Categoria: Televisão

“Viver Sertanejo” precisa de mais tempo e de conteúdos extras no Globoplay

Edição está corrida, cortando conversas e deixando o público com vontade de ver mais

Foto: Globoplay

O programa Viver Sertanejo tem se consolidado como um dos maiores acertos da programação global nos últimos tempos, especialmente por resgatar a cultura sertaneja e colocar em evidência artistas que marcaram gerações. No entanto, apesar do grande potencial da atração, há pontos que merecem mais atenção, principalmente em relação ao tempo de duração e à edição dos episódios. Os fãs do programa e críticos apontam que a edição tem sido excessivamente cortada, o que prejudica o andamento das conversas e a continuidade dos assuntos, deixando os debates e interações truncados. Quando o objetivo é explorar as histórias e a carreira dos convidados, é fundamental garantir que o conteúdo seja exposto de forma mais completa.

O episódio mais recente, com Roberta Miranda e Gustavo Mioto, foi um exemplo claro dessa fragilidade. Muitos telespectadores acharam o programa monótono e sem a profundidade que o tema de ambos artistas merece. As entrevistas pareciam apressadas, sem o devido tempo para que os convidados falassem de suas experiências, suas trajetórias e, claro, de sua música. A edição enxuta demais retirou o ritmo natural da conversa e transformou o que deveria ser um momento de resgate da cultura sertaneja em algo corrido e sem emoção. Para um programa que tem como missão destacar o gênero, esse tipo de tratamento é frustrante, pois impede que a conexão entre o público e os artistas se aprofunde.

Outro ponto que tem gerado insatisfação é a falta de conteúdos exclusivos no Globoplay. Em um momento em que as plataformas de streaming se tornaram cada vez mais essenciais para o consumo de conteúdo, é imprescindível que o Viver Sertanejo tenha episódios e materiais extras disponíveis para os fãs. Conteúdo tem de sobra. A exibição apenas na TV aberta limita a experiência dos telespectadores que gostariam de se aprofundar mais nos bastidores das gravações, nas entrevistas e até em momentos que não foram ao ar devido à edição. Isso seria uma ótima oportunidade para o programa expandir ainda mais seu alcance e fidelizar um público que já demonstra interesse pelo universo sertanejo, mas que sente falta de um contato mais íntimo com os artistas.

Além disso, alguns episódios apresentaram problemas claros na escolha dos convidados. No programa com Gino & Geno e Israel & Rodolffo, por exemplo, a dinâmica entre os artistas não foi explorada da forma que poderia. E houve uma sensação de que o episódio estava “empurrado”, com cortes secos sem nenhuma interação com o que tava acontecendo. A interação entre os convidados parecia desconexa e sem a fluidez necessária para manter o ritmo do programa. Situações como essas indicam que, para o Viver Sertanejo continuar sendo um sucesso, é necessário um cuidado maior na curadoria dos convidados, buscando sempre uma química mais evidente entre eles, o que faz toda a diferença em um programa desse estilo.

Em outro episódio, o programa com Rick & Renner e Trio Parada Dura também demonstrou sinais de apressamento. A edição rápida e a falta de tempo para as discussões mais profundas prejudicaram a performance de um episódio que tinha tudo para ser histórico. O Trio Parada Dura, com sua trajetória única e imensa importância para a música sertaneja, teve seu espaço reduzido de forma drástica. Quando o assunto é um artista icônico, que marcou a história de várias gerações, o programa deveria ter se dedicado a retratar melhor suas vivências e o impacto cultural do grupo, dando-lhes o espaço merecido para compartilhar suas memórias.

Outro erro que chamou atenção foi no programa com o Baitaca, um grande nome da música gaúcha. Sua participação foi limitada e as explicações sobre sua música “Do Fundo da Grota” foram cortadas, prejudicando a compreensão do público sobre o significado e a relevância daquela canção. Esse tipo de situação é preocupante, pois o programa perde a oportunidade de explorar aspectos fundamentais da música regional e das histórias que, muitas vezes, ajudam a enriquecer a própria identidade do sertanejo. A edição apressada impede que a riqueza dessas histórias seja apresentada de forma adequada.

