Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

10 anos da última Libertadores do Atlético Nacional: O que mudou no futebol colombiano?

Time conquistou o bicampeonato na competição, sendo a terceira da Colômbia em sua história

Foto: RCN Noticias

Em julho de 2026, a conquista da Libertadores da América de 2016 pelo Atlético Nacional completa dez anos. A equipe comandada por Reinaldo Rueda entrou para a história ao derrotar o Independiente del Valle na decisão e conquistar o segundo título continental do clube. Naquele momento, muitos imaginavam que o futebol colombiano viveria uma nova era de protagonismo internacional, impulsionado pela força de um elenco competitivo, organizado e que encantou boa parte da América do Sul durante aquela campanha.

Passada uma década, porém, a sensação é de que o impacto daquela conquista foi menor do que se esperava. O Atlético Nacional continuou sendo uma potência dentro da Colômbia, acumulando títulos nacionais e mantendo sua condição de principal referência do país. No cenário continental, entretanto, o clube não conseguiu transformar a conquista em uma hegemonia duradoura. As campanhas posteriores na Libertadores ficaram longe do brilho de 2016, e o futebol colombiano como um todo também não conseguiu se firmar entre as principais forças da América do Sul. Aquele título foi o terceiro do continente conquistado pelos colombianos, sendo a segunda Liberta do Atl Nacional, ao lado do título do Once Caldas de 2004.

Curiosamente, quem parece ter aproveitado melhor a experiência daquela final foi justamente o Equador. Mesmo derrotado em 2016, o Independiente del Valle se consolidou como um dos projetos mais modernos do continente, conquistando títulos da Copa Sul-Americana e da Recopa, além de se tornar presença constante nas fases decisivas das competições da Conmebol. Outros clubes equatorianos também passaram a alcançar campanhas relevantes, demonstrando uma evolução estrutural e esportiva que colocou o país em um patamar superior ao que ocupava dez anos atrás.

A trajetória acaba lembrando, em certa medida, a do histórico Atlético Nacional campeão de 1989, liderado por Francisco Maturana. Aquele time conquistou a primeira Libertadores da Colômbia e marcou época, mas também não conseguiu transformar o sucesso continental em um ciclo prolongado de domínio internacional para seus clubes. Tanto em 1989 quanto em 2016, o Verdolaga produziu equipes memoráveis e levantou a taça mais importante do continente, mas os títulos acabaram sendo capítulos isolados de excelência, sem provocar uma mudança profunda e permanente na posição do futebol colombiano dentro da América do Sul. Ao menos mantém uma das canteras que mais revelam jogadores no futebol cafetero, o que ainda o faz grande por lá.

Colômbia terá segundo turno nas eleições presidenciais

Candidato do atual presidente ficou em segundo lugar na votação deste domingo. Decisão será dia 21 de junho

Foto: RCN Notícias

A eleição presidencial da Colômbia chega ao segundo turno em um cenário de forte polarização entre dois projetos completamente diferentes para o país. De um lado está Abelardo de la Espriella, advogado de direita que terminou o primeiro turno na liderança com cerca de 44% dos votos. Do outro, Iván Cepeda, senador de esquerda ligado ao presidente Gustavo Petro, que ficou próximo dos 41%. A votação decisiva acontece em 21 de junho e promete ser uma das mais disputadas da história recente do país.  

O cenário parece inicialmente mais favorável para De la Espriella porque boa parte do eleitorado conservador e de direita já começou a se unificar ao seu redor. Lideranças tradicionais, incluindo aliados do ex-presidente Álvaro Uribe, declararam apoio ao candidato após o primeiro turno. Além disso, a preocupação crescente da população com segurança pública, narcotráfico e violência tem fortalecido seu discurso de endurecimento contra grupos criminosos, estratégia que lembra, para muitos analistas, o modelo adotado por Nayib Bukele.  

