Categoria: Futebol Internacional

No comando do Equador, Beccacece estreia no velho estilo bielsista

Seleção tricolor criou milhares de chances, mas não finalizou no alvo para garantir o resultado

Foto: Selección Ecuador

Sebastián Beccacece fez sua estreia em Copa do Mundo e se tornou o terceiro treinador argentino a comandar uma seleção no torneio, depois de Mauricio Pochettino, pelos Estados Unidos, e Gustavo Alfaro, pelo Paraguai. Contra a Costa do Marfim, o Equador mostrou exatamente aquilo que já era esperado de uma equipe treinada por Beccacece: muita posse de bola, circulação constante e uma clara influência da escola de Marcelo Bielsa. O problema é que, mais uma vez, a filosofia funcionou até a entrada da área. Na hora de decidir, faltou o principal: o gol.

A derrota por 1 a 0 acabou sendo um castigo para a falta de eficiência equatoriana. O Equador teve posse, teve iniciativa, criou oportunidades e finalizou bastante. Houve chutes para fora, bolas na trave e algumas chegadas perigosas. Mas eficiência passou longe. A sensação foi de que a seleção equatoriana poderia passar dois dias treinando exclusivamente finalizações, porque a construção das jogadas acontece, mas a conclusão não acompanha. Ter a bola é importante, mas transformar domínio em resultado continua sendo o grande desafio desta geração.

Também pesa a diferença de material humano. Beccacece tenta implementar conceitos parecidos com os que influenciaram treinadores como Bielsa e que hoje aparecem em seleções como a dos Estados Unidos de Pochettino. Só que o Equador possui características diferentes. Muitos de seus jogadores ainda atuam em ligas latino-americanas, como Brasil, México, Colômbia e no próprio futebol equatoriano. É uma seleção competitiva, mas que ainda carrega traços muito próprios do futebol local, sem a mesma capacidade técnica e velocidade de execução apresentada por equipes mais consolidadas.

Em alguns momentos, o Equador lembra até a LDU: dominante quando encontra condições favoráveis, mas com dificuldades para transformar superioridade em resultados concretos. Mesmo com uma torcida esmagadoramente equatoriana nas arquibancadas e um ambiente praticamente de jogo em casa, a equipe acabou derrotada por 1 a 0. Beccacece manteve sua identidade, seguiu fiel à cartilha bielsista e controlou boa parte das ações. Mas o futebol continua premiando quem coloca a bola na rede. E nisso, pelo menos nesta estreia, o Equador ficou devendo.

Em duelo de treinadores argentinos, Estados Unidos de Pochettino atropela Paraguai de Alfaro

Seleção anfitriã atropelou na estreia mostrando que aprendeu algo diferente com técnico bielsista

Foto: FIFA

A segunda noite da Copa do Mundo reservou um interessante duelo argentino à beira do campo. De um lado, Gustavo Alfaro, conhecido por suas equipes organizadas e pela inspiração em conceitos mais próximos do bilardismo. Do outro, Mauricio Pochettino, discípulo declarado de Marcelo Bielsa e defensor de um futebol mais agressivo, intenso e protagonista. No confronto entre Paraguai e Estados Unidos, o placar de 4 a 1 mostrou que, desta vez, a escola bielsista levou ampla vantagem.

Desde que assumiu a seleção dos Estados Unidos, em 2024, Pochettino trabalhou para consolidar uma identidade clara de jogo. O resultado apareceu em campo. A equipe norte-americana apresentou organização, pressão alta, movimentação constante e uma capacidade impressionante de alternar entre atacar e defender sem perder o equilíbrio. Atuando em casa, a seleção mostrou maturidade e confiança, características que nem sempre fizeram parte da história do futebol masculino do país.

O mais interessante foi perceber como essa geração norte-americana pareceu diferente das anteriores. Durante muitos anos, os Estados Unidos compensaram limitações técnicas com força física e disciplina tática. Agora, a equipe exibiu qualidade na circulação da bola, entendimento coletivo e jogadores capazes de tomar decisões rápidas em espaços reduzidos. Não foi apenas uma vitória; foi uma demonstração de evolução de um projeto que ganhou forma nos últimos anos e que encontrou na Copa do Mundo a oportunidade perfeita para se apresentar ao mundo.

