Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Juan Pablo Vojvoda é o novo técnico do Racing

Próximo da escola menottista, treinador é experiente e quer lutar por títulos com atual elenco

Foto: Telemundo Deportes

A chegada de Juan Pablo Vojvoda ao Racing marca uma mudança interessante de rumo em Avellaneda. Depois da era Gustavo Costas, marcada por muita intensidade emocional e identificação com o clube, a diretoria parece apostar em um treinador de perfil mais estratégico e moderno. Vojvoda construiu sua reputação com trabalho de campo, organização tática e capacidade de fazer equipes competitivas mesmo sem os maiores investimentos do mercado.

Embora seja argentino com experiências em times como Talleres e Unión La Calera (CHI), Vojvoda ganhou projeção internacional principalmente no Brasil, onde realizou um trabalho histórico no Fortaleza. Foi lá que mostrou sua principal característica: a habilidade de transformar times comuns em equipes difíceis de enfrentar. Seus times costumam ser agressivos na marcação, organizados sem a bola e muito dinâmicos no ataque, sempre buscando ocupar espaços e pressionar o adversário.

Dentro da velha discussão do futebol argentino, Vojvoda parece estar mais próximo da escola menottista do que da bilardista. Ele valoriza a construção das jogadas, o protagonismo e a ideia de que o time deve impor seu estilo de jogo. Ao mesmo tempo, não é um treinador preso a dogmas. Sua leitura moderna do futebol faz com que adapte esquemas e estratégias de acordo com as características do elenco e dos adversários.

O Racing encontra um cenário diferente daquele que Vojvoda viveu em Fortaleza. Na Academia, a cobrança por títulos é permanente e a paciência costuma ser menor. Por outro lado, ele chega a um clube com tradição, estrutura e jogadores capazes de executar suas ideias. Se conseguir implementar rapidamente seus conceitos, pode montar uma equipe bastante competitiva para os torneios argentinos e continentais.

A verdade é que a contratação de Vojvoda tem tudo para ser uma das mais interessantes do futebol argentino nos próximos meses. Não se trata apenas de trocar um treinador por outro, mas de adotar uma nova identidade dentro de campo. Se a aposta der certo, o Racing pode ganhar não apenas um técnico, mas um projeto de jogo capaz de recolocar o clube entre os grandes protagonistas da América do Sul.

Estreantes da semana, ‘Mestres do Universo’ e ‘Todo Mundo em Pânico’ dividem fãs

He-Man poderia ter entregado mais, enquanto humor de Todo Mundo em Pânico 6 foi corajoso

Foto: Instagram

Entre as estreias mais comentadas da semana, Mestres do Universo e Todo Mundo em Pânico 6 chegaram aos cinemas no mesmo dia e provocaram uma reação curiosa do público: os dois dividiram opiniões. Em ambos os casos, há quem tenha saído da sessão satisfeito e quem tenha deixado a sala decepcionado. A diferença está justamente nas expectativas que cercavam cada produção antes da estreia. E, nesse aspecto, o peso acabou sendo muito maior para He-Man.

O novo filme do herói de Eternia carregava a responsabilidade de reviver uma das franquias mais queridas da cultura pop. Havia expectativa de espetáculo, nostalgia, ação e uma história capaz de conquistar tanto os fãs antigos quanto uma nova geração. Por isso, quando o resultado não corresponde ao que muitos imaginavam, a frustração se torna inevitavelmente maior. Não é que o filme seja unanimemente rejeitado, mas ele parece ter ficado aquém do potencial que tinha para se tornar um dos grandes acontecimentos cinematográficos do ano.

Já Todo Mundo em Pânico 6 partiu de uma posição completamente diferente. Sem a mesma pressão e sem a obrigação de ser um blockbuster revolucionário, o longa apostou justamente naquilo que tornou a franquia famosa: a irreverência. Em uma época em que muitas comédias parecem jogar pelo seguro, o filme teve coragem de arriscar, provocar e apostar em um humor que há tempos não encontrava espaço nas grandes produções de cinema. Essa audácia acabou se tornando um dos seus maiores trunfos.

