Manuel Neuer segue como lenda viva no futebol revolucionando a posição de “arquero”
Foto: Bayern
Tem jogador que marca época. E tem jogador que muda a história. Manuel Neuer pertence à segunda categoria. No dia do seu aniversário, é impossível falar dele sem reconhecer: o futebol antes e depois de Neuer é outro — especialmente na posição mais ingrata (e decisiva) do campo.
NoBayern de Munique, ele construiu uma trajetória quase irretocável. São múltiplos títulos da Bundesliga, além de conquistas de UEFA Champions League que colocaram o clube no topo do futebol mundial — com destaque para as campanhas de 2012–13 e 2019–20, onde o Bayern foi simplesmente dominante. Neuer não era só o goleiro: era líder, capitão, voz ativa e, muitas vezes, o primeiro construtor de jogadas.
Pela Seleção Alemã de Futebol, o auge veio na Copa do Mundo FIFA de 2014. Aquela campanha consagrou não apenas a Alemanha campeã, mas também um novo jeito de enxergar a posição. Neuer foi decisivo, seguro, ousado — e protagonizou atuações que beiraram o inacreditável, como contra a Argélia, jogando praticamente como um zagueiro. Foi eleito o melhor goleiro do torneio, e com razão.
Mas talvez o maior título de Neuer seja invisível: o legado. Ele transformou o goleiro em peça ativa do jogo, elevou o nível de exigência técnica da posição e influenciou uma geração inteira. Hoje, não basta defender — é preciso saber jogar. E se isso virou regra, é porque um alemão, anos atrás, decidiu que ficar parado na área já não era suficiente.
Maior técnico da história da Argentina, ‘el doctor’ completa 88 anos de vida, enfrentando doença degenerativa
Foto: Clarín Deportes
O maestro mor do futebol, Carlos Bilardo completou nesta semana, 88 anos de vida. Figura emblemática do futebol argentino, ele não é apenas lembrado pelos títulos, mas principalmente por ter criado uma filosofia própria dentro do esporte. Para muitos, é o maior treinador da história da Seleção Argentina, alguém que transformou a forma de competir e pensar o jogo, sempre com um olhar obsessivo pelos detalhes e pela vitória. “El doctor” foi um técnico muito além dos gramados, usando sua profissão, a Medicina, para ter um estilo diferenciado e uma visão única que o fez ser lendário.
A consagração máxima veio na Copa do Mundo FIFA de 1986, quando liderou a Argentina ao título mundial, tendo como grande protagonista Diego Maradona. A conquista não apenas eternizou seu nome, como também consolidou o chamado “Bilardismo” — uma escola que valoriza estratégia, disciplina tática e o resultado acima de qualquer estética. Bilardo não queria só ganhar, queria controlar cada variável possível dentro de um jogo. Da sua ‘escola’ saíram devotos como Diego Simeone, Carlos Bianchi, Diego Dabove, Lionel Scaloni e Alejandro Sabella.
Mas a genialidade de Bilardo sempre veio acompanhada de histórias peculiares, quase folclóricas. Uma das mais conhecidas aconteceu em 2004, quando, comandando o Estudiantes de La Plata, deu uma mistura de coca-cola com cafiaspirina ao jogador Marcos Angeleri durante uma partida contra o Quilmes. A ideia? Ajudar na recuperação física, o acordar e manter o atleta em campo, evidenciando seu estilo nada convencional e sua disposição de ir além dos métodos tradicionais.
Atualmente, Bilardo enfrenta uma doença degenerativa desde 2014, vivendo de forma mais reservada em casa, cercado de cuidados e carinho. Ainda assim, segue recebendo visitas frequentes, especialmente de ex-jogadores daquela geração histórica de 1986, que fazem questão de retribuir tudo o que ele representou em suas carreiras. Nos últimos anos, seu estado tem sido considerado estável, dentro das limitações da doença, e há um conforto simbólico que emociona: ele pôde ver e reconhecer a conquista da Seleção Argentina na Copa do Mundo FIFA de 2022.
Existe uma imagem marcante dele, sentado no sofá, assistindo a uma entrevista de Lionel Messi com a taça nas mãos — um retrato silencioso de alguém que ajudou a construir o caminho para que a Argentina voltasse ao topo do mundo. Entre a genialidade e a obsessão, Bilardo construiu uma carreira que vai muito além das quatro linhas. Sua influência segue viva no futebol argentino até hoje, dividindo opiniões, mas sempre impondo respeito. Afinal, poucos treinadores conseguiram deixar uma marca tão forte, criando não só um time vencedor, mas uma verdadeira forma de enxergar o futebol.
(Foto feita na última segunda (16), dia em que Bilardo comemorou seu aniversário em casa)
Los millonarios venceram o Huracán no Estádio Tomás Ducó com gols de Driussi e Montiel
Foto: TyC Sports
A estreia de Eduardo Coudet no comando do River Plate começou com vitória. Jogando no tradicional Estádio Tomás Adolfo Ducó, em Buenos Aires, o River venceu o Huracán por 2 a 1, dando os primeiros sinais do que o treinador pretende implementar na equipe. Foi um jogo de estreia com alguns ajustes ainda em andamento, mas já com ideias claras dentro de campo.