Um episódio que também causou certo desconforto foi aquele com Michel Teló, que demonstrou um certo desconcerto ao assumir, em diversos momentos, o papel de apresentador, especialmente ao tomar a frente de Daniel. Embora ambos sejam grandes nomes da música sertaneja, a postura de Teló gerou uma sensação de desequilíbrio na apresentação, que parecia mais voltada para o seu ego do que para a valorização da música sertaneja em si. Dava a inpressão de que ele estava no extinto “Bem Sertanejo”. Sabemos que ele sonha com um programa próprio, mas não era o momento de demonstrar isso. Enfim…

O Viver Sertanejo continua sendo um grande trunfo da Globo, com um formato que, se bem aproveitado, pode se tornar uma referência definitiva para o gênero. O programa precisa de mais tempo para que as conversas fluam de forma natural e menos atropelada. Também seria essencial que a edição fosse mais cuidadosa, garantindo que as histórias não fiquem pela metade e que o público possa realmente aproveitar a experiência completa.

Uma solução: NINGUÉM QUER VER AUTO ESPORTE DE MANHÃ, TIRA ESSA DESGRAÇA DE PROGRAMA. AUTOMOBILISMO É COISA DA BAND. DEIXEM O GLOBO RURAL E O VIVER SERTANEJO NA GRADE DA MANHÃ DO DOMINGO, PRONTO! Com esses ajustes, o projeto tem o potencial de ser tão bom quanto seus primeiros episódios, resgatando a verdadeira essência do sertanejo e oferecendo um conteúdo mais profundo e emocionante para seus fãs.

Alguém está bem feliz com a derrota do Corinthians: O SBT

Foto: Miguel Schincariol / AFP

O Corinthians se esforçou para derrotar o Barcelona de Guayaquil na Neo Química Arena, mas foi desclassificado da Libertadores da América por ter perdido o jogo de ida por 3 a 0. O placar na altitude pesou e favoreceu o time equatoriano, que vai para a fase de grupos da competição. Mesmo com a dura derrota, o alvinegro paulista não se despede de competições internacionais em 2025, apesar da queda precoce na Libertadores.

O Timão não teve a temporada a perder internacionalmente. O clube vai entrar direto na fase de grupos da Sulamericana, competição que no ano passado quase chegou nas mãos do Corinthians que alcançou às semi-finais. A vaga no torneio do segundo escalão da América do Sul é uma espécie de prêmio de consolação aos times que batem na trave e não avançam à fase de grupos da Libertadores. Uma forma de manter também clubes de tradição competitivos no continente, enquanto outras vagas são ocupadas por times de menor expressão na Liberta – Simón Bolívar chora.

A Sulamericana terá mais um ano de transmissão no SBT, emissora que deve ter torcido em seus bastidores nessa noite contra o time de Itaquera. O motivo, claro, para ter a garantia de audiência no meio da semana com o Corinthians jogando pela competição. No ano anterior, o SBT teve muitas alegrias no Ibope graças ao time atuando em sua telinha na Sula. Em algumas ocasiões chegou a liderar a guerra pela audiência em cima das novelas chatíssimas da Globo. Nesse horário nobre e sem opção, até quem não era “Gaviões da Fiel” ficava ligado na emissora de Silvio Santos.

O Corinthians inicia a Copa Sulamericana com expectativas elevadas, especialmente após a contratação de jogadores de renome internacional. Além de Memphis, outros membros do elenco estrelado têm se destacado nesse início de ano. O meia argentino Rodrigo Garro, com sua visão de jogo e capacidade de articulação, tem sido peça-chave na criação de jogadas ofensivas. O atacante Yuri Alberto, após um início de temporada abaixo do esperado quando chegou ao clube, reencontrou seu faro de gol e terminou o ano como vice-artilheiro da equipe.

Com esses craques, o Corinthians busca conquistar o título que escapou no ano passado, almejando consolidar-se novamente como uma das principais forças do futebol sul-americano. Por enquanto, no próximo fim de semana o time tem o desafio de encarar a primeira final do Paulistão. Este transmitido com sucesso pela Record, vai ter novamente o clássico contra o Palmeiras na decisão do título.

Em suma, SBT e Record tem mostrado mais uma vez que podem ser potências no esporte, derrubando o monopólio da Globo e conquistando um público que estava afastado por algum motivo de ambas as TV’s.

