Filme é divertido com muita ação e lição de lealdade entre os protagonistas
Foto: Arquivo Pessoal
Tem filme que não precisa reinventar a roda para conquistar o público. O Mandaloriano & Grogu entende exatamente isso. A produção funciona como uma grande aventura espacial com alma de sessão da tarde: divertida, leve, emocionante e com aquele clima clássico de acompanhar personagens carismáticos vivendo perigos pelo universo. E talvez seja justamente essa simplicidade que faça o longa funcionar tão bem.
O grande coração do filme está na relação entre o Mandaloriano e Grogu. A conexão entre os dois continua sendo o ponto mais forte da história, trazendo momentos fofos, engraçados e até emocionantes sem precisar forçar nada. Existe uma lealdade muito bonita construída ali, quase como uma relação de pai e filho, que prende o espectador até nas cenas mais simples. Grogu, claro, segue roubando todas as atenções possíveis.
Visualmente, o filme também entrega aquilo que os fãs de Star Wars gostam: perseguições, criaturas diferentes, planetas interessantes e cenas de ação muito bem encaixadas dentro da narrativa. Mas o mérito está justamente em não transformar tudo apenas em espetáculo vazio. O longa sabe equilibrar ação com emoção, humor e aquele sentimento gostoso de aventura despretensiosa. Eu não esperava nada e recebi um filme bem divertido estilo Sessão da Tarde.
E sim: é um daqueles filmes que valem o combo no cinema. Assistir à jornada dos dois na telona deixa tudo ainda mais divertido, principalmente pela experiência coletiva da sala reagindo aos momentos do Grogu. A criatura fofa e Din Djarin (Sr. Fantástico da Marvel) conseguem entregar exatamente o que muita gente procura ao entrar numa sessão: entretenimento sincero, carisma e uma aventura boa do começo ao fim.
Escola de Castorzinho vai levar pra avenida desfile intitulado “Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto”
(Mascote faz referência a Bad Bunny) Foto: Instagram
A Mocidade Independente de Padre Miguel escolheu um caminho ousado, político e extremamente simbólico para o Carnaval 2027. Inspirada na obra “América Invertida”, do artista uruguaio Joaquín Torres García, a escola levará para a Sapucaí o enredo “Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto”, assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcellos. A ideia nasce justamente do famoso desenho criado em 1943, que inverte o mapa da América do Sul e coloca o Sul no topo, como forma de questionar a visão eurocêntrica do mundo e afirmar a identidade latino-americana.
O mais interessante é que a Mocidade parece recuperar justamente aquilo que sempre fez dela uma escola tão especial: a coragem de provocar. Historicamente, a verde e branca brilhou quando decidiu sair do óbvio e apostar em desfiles críticos, modernos e cheios de personalidade. E esse novo enredo conversa diretamente com essa essência. A proposta de “nosso norte é o Sul”, frase eternizada por Joaquín Torres García em seu manifesto, transforma o desfile em uma grande defesa da cultura latino-americana, da autonomia artística e da valorização das próprias raízes.
Além do discurso político e cultural, existe também um potencial visual gigantesco. Jack Vasconcellos costuma trabalhar com conceitos muito imagéticos, e um desfile baseado em geopolítica, arte, resistência cultural e identidade latina pode render alegorias extremamente criativas e impactantes. A obra “América Invertida” virou um símbolo cultural justamente porque desafia a lógica tradicional dos mapas e reposiciona a América Latina como centro do olhar. E poucos lugares no mundo conseguem transformar reflexão política em espetáculo visual como o Carnaval carioca.
No fim, o anúncio do enredo passa uma sensação importante: a de que a Mocidade quer voltar a ser protagonista. Depois de anos oscilando no Grupo Especial, a escola parece buscar novamente uma identidade forte e autoral. E talvez não exista escolha melhor do que olhar para a América Latina, suas raízes e sua potência cultural justamente em um momento em que o Carnaval também disputa narrativas. A Mocidade não quer apenas desfilar em 2027. Quer provocar, fazer pensar e lembrar que, para nós, o Sul também pode ser o centro do mundo. E com um desafio extra, que é o de ser tão emblemático quanto a Vila Isabel 2006, com o “Soy Loco Por Ti, America”. ¡Mucho éxito!
