Apuração deixou a desejar tanto no canal aberto quanto na GloboNews

O jornalismo da Globo vai de mal a pior, e essa eleição deixou isso ainda mais evidente. Da sabatina com os presidenciáveis à apuração do primeiro turno, a sensação foi de uma cobertura muito abaixo da imponência que a emissora já teve em eleições brasileiras. No domingo, durante a apuração, Renata Lo Prete foi quem mais demonstrou aquela postura de quem realmente está comandando uma noite eleitoral. César Tralli, por outro lado, parecia completamente avulso, perdido em alguns momentos, quase um “boneco de posto” no estúdio.
É evidente que Tralli não precisa — e nem deve — ser um novo William Bonner, mas ainda parece faltar a ele o peso de quem ocupa a bancada do Jornal Nacional em um dos momentos mais importantes do país. E isso ficará ainda mais evidente no segundo turno. Quem estará diante das câmeras no instante em que a eleição estiver matematicamente definida? Quem terá a presença necessária para interromper a programação e dizer: “Está eleito o novo presidente da República”? Hoje, Renata Lo Prete parece muito mais preparada para assumir esse momento.
Tralli ainda carrega, para mim, aquela imagem do apresentador do Jornal Hoje; ainda não se transformou completamente no grande nome do Jornal Nacional. Bonner tinha uma imponência muito particular nessas ocasiões. Não se trata de copiar seu estilo, mas de entender que uma eleição presidencial exige segurança, autoridade jornalística e domínio absoluto da transmissão.
Na GloboNews, o problema é outro — e talvez ainda pior. Os debates estão cada vez mais difíceis de acompanhar: comentarista falando por cima de comentarista, interrupções, gritaria e pouca preocupação em permitir que o telespectador compreenda o que está sendo discutido. Em determinados momentos, parece mais um programa de fofoca do que um canal dedicado ao jornalismo político. A GloboNews já teve discussões muito mais organizadas e interessantes; hoje, em alguns programas, chega ao nível de uma disputa para descobrir quem consegue falar mais alto.
Enquanto isso, concorrentes conseguiram se destacar nesta eleição: o SBT fez uma transmissão muito competente, e a Band manteve aquela tradição e credibilidade que construiu na cobertura eleitoral brasileira desde a redemocratização. A Globo, portanto, saiu derrotada nesta eleição não apenas pelas concorrentes, mas principalmente pelos próprios erros. O cancelamento do debate às vésperas do primeiro turno simbolizou uma emissora que parece ter perdido parte do protagonismo que durante décadas parecia incontestável.
Até profissionais do entretenimento da própria Globo fizeram críticas à condução das sabatinas, especialmente ao trabalho de César Tralli e Renata Vasconcellos, e a reação às críticas também chamou atenção. Quem ocupa a bancada do maior telejornal do país inevitavelmente será elogiado e criticado — faz parte do posto. A Globo continua sendo uma potência, mas potência nenhuma está acima de crítica. E, atualmente, quando penso em um telejornal que transmite sobriedade e credibilidade, minha preferência é clara: o Jornal da Band.