Caso Irmãos Menendez sofre reviravolta

Foto: ABC News

O caso dos irmãos Erik e Lyle Menendez voltou a ganhar destaque nos últimos meses e recebeu uma onda de apoio muito positiva para que os irmãos pudessem ter a pena revista pela Justiça. No entanto, o procurador de Los Angeles, Nathan Hochman, rejeitou hoje a petição para um novo julgamento. Os irmãos, condenados à prisão perpétua pelo assassinato dos pais, Jose e Kitty Menendez, alegam que foram vítimas de anos de abuso sexual por parte do pai e que isso motivou o crime. Novidades no caso envolvendo crimes graves por parte de Jose Menendez vieram à tona recentemente, como nos depoimentos do ex-Menudo Roy Rosselló.

A recente tentativa de reverter a sentença ainda teve como base novas alegações de testemunhas que reforçam a narrativa do abuso, algo que já foi apresentado durante os julgamentos dos anos 1990, mas que não impediu a condenação por homicídio qualificado. No entanto, a história dos Menendez ganhou uma nova perspectiva nos últimos anos, especialmente após o lançamento da série documental da Netflix “The Menendez Murders: Erik Tells All” e o fenômeno nas redes sociais que se seguiu com a série baseada no caso, “Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais” que rendeu indicações ao Globo de Ouro ao elenco.

A série reacendeu a comoção pública em torno do caso, levando muitos a questionar se os irmãos receberam um julgamento justo ou se foram vítimas de um sistema que ignorou seu sofrimento. Campanhas nas redes sociais e um grande número de apoiadores vêm pedindo que suas sentenças sejam reconsideradas, argumentando que a justiça falhou ao desconsiderar o histórico de abusos na decisão final.

Apesar da nova onda de apoio, Hochman manteve a condenação, afirmando que as novas provas não são suficientes para justificar um novo julgamento. A decisão frustrou aqueles que acreditam que Erik e Lyle foram punidos de maneira desproporcional, enquanto outros defendem que o assassinato dos pais, independentemente das circunstâncias, foi um crime imperdoável.

O caso Menendez continua a dividir opiniões e a gerar debates sobre trauma, abuso e o funcionamento do sistema judicial. Para os irmãos, a luta por justiça ainda não acabou, e para o público, a questão permanece: foram eles assassinos frios ou vítimas desesperadas que não viram outra saída? Você no lugar deles teria feito o mesmo? Independente dessas questões, o caso merecia ser revisto. Mas a Justiça americana é complexa e não será fácil reverter uma pena a favor deles.

Discurso de Leonardo DiCaprio no Oscar completa nove anos e nada mudou

Foto: ABC News

Em fevereiro de 2016, Leonardo DiCaprio subiu ao palco do Oscar para, enfim, receber sua tão aguardada estatueta de Melhor Ator, por seu desempenho em O Regresso. Ao invés de se ater aos agradecimentos tradicionais ou fazer desabafos de vingança pelas indicações anteriores não vencidas, ele usou seu discurso para falar sobre um tema que sempre foi uma de suas principais bandeiras: o meio ambiente. DiCaprio alertou o mundo sobre o aquecimento global, a destruição de ecossistemas, o desrespeito às populações indígenas e a necessidade urgente de agir antes que fosse tarde demais.

Ele destacou que 2015 havia sido o ano mais quente da história e deixou um aviso claro: “Não tomemos este planeta como algo garantido”. Nove anos depois, a tragédia anunciada em seu discurso não só se confirmou, como se agravou. Se em 2016 a marca de 2015 como o ano mais quente da história parecia assustadora, os recordes de temperatura continuaram sendo quebrados ano após ano. Em 2024, o planeta enfrentou o ano mais quente já registrado, e as previsões apontam que 2025 pode ser ainda pior.

Ondas de calor extremo, incêndios florestais incontroláveis, secas prolongadas e furacões cada vez mais destrutivos tornaram-se a norma, não a exceção. Os mesmos cientistas que alertavam sobre isso na época do discurso de DiCaprio agora falam com desespero sobre a inação dos governos e a continuidade do modelo econômico baseado na exploração sem limites da natureza. No seu discurso, Leo foi infático ao dizer que era hora de parar a procastinação em relação ao cuidado do planeta.