Já Cepeda aposta em outro caminho para tentar virar a disputa. Sua esperança está na mobilização dos eleitores de centro, dos jovens e dos setores que temem uma guinada muito forte à direita. O senador defende a continuidade de políticas sociais, negociações de paz com grupos armados e reformas iniciadas durante o governo Petro. Analistas apontam que parte dos eleitores moderados pode migrar para Cepeda caso considere De la Espriella excessivamente radical ou imprevisível. A taxa de participação no primeiro turno também deixou milhões de eleitores fora das urnas, o que abre espaço para mudanças no quadro eleitoral.  

No cenário internacional, a disputa também desperta atenção. O governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva tende a enxergar uma eventual vitória de Cepeda com mais simpatia política, já que ele representa a continuidade de uma linha próxima à de Petro em temas como integração regional, diálogo diplomático e políticas sociais. Por outro lado, a Argentina de Javier Milei provavelmente veria com melhores olhos uma vitória de De la Espriella, que possui discurso liberal na economia, postura mais conservadora e forte oposição à esquerda latino-americana.

Mesmo que Brasil e Argentina dificilmente façam declarações formais de apoio durante a campanha, o resultado poderá influenciar diretamente o equilíbrio político da América do Sul nos próximos anos, especialmente em temas como segurança regional, comércio, energia e integração continental. Essa é uma das razões pelas quais o segundo turno colombiano vem sendo acompanhado com tanta atenção pelos governos vizinhos.

Boca sonha com ‘menottista’ Ricardo Gareca para assumir time na pausa da Copa

Riquelme confirmou que vai despachar Claudio Úbeda. Gareca é desejo antigo do clube

Foto: TyC Sports

A possível chegada de Ricardo Gareca ao Boca Juniors desperta curiosidade não apenas pelo peso de seu nome no futebol sul-americano, mas também pelo estilo de jogo que costuma implementar em suas equipes. Ao longo da carreira, o treinador argentino construiu uma identidade baseada em organização tática, equilíbrio entre defesa e ataque e valorização da posse de bola. Considerado por muitos um técnico de influência menottista, Gareca costuma defender um futebol propositivo, com equipes que buscam controlar as partidas através da técnica e da construção das jogadas.

Diferentemente de treinadores que apostam em um futebol excessivamente defensivo ou totalmente ofensivo, Gareca procura um ponto de equilíbrio. Suas equipes geralmente apresentam linhas compactas, boa ocupação de espaços e uma saída de bola trabalhada desde a defesa. O objetivo é controlar o ritmo do jogo e reduzir os erros que possam oferecer oportunidades ao adversário, sem abrir mão da busca pelo protagonismo.

Outro ponto marcante de seu trabalho é a confiança nos jogadores de velocidade pelos lados do campo. Gareca gosta de equipes capazes de acelerar as jogadas rapidamente após recuperar a posse, explorando os espaços deixados pelos rivais. Ao mesmo tempo, costuma exigir bastante movimentação dos atacantes, que participam não apenas da finalização das jogadas, mas também da construção ofensiva.

A passagem histórica pela seleção peruana talvez seja o melhor exemplo de sua filosofia. Sob seu comando, o Peru apresentou um futebol competitivo, organizado e, em muitos momentos, bastante agradável de assistir vivendo a melhor fase da seleção peruana até hoje. Gareca conseguiu potencializar atletas que não eram considerados estrelas internacionais e transformou o conjunto em sua principal força, algo que costuma ser uma de suas maiores virtudes.

Nos bastidores do Boca Juniors, cresce a expectativa de que essa filosofia possa desembarcar em La Bombonera nos próximos meses. Após a confirmação de Juan Román Riquelme de que Claudio Úbeda não seguirá no comando da equipe, a tendência é que a mudança seja oficializada ao fim de junho. O grande sonho da diretoria é contar com Ricardo Gareca já em julho, durante a pausa da Copa do Mundo, iniciando um novo ciclo em um dos clubes mais exigentes do continente. Caso a negociação avance, o Boca apostará em um treinador experiente, identificado com um futebol de proposta ofensiva e que acredita na força do jogo coletivo para alcançar resultados.