País da melhor escola técnica de futebol mantém tradição de exportar seus comandantes para outras seleções
Foto: TyC Sports
Seis nomes da escola técnica argentina de futebol estarão na Copa do Mundo de 2026. Além de Lionel Scaloni, atual campeão mundial com a Argentina, outros cinco treinadores argentinos representarão o país de albiceleste no maior torneio do planeta. O verdadeiro país do futebol segue exportando não apenas craques dentro de campo, mas também algumas das maiores mentes táticas do esporte. Aliás, a Argentina será novamente o país com mais técnicos na Copa do Mundo, reforçando sua influência histórica no jogo.
Desde que a Argentina conquistou a Copa do Mundo de 1978 sob o comando de César Luis Menotti e, anos depois, o Mundial de 1986 com Carlos Bilardo, o futebol argentino passou a viver uma eterna divisão filosófica. De um lado, os menottistas, defensores do jogo ofensivo, da posse de bola, da estética e da criatividade. Do outro, os bilardistas, mais pragmáticos, intensos, competitivos e obcecados pelo resultado. Em 2026, os treinadores argentinos presentes no Mundial carregarão traços dessas escolas históricas — com uma exceção importante: Marcelo Bielsa, criador de sua própria corrente, o “bielsismo”.
Marcelo Bielsa é justamente o caso mais único do futebol mundial. Comandando o Uruguai, Bielsa não é menottista nem bilardista. Sua filosofia transcende essa divisão. O “bielsismo” é baseado em intensidade máxima, pressão alta, verticalidade, obsessão tática e um futebol emocional, quase anárquico em alguns momentos. Seus times atacam o tempo inteiro, marcam individualmente em praticamente todo o campo e vivem no limite físico e mental. Bielsa influenciou treinadores como Pep Guardiola, Tata Martino, Beccacece, Sampaoli e Fernando Diniz; mesmo sem nunca ter conquistado uma Copa do Mundo. O Uruguai atual joga num ritmo sufocante, com transições rápidas e agressividade constante.
Foto: TyC Sports
Já Lionel Scaloni representa um equilíbrio raro entre as duas escolas. Campeão do mundo com a Argentina em 2022, Scaloni nasceu mais próximo do bilardismo pela competitividade e pela capacidade de adaptação aos jogos, mas incorporou elementos modernos e associativos que aproximam sua seleção do menottismo em alguns momentos. Sua“Scaloneta” é extremamente inteligente taticamente: sabe pressionar, sabe sofrer, sabe controlar a posse e sabe atacar em velocidade. Scaloni talvez seja o grande símbolo do futebol argentino contemporâneo justamente porque não se prende a dogmas.
Gustavo Alfaro, hoje no Paraguai, é um bilardista clássico. Seus times são organizados defensivamente, intensos na marcação e emocionalmente muito competitivos. Alfaro valoriza compactação, bolas paradas e transições rápidas. Não é um treinador que prioriza espetáculo, mas sim eficiência. Foi assim que conseguiu reorganizar seleções desacreditadas ao longo da carreira. O Paraguai atual reflete exatamente isso: um time duro, físico, resiliente e extremamente difícil de enfrentar em jogos eliminatórios.
Mauricio Pochettino, comandante dos Estados Unidos, tem raízes fortíssimas no bielsismo. Foi jogador de Bielsa e absorveu muito de sua intensidade sem necessariamente copiar tudo. Seu futebol mistura pressão alta, saída de bola organizada e velocidade pelos lados do campo. Pochettino é mais equilibrado emocionalmente que el loco Bielsa e trabalha melhor os momentos de controle do jogo, mas ainda carrega essa essência ofensiva e agressiva. Dentro da divisão argentina tradicional, ele se aproxima mais do menottismo moderno.
Na mesma linha aparece Sebastián Beccacece, hoje treinador do Equador. Discípulo direto de Bielsa e ex-braço direito de Jorge Sampaoli, Beccacece vive intensamente o jogo. Seu estilo é extremamente ofensivo, vertical e agressivo sem a bola. O Equador ganhou uma identidade de pressão constante e muita velocidade pelos corredores. Em vários momentos, suas equipes parecem jogar num caos organizado, algo muito característico da influência bielsista.