Já o Paraguai de Gustavo Alfaro viveu uma noite para esquecer. Mesmo conseguindo marcar um gol, a seleção pouco ameaçou e acabou dominada do início ao fim. O duelo funcionou como um retrato de duas ideias distintas de futebol. De um lado, o bielismo adaptado por Pochettino, baseado em intensidade, posse e iniciativa. Do outro, um modelo mais conservador que não encontrou respostas. No fim, o treinador argentino dos Estados Unidos deu uma verdadeira aula ao compatriota e transformou um confronto equilibrado no papel em um massacre dentro de campo, com direito a goleada e uma das atuações mais convincentes desta Copa até aqui.

Como Ricardo La Volpe, técnico que Guardiola copiou, revolucionou o futebol mexicano

País azteca que recebe a Copa 2026 teve treinador argentino como peça-chave para se tornar um potente mercado da atualidade

Foto: Televisa Deportes

Para o futebol mexicano, poucos treinadores estrangeiros tiveram um impacto tão profundo quanto Ricardo La Volpe. Chegando ao México ainda como jogador no fim da década de 1970, ele construiu praticamente toda a sua carreira de treinador no país e ajudou a transformar a forma como muitas equipes entendiam o jogo. La Volpe comandou clubes como Atlante, Querétaro, Dorados, Atlético Morelia, Toluca, Atlas, Monterrey, Chivas Guadalajara e América. Em todos eles deixou a mesma marca: equipes que valorizavam a posse de bola, a saída construída desde a defesa e a ocupação racional dos espaços.

O chamado “lavolpismo” virou uma escola própria dentro do futebol mexicano. Sua principal inovação foi a famosa saída de três defensores, muitas vezes com um volante recuando entre os zagueiros para iniciar as jogadas. Hoje isso parece comum, mas nos anos 1990 e 2000 era uma ideia bastante avançada para a região. Além de desenvolver jogadores, La Volpe ajudou a formar treinadores e dirigentes que passaram a enxergar o futebol de maneira mais estratégica. O país azteca também se tornou um dos mercados mais ricos do futebol moderno, devido a forma como La Volpe mostrou ao mundo como os times de lá vinham evoluindo.

Sua influência foi tão grande que abriu caminho para a valorização de técnicos argentinos no México, facilitando a chegada e o sucesso de nomes como Tony Mohamed, Matías Almeyda, Diego Cocca e tantos outros que encontraram um ambiente já receptivo às ideias vindas da escola argentina. Também moldou o estilo de técnicos da atualidade como Ariel Holan e Jorge Almirón, que se tornou volante em suas mãos ao ser treinado por el bigodón no Dorados.

A passagem de La Volpe pela Seleção Mexicana de Futebol, entre 2002 e 2006, foi o auge de sua influência. Sob seu comando, o México apresentou um futebol ofensivo, organizado e tecnicamente refinado, conquistando admiração internacional. Na Copa do Mundo de 2006, os mexicanos lideraram um grupo que tinha Portugal, Angola e Irã, antes de serem eliminados pela Argentina apenas na prorrogação, em uma partida considerada uma das melhores daquele Mundial. Muitos analistas e torcedores ainda veem aquele ciclo como um dos mais marcantes da história recente da seleção mexicana.  

Foi justamente durante aquela Copa do Mundo que um ex-jogador recém-aposentado chamado Pep Guardiola se encantou pelo trabalho de La Volpe. Em uma coluna publicada no jornal espanhol El País, Guardiola escreveu o famoso texto “Salir de novios” (“Sair de namorados”), no qual elogiou a forma como o México construía suas jogadas desde a defesa. Pep destacou que havia uma diferença entre simplesmente começar uma jogada e realmente sair jogando, conceito central do lavolpismo. Na metáfora utilizada por Guardiola, bola e jogadores avançavam juntos “como namorados”, numa referência à harmonia dos movimentos coletivos.

