Categoria: Televisão

Sabatina JN: Se você for escolher seu candidato pelas entrevistas, não votará em ninguém

Todos foram péssimos, inclusive os entrevistadores da bancada do jornal mais famoso do país

Foto: O Globo

Se alguém pretende escolher o próximo presidente da República baseado apenas nas sabatinas feitas pelo Jornal Nacional na semana passada, eu tenho uma péssima notícia: estamos todos enrolados. Os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas que passaram pela bancada — Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury — tiveram atuações, no mínimo, decepcionantes. Nenhum conseguiu, de fato, transformar aquele espaço em uma oportunidade para apresentar um projeto convincente para o Brasil.

Mas é preciso fazer uma crítica também à postura dos entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcelos. Em vários momentos, aquilo pareceu menos uma sabatina jornalística e mais um interrogatório. Perguntas em tom agressivo, de acusação, quase como se os apresentadores estivessem diante de um tribunal. O próprio Lula falou isso durante a entrevista — e, nesse ponto, ele não está errado. O problema é que praticamente todos os candidatos receberam o mesmo tratamento. Lula talvez tenha sentido ainda mais a pressão, assim como Flávio Bolsonaro, muito provavelmente pelo histórico de denúncias e escândalos que envolve os dois lados.

E é justamente aí que, na minha opinião, o Jornal Nacional perdeu uma grande oportunidade. O brasileiro queria saber sobre o que realmente afeta a vida dele. Como cada candidato pretende controlar a inflação? O que fará para reduzir o preço dos alimentos? Como pretende melhorar a economia? Como vai gerar empregos? O que fará pela saúde, educação e segurança? Qual é o plano de governo? Essas são perguntas que interessam diretamente a quem está em casa pagando supermercado, aluguel, conta de luz e combustível. Mas boa parte da sabatina ficou presa a polêmicas, declarações controversas e escândalos.

E os candidatos também não ajudaram. Caiado falando sobre enfrentar a bandidagem a qualquer custo, Renan Santos defendendo ideias como a de uma bomba atômica, Augusto Cury tendo de explicar declarações envolvendo drones, Zema sem conseguir apresentar uma defesa convincente de sua gestão em Minas e Flávio Bolsonaro passando boa parte da entrevista falando de Lula. Do outro lado, Lula nem citou o sobrenome Bolsonaro, mas também não teve uma grande atuação: ficou nervoso, se enrolou em diversas respostas e não conseguiu aproveitar o espaço como poderia.

No fim das contas, ficou a sensação de que o eleitor brasileiro está diante de um cenário muito ruim. Seis nomes importantes tiveram a oportunidade de mostrar por que deveriam comandar o país e, para mim, nenhum conseguiu convencer. E isso é preocupante, porque eleição presidencial não deveria ser uma escolha entre quem é “menos pior”. Mas, infelizmente, é exatamente assim que muita gente está se sentindo: escolhendo um nome não porque acredita plenamente nele, mas porque não enxerga uma alternativa melhor.

Eu mesma já tenho uma escolha. Mas é uma escolha muito mais pela falta de opção do que por entusiasmo. E talvez esse seja o retrato mais triste dessa eleição: independentemente de quem você escolher, a sensação é de que o brasileiro está lascado de qualquer jeito. Não está fácil encontrar para onde correr. Vamos seguir no marasmo como país.

Ninguém faz entretenimento na TV como o SBT

Emissora nada de braçada na guerra pela audiência aos domingos

Foto: Uol

Domingo tem dono, e há décadas o SBT sabe fazer televisão como ninguém. Os programas de auditório da emissora têm uma coisa que a Globo parece ter perdido: espontaneidade, diversão e aquele sentimento de televisão popular de verdade. Não é à toa que, em vários momentos do domingo, o SBT consegue ultrapassar a Globo na audiência — especialmente quando Celso Portiolli entra em cena no Passa ou Repassa.