Por fim, Néstor Lorenzo, técnico da Colômbia, talvez seja o mais “bilardista silencioso” entre todos. Sua equipe é extremamente equilibrada, competitiva e madura taticamente. Lorenzo não busca posse excessiva nem um futebol necessariamente vistoso. Prefere organização, intensidade sem bola e ataques objetivos, aproveitando muito a qualidade individual de seus jogadores. A Colômbia atual sabe controlar espaços e competir em alto nível contra qualquer adversário.
A Copa do Mundo de 2026 também será uma vitrine da influência argentina no futebol mundial. Seis maestros, seis estilos diferentes e três grandes correntes filosóficas: o pragmatismo bilardista, o romantismo menottista e a revolução permanente do bielsismo. A Argentina segue exportando muito mais do que jogadores. Exporta ideias, identidade e maneiras completamente distintas de enxergar o futebol.
Atual campeã vai em busca do bicampeonato com o que sabe fazer de melhor
Foto: Arquivo Pessoal
Depois de emocionar a Sapucaí com um desfile arrebatador sobre Mestre Ciça e conquistar mais um título, a Unidos do Viradouro já mostrou que não pretende entrar em 2027 apenas para “cumprir tabela”. A escolha de homenagear os griôs, figuras fundamentais na preservação da memória e da tradição oral africana, parece muito mais do que um enredo bonito: é uma declaração artística. A Viradouro entendeu há tempos que carnaval campeão não vive só de luxo ou tecnologia. Vive de narrativa, emoção e identidade.
E talvez esse seja justamente o maior diferencial da escola hoje. Enquanto muita gente ainda tenta descobrir qual é a fórmula para vencer no Grupo Especial, a Viradouro parece ter encontrado um caminho muito próprio: transformar cultura afro-brasileira em espetáculo sem perder profundidade. Foi assim em “Viradouro de Alma Lavada”, foi assim com Mestre Ciça e tudo indica que será novamente agora. O tema dos griôs abre possibilidades gigantescas para um desfile poético, ancestral e extremamente sensível visualmente.
O mais interessante é perceber como a escola de Niterói vem construindo uma identidade artística muito sólida nos últimos anos. Existe uma assinatura nos desfiles da Viradouro. Você bate o olho e entende a proposta. Há emoção, há teatralidade, mas também existe pesquisa e respeito histórico. E isso pesa demais num carnaval em que o público está cada vez mais exigente. O sambista quer se emocionar, mas também quer sair da Sapucaí sentindo que aprendeu algo, que viveu uma experiência. A Viradouro vem entregando exatamente isso.
Se o samba vier forte — e normalmente vem —, a sensação é de que a escola já larga como uma das favoritas naturais para 2027. Porque quando um enredo consegue unir ancestralidade, potência visual e uma mensagem universal sobre memória e transmissão de saberes, o impacto costuma ser enorme na avenida. E sinceramente? A Viradouro parece viver aquele momento raro em que tudo encaixa: gestão, comunidade, bateria, identidade e confiança. É aquele tipo de fase em que a escola entra na Sapucaí já com cara de protagonista.
O “exército de Napoleão” soube se renovar com trabalho feito nas bases, iniciado por Aimé Jacquet, campeão de 1998
Foto: Equipe de France
A convocação da Seleção Francesa para a Copa do Mundo de 2026 mostra o quanto o país conseguiu se reinventar sem perder competitividade. Dos 26 jogadores chamados, apenas quatro estiveram no elenco campeão mundial em 2018: Lucas Hernández, N’Golo Kanté, Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé. O dado impressiona porque evidencia a enorme capacidade de renovação francesa, algo raro em seleções que conseguem permanecer tanto tempo no topo do futebol mundial.
O trabalho de Didier Deschamps é o grande reflexo de tudo o que a França construiu nas últimas duas décadas. Campeão do mundo como jogador em 1998 e técnico em 2018, ele lidera uma transição geracional praticamente perfeita. A França criou uma identidade forte nas categorias de base e passou a formar atletas preparados física, mental e tecnicamente para assumir protagonismo cedo, mantendo a seleção sempre entre as favoritas em qualquer competição.
E talvez essa geração atual seja ainda mais forte do que a campeã de 2018 e a vice de 2022. Além do experiente Kanté, a França conta com jogadores jovens que já são realidade no futebol europeu, como Bradley Barcola, Michael Olise