Anos depois, quando Guardiola revolucionou o futebol europeu em clubes como o Barcelona, Bayern Munich e Manchester City, muitos passaram a identificar conceitos que já apareciam nos times de La Volpe: a saída sustentada desde trás, a superioridade numérica na construção e a participação ativa dos defensores na criação das jogadas. Não é exagero afirmar que o argentino ajudou a inspirar algumas das ideias que moldariam o futebol moderno, inclusive que muitos o copiaram. Poucos treinadores podem dizer que influenciaram diretamente um dos maiores técnicos da história (Guardiola), e Ricardo La Volpe pode dizer isso, pois seus conceitos foram além do futebol mexicano, atravessando o oceano para o velho continente.

Jornalismo Esportivo brasileiro não tem moral nenhuma para questionar Virgínia na Copa

O trabalho dela será no entretenimento, coisa que nem programa esportivo consegue oferecer hoje em dia

Foto: Instagram

A contratação de Virgínia Fonseca para fazer conteúdos de entretenimento na Copa do Mundo virou motivo de revolta para parte do jornalismo esportivo brasileiro. Mas a pergunta que fica é: revolta por quê? Ela não foi contratada para analisar esquema tático, explicar linha de impedimento ou debater convocação. O papel dela é outro. Virgínia vai mostrar bastidores, festas de torcedores, cultura local, comidas típicas, curiosidades e o clima extracampo da Copa. Ou seja, exatamente aquilo que grandes emissoras já fazem há décadas quando mandam repórteres produzirem matérias leves durante o Mundial.

O mais curioso é ver jornalistas esportivos indignados com entretenimento dentro da cobertura de Copa, sendo que o próprio jornalismo esportivo brasileiro abandonou o entretenimento faz tempo. Hoje, boa parte dos programas vive de arbitragem, crise em clube, caça a treinador e fofoca de bastidor. O debate virou repetitivo, pesado e cansativo. Quem ainda consegue transformar futebol em espetáculo na televisão brasileira é praticamente só Craque Neto, seja no “Os Donos da Bola”, nos programas de rádio dele ou nos cortes que viralizam diariamente. O resto parece viver num ciclo eterno de reclamação e mesa-redonda amarga.

E aí entra uma certa hipocrisia nessa discussão. Em 2022, muita gente achou normal mandar influenciadores e humoristas para a Copa. O próprio Diogo Defante esteve no Catar fazendo humor e conteúdo descontraído, sem ser jornalista esportivo, e quase ninguém fez esse escândalo todo. Enquanto isso, repórteres tradicionais como Eric Faria produziam matérias sobre ar-condicionado na calçada, areia do deserto e curiosidades do Catar meses antes da Copa, ficando fora de cobrir mais uma final de Libertadores daquele ano. Isso sempre existiu em Copa do Mundo. A diferença é que agora quem está ocupando esse espaço é uma mulher extremamente popular, influente e bem-sucedida.

As críticas também escancaram um problema antigo do Brasil: mulher no futebol ainda incomoda muita gente. Quando uma mulher cresce, conquista espaço e ocupa um ambiente tradicionalmente dominado por homens, surge imediatamente uma patrulha querendo desmerecer sua presença. Até Juca Kfouri entrou na discussão, algo que parecia desnecessário para alguém tão experiente e com tantas Copas no currículo. Virgínia não vai “substituir” jornalista esportivo nenhum. Ela vai fazer entretenimento. E talvez o incômodo exista justamente porque uma influenciadora entende melhor de comunicação popular e conexão com público do que muito programa esportivo tradicional hoje em dia.

No fim, a verdade é simples: Copa do Mundo não é feita só de tática e coletiva de imprensa. Copa também é festa, cultura, turismo, torcida, emoção e experiência. Sempre foi. E se o jornalismo esportivo brasileiro perdeu a capacidade de entreter, talvez o problema não esteja na chegada da Virgínia. Talvez o problema esteja em quem ficou parado no tempo enquanto o público mudou.

