Artistas colombianos realizaram grande evento em pról das vítimas do terremoto

Já o presidente De La Espriella não teve boa conduta na primeira crise de seu governo

Foto: RCN Noticias

A música colombiana mostrou, mais uma vez, que pode ser muito mais do que entretenimento. Neste fim de semana, Bogotá recebeu o Colombia: Voces por la Vida, um grande concerto beneficente criado para arrecadar recursos para as vítimas do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país no dia 10 de agosto. Mais de 30 artistas participaram da mobilização, em uma demonstração emocionante de união em um dos momentos mais difíceis da história recente da Colômbia. O evento arrecadou mais de 11 bilhões de pesos colombianos, destinados à reconstrução das regiões afetadas.

Entre os nomes que participaram da iniciativa estavam Maluma, Sebastián Yatra, Manuel Turizo, Greeicy, Andrés Cepeda, Silvestre Dangond, Grupo Niche, ChocQuibTown, Miguel Bosé, Pedro Capó e Eladio Carrión, entre muitos outros. Karol G, que não pôde estar presencialmente por causa de sua agenda internacional, participou por transmissão ao vivo e ainda fez uma doação milionária por meio de sua Fundação Con Cora. A cantora chegou a dizer que aquela era uma das coisas mais bonitas que já tinha visto em seu país.

E essa mobilização não começou nem terminou no palco. Carlos Vives, por exemplo, também colocou seus estabelecimentos à disposição para receber doações, enquanto Maluma transformou espaços ligados à sua fundação, restaurante e loja em pontos de arrecadação. Outros grandes nomes, como Shakira, J Balvin, Juanes e Camilo, também se movimentaram para ajudar as comunidades atingidas. É bonito ver artistas que normalmente disputam espaço nas paradas, nos palcos e nas premiações deixando qualquer rivalidade de lado quando o próprio país precisa deles.

Maluma, aliás, ainda pretende ampliar essa ajuda com outras ações em Medellín. O cantor já se colocou à frente de iniciativas de arrecadação na cidade e vem usando sua estrutura para auxiliar os afetados pelo terremoto. O que a Colômbia está fazendo neste momento é um exemplo poderoso de como a cultura pode servir à solidariedade: quando um país sofre, seus artistas também podem emprestar sua voz, seu público e sua força para ajudar quem perdeu praticamente tudo. A música, nesse caso, não foi apenas trilha sonora da dor — foi uma ferramenta para começar a reconstruir um país.

Já a atuação de Abelardo de la Espriella diante da tragédia também provocou uma forte discussão política. O novo governo foi criticado por limitar, nos primeiros dias, a entrada de equipes internacionais de busca e resgate a grupos de Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador, enquanto outros países que ofereceram apoio, como o México, não tiveram suas equipes autorizadas naquele momento. A decisão levantou suspeitas de que critérios políticos estariam pesando na distribuição da ajuda, especialmente diante da conhecida aproximação de De la Espriella com os Estados Unidos e Israel.

O governo, por sua vez, negou que tenha recusado ajuda por razões ideológicas e afirmou que a seleção das equipes considerou critérios técnicos e de certificação. Ainda assim, a controvérsia acrescentou uma dimensão política a uma crise que, para além de números e disputas diplomáticas, exigia rapidez, união e solidariedade internacional. Em suas primeiras semanas de governo, deu para perceber no que a Colômbia vai enfrentar pelos próximos quatro anos.

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