Ninguém faz programa de auditório como o SBT. Ninguém! E talvez o maior exemplo disso seja o próprio Celso Portiolli. Ele é, para mim, o grande sucessor de Silvio Santos no domingo. Enquanto a Globo tenta transformar seus programas em grandes produções cheias de regras, quadros e formatos engessados, Celso simplesmente vai lá e faz televisão. E faz muito bem.

E aí vem a comparação inevitável com Eliana. A Globo levou uma das maiores apresentadoras da televisão brasileira e colocou nas mãos dela um programa que, sinceramente, parece não ter sido feito para ela. Mesmo levando Ivete Sangalo como convidada, o programa não conseguiu entregar a audiência esperada e ficou praticamente no mesmo patamar — ou até abaixo — de semanas anteriores. Isso diz muito mais sobre o formato do que sobre a apresentadora.

Porque Eliana tem talento, carisma e história. O problema é que nem ela consegue salvar um programa que parece tão engessado. Do jeito que está, pode levar Ivete, pode levar uma celebridade internacional, pode levar até o Papa… que esse programa continua sem salvação. Enquanto isso, no SBT, Celso Portiolli nada de braçada. O Passa ou Repassa tem a cara do domingo, tem o DNA do SBT e mostra que, quando o assunto é programa de auditório, o SBT ainda sabe fazer televisão como ninguém no Brasil. Silvio Santos ensinou — e Celso está mostrando que aprendeu.

Como ajudar Lito Sousa, um dos maiores conteudistas do Brasil, que enfrenta doença rara

Especialista em aviação luta contra doença neurodegenerativa ferroz, retratada no filme ‘Pacto de Redenção’ com Michael Keaton

Foto: UOL

Há momentos em que a vida nos lembra, da maneira mais dura possível, o quanto ela é frágil. O que está acontecendo com Lito Sousa é um desses momentos. Em poucas semanas, o quadro dele evoluiu de maneira assustadoramente rápida. O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, uma enfermidade neurodegenerativa rara e devastadora, chegou depois de uma investigação difícil e de diferentes tentativas de tratamento. Hoje, infelizmente, a doença não tem cura nem um tratamento eficaz estabelecido. Mas existem pesquisas e estudos experimentais sendo realizados fora do Brasil — e é justamente aí que ainda pode existir uma possibilidade, por menor que seja, de esperança.

Quem assistiu a Pacto de Redenção, filme dirigido e estrelado por Michael Keaton, talvez tenha sentido algo parecido. A história acompanha um homem que recebe o diagnóstico de uma demência de progressão rápida e percebe que está correndo contra o tempo, enquanto tenta resolver questões com o filho e lidar com a deterioração da própria mente. O filme não retrata especificamente a doença avançada como de Lito, mas consegue transmitir, de maneira muito poderosa, a angústia de enfrentar uma enfermidade neurológica que avança rapidamente e muda completamente a relação de uma pessoa com o tempo, com a família e com a própria vida.

E então vem a pergunta: o que nós podemos fazer por Lito? Podemos ajudar de maneiras muito concretas. Uma delas é continuar assistindo ao canal Aviões e Músicas, consumindo os vídeos de maneira natural e ajudando a manter o canal ativo e sua monetização. Amigos também estão produzindo conteúdos para o canal — como o Sérgio Sacani, que neste domingo publicou um vídeo sobre El Niño e aviação. Mais importante ainda é compartilhar as informações corretas e marcar pesquisadores, universidades, instituições e empresas que trabalham com os estudos experimentais relacionados à DCJ, especialmente nos Estados Unidos. A família está tentando encontrar caminhos para que Lito possa ter acesso a pesquisas como as que envolvem ION717 e o estudo PRiSM.

