ilustrativa)

O sertanejo sempre conviveu com regravações — isso nunca foi o problema. Desde os tempos de Liu & Leo até o auge do universitário, revisitar músicas fazia parte da cultura do gênero. A diferença é que agora virou excesso. Hoje, o que se vê é um cenário praticamente dominado por versões de sucessos antigos, repetidas à exaustão. E isso tem um efeito colateral claro: desgasta. A música perde força, perde novidade, e o público acaba voltando pro original, porque é ali que está a essência que nenhuma releitura consegue substituir.

Ao mesmo tempo, surge uma nova geração que conhece essas músicas apenas pelas regravações — e nem faz ideia de quem gravou primeiro. Isso também é preocupante. Porque não se trata só de cantar de novo, mas de respeitar a história. Outro ponto que evidencia o esgotamento é a falta de repertório. Não basta as mesmas regravações de sempre como “Boate Azul”, “Ela é Demais” e “Estou Apaixonado”, agora ficou pior. O sertanejo parece ter chegado num limite criativo, e a saída encontrada tem sido buscar músicas de outros gêneros — principalmente o pagode. De repente, rodas de viola viraram rodas de regravação, com vários artistas reunidos cantando sucessos que não são dali. Quando uma música vira “hit” novamente sem qualquer menção ao artista original, cria-se uma distorção e clima chato.

Casos recentes, como o da canção “Fim da Noite”, eternizada por Adryana Ribeiro na época do Adryana e a Rapaziada, escancaram isso. A música ganha nova vida, mas sem contexto — e pior, com uma interpretação em palco que trata aquele sentimento como se fosse inédito, quase autoral, por parte de quem está cantando. Isso não é só falta de crédito, é falta de conexão com a própria essência. No entanto, tem artista que se não fosse as regravações, ele nem existiria. Além de mais um problema no mercado: artista de anos de carreira que estouram com regravação, como aconteceu com Lauana Prado na “Escrito nas Estrelas”. Ao menos ela sempre fez menção a versão original de Tetê Espíndola.

Pra completar, os escritórios apostam nessa fórmula de regravar porque dá engajamento fácil, mas artisticamente é pobre. O público até consome, mas muito mais por falta de opção do que por entusiasmo real. Enquanto isso, gêneros como o pagode e o forró seguem em movimento, apostando em projetos novos, caras novas e repertórios inéditos. O sertanejo, que já foi símbolo de renovação dentro da música brasileira, hoje parece estagnado, girando em torno de si mesmo. A nova geração canta agrofunk…

E o resultado é mais um ano marcado por músicas esquecíveis e versões recicladas. No fim, sobra aquela sensação meio amarga: se for pra ouvir de novo, melhor ficar nas antigas mesmo — aquelas que marcaram de verdade e que, pelo visto, continuam sendo insuperáveis. Certo está o Zezé di Camargo em não liberar regravações de suas obras. No fim das contas, o sertanejo parece preso em um looping criativo que ele mesmo alimentou.