Categoria: Televisão

Maior clipe da indústria musical, “Thriller” é exaltado no Halloween

Foto: Rolling Stone Brasil

Em 1983, Michael Jackson lançava o videoclipe de Thriller. E o mundo nunca mais foi o mesmo. Dirigido por John Landis, o curta-metragem de quase 14 minutos não foi apenas um clipe musical — foi um divisor de águas. Jackson transformou o que antes era um simples vídeo promocional em uma verdadeira produção cinematográfica, com roteiro, personagens, efeitos especiais e uma história de arrepiar. A música já era um sucesso, mas o clipe fez dela uma lenda — misturando terror, dança e carisma em doses perfeitas.

O impacto foi tão grande que Thriller redefiniu o que significava lançar um clipe. A partir dali, artistas começaram a enxergar o audiovisual como parte essencial de sua obra, e não apenas como um complemento. A MTV, ainda jovem na época, viu sua audiência explodir. O canal se tornou o templo da música pop, e Michael, seu maior profeta. Cada passo de dança, cada olhar, cada movimento de zumbi virou referência. Thriller não só dominou as paradas — ele moldou toda uma geração de artistas e produtores.

E o clipe ainda carrega um simbolismo poderoso: a perfeita fusão entre o medo e o espetáculo. Por isso, todo Halloween revive Thriller — seja nas festas, nas redes sociais ou nas ruas cheias de fantasias. O som da risada maléfica e a coreografia dos mortos-vivos continuam sendo o retrato mais divertido do terror pop. Michael conseguiu o impossível: transformou o medo em ritmo e o susto em celebração.

Mais de quarenta anos depois, Thriller continua insuperável. Nenhum artista conseguiu repetir com tamanha genialidade a mistura entre música, cinema e performance. Michael Jackson não apenas lançou um clipe — ele criou um marco cultural que atravessa gerações. E é por isso que, neste e em todos os Halloweens, o mundo ainda dança ao som do rei. Vale ainda conferir o doc ‘Thriller 40’, na Paramount+, que conta a história dessa grande obra. Esse é um dos legados do maior astro pop, eternamente vivo, mesmo entre os mortos.

Globo perde oportunidade de plantão nacional em guerra no Rio e prefere passar filme velho que ninguém assiste

Jornalismo bom se faz ao vivo para todos e é a principal função da TV aberta atualmente. Já são 64 mortos no RJ enquanto passa a Sessão da Tarde

Foto: G1

Enquanto o Rio de Janeiro vive um dos momentos mais críticos de sua história, com intensos confrontos entre forças de segurança e o tráfico nas comunidades da Penha e do Alemão no duelo mais sangrento de todos os tempos, a TV Globo optou por seguir sua programação habitual na tarde desta terça-feira. Em vez de acionar o tradicional Plantão Nacional, que historicamente mobiliza o país em coberturas emergenciais, a emissora manteve no ar um filme antigo da Sessão da Tarde — um título repetido e sem relevância jornalística. A decisão provocou indignação entre telespectadores e profissionais de comunicação, que esperavam uma postura à altura da gravidade dos acontecimentos.

A cobertura ficou restrita à Globo Rio, canal local, enquanto o restante do país assistia à ficção como se o caos urbano na segunda maior metrópole brasileira fosse um assunto regional. O contraste foi evidente: o jornalismo em tempo real migrou para a Globo News, disponível apenas para assinantes, reforçando a sensação de que a emissora deixou de lado sua função pública de informar a população. Em plena era das redes sociais e das transmissões instantâneas, o modelo engessado da TV aberta da Globo parece ter se afastado do compromisso com o factual.

Record e Band aproveitaram o vácuo e dominaram a audiência durante a tarde, exibindo imagens ao vivo, exclusivas e entrevistas com moradores das comunidades em conflito, além de especialistas em segurança pública. As duas emissoras entenderam o que o público esperava: informação imediata, não entretenimento. Enquanto isso, a Globo se mostrava distante, apostando em um conteúdo que há muito tempo perdeu o apelo do público e pode ser encontrado facilmente em qualquer plataforma de streaming.

Quer ver filme? Há o streaming. Quer ver novela? O Globoplay está disponível 24 horas. Mas jornalismo de verdade, aquele que mostra a realidade em tempo real e cumpre seu papel social, é função da TV aberta — e a Globo parece ter esquecido disso. Ao ignorar um conflito que paralisa o Rio e preocupa o país, a emissora mais poderosa do Brasil escolheu a comodidade da programação padronizada em vez da urgência da notícia. E numa tarde em que o país precisava de um plantão, o silêncio da Globo falou mais alto do que qualquer sirene.