No fim das contas, mesmo também dividindo opiniões, Todo Mundo em Pânico 6 parece ter entendido melhor o que sua própria fanbase esperava encontrar. Claro que sempre tem gente que sai insatisfeita da sessão. Enquanto He-Man gerou mais expectativas do que conseguiu atender, a comédia entregou exatamente a experiência caótica e sem filtros que seus fãs procuravam. Nem sempre o filme mais ambicioso é o que sai vencedor na percepção do público. Às vezes, quem conhece suas limitações e aposta na própria identidade acaba conquistando mais gente.

Como Ricardo La Volpe, técnico que Guardiola copiou, revolucionou o futebol mexicano

País azteca que recebe a Copa 2026 teve treinador argentino como peça-chave para se tornar um potente mercado da atualidade

Foto: Televisa Deportes

Para o futebol mexicano, poucos treinadores estrangeiros tiveram um impacto tão profundo quanto Ricardo La Volpe. Chegando ao México ainda como jogador no fim da década de 1970, ele construiu praticamente toda a sua carreira de treinador no país e ajudou a transformar a forma como muitas equipes entendiam o jogo. La Volpe comandou clubes como Atlante, Querétaro, Dorados, Atlético Morelia, Toluca, Atlas, Monterrey, Chivas Guadalajara e América. Em todos eles deixou a mesma marca: equipes que valorizavam a posse de bola, a saída construída desde a defesa e a ocupação racional dos espaços.

O chamado “lavolpismo” virou uma escola própria dentro do futebol mexicano. Sua principal inovação foi a famosa saída de três defensores, muitas vezes com um volante recuando entre os zagueiros para iniciar as jogadas. Hoje isso parece comum, mas nos anos 1990 e 2000 era uma ideia bastante avançada para a região. Além de desenvolver jogadores, La Volpe ajudou a formar treinadores e dirigentes que passaram a enxergar o futebol de maneira mais estratégica. O país azteca também se tornou um dos mercados mais ricos do futebol moderno, devido a forma como La Volpe mostrou ao mundo como os times de lá vinham evoluindo.

Sua influência foi tão grande que abriu caminho para a valorização de técnicos argentinos no México, facilitando a chegada e o sucesso de nomes como Tony Mohamed, Matías Almeyda, Diego Cocca e tantos outros que encontraram um ambiente já receptivo às ideias vindas da escola argentina. Também moldou o estilo de técnicos da atualidade como Ariel Holan e Jorge Almirón, que se tornou volante em suas mãos ao ser treinado por el bigodón no Dorados.

A passagem de La Volpe pela Seleção Mexicana de Futebol, entre 2002 e 2006, foi o auge de sua influência. Sob seu comando, o México apresentou um futebol ofensivo, organizado e tecnicamente refinado, conquistando admiração internacional. Na Copa do Mundo de 2006, os mexicanos lideraram um grupo que tinha Portugal, Angola e Irã, antes de serem eliminados pela Argentina apenas na prorrogação, em uma partida considerada uma das melhores daquele Mundial. Muitos analistas e torcedores ainda veem aquele ciclo como um dos mais marcantes da história recente da seleção mexicana.  

Foi justamente durante aquela Copa do Mundo que um ex-jogador recém-aposentado chamado Pep Guardiola se encantou pelo trabalho de La Volpe. Em uma coluna publicada no jornal espanhol El País, Guardiola escreveu o famoso texto “Salir de novios” (“Sair de namorados”), no qual elogiou a forma como o México construía suas jogadas desde a defesa. Pep destacou que havia uma diferença entre simplesmente começar uma jogada e realmente sair jogando, conceito central do lavolpismo. Na metáfora utilizada por Guardiola, bola e jogadores avançavam juntos “como namorados”, numa referência à harmonia dos movimentos coletivos.

