Categoria: Televisão

Com quebra de protocolo e desabafo de Tadeu Smith, BBB terá final dolorosa

Foto: Globoplay

A final do Big Brother Brasil que normalmente é marcada por festa, alívio e consagração, ganhou um peso impossível de ignorar. O que era para ser só celebração virou também silêncio, respeito e dor. Em poucos dias, o programa foi atravessado por perdas que não cabem no roteiro de entretenimento e nem de jornalismo. Do lado de fora da casa, a vida seguiu com sua dureza — e lembrou que nem tudo pode esperar o fim do jogo.

Na última quinta-feira, Tadeu Schmidt enfrentou uma despedida devastadora com a morte do irmão, Oscar Schmidt. Ainda assim, seguiu firme, profissional, sustentando ao vivo um programa que exige leveza — mesmo quando ela não existe. Há algo de profundamente humano e doloroso em ver alguém precisar separar o luto da função, como se fosse possível pausar o coração por algumas horas.

E como se não bastasse, o domingo trouxe outra notícia difícil: a finalista Ana Paula Renault perdeu o pai neste domingo, há dois dias da final. Em pleno momento decisivo da sua trajetória no jogo, a realidade bateu à porta de forma cruel. O contraste é inevitável — enquanto o público vota, comenta e cria expectativas, do outro lado existe alguém lidando com uma dor que não tem replay, nem intervalo comercial, nem edição.

Essa final do BBB 26, que deveria ser lembrada apenas pelo vencedor, acaba marcada por algo muito maior: a fragilidade da vida. O Big Brother, que tantas vezes parece um universo à parte, foi atravessado pela realidade de forma dura e incontornável. E talvez fique justamente essa sensação — de que, no fim das contas, nenhum prêmio, nenhuma disputa, nenhum palco é maior do que aquilo que a gente perde quando o mundo aqui fora desaba.

Tadeu neste domingo quebrou o protocolo ao contar uma notícia de fora para os três finalistas. Mas nessa altura do programa, ele se mostrou mais humano do que qualquer outro apresentador que esteve a frente do reality, tomando a atitude correta para comandar as últimas horas da temporada. Ana Paula também fez suas escolhas e assim terminará campeã, após duas experiências anteriores que moldaram seu estilo de jogo para levar o prêmio na sua última chance.

Foto: Globoplay

Petit Gateau é recontratado pela Globo para a Copa do Mundo 2026

Sem emprego desde o Mundial de Clubes, gato mais Enzo do futebol vai atormentar as transmissões devido ao favoritismo de sua Seleção ‘Le Bleu’

Foto: Globoplay

Tem personagens que surgem meio sem pretensão e, quando você percebe, já viraram patrimônio emocional da TV. É exatamente o caso do Petit Gateau, o gato de pelúcia mais carismático que a TV Globo inventou nos últimos tempos. Ele apareceu ali, todo discreto, no meio dos cavalinhos daquele quadro que nasceu no Fantástico e depois ganhou espaço na Central da Copa… e pronto: conquistou o público com um miado e um sotaque francês duvidoso.

Criado originalmente para as Olimpíadas de Paris 2024, Petit Gateau era só mais uma ideia divertida pra dar leveza à cobertura. Mas como todo bom personagem improvável, ele ultrapassou o roteiro. Virou meme, virou assunto nas redes e, principalmente, virou companhia — aquela figurinha que você espera aparecer, mesmo sem saber exatamente o que ele vai fazer. Porque convenhamos: um gato de pelúcia comentando esporte com ar blasé já é entretenimento por si só.

Foto: TV Globo

Aí veio o plot twist: no Mundial de Clubes, ele ressurgiu, assumidamente torcedor do Paris Saint-Germain. Claro, né? Um gato francês da categoria “Enzo” não iria torcer para outro time. Com seu “très chic” improvisado, Petit Gateau reforçou o personagem e provou que não era só hype olímpico — ele tinha fôlego pra continuar relevante. Mesmo assim, após a derrota do P$G na final para o Chelsea, ficou um tempo “sem contrato”, perdido no almoxarifado da emissora carioca.

Mas ele voltou, forte como Napoleão. Recontratado para a Copa do Mundo FIFA de 2026, Petit Gateau já chega com status de veterano e com uma missão: acompanhar a sua seleção, a França, que vem fortíssima na briga pelo sonhado tricampeonato. No fim das contas, pouco importa o placar — o que a gente quer mesmo é ver o gato mais elegante (e levemente debochado) da televisão brasileira circulando de novo. Porque se tem uma coisa que o esporte ensinou nos últimos anos, é que às vezes o verdadeiro protagonista não está em campo… está no cenário, miando com sotaque francês.