Você precisa assistir “Caçador de Marajás”

Doc aborda momentos bizarros e icônicos de Fernando Collor, o ex-presidente playboy da ‘Casa da Dinda’ que colocou o Brasil numa presepada

Foto: Folha de SP

Assistir ao documentário Caçador de Marajás, disponível no Globoplay, é mergulhar numa das fases mais folclóricas e absurdas da política brasileira. A era Collor tinha de tudo: um presidente midiático, discursos messiânicos e uma estética de novela das oito. Fernando Collor de Mello surgiu como o salvador da pátria, o jovem moderninho que prometia “caçar os marajás” e acabar com a velha política. E o povo acreditou. Era o Brasil recém-saído da ditadura, carente de esperança e encantado com a imagem do político que parecia saído de uma capa de revista — bonito, articulado e, claro, muito playboy.

Mas o glamour virou tragédia nacional. Os bastidores da famosa Casa da Dinda — símbolo do luxo e do exagero — mostraram que o “caçador” acabou virando o próprio marajá. Dentro da mesma Casa da Dinda, Collor protagonizou uma das entrevistas mais icônicas da TV brasileira, concedida ao repórter Roberto Cabrini dias após seu impeachment. É ali que o personagem e o homem se misturam, num cenário de ostentação que resume o contraste entre o discurso popular e a realidade dos bastidores do poder. Cabrini, inclusive, é quem mergulha nas investigações sobre todo o período pós-impeachment, incluindo os mistérios que cercam a morte de PC Farias, figura central na derrocada do ex-presidente.

(Collor e Cabrini na piscina da Casa da Dinda)

Um dos grandes méritos do especial é a trilha sonora. O som da virada dos anos 80 pros 90 embala o caos político com hits que marcaram a época. A abertura ao som de “Pense em Mim”, de Leandro & Leonardo — faixa do disco Talismã, o mais vendido da história do sertanejo e com a música mais tocada da época — é um golpe de genialidade. É impossível não rir e, ao mesmo tempo, não lamentar. Como esquecer do Confisco da Poupança que deixou milhares de brasileiros em desespero?!

Maratonar Caçador de Marajás é essencial, principalmente num ano que antecede eleições. O documentário nos obriga a encarar o passado e entender como figuras carismáticas e discursos moralistas podem mascarar grandes armadilhas. O Brasil é um país de memória curta, mas é justamente lembrando Collor — e tudo o que veio com ele — que o eleitor pode aprender a não cair nas mesmas promessas de novo (tentar aprender, porque já caiu). No fim das contas, rir da tragédia não basta: é preciso não repeti-la.

Time de Julius em ‘Todo Mundo Odeia o Chris’, Dodgers tenta bicampeonato na final do beisebol

Toronto Blue Jays sonha quebrar jejum de 30 anos contra os atuais campeões da MLB (que tem o melhor cachorro-quente dos Estados Unidos)

Foto: Paramount+

A noite promete ser histórica na Major League Baseball (MLB). A final da World Series deste ano coloca frente a frente o Los Angeles Dodgers — atuais campeões — e o Toronto Blue Jays, que sonham em encerrar um jejum que já dura três décadas. A série é disputada em melhor de 7 jogos: vence quem chegar primeiro nas quatro vitórias. É o formato clássico do beisebol americano, que faz cada partida parecer uma final por si só, com drama, estratégia e emoção em cada rebatida.

O Blue Jays vive o momento da redenção. Desde o título conquistado em 1993, a franquia canadense nunca mais levantou o troféu. Foram anos de altos e baixos, tentativas frustradas e reconstruções que pareciam nunca engrenar. Agora, com uma nova geração de talentos e um elenco ajustado, o time volta à decisão com sede de história — não apenas para os torcedores locais, mas para todo o Canadá, que vê o beisebol como uma paixão silenciosa, porém fiel.

Do outro lado, os Dodgers chegam embalados e comandados pela maestria de Shohei Ohtani. Campeões na última temporada, a equipe californiana mantém o peso da tradição e do favoritismo. São um dos clubes mais simbólicos da MLB, conhecidos pelo glamour de Los Angeles, pela força do elenco e — claro — pelo título de “melhor cachorro-quente dos Estados Unidos”, segundo o lendário Julius de Todo Mundo Odeia o Chris. O personagem eternizou o amor pelos Dodgers e virou um símbolo curioso da cultura pop esportiva, mostrando como o time ultrapassa o campo e vive também no imaginário popular.

