Eles se encontram 4 vezes durante o ano…

Hoje eu tive uma conversa com uma amiga que, sinceramente, me deu uma aula sobre amor, distância, confiança e maturidade. Ela namora um piloto da Qatar Airways. Ela mora em Goiânia e ele mora no Catar. Eles se conheceram em Barcelona (ESP), quando ela viajou para lá, encontrou o perfil dele no Instagram e decidiu procurá-lo. Os dois estavam solteiros, começaram a conversar, se conectaram e, mesmo com milhares de quilômetros entre eles, decidiram investir naquele relacionamento.
E quando eu digo distância, não estou falando de duas pessoas que moram em cidades diferentes ou até em estados diferentes. Eles estão separados por um oceano, por continentes, por um fuso horário completamente diferente e por rotinas que não têm nada a ver uma com a outra. Eles conseguem se encontrar aproximadamente quatro vezes por ano: no aniversário dela, no meio do ano, perto do fim do ano e no carnaval. Quando estão juntos, aproveitam cada segundo. Quando estão longe, vivem o relacionamento da maneira que conseguem.
E foi aí que ela me deu uma verdadeira aula. Ele está presente no dia a dia dela mesmo estando do outro lado do mundo. Manda flores toda semana, manda presentes e encontra formas de demonstrar que está ali. Ela também faz tudo para estar presente na vida dele. Ajusta a própria rotina, acorda de madrugada para conseguir conversar por causa do fuso horário, acompanha a vida dele, participa, conversa e fofoca. Os dois têm suas carreiras, suas próprias vidas, seus compromissos e, ainda assim, conseguem construir um amor que existe mesmo quando não tem a presença física.
Eu fiquei pensando em quantas vezes a gente sofre por passar alguns dias longe de quem ama. Quantas vezes a saudade vira ansiedade, a ausência vira insegurança e a distância parece maior do que realmente é. E aí eu olho para ela, que passa meses longe da pessoa que ama, e vejo uma mulher que aprendeu a confiar, a lidar com a saudade, com o ciúme, com a falta do abraço, com os dias em que tudo o que ela queria era ter aquela pessoa perto. E ela faz isso com uma maturidade que eu ainda estou tentando alcançar.
Essa conversa me fez perceber que eu tenho muito a aprender. Principalmente sobre entender que amar alguém não significa necessariamente ter essa pessoa ao nosso lado o tempo inteiro. Amor também é confiança, presença mesmo à distância, escolha, paciência e capacidade de continuar vivendo a própria vida enquanto constrói uma vida com alguém. Ela me mostrou que é possível sentir falta sem transformar a saudade em sofrimento, e confiar sem precisar controlar. Talvez seja isso que amizade também significa: encontrar alguém que, sem perceber, ensina a gente a lidar melhor com as próprias dores. Eu saí dessa conversa a admirando ainda mais, principalmente, pensando em tudo o que eu ainda preciso amadurecer dentro de mim.