Marcos Mion precisa parar de achar que tudo é sobre ele

Egocentrismo do apresentador deixa programa ainda mais chato do que já está

Foto: Globoplay

O Caldeirão com Mion aos sábados virou um caso curioso de como uma atração pode perder completamente sua identidade. Desde que Marcos Mion assumiu o comando, o que antes era leve, divertido e espontâneo acabou se transformando em algo cansativo, previsível e, muitas vezes, desconfortável de assistir. Não é sobre mudança — mudanças são naturais —, mas sobre perder a essência no caminho.

O grande problema é que tudo, absolutamente tudo, precisa girar em torno do próprio Mion. Seja um quadro simples ou uma grande homenagem, sempre existe um momento em que ele puxa a narrativa para si, encaixando histórias pessoais, opiniões e até comparações que não acrescentam em nada ao que está sendo apresentado. Fica menos sobre o programa e mais sobre o apresentador — e isso, semana após semana, desgasta.

E quando não é sobre ele, é sobre a família. A insistência em inserir o filho ou momentos familiares em situações aleatórias do programa passa longe de ser carisma e começa a soar como forçado. Não há problema nenhum em mostrar esse lado pessoal, mas existe hora, contexto e medida — coisas que o programa claramente perdeu. O público não liga a TV no sábado esperando acompanhar um álbum de família disfarçado de entretenimento.

No fim das contas, fica a sensação de que Marcos Mion estaria mais à vontade em um canal próprio, no YouTube, onde poderia falar de si à vontade, sem precisar dividir espaço com quadros ou convidados. Porque nem mesmo nos momentos de homenagem ele consegue deixar o “eu” de lado. E aí o que deveria emocionar vira incômodo — e o que deveria entreter, simplesmente cansa.

Que programa chato deram para a Eliana

Quadros sem pé nem cabeça atrapalham a apresentadora fazer o que realmente sabe

Foto: Instagram

Tem alguma coisa muito errada acontecendo nesse Em Família com Eliana. E não é implicância, é sensação coletiva mesmo: o programa simplesmente não encaixou. A Eliana, que sempre teve um carisma natural e uma conexão absurda com o público, parece coagida num formato que não conversa com quem está do outro lado da tela. Domingo à tarde pede leveza, identificação, emoção — e não esse monte de quadro sem alma.

Vamos ser sinceros: ninguém quer assistir família desconhecida cantando como se fosse um reality improvisado. Não cria vínculo, não gera torcida, não prende. E aí você soma isso com famosos participando de dinâmicas aleatórias, falando em um caralho de microfone que distorce a voz… qual é a proposta disso? É confuso, é barulhento e, principalmente, é chato. Aqueles games então… parecem quadros genéricos, sem criatividade, que não exploram absolutamente nada do potencial de quem está ali. Ninguém merece isso, especialmente a apresentadora tida como “herdeira” de Hebe Camargo pela carreira que construiu.

E o mais curioso é que não falta referência do que funciona. A própria Eliana já fez isso muito bem. Quando ela ia até a casa dos artistas, sem ser somente cantores, quando transformava histórias reais em quadros emocionantes (tipo o Beleza Renovada), quando fazia entrevistas no palco com calma, escuta e presença — ali existia televisão de verdade. Era próximo, era humano. Hoje, o programa parece mais preocupado em preencher tempo do que em criar momentos.

No fim das contas, dá a impressão de que estão tentando encaixar a Eliana num molde que não é dela. E isso é um erro enorme. Porque talento ela tem de sobra — o que falta é direção. Se a Globo quiser mesmo fazer esse programa dar certo, precisa olhar menos pra fórmula e mais pra essência. Porque o lugar da Eliana não é nesse monte de dinâmica vazia. O lugar dela é onde ela sempre brilhou: contando histórias, ouvindo gente de verdade e sendo, simplesmente, ela. Estão atrapalhando a vida de Eliana criando coisa que ninguém quer assistir num domingo à tarde!

F1 na Globo continua um velório

Somente Mariana Becker faz a transmissão render fora do Jornalismo engessado

Foto: Sky Sports

Tem corrida de madrugada que compensa o sacrifício. O GP do Japão deste fim de semana… definitivamente não foi uma delas. A gente já entra na missão sabendo que vai brigar contra o sono, mas espera pelo menos uma recompensa: emoção, disputa, alguma coisa que justifique estar acordado naquele horário. Só que, quando a corrida não empolga e a transmissão também não ajuda, vira praticamente um teste de resistência. A TV Globo até carrega o peso da tradição, mas entrega uma narração engessada, fria, mais preocupada em ser informativa do que envolvente. Falta ritmo, falta vibração — e sobra aquela sensação de que você podia simplesmente ter dormido.