Colômbia na Copa será 8/80: Pode surpreender muito ou passar vergonha

Seleção convocada traz mais dúvidas que soluções em geração que retorna ao Mundial após ficar fora em 2022

Foto: RCN Deportes

A convocação da Seleção Colombiana para a Copa do Mundo, enfim saiu, com poucas surpresas e muitas confirmações do que já vinha sendo desenhado por Néstor Lorenzo ao longo do ciclo. O grande nome segue sendo Luis Díaz, hoje protagonista de um ataque poderoso do Bayern de Munique e principal referência técnica da Colômbia. Ao lado dele aparecem nomes conhecidos como Richard Ríos e Juan Fer Quintero, que segue sendo um jogador útil justamente por fazer uma função rara dentro da seleção colombiana: a do meia criativo clássico, mesmo sem viver seu auge há algum tempo.

A grande discussão da convocação, claro, girava em torno de James Rodríguez. Para muita gente, James já vive uma aposentadoria técnica há anos, distante daquele meia mágico da Copa de 2014 que enganou, ops, encantou o mundo. Mas a Colômbia ainda parece emocionalmente dependente do camisa 10, seja pela liderança, seja pela falta de outro nome capaz de assumir esse protagonismo criativo. E assim James vai para mais uma Copa do Mundo, carregando ao mesmo tempo o peso do passado glorioso e a dúvida sobre quanto ainda consegue entregar dentro de campo.

A ausência da Colômbia na Copa de 2022 acabou funcionando como uma espécie de choque de realidade para essa geração. Era um time que precisava sentir o peso de ficar fora de um Mundial para entender que tradição sul-americana sozinha não garante vaga em Copa. Agora, em sua sexta participação na história, a seleção colombiana chega novamente cercada de expectativa, mas sem aquela confiança absoluta da geração de 2014 ou até mesmo da equipe de 2018, que talvez tivesse uma química coletiva mais forte. Ainda assim, o vice-campeonato da última Copa América mostrou que existe talento suficiente para competir em alto nível.

O problema é justamente definir o que esperar dessa Colômbia. Falando em ausência, jogadores como Sebástian Villa, Rafael Borré, Juan Cuadrado e Wilmar Barrios ficaram de fora dessa vez. Los cafeteros é uma seleção capaz de tudo. Pode ser a grande surpresa da Copa, encaixar rapidamente e fazer um torneio histórico impulsionada pela velocidade de Luis Díaz e pela competitividade típica das equipes de Lorenzo.

Mas também pode ser uma enorme decepção, vítima da irregularidade que acompanha o futebol colombiano há anos. Não existe mais aquela sensação de estabilidade e confiança de outros ciclos. A Colômbia atual vive entre a nostalgia de seus velhos líderes e a esperança de uma nova geração que ainda não se consolidou completamente. E talvez seja justamente essa imprevisibilidade que torne os colombianos tão interessantes de acompanhar neste Mundial.

Foto: RCN Deportes

Além de Scaloni, mais 5 treinadores argentinos estarão na Copa do Mundo

País da melhor escola técnica de futebol mantém tradição de exportar seus comandantes para outras seleções

Foto: TyC Sports

Seis nomes da escola técnica argentina de futebol estarão na Copa do Mundo de 2026. Além de Lionel Scaloni, atual campeão mundial com a Argentina, outros cinco treinadores argentinos representarão o país de albiceleste no maior torneio do planeta. O verdadeiro país do futebol segue exportando não apenas craques dentro de campo, mas também algumas das maiores mentes táticas do esporte. Aliás, a Argentina será novamente o país com mais técnicos na Copa do Mundo, reforçando sua influência histórica no jogo.

Desde que a Argentina conquistou a Copa do Mundo de 1978 sob o comando de César Luis Menotti e, anos depois, o Mundial de 1986 com Carlos Bilardo, o futebol argentino passou a viver uma eterna divisão filosófica. De um lado, os menottistas, defensores do jogo ofensivo, da posse de bola, da estética e da criatividade. Do outro, os bilardistas, mais pragmáticos, intensos, competitivos e obcecados pelo resultado. Em 2026, os treinadores argentinos presentes no Mundial carregarão traços dessas escolas históricas — com uma exceção importante: Marcelo Bielsa, criador de sua própria corrente, o “bielsismo”.