A destruição das florestas tropicais, outro ponto mencionado por DiCaprio, também se intensificou nos últimos anos. A Amazônia continua sofrendo com desmatamentos recordes, incentivados por interesses econômicos e políticos que priorizam a expansão do agronegócio e da mineração em detrimento da preservação ambiental. Povos indígenas, que ele citou como “aqueles na linha de frente da luta para proteger nosso planeta”, seguem sendo assassinados e expulsos de suas terras em conflitos muitas vezes ignorados pela mídia global. Os compromissos assumidos por líderes mundiais em cúpulas ambientais continuam sendo pouco mais do que discursos vazios, sem mudanças estruturais significativas.

O alerta de DiCaprio sobre o aquecimento global também se provou mais urgente do que nunca. Na época, os líderes internacionais comemoravam o Acordo de Paris, assinado em 2015, como um marco na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, nove anos depois, muitos países falharam em cumprir suas metas de redução de emissões de carbono. Aliás, muitos países já saíram do acordo firmado. A queima de combustíveis fósseis segue em alta, a transição para energias renováveis avança de forma desigual, e corporações continuam colocando seus lucros acima do futuro do planeta. A consequência disso é um cenário onde a temperatura global se aproxima perigosamente de um ponto irreversível.

A fala de DiCaprio em 2016 foi certeira ao dizer que o clima “está mudando agora, mais rápido do que qualquer cientista havia previsto”. Se naquele momento os sinais do colapso climático já eram visíveis, agora eles são impossíveis de ignorar. O problema não é mais um risco distante para as próximas gerações, mas uma realidade que já impacta milhões de pessoas com desastres naturais cada vez mais frequentes e intensos. Mesmo assim, a resposta global continua lenta e insuficiente. O mesmo alerta que DiCaprio fez há nove anos poderia ser repetido, palavra por palavra, hoje – só que agora em um contexto ainda mais grave. E pelo caminho que estamos seguindo, caso o ator volte a ganhar mais um Oscar, seu discurso nem mudará e será ainda mais desesperador.

Nove anos depois daquele discurso histórico, apenas o que mudou foi a intensidade da crise ambiental, não a postura da humanidade. Continuamos tratando o planeta como um recurso inesgotável, ignorando os avisos da ciência e deixando que interesses econômicos falem mais alto do que a necessidade de sobrevivência. Se em 2016 Leonardo DiCaprio pediu ação antes que fosse tarde demais, em 2025 a pergunta que fica é: ainda temos tempo para mudar o curso da história, ou já passamos do ponto de não retorno? Talvez o meteoro seja a única salvação!

Série Documental de Belo desconstrói persona e exalta o artista

Em dezembro do ano passado conhecemos a série documental “Belo: Perto Demais da Luz”. Uma produção em quatro episódios que mergulha na vida pessoal e profissional de Marcelo Pires Vieira, conhecido por todos como Belo. A série, fruto de uma parceria entre o Globoplay e a AfroReggae Audiovisual, oferece uma visão abrangente da trajetória do cantor, desde sua infância até os dias atuais, destacando momentos de glória e adversidades que marcaram sua carreira. Com polêmicas, amores, brigas, amizades no meio artístico e casos policiais, a série é melhor do que muita novela já feita. Até porque, tudo ali foi uma dura realidade vivida pelo artista, com momentos de glórias após quedas sofridas.

O documentário inicia com uma breve retrospectiva desde a infância humilde no bairro de Chácara Inglesa, na zona sul de São Paulo até as influências que moldaram seu interesse pela música. Imagens de arquivo e depoimentos de familiares e amigos próximos enriquecem a narrativa, proporcionando ao espectador uma compreensão profunda das raízes do artista. A produção utiliza técnicas inovadoras de realidade virtual para recriar cenários significativos da vida de Belo, oferecendo uma experiência imersiva e nostálgica. Logo o documental segue para seus tempos de músico, quando começa a frequentar rodas de samba e inicia sua trajetória com o grupo Soweto.

Um ponto alto da série é a abordagem da formação e a ascensão do grupo Soweto, que projetou Belo ao estrelato nos anos 1990. A turnê comemorativa de 30 anos do Soweto é amplamente destacada desde o início até o último episódio, com bastidores que revelam a dinâmica entre os membros que fizeram parte do reencontro do grupo em 2024 e a relação com os fãs. Depoimentos de colegas consagrados, como Alcione, Chrigor, Ludmilla, Péricles e Dudu Nobre, enriquecem a narrativa do artista que ele é, oferecendo perspectivas diversas sobre o impacto do grupo e da carreira solo de Belo no cenário musical brasileiro.