Anos depois, quando Guardiola revolucionou o futebol europeu em clubes como o Barcelona, Bayern Munich e Manchester City, muitos passaram a identificar conceitos que já apareciam nos times de La Volpe: a saída sustentada desde trás, a superioridade numérica na construção e a participação ativa dos defensores na criação das jogadas. Não é exagero afirmar que o argentino ajudou a inspirar algumas das ideias que moldariam o futebol moderno, inclusive que muitos o copiaram. Poucos treinadores podem dizer que influenciaram diretamente um dos maiores técnicos da história (Guardiola), e Ricardo La Volpe pode dizer isso, pois seus conceitos foram além do futebol mexicano, atravessando o oceano para o velho continente.

Sob o Domínio do Crime: Série documental supera “O Testamento” em audiência, mas sem memes

Produção é digna de prêmios, mas fica um degrau abaixo de “Vale o Escrito”. Lá pelo menos tinha samba pra distrair entre as mortes dos bicheiros

Foto: Globoplay

Entre os documentários brasileiros lançados recentemente, poucos são tão impactantes quanto “Territórios – Sob o Domínio do Crime”, do Globoplay. A série mergulha em uma realidade que muitos preferem ignorar: o avanço das facções criminosas sobre regiões inteiras do país. Mais do que mostrar a violência, a produção revela como essas organizações ocupam espaços deixados pelo Estado, controlando territórios, impondo regras e influenciando diretamente a vida de milhões de brasileiros. É um retrato duro, mas necessário.

O documentário também funciona como um alerta. Em vários momentos, fica a sensação de que o Brasil caminha por uma estrada semelhante à percorrida pelo México, onde o poder do crime organizado se tornou um problema nacional de proporções gigantescas. Não se trata apenas de segurança pública, mas de um fenômeno social, econômico e político que afeta o cotidiano de quem vive nas áreas dominadas por essas organizações. A série consegue explicar essa complexidade sem perder a força narrativa.

O sucesso foi tão grande que a produção já ultrapassou a audiência de outro fenômeno recente do Globoplay, o documentário “O Testamento”, sobre a empresária que ficou conhecida como a “herdeira da Pernambucanas”. Mas a comparação termina nos números. Enquanto aquela série tinha momentos curiosos, personagens excêntricos e situações que até rendiam memes nas redes sociais, “Territórios – Sob o Domínio do Crime” praticamente não oferece respiro ao espectador. É uma história que provoca indignação, tristeza e preocupação do começo ao fim.

Talvez por isso eu ainda coloque “Vale o Escrito” um degrau acima entre os documentários nacionais recentes. Não pela qualidade técnica, que em ambos os casos é altíssima, mas porque a produção sobre o jogo do bicho conseguia equilibrar crime, cultura popular, samba e personagens quase folclóricos. Havia momentos de humor e leveza em meio ao caos. Já em “Territórios – Sob o Domínio do Crime” não existe esse alívio. O que vemos ali é uma sucessão de histórias marcadas por medo, sangue e lágrimas.

É um documentário excelente, digno de prêmios, mas também um dos retratos mais dolorosos do Brasil contemporâneo. Na verdade quem dá um tom mais leve nas falas é o jornalista Octavio Guedes, apenas. Tem que ter estômago pra assistir. Isso só mostra que nosso país está se afundando cada vez mais nessa guerra toda, sem conseguir ter um destino feliz como Medellín.

Brasileiro não gosta de esporte, gosta de vencedor

Frase de Wilson Baldini Jr. se encaixa agora no novo momento do Brasil: país do tennis

Foto: Estadão

O interesse do brasileiro por determinadas modalidades esportivas quase sempre acompanha o sucesso de seus principais representantes. A história mostra isso de forma recorrente. Hoje, por exemplo, o tennis vive um raro momento de popularidade graças ao fenômeno João Fonseca. De repente, muita gente passou a comentar torneios, rankings e partidas que, até pouco tempo atrás, passavam despercebidos pela maioria do público.