Apenas Mariana Becker se destaca, como já disse no texto sobre o GP da Austrália. Dentro da pista, pelo menos, teve história sendo escrita. Kimi Antonelli venceu mais uma vez na Fórmula 1, conquistando sua segunda vitória consecutiva na carreira — e mostrando que não é mais promessa, é realidade. O pódio foi completado por Oscar Piastri, que salvou o fim de semana da McLaren com um segundo lugar sólido, e Charles Leclerc, colocando a Ferrari no terceiro degrau. Um pódio jovem, interessante, até simbólico… mas que, sinceramente, não foi acompanhado por uma corrida à altura.

E aí entra a frustração: a McLaren até aparece no pódio, mas não convence. Parece aquele time que chega, mas não assusta. Fica ali, no “quase”, sem brigar de verdade pela vitória. Depois de dar sinais de reação, volta a ser a famosa “McLata” que o torcedor já conhece — muita expectativa, pouca imposição. O segundo lugar de Piastri é mais um alívio do que um sinal de domínio. Falta aquele passo a mais, aquela agressividade de quem quer ganhar corrida, não só participar.

No fim das contas, o GP do Japão resume bem esse momento: novos nomes surgindo, histórias interessantes acontecendo… mas embaladas de um jeito que não prende. A Fórmula 1 continua gigante, claro, mas precisa entender que não é só sobre o que acontece na pista — é também sobre como isso chega até a gente. Porque, do jeito que foi, ficou difícil competir com o travesseiro. Mais uma vez, F1 é entretenimento e diversão, não é cobertura de guerra.

O Testamento: Fofoca pesada para maratonar e se divertir

Candidata a série documental do ano, “O Testamento” traz briga, rolo e confusão em torno da fortuna de dona da Pernambucanas – em coma há dez anos

Foto: Globoplay

A série documental O Testamento mergulha em uma daquelas histórias reais que parecem ficção de tão cheias de reviravoltas, disputas e personagens excêntricos. No centro de tudo está Anita Harley, uma das maiores figuras por trás do império da Pernambucanas, que está há 10 anos em coma após um AVC — condição que torna toda a disputa em torno de sua vida e, principalmente, de seu testamento, ainda mais delicada e controversa. É justamente essa ausência silenciosa da protagonista que abre espaço para uma batalha intensa entre pessoas próximas, interesses milionários e versões conflitantes sobre lealdade, poder e influência. O caso se tornou uma série nível “Vale o Escrito” no Globoplay.

Entre os nomes que orbitam essa trama, ganha destaque Cristine, vista como a pessoa de maior confiança de Anita em sua vida profissional e pessoal. Do outro lado, surge Sônia Soares, a Suzuki, figura central na briga judicial que movimenta a série. O conflito entre essas partes vai muito além de dinheiro: ele escancara relações frágeis, ressentimentos antigos e uma disputa por narrativa — quem realmente estava ao lado de Anita e quem apenas orbitava o poder. Essa séria só ganhou forma após a diretora e jornalista Camila Appel, passar uns dias no mesmo hospital em que Anita está há anos em cuidados. No ano de 2021, Camila acompanhava o pai em uma internação, no mesmo corredor do quarto ‘secreto’ em que a bilionária se encontra. Curiosa com os seguranças na porta do quarto e sem receber visitas, com seu instinto investigativo foi perguntar quem estava no quarto. Ao descobrir a história, trabalhou para esse roteiro louco da vida real ganhasse a série.

Mas O Testamento não vive só de tensão. Um dos grandes acertos da série está no seu lado quase cômico involuntário, especialmente nas participações das sobrinhas, que protagonizam momentos que viralizaram entre quem assiste. A famosa frase “Titia Helena odiaaaava a Suzuki” não é apenas um detalhe: ela sintetiza o tom ácido, quase novelesco mexicano, que permeia certos depoimentos. Essas falas, carregadas de emoção e uma pitada de exagero, funcionam como respiro em meio ao clima pesado — e ajudam a humanizar (e até ridicularizar, em alguns momentos) os conflitos familiares.

No campo jurídico, o documentário também ganha contornos quase teatrais. De um lado, o advogado de defesa de Suzuki, Daniel Silvestri, chama atenção não só pelo posicionamento firme, mas também por uma postura considerada estranha, quase enigmática, que levanta dúvidas e curiosidade. Do outro, representando Cristine, está José Eduardo Cardoso, ex-ministro da Justiça, cuja presença adiciona peso político e técnico ao caso. A entrada de uma figura desse calibre deixa claro que o que está em jogo ali vai muito além de uma simples disputa familiar — é uma batalha de influência, estratégia e poder que se desenrola diante das câmeras com a intensidade de um grande drama brasileiro. Assista para se divertir, ao menos!