A parceria com o renomado produtor musical, Wilson Prateado, é outro aspecto relevante explorado no documentário. Prateado foi fundamental na definição da sonoridade que caracterizou o trabalho de Belo, contribuindo para a consolidação de sua carreira solo após a saída do Soweto e seu momento pós-prisão. Foi no estúdio de Prateado que Belo fazia trabalhos durante o dia ainda no regime semi-aberto. Mesmo com sua prisão, Belo esteve com mais de 13 músicas no TOP 50 das rádios na época, em meado dos anos 2000. Os fãs ligavam nas rádios para pedirem as músicas do cantor, gesto que se repetia especialmente no Rio de Janeiro, várias vezes ao dia.

Belo ao lado de Prateado (Foto: Instagram)

A parceria de Belo com Prateado resultou em sucessos que até hoje ressoam entre os admiradores do pagode romântico, como “Reinventar” e “Pra ver o sol brilhar”. Essa música, inclusive, Prateado fez para Belo e dizia pra ele assim que ganhou liberdade novamente: “Olha pro sol, você é gigante!”. Ainda no documental, é Prateado quem melhor define a voz de Belo: “No plano superior tem música. E sem tem música, os anjos cantam. O Belo tem o timbre da voz dos anjos. Ele é uma parada de lá convivendo entre a gente!”. Recentemente no cruzeiro do cantor, Prateado estava presente – atualmente ele integra a direção musical e o baixo na banda de Thiaguinho. Belo subiu ao palco e fez uma grande referência ao produtor, a quem tem muita gratidão por tudo que viveram juntos.

O documentário não se esquiva de abordar os momentos conturbados da vida de Belo, incluindo sua prisão, como já citada. Além disso, os desafios pessoais e financeiros que se seguiram dali em diante. Em um dos episódios mais emocionantes, é retratado o momento em que Belo, durante um show no Allianz Parque, emocionou-se ao interpretar a música “Reinventar”, poucos dias após anunciar sua separação com Gracyanne Barbosa. A cena captura a vulnerabilidade do artista e sua conexão profunda com o público, evidenciando a capacidade da música de traduzir emoções complexas.

A produção também destaca a resiliência de Belo diante das adversidades. Após cumprir sua pena, o cantor enfrentou desafios para reconstruir sua carreira e imagem pública. Depoimentos de figuras importantes como seu empresário e amigos próximos, oferecem uma visão íntima de sua jornada de redenção e busca por recomeços. O que senti falta um pouquinho foi de aprofundar um pouco mais na história de seu DVD em Salvador, o melhor trabalho de Belo ao vivo até hoje. Após cantar “Derê”, ele se emociona com o público gritando seu nome. Aquele álbum foi a prova de que Belo havia voltado a ser o maior artista do pagode nacional, mesmo passando por tudo que quase enterrou sua carreira. Ali ele se consolidava como o grande artista, dando a grande volta por cima.

“Belo: Perto Demais da Luz” é uma obra que oferece uma visão multifacetada da vida de um dos artistas mais emblemáticos da música brasileira. Um cara que canta e encanta dos pagodes clássicos, ao samba com Neguinho da Beija-Flor até os sambas-enredo do carnaval. Ao mesclar momentos de triunfo e queda, o documentário proporciona uma compreensão profunda das complexidades que permeiam a trajetória de Belo, celebrando suas conquistas e reconhecendo os desafios que enfrentou ao longo de sua jornada. A série documental humanizou o artista, que com seus erros e acertos na vida, se mostra mais um de nós, seres humanos. A diferença é que ele é um fenômeno, pelo talento, pela voz absoluta, pela persona e pelo artista que se tornou ao passar pela lama e pelo topo do mundo.

“Viver Sertanejo” é excelente, mas precisa de ajustes

Foto: Giu Pera

O programa Viver Sertanejo, apresentado pelo cantor Daniel, é uma das melhores surpresas das manhãs de domingo na TV. Com um cenário aconchegante e intimista, a produção é uma celebração à música sertaneja e aos artistas que ajudaram a construir sua história. A cada episódio, o cantor Daniel já recebeu grandes nomes do gênero, como Chitãozinho & Xororó, Gian & Giovani, Lourenço & Lourival, entre muitos outros. Eu mesma já espero pelo programa com minha dupla favorita, Rick & Renner. Além disso, o Viver Sertanejo abre espaço para compositores que embora sejam menos conhecidos pelo público, possuem uma importância gigantesca para o sertanejo, como foi o caso de Zé Henrique e Fátima Leão, uma das maiores compositoras do Brasil.