Marcelo Bielsa é justamente o caso mais único do futebol mundial. Comandando o Uruguai, Bielsa não é menottista nem bilardista. Sua filosofia transcende essa divisão. O “bielsismo” é baseado em intensidade máxima, pressão alta, verticalidade, obsessão tática e um futebol emocional, quase anárquico em alguns momentos. Seus times atacam o tempo inteiro, marcam individualmente em praticamente todo o campo e vivem no limite físico e mental. Bielsa influenciou treinadores como Pep Guardiola, Tata Martino, Beccacece, Sampaoli e Fernando Diniz; mesmo sem nunca ter conquistado uma Copa do Mundo. O Uruguai atual joga num ritmo sufocante, com transições rápidas e agressividade constante.

Foto: TyC Sports

Lionel Scaloni representa um equilíbrio raro entre as duas escolas. Campeão do mundo com a Argentina em 2022, Scaloni nasceu mais próximo do bilardismo pela competitividade e pela capacidade de adaptação aos jogos, mas incorporou elementos modernos e associativos que aproximam sua seleção do menottismo em alguns momentos. Sua Scaloneta” é extremamente inteligente taticamente: sabe pressionar, sabe sofrer, sabe controlar a posse e sabe atacar em velocidade. Scaloni talvez seja o grande símbolo do futebol argentino contemporâneo justamente porque não se prende a dogmas.

Gustavo Alfaro, hoje no Paraguai, é um bilardista clássico. Seus times são organizados defensivamente, intensos na marcação e emocionalmente muito competitivos. Alfaro valoriza compactação, bolas paradas e transições rápidas. Não é um treinador que prioriza espetáculo, mas sim eficiência. Foi assim que conseguiu reorganizar seleções desacreditadas ao longo da carreira. O Paraguai atual reflete exatamente isso: um time duro, físico, resiliente e extremamente difícil de enfrentar em jogos eliminatórios.

Mauricio Pochettino, comandante dos Estados Unidos, tem raízes fortíssimas no bielsismo. Foi jogador de Bielsa e absorveu muito de sua intensidade sem necessariamente copiar tudo. Seu futebol mistura pressão alta, saída de bola organizada e velocidade pelos lados do campo. Pochettino é mais equilibrado emocionalmente que el loco Bielsa e trabalha melhor os momentos de controle do jogo, mas ainda carrega essa essência ofensiva e agressiva. Dentro da divisão argentina tradicional, ele se aproxima mais do menottismo moderno.

Na mesma linha aparece Sebastián Beccacece, hoje treinador do Equador. Discípulo direto de Bielsa e ex-braço direito de Jorge Sampaoli, Beccacece vive intensamente o jogo. Seu estilo é extremamente ofensivo, vertical e agressivo sem a bola. O Equador ganhou uma identidade de pressão constante e muita velocidade pelos corredores. Em vários momentos, suas equipes parecem jogar num caos organizado, algo muito característico da influência bielsista.

Por fim, Néstor Lorenzo, técnico da Colômbia, talvez seja o mais “bilardista silencioso” entre todos. Sua equipe é extremamente equilibrada, competitiva e madura taticamente. Lorenzo não busca posse excessiva nem um futebol necessariamente vistoso. Prefere organização, intensidade sem bola e ataques objetivos, aproveitando muito a qualidade individual de seus jogadores. A Colômbia atual sabe controlar espaços e competir em alto nível contra qualquer adversário.

A Copa do Mundo de 2026 também será uma vitrine da influência argentina no futebol mundial. Seis maestros, seis estilos diferentes e três grandes correntes filosóficas: o pragmatismo bilardista, o romantismo menottista e a revolução permanente do bielsismo. A Argentina segue exportando muito mais do que jogadores. Exporta ideias, identidade e maneiras completamente distintas de enxergar o futebol.