Também é fundamental acompanhar as orientações oficiais da família. A esposa de Lito, Mila Seidl, tem atualizado as pessoas pelas redes sociais, e o próprio Lito apareceu neste domingo para fazer um apelo por ajuda. A mobilização já chegou a pesquisadores e instituições no exterior. Não se trata de prometer um milagre ou vender uma esperança falsa. Trata-se de tentar abrir uma porta que hoje parece muito difícil de abrir. E, em uma doença que evolui tão rapidamente, cada porta que puder ser aberta importa.

Lito é, para muita gente, muito mais do que um influenciador e youtuber. Ele é um dos grandes nomes da internet brasileira justamente porque construiu sua trajetória ensinando, explicando e produzindo conteúdo de verdade sobre o mundo encantador da aviação. Para mim, é uma das pessoas que melhor representam aquilo que a internet pode ter de útil. E talvez por isso seja tão doloroso vê-lo enfrentando uma situação como essa.

No fim, o que está acontecendo com Lito também nos lembra de uma coisa que muitas vezes esquecemos: isso poderia acontecer com qualquer um de nós, com alguém que amamos, com uma família inteira. A vida pode mudar completamente em poucas semanas. Então, se você puder, assista aos vídeos do Lito no canal para ajudar na monetização e no instagram dele, marque as instituições e pesquisadores que podem colaborar seriamente. Não precisamos ter a solução. Precisamos ajudar a procurar uma.

Completei 30 semanas assistindo “O Poderoso Chefão”

Faltam 22 semanas para fechar a meta do ano com meu filme favorito

Foto: Telemundo TV

Uma das metas que estabeleci para este ano foi assistir a O Poderoso Chefão uma vez por semana. Já chegamos à 30ª semana concluída do ano e estou muito feliz por estar conseguindo cumprir esse compromisso. Em algumas semanas acabei acumulando e precisei assistir ao filme duas vezes para colocar tudo em dia, mas o importante é que a meta continua viva.

Meu objetivo é manter esse ritmo até a última semana do ano. Quero terminar 2026 tendo assistido ao maior clássico do cinema, O Poderoso Chefão, em todas as semanas do ano. Ainda faltam cerca de 22 para o ano acabar, e sigo firme para concluir esse desafio. Esse filme tem um significado muito especial para mim. Foi um dos primeiros longas que assisti ainda muito criança e, de certa forma, foi ele que me apresentou a um universo mais adulto: de coragem, disputa pelo poder, lealdade, estratégia, inimigos e as consequências de cada escolha na vida.

É um filme que nunca deixa de ensinar alguma coisa e mesmo assistindo tantas vezes, ele sempre traz algo diferente. Também é sempre um prazer reencontrar meus personagens favoritos. Luca Brasi continua sendo um dos mais marcantes para mim, assim como Al Neri e, principalmente, Michael Corleone, interpretado de forma brilhante por Al Pacino. E, claro, é impossível falar de O Poderoso Chefão sem lembrar do inesquecível Don Vito Corleone, vivido por Marlon Brando. A atuação dos dois é simplesmente extraordinária e a presença deles transforma o filme em uma experiência única.

Depois de tantas sessões, já sei muitos diálogos de cor, mas isso não diminui em nada o encanto. Pelo contrário, a cada nova revisão encontro detalhes que antes tinham passado despercebidos. É justamente por isso que essa meta tem sido tão prazerosa. Mais do que cumprir um desafio, é uma forma de revisitar, semana após semana, um dos filmes mais importantes da minha vida.

Está em produção a segunda temporada de “O Testamento”

Tia Helena odiaaaaaava Suzuki. Fofocas e outros segredos serão revelados na sequência da história de herdeira da Pernambucanas, que está em coma há 10 anos

Foto: Globoplay

A segunda temporada de O Testamento: O Segredo de Anita Harley já é uma das produções que eu mais estou ansioso para assistir. A primeira temporada foi simplesmente viciante, mas ficou claro que muita coisa precisou ser deixada de lado. Afinal, estamos falando de uma história gigantesca, cheia de detalhes, personagens importantes e acontecimentos que não cabiam em poucos episódios. A adaptação fez um excelente trabalho ao apresentar o caso, mas também deixou muitas perguntas no ar.