Coudet armou o River no esquema 4-2-3-1, estrutura que costuma privilegiar intensidade na pressão e movimentação constante no ataque. O time tentou ocupar o campo ofensivo e acelerar as transições, características marcantes do estilo do treinador. Dentro desse desenho, o River encontrou seus gols com Sebastián Driussi e Gonzalo Montiel, que garantiram o resultado positivo logo na primeira partida da nova era.
Apesar da vitória, ficou claro que a equipe ainda está em fase de adaptação ao modelo de jogo. O River conseguiu chegar ao ataque em diversos momentos, mas ainda carece de maior precisão nos encaixes das jogadas e, principalmente, nas finalizações. A construção ofensiva mostrou bons sinais, mas a definição das jogadas ainda precisa evoluir para transformar volume em gols.
Para um primeiro jogo, no entanto, o saldo é positivo. Vencer fora de casa contra um adversário tradicional como o Huracán sempre tem peso, ainda mais em um cenário de início de trabalho. Agora, o desafio de Coudet será ajustar os mecanismos ofensivos e dar mais fluidez ao time para que o River consiga transformar sua proposta de jogo em um futebol mais contundente nas próximas rodadas.
A próxima parada já tem data e palco especial: a estreia de Coudet diante da torcida no Monumental de Núñez será neste domingo, contra o Sarmiento, no que promete ser o primeiro grande teste do novo River dentro de casa. A torcida tem se mostrado ansiosa para a nova era do clube, dessa vez longe de Gallardo! ⚽
Dois dos melhores técnicos argentinos da atualidade precisam de mercado estável para seus estilos darem resultado
Foto: TyC Sports
No futebol sul-americano, é interessante observar como o trabalho de Hernán Crespo dialoga em vários pontos com a filosofia de Ricardo Gareca. Os dois treinadores não são do tipo que chegam prometendo revoluções imediatas. Pelo contrário: apostam em organização tática, repetição de movimentos e construção de identidade. Isso faz com que seus trabalhos muitas vezes precisem de tempo para maturar, algo cada vez mais raro no futebol brasileiro, onde a ansiedade por resultados costuma atropelar processos.
Taticamente, Crespo costuma montar equipes muito estruturadas. Em seus melhores momentos, como no título da Copa Sul-Americana de 2020 pelo Defensa y Justicia, utilizou variações com três zagueiros, alas muito participativos e saída de bola bem trabalhada desde a defesa. É um treinador que valoriza pressão coordenada e ocupação racional dos espaços.
Logo depois, em 2021, foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube e rapidamente marcou sua passagem ao conquistar o Campeonato Paulista 2021sobre o Palmeiras, quebrando um jejum de títulos do clube e se tornando o primeiro técnico estrangeiro a vencer o torneio em 46 anos. Após essa primeira etapa no Brasil, seguiu carreira no futebol internacional, passando por clubes do Oriente Médio, antes de retornar ao São Paulo anos depois, em um contexto de reconstrução esportiva; porém, após pressão por desempenho e sem liberdade de trabalho, acabou demitido.
Foto: TyC Sports
Já Gareca prefere estruturas mais clássicas, normalmente em 4-3-3 ou 4-2-3-1, com posse de bola, circulação paciente e confiança no talento ofensivo dos jogadores. Foi assim que conduziu a Seleção Peruana de Futebol de volta a uma Copa do Mundo FIFA de 2018 depois de 36 anos. Gareca seguiu no cargo até 2022, período em que ainda foi vice-campeão da Copa América 2019 e chegou à repescagem para o Mundial de 2022, quando o Peru acabou eliminado pela Austrália; após sete anos e 96 jogos no comando, deixou a seleção por não aceitar a redução salarial proposta pela federação peruana.
Depois de um período sem clube, o treinador voltou ao cenário internacional ao assumir a Seleção Chilena de Futebol em 2024, com a missão de reconstruir a equipe e disputar competições continentais, mas o ciclo acabou sendo curto e, no momento, ele se encontra novamente sem clube, avaliando novas oportunidades no futebol sul-americano ou em seleções.
Apesar das diferenças de desenho tático, Crespo e Gareca compartilham uma mesma matriz conceitual: acreditam em futebol ofensivo, em times organizados e em protagonismo com a bola. Nesse sentido, ambos estão muito mais próximos da tradição do César Luis Menotti do que do pragmatismo histórico de Carlos Bilardo. Ou seja, a ideia de jogo vem antes do resultado imediato — e isso explica por que seus trabalhos ganham força quando existe continuidade.
Depois da saída do São Paulo FC, o futuro de Crespo ainda é um ponto aberto, mas seu perfil parece dialogar melhor com mercados que valorizam projeto. A Argentina sempre será um caminho natural, mas ligas como a mexicana ou até algumas da Europa — especialmente em clubes de médio porte que gostam de treinadores jovens e ideias modernas — podem oferecer o ambiente ideal. Crespo ainda é um técnico em construção, mas com identidade clara. E no futebol atual, ter essa identidade já é metade do caminho para voltar mais forte.
