Próximo da escola menottista, treinador é experiente e quer lutar por títulos com atual elenco

A chegada de Juan Pablo Vojvoda ao Racing marca uma mudança interessante de rumo em Avellaneda. Depois da era Gustavo Costas, marcada por muita intensidade emocional e identificação com o clube, a diretoria parece apostar em um treinador de perfil mais estratégico e moderno. Vojvoda construiu sua reputação com trabalho de campo, organização tática e capacidade de fazer equipes competitivas mesmo sem os maiores investimentos do mercado.
Embora seja argentino com experiências em times como Talleres e Unión La Calera (CHI), Vojvoda ganhou projeção internacional principalmente no Brasil, onde realizou um trabalho histórico no Fortaleza. Foi lá que mostrou sua principal característica: a habilidade de transformar times comuns em equipes difíceis de enfrentar. Seus times costumam ser agressivos na marcação, organizados sem a bola e muito dinâmicos no ataque, sempre buscando ocupar espaços e pressionar o adversário.
Dentro da velha discussão do futebol argentino, Vojvoda parece estar mais próximo da escola menottista do que da bilardista. Ele valoriza a construção das jogadas, o protagonismo e a ideia de que o time deve impor seu estilo de jogo. Ao mesmo tempo, não é um treinador preso a dogmas. Sua leitura moderna do futebol faz com que adapte esquemas e estratégias de acordo com as características do elenco e dos adversários.
O Racing encontra um cenário diferente daquele que Vojvoda viveu em Fortaleza. Na Academia, a cobrança por títulos é permanente e a paciência costuma ser menor. Por outro lado, ele chega a um clube com tradição, estrutura e jogadores capazes de executar suas ideias. Se conseguir implementar rapidamente seus conceitos, pode montar uma equipe bastante competitiva para os torneios argentinos e continentais.
A verdade é que a contratação de Vojvoda tem tudo para ser uma das mais interessantes do futebol argentino nos próximos meses. Não se trata apenas de trocar um treinador por outro, mas de adotar uma nova identidade dentro de campo. Se a aposta der certo, o Racing pode ganhar não apenas um técnico, mas um projeto de jogo capaz de recolocar o clube entre os grandes protagonistas da América do Sul.