Como Mágica: Melhor animação da Netflix conquista adultos e Enzos

Ao assistir ainda tempos experiência de qualidade em casa sem precisar passar perrengue no cinema

Foto: Netflix

A bela animação Como Mágica é uma daquelas surpresas que aparecem sem muito barulho e acabam conquistando todo mundo. A nova aposta da Netflix mistura fantasia, aventura e emoção em uma história extremamente criativa, com um visual simplesmente deslumbrante. É facilmente uma das animações mais bonitas do ano e, sinceramente, talvez a melhor produção animada já feita pela plataforma até hoje.  

A trama acompanha Ollie, uma pequena criatura da floresta, e Ivy, uma ave majestosa, que acabam trocando de corpos após entrarem em contato com uma magia antiga. A partir daí, os dois precisam sobreviver em um mundo completamente diferente daquele que conheciam, aprendendo a enxergar a vida pela perspectiva um do outro. O filme usa essa ideia de troca de corpos para falar sobre empatia, convivência e medo do desconhecido de uma forma muito inteligente.  

O grande destaque de Como Mágica está no enredo da animação. Cada cenário parece pintado à mão, com cores vibrantes, criaturas carismáticas e um universo que transborda imaginação. A direção de Nathan Greno, o mesmo de Enrolados, entrega cenas visualmente impressionantes e momentos emocionantes que realmente funcionam. Além disso, o filme consegue surpreender com reviravoltas inesperadas e um terceiro ato muito mais intenso do que aparenta no começo.  

Mesmo com algumas críticas ao roteiro mais simples, Como Mágica tem algo que muitas animações atuais perderam: coração. É divertido, emocionante e visualmente mágico do início ao fim. Não é à toa que virou um enorme sucesso na Netflix e conquistou tanta gente nas redes sociais. Vale muito a pena assistir, principalmente para quem gosta de animações que conseguem encantar crianças e adultos ao mesmo tempo.

Jornalismo Esportivo brasileiro não tem moral nenhuma para questionar Virgínia na Copa

O trabalho dela será no entretenimento, coisa que nem programa esportivo consegue oferecer hoje em dia

Foto: Instagram

A contratação de Virgínia Fonseca para fazer conteúdos de entretenimento na Copa do Mundo virou motivo de revolta para parte do jornalismo esportivo brasileiro. Mas a pergunta que fica é: revolta por quê? Ela não foi contratada para analisar esquema tático, explicar linha de impedimento ou debater convocação. O papel dela é outro. Virgínia vai mostrar bastidores, festas de torcedores, cultura local, comidas típicas, curiosidades e o clima extracampo da Copa. Ou seja, exatamente aquilo que grandes emissoras já fazem há décadas quando mandam repórteres produzirem matérias leves durante o Mundial.

O mais curioso é ver jornalistas esportivos indignados com entretenimento dentro da cobertura de Copa, sendo que o próprio jornalismo esportivo brasileiro abandonou o entretenimento faz tempo. Hoje, boa parte dos programas vive de arbitragem, crise em clube, caça a treinador e fofoca de bastidor. O debate virou repetitivo, pesado e cansativo. Quem ainda consegue transformar futebol em espetáculo na televisão brasileira é praticamente só Craque Neto, seja no “Os Donos da Bola”, nos programas de rádio dele ou nos cortes que viralizam diariamente. O resto parece viver num ciclo eterno de reclamação e mesa-redonda amarga.

E aí entra uma certa hipocrisia nessa discussão. Em 2022, muita gente achou normal mandar influenciadores e humoristas para a Copa. O próprio Diogo Defante esteve no Catar fazendo humor e conteúdo descontraído, sem ser jornalista esportivo, e quase ninguém fez esse escândalo todo. Enquanto isso, repórteres tradicionais como Eric Faria produziam matérias sobre ar-condicionado na calçada, areia do deserto e curiosidades do Catar meses antes da Copa, ficando fora de cobrir mais uma final de Libertadores daquele ano. Isso sempre existiu em Copa do Mundo. A diferença é que agora quem está ocupando esse espaço é uma mulher extremamente popular, influente e bem-sucedida.