“Galvão FC” foi bem promovido na grade da emissora e não tem gritaria como no concorrente. Continua sendo a melhor opção para as noites de segunda-feira
Foto: Reprodução
A estreia de Galvão Bueno no SBT marca um daqueles momentos que entram para a história da televisão brasileira. Depois de décadas sendo a voz oficial das grandes transmissões esportivas da Globo, Galvão começa um novo capítulo em uma emissora que respira entretenimento popular e proximidade com o público. E começou bem: vice-liderança na audiência, ficando atrás apenas da Globo, que exibia o Big Brother Brasil e um especial sobre os Mamonas Assassinas. Não é pouca coisa. É sinal claro de que o público quis ver essa nova fase.
O programa é um debate de verdade. Todo mundo fala, todo mundo é ouvido. Mesmo com o Galvão — que, como a gente sabe, adora uma boa narrativa e não economiza palavras — o formato não vira gritaria, não vira bagunça. Há organização, há respeito e há espaço para opinião. A presença de Ratinho deu um tempero especial, mostrando que o SBT soube misturar perfis diferentes sem perder o controle da mesa. É um programa que dá gosto de assistir porque tem conteúdo, mas também tem leveza.
Galvão está visivelmente feliz. E isso a gente já vinha comentando na coluna: ele precisava de novos ares. No SBT, ele parece mais solto, mais à vontade, menos engessado do que em seus últimos anos na Globo. A mudança de emissora fez bem. Ele continua sendo o grande comunicador de sempre, com a experiência de quem atravessou gerações, mas agora com um brilho diferente no olhar — aquele brilho de quem está se divertindo de novo fazendo televisão. Seu programa na Band em 2025 também foi legal, mas lá agora, no mesmo horário tem o “Apito Final” de Craque Neto como concorrente. Nesta segunda ele ficou em apenas 5º lugar na audiência.
Algo que comprova a leveza e felicidade de Galvão na nova casa, foi vê-lo participando do Passa ou Repassa, no Domingo Legal, levando tortada na cara e rindo de si mesmo. É outro Galvão. Ou melhor: talvez seja o Galvão de sempre, mas sem amarras. Ver um ícone histórico da TV se permitindo brincar, sair do pedestal e se misturar ao espírito irreverente do SBT é muito mais interessante do que acompanhá-lo preso a um formato rígido. Essa nova fase promete — e, pelo começo, será marcante. Além disso, ele continua sendo a melhor opção para as noites de segunda.
Menottista articulador, substituto de Gallardo terá tarefa difícil com elenco estrelado e preguiçoso
Foto: Clarín Deportes
A chegada de Eduardo Coudet ao comando do River Plate promete inaugurar uma nova fase no clube, marcada por intensidade e protagonismo. Conhecido por seu perfil competitivo e pela obsessão por times agressivos, o treinador argentino costuma montar equipes que não esperam o jogo acontecer: elas provocam o erro do adversário. A pressão alta e a tentativa constante de recuperar a bola no campo ofensivo devem se tornar marcas registradas dessa nova etapa.
O estilo de Coudet é essencialmente ofensivo e vertical. Seus times atacam com velocidade, buscando transições rápidas e objetivas, especialmente após a recuperação da posse. A ideia é sufocar o rival, acelerar o ritmo da partida e transformar roubadas de bola em oportunidades claras de gol. Esse comportamento exige preparo físico elevado e sincronização coletiva, dois pontos que naturalmente passam a ser prioridade na rotina de treinamentos.
Taticamente, ele costuma trabalhar com estruturas como 4-1-3-2 ou 4-2-3-1, privilegiando meias próximos e atacantes móveis. A compactação entre os setores é fundamental para que a pressão funcione de forma coordenada. Além disso, Coudet valoriza jogadores dinâmicos, capazes de alternar funções e participar tanto da construção quanto da finalização das jogadas. O time tende a ser curto, intenso e constantemente ativo sem a bola.
Foto: TyC Sports
Ao mesmo tempo, embora tenha uma identidade muito clara, Coudet não é inflexível. Ele costuma adaptar detalhes do sistema às características do elenco disponível, potencializando atletas criativos ou explorando a profundidade pelos lados quando necessário. No River, a expectativa é de um futebol vibrante, competitivo e agressivo, que combine tradição ofensiva com uma dose extra de intensidade e pressão constante.
Antes de retornar agora como treinador, Coudet viveu o River dentro de campo. Revelado pelo clube, ele atuou como meia nos anos 1990 e integrou um dos períodos mais vitoriosos da história riverplatense, trabalhando principalmente sob o comando de Ramón Díaz, seu treinador mais marcante na época. Como técnico, acumulou passagens por clubes importantes como Rosario Central, Racing Club, Internacional, Celta de Vigo e Atlético Mineiro, consolidando-se como um treinador de perfil moderno e competitivo.
Agora, ele terá o enorme desafio de substituir Marcelo Gallardo, considerado o maior técnico da história do River Plate, carregando a responsabilidade de manter o clube no topo e, ao mesmo tempo, construir sua própria identidade à beira do campo. Vai ser complicado, com o atual elenco preguiçoso que o time tem.