Daniel, sempre carismático e acolhedor, conduz as conversas com muita propriedade, relembrando histórias de bastidores, sucessos marcantes e momentos que definiram o sertanejo. Não é sua primeira experiência apresentando um programa. Na época em que Xuxa esteve de licença maternidade, ele assumiu o comando do “Planeta Xuxa” em um domingo no ano de 1998. Agora, no Viver Sertanejo, Daniel conecta gerações e reforça o valor do movimento sertanejo que está profundamente enraizado na cultura brasileira.

No entanto, apesar de todas essas qualidades, o programa esbarra em alguns problemas que comprometem parte de sua proposta. O tempo de duração e alguns convidados não permitem a conversa se aprofundar em assuntos mais interessantes para o público. Com pouco mais de 50 minutos de programa e muitos convidados em cada edição, o ritmo acaba ficando apressado. Tudo está atropelado, não justificando a presença de certos convidados. Muitas vezes o convidado de renome está contando algo bem legal, mas é interrompido por um artista que começou esses dias e nem tem assunto para agregar no programa. Nem um bom roteiro salva essas coisas.

A sensação é de que as conversas não fluem como poderiam e histórias riquíssimas acabam sendo atropeladas. Um exemplo muito comentado por internautas no dia em que foi ao ar é o episódio da participação de Fátima Leão, compositora de sucessos como “Dormir na Praça” e “Alô”. Apesar de sua relevância e do enorme repertório que ela tem, não houve tempo suficiente para que ela contasse suas histórias e sequer cantar o maior sucesso dela, justamente a “Dormir na Praça”, que chegou a ser gravada. No entanto, a música foi cortada na edição no episódio, cheio de gente para falar. Caberia naquele programa somente ela junto com Zé Henrique & Gabriel, por exemplo. Que fizessem outro episódio com Tierry, Grelo e Day & Lara, dando até para colocar mais um compositor relevante da atual geração.

A crítica, portanto, não é ao conteúdo ou à ideia do programa, que é maravilhosa e tem funcionado de certa forma, mas sim à execução, que poderia ser ajustada. Quem não ficou sentindo falta de boas histórias que Rionegro & Solimões no domingo passado? Inclusive, aquela famosa história em que um fã encontrou o Rionegro sozinho em um hotel e perguntou: “Cadê aquele altão que canta com você?”. Ao invés disso, foi preciso aguentar Luan Pereira com uma conversa sem pé, nem cabeça. Já aquele episódio dos Menotti com Lourenço & Lourival, mesmo com ambas às duplas sendo de diferentes gerações, funcionou porque eles realmente possuem uma ligação. Carregam história de sobra pra contar conhecendo um a carreira do outro.

Talvez reduzir o número de convidados por edição ou ampliar a duração do programa fosse o ideal. Dá pra cortar alguns minutos daquele chatíssimo Auto Esporte para dar mais espaço na grade da manhã dominical. Assim, os artistas teriam mais espaço para se expressar e o público poderia mergulhar mais a fundo nas conversas entre os ídolos que fizeram e fazem parte de sua vida. Dava para descobrirmos mais histórias inéditas, coisas que movimentam os bastidores ou detalhes de discos que mudaram a carreira de cada artista.

O Viver Sertanejo tem tudo para ser um marco na TV brasileira, mas precisa desses ajustes de separar geração com geração para alcançar todo o seu potencial. Nem sempre um episódio com um artista renomado agrada porque no meio tem um recente. O programa pode funcionar muito bem com artistas dessa atual geração se encontrando entre si. Talvez será possível ver essa melhoria nos próximos programas que serão gravados, já que agora os episódios são fixos nas manhãs da Globo.

Com mais tempo e menos pressa, Daniel e seus convidados poderiam proporcionar uma experiência ainda mais rica e emocionante para os telespectadores. Afinal, a música sertaneja não merece ser contada às pressas – ela merece ser vivida como o próprio nome Viver Sertanejo propõe. Sem contar que tem sido ótimo acordar aos domingos e tomar aquele café, ouvindo uma prosa boa na fazenda de Daniel com os maiores nomes do gênero mais popular do país.