E é justamente aí que entra a segunda temporada. A expectativa é de que ela aprofunde tudo aquilo que ficou de fora, trazendo mais contexto sobre personagens fundamentais e revelando segredos que ainda cercam toda essa história. Um dos pontos que mais desperta curiosidade é a questão da curatela de Anita Harley, um tema que merece uma explicação muito mais detalhada e que certamente vai ajudar o público a entender melhor tudo o que aconteceu.

Se a primeira temporada já conseguiu prender milhões de pessoas do início ao fim, imagina agora, com a oportunidade de explorar tudo aquilo que não foi possível mostrar antes. Existem muitas pontas soltas, muitos mistérios e diversas revelações que ainda podem mudar completamente a forma como enxergamos essa história.

E, se você ainda não assistiu, está perdendo aquele que, para mim, continua sendo o documentário do ano. Até agora, nenhuma outra produção conseguiu superar o nível de suspense, as reviravoltas e o poder de prender a atenção do público como O Testamento: O Segredo de Anita Harley. É uma história fascinante, cheia de mistérios e que prova que, às vezes, a realidade consegue ser muito mais surpreendente do que qualquer obra de ficção.

Sob o Domínio do Crime: Série documental supera “O Testamento” em audiência, mas sem memes

Produção é digna de prêmios, mas fica um degrau abaixo de “Vale o Escrito”. Lá pelo menos tinha samba pra distrair entre as mortes dos bicheiros

Foto: Globoplay

Entre os documentários brasileiros lançados recentemente, poucos são tão impactantes quanto “Territórios – Sob o Domínio do Crime”, do Globoplay. A série mergulha em uma realidade que muitos preferem ignorar: o avanço das facções criminosas sobre regiões inteiras do país. Mais do que mostrar a violência, a produção revela como essas organizações ocupam espaços deixados pelo Estado, controlando territórios, impondo regras e influenciando diretamente a vida de milhões de brasileiros. É um retrato duro, mas necessário.

O documentário também funciona como um alerta. Em vários momentos, fica a sensação de que o Brasil caminha por uma estrada semelhante à percorrida pelo México, onde o poder do crime organizado se tornou um problema nacional de proporções gigantescas. Não se trata apenas de segurança pública, mas de um fenômeno social, econômico e político que afeta o cotidiano de quem vive nas áreas dominadas por essas organizações. A série consegue explicar essa complexidade sem perder a força narrativa.

O sucesso foi tão grande que a produção já ultrapassou a audiência de outro fenômeno recente do Globoplay, o documentário “O Testamento”, sobre a empresária que ficou conhecida como a “herdeira da Pernambucanas”. Mas a comparação termina nos números. Enquanto aquela série tinha momentos curiosos, personagens excêntricos e situações que até rendiam memes nas redes sociais, “Territórios – Sob o Domínio do Crime” praticamente não oferece respiro ao espectador. É uma história que provoca indignação, tristeza e preocupação do começo ao fim.

Talvez por isso eu ainda coloque “Vale o Escrito” um degrau acima entre os documentários nacionais recentes. Não pela qualidade técnica, que em ambos os casos é altíssima, mas porque a produção sobre o jogo do bicho conseguia equilibrar crime, cultura popular, samba e personagens quase folclóricos. Havia momentos de humor e leveza em meio ao caos. Já em “Territórios – Sob o Domínio do Crime” não existe esse alívio. O que vemos ali é uma sucessão de histórias marcadas por medo, sangue e lágrimas.

É um documentário excelente, digno de prêmios, mas também um dos retratos mais dolorosos do Brasil contemporâneo. Na verdade quem dá um tom mais leve nas falas é o jornalista Octavio Guedes, apenas. Tem que ter estômago pra assistir. Isso só mostra que nosso país está se afundando cada vez mais nessa guerra toda, sem conseguir ter um destino feliz como Medellín.