Não é a primeira vez que isso acontece. Houve uma época em que o Brasil era o país do boxe. As lutas de Maguila e, mais tarde, de Popó Freitas mobilizavam audiências enormes e estampavam manchetes por todo lado. Depois veio o vôlei, impulsionado por gerações vencedoras que transformaram o esporte em paixão nacional. O mesmo ocorreu com o basquete nos tempos de Oscar Schmidt e da seleção competitiva. Quando os resultados diminuíram, o interesse popular também caiu drasticamente.

A Fórmula 1 talvez seja o exemplo mais emblemático. Durante a era de Ayrton Senna, o país praticamente parava para assistir às corridas. Após sua morte, parte do público abandonou a categoria. Alguns continuaram acompanhando por causa de Rubens Barrichello ou Felipe Massa, mas a paixão coletiva jamais voltou ao mesmo nível. Agora surge Gabriel Bortoleto como esperança de uma nova geração, embora ainda seja cedo para saber se ele conseguirá despertar novamente o interesse dos brasileiros pela modalidade.

A frase do jornalista, especializado em boxe, Wilson Baldini Jr resume bem esse comportamento: “o brasileiro não gosta de esporte, gosta de vencedor”. Pode soar exagerada, mas há muita verdade nela. Quem realmente ama uma modalidade continua acompanhando nos momentos de glória e de crise. Já o grande público costuma aparecer quando surgem os títulos, as medalhas e os ídolos. No fim das contas, o esporte favorito do brasileiro quase sempre é aquele que está ganhando.

Boca Juniors deve acertar retorno de Arruabarrena, técnico da escola Bianchista

Treinador próximo de Riquelme desde os tempos de atleta já comandou o time há dez anos

Foto: Diario Olé

O possível retorno de Rodolfo Arruabarrena ao Boca Juniors, dez anos após sua primeira passagem, mostra como o clube parece buscar mais segurança do que revolução para o futuro próximo. Em um momento em que muitos torcedores sonham com nomes de grande impacto ou projetos mais ousados, a diretoria parece olhar para alguém que conhece profundamente a casa, entende a pressão da Bombonera e já conquistou títulos vestindo o azul e ouro. Além disso, existe uma relação de confiança com Juan Román Riquelme que vem de longa data. Os dois foram companheiros no Villarreal, da Espanha, experiência que certamente ajuda a explicar por que o atual presidente do Boca vê Arruabarrena como uma opção confiável para o cargo.

Quando se analisa seu trabalho como treinador, fica difícil enquadrá-lo totalmente na eterna disputa argentina entre menottistas e bilardistas. Arruabarrena não é um adepto fanático da posse de bola nem da busca pelo espetáculo acima de tudo. Ao mesmo tempo, também não representa o pragmatismo extremo que muitos associam ao bilardismo clássico. Seu futebol costuma ser equilibrado, com preocupação tática, organização defensiva e liberdade para adaptar o plano de jogo conforme o adversário.

Talvez por isso ele esteja mais próximo de uma versão moderna da escola bilardista, com muitas nuances do bianchismo (escola de Carlos Bianchi), sua porta de entrada no futebol. Seus times normalmente priorizam a competitividade e os resultados, sem abrir mão de certa qualidade na construção das jogadas. É uma visão que combina bastante com a identidade histórica do Boca Juniors, clube que tradicionalmente valoriza a entrega, a personalidade e a capacidade de vencer em cenários adversos. Na Bombonera, ganhar continua sendo a palavra mais importante do dicionário.

A questão é saber se esse perfil ainda é suficiente para um Boca que vive pressionado pela comparação com seus rivais continentais e pela obsessão de voltar a conquistar a Libertadores. Arruabarrena pode oferecer estabilidade, conhecimento do ambiente e uma sintonia natural com Riquelme, mas dificilmente será visto como um técnico capaz de promover uma transformação profunda. Se sua contratação se confirmar, a mensagem da diretoria será clara: antes de pensar em reinventar o Boca, é preciso fazê-lo voltar a competir em alto nível. E vai ser difícil.