A série promete ser equilibrada, com o time de Toronto buscando quebrar o jejum e o de Los Angeles tentando manter sua dinastia moderna. A cada entrada, o que se vê é mais do que um jogo: é uma batalha de gerações, estilos e histórias. No fim, a World Series não é apenas o auge do beisebol — é um retrato fiel da emoção americana em outubro. E, desta vez, pode ser o mês em que o Blue Jays volta a sorrir ou o Dodgers confirma, mais uma vez, que o trono da MLB é mesmo de Hollywood.

Foto: ESPN

Três Graças: Enfim a novela do ano chegou

Foto: Globoplay

Desde o primeiro capítulo, “Três Graças” mostrou que Aguinaldo Silva continua sendo um dos mestres da teledramaturgia brasileira. Logo na estreia, o autor deixou claro que sabe conduzir uma boa história — com ritmo, mistério, diálogos afiados e personagens que já nasceram marcantes. É o tipo de trama que prende o público desde a primeira cena, com uma trilha sonora que caiu como uma luva – especialmente na abertura com a “Clareou”, composta por Rodrigo Leite e Serginho Meriti.

Já o elenco é simplesmente impecável. Cada ator parece ter sido escolhido a dedo, e a química entre eles salta aos olhos. Há uma harmonia de talento e presença que faz o telespectador acreditar em cada gesto, em cada emoção. Dá pra sentir que o elenco está entregue, confiante no texto e na direção. Desde Dira Paes a Grazi Massafera, Marcos Palmeira, Arlete Salles; e com a estreia de Belo nas novelas, o elenco é primoroso como não se via há tempos.

A novela está tratando de muitos temas importantes, mas um se destaca como o mais sério e necessário de ser abordado: a falsificação de remédios. Um assunto grave, com repercussões reais na vida de milhares de pessoas de baixa renda, e que ganha na trama um olhar humano e ao mesmo tempo eletrizante no roteiro. É uma mistura perfeita entre crítica social e puro entretenimento — marca registrada de Aguinaldo Silva. E cá entre nós, poucas coisas me enojam tanto na corrupção como mexer com a saúde das pessoas. Isso vai desde o hospital público sem condições de atendimento a falsificação de remédios essenciais.

Três Graças” é uma novela com um enredo sólido, que não se perde em exageros ou tramas paralelas sem propósito. Não enfia publi a todo custo como a novela anterior. É envolvente, bem escrita e visualmente linda. Ela é realista e atinge o povo de verdade. Tudo indica que, enfim, veio aí um grande sucesso do horário nobre — do tipo que o público sentia falta e a TV brasileira precisava resgatar. Depois de tanta coisa mal feita nesse horário, a emissora acertou a mão de vez para entregar um novelão. O público agradece!

“Êta Mundo Melhor” está mais para “Êta Mundo Pior”

Sobrou até pro Burro Policarpo que foi parar – acredite – na cadeia…

Foto: Globoplay

Sinceramente, a novela oriunda de “Êta Mundo Bom” devia se chamar “Êta Mundo Pior”, porque de “melhor” não tem absolutamente nada. É uma sucessão de histórias tristes, chatas, arrastadas, que deixam a gente mais desanimado do que empolgado. Parece que os vilões resolveram fazer fila pra se dar bem enquanto o pessoal legal só sofre — e sofre com gosto! Nem a abertura salva, pois a antiga era bem melhor (nada contra a Lauana Prado que canta a versão atual).

Falando em trilha sonora, com tanta música boa de Zezé di Camargo & Luciano, foram colocar a clichê “É o Amor”?! Os personagens dessa vez também vão de mal a pior. Aquela Dona Cunegundes, então… insuportável! Conseguiu superar a si mesma em chatice e arrogância desde a última vez que a gente assistiu. É cada cena que dá vontade de mudar de canal. Outra chata é a tal da Zuma, que atormenta a vida das crianças do orfanato e do Candinho. Nem precisamos falar da maldição do vilão Ernesto e da sua amada Sandra.

Para completar o combo do absurdo, até o Burro Policarpo foi parar na cadeia essa! Gente, prenderam o burro! O verdadeiro protagonista! Que sentido tem isso? É novela, mas poxa… tem limite pro exagero. Nem o Boi Bandido passou por uma humilhação dessas em “América”. A impressão que dá é que esqueceram a leveza, o humor e a esperança que faziam parte da primeira versão, que foi lindamente inspirada em Mazzaropi.

A novela virou uma maratona de desgraças – como a perda de memória da Estela – e o telespectador fica ali, esperando um respiro que nunca vem. Êta Mundo Melhor? Nada disso. Está tudo pior mesmo. Do jeito que a coisa vai, nem o otimismo do Candinho dá conta de salvar essa história. Aí deixam as coisas boas passarem tudo corrido no último capítulo. Ah, cansamos… Que venha a reprise de “Rainha da Sucata”. E que saudades de “Garota do Momento”!