As críticas também escancaram um problema antigo do Brasil: mulher no futebol ainda incomoda muita gente. Quando uma mulher cresce, conquista espaço e ocupa um ambiente tradicionalmente dominado por homens, surge imediatamente uma patrulha querendo desmerecer sua presença. Até Juca Kfouri entrou na discussão, algo que parecia desnecessário para alguém tão experiente e com tantas Copas no currículo. Virgínia não vai “substituir” jornalista esportivo nenhum. Ela vai fazer entretenimento. E talvez o incômodo exista justamente porque uma influenciadora entende melhor de comunicação popular e conexão com público do que muito programa esportivo tradicional hoje em dia.

No fim, a verdade é simples: Copa do Mundo não é feita só de tática e coletiva de imprensa. Copa também é festa, cultura, turismo, torcida, emoção e experiência. Sempre foi. E se o jornalismo esportivo brasileiro perdeu a capacidade de entreter, talvez o problema não esteja na chegada da Virgínia. Talvez o problema esteja em quem ficou parado no tempo enquanto o público mudou.

Colômbia na Copa será 8/80: Pode surpreender muito ou passar vergonha

Seleção convocada traz mais dúvidas que soluções em geração que retorna ao Mundial após ficar fora em 2022

Foto: RCN Deportes

A convocação da Seleção Colombiana para a Copa do Mundo, enfim saiu, com poucas surpresas e muitas confirmações do que já vinha sendo desenhado por Néstor Lorenzo ao longo do ciclo. O grande nome segue sendo Luis Díaz, hoje protagonista de um ataque poderoso do Bayern de Munique e principal referência técnica da Colômbia. Ao lado dele aparecem nomes conhecidos como Richard Ríos e Juan Fer Quintero, que segue sendo um jogador útil justamente por fazer uma função rara dentro da seleção colombiana: a do meia criativo clássico, mesmo sem viver seu auge há algum tempo.

A grande discussão da convocação, claro, girava em torno de James Rodríguez. Para muita gente, James já vive uma aposentadoria técnica há anos, distante daquele meia mágico da Copa de 2014 que enganou, ops, encantou o mundo. Mas a Colômbia ainda parece emocionalmente dependente do camisa 10, seja pela liderança, seja pela falta de outro nome capaz de assumir esse protagonismo criativo. E assim James vai para mais uma Copa do Mundo, carregando ao mesmo tempo o peso do passado glorioso e a dúvida sobre quanto ainda consegue entregar dentro de campo.

A ausência da Colômbia na Copa de 2022 acabou funcionando como uma espécie de choque de realidade para essa geração. Era um time que precisava sentir o peso de ficar fora de um Mundial para entender que tradição sul-americana sozinha não garante vaga em Copa. Agora, em sua sexta participação na história, a seleção colombiana chega novamente cercada de expectativa, mas sem aquela confiança absoluta da geração de 2014 ou até mesmo da equipe de 2018, que talvez tivesse uma química coletiva mais forte. Ainda assim, o vice-campeonato da última Copa América mostrou que existe talento suficiente para competir em alto nível.

O problema é justamente definir o que esperar dessa Colômbia. Falando em ausência, jogadores como Sebástian Villa, Rafael Borré, Juan Cuadrado e Wilmar Barrios ficaram de fora dessa vez. Los cafeteros é uma seleção capaz de tudo. Pode ser a grande surpresa da Copa, encaixar rapidamente e fazer um torneio histórico impulsionada pela velocidade de Luis Díaz e pela competitividade típica das equipes de Lorenzo.

Mas também pode ser uma enorme decepção, vítima da irregularidade que acompanha o futebol colombiano há anos. Não existe mais aquela sensação de estabilidade e confiança de outros ciclos. A Colômbia atual vive entre a nostalgia de seus velhos líderes e a esperança de uma nova geração que ainda não se consolidou completamente. E talvez seja justamente essa imprevisibilidade que torne os colombianos tão interessantes de acompanhar neste Mundial.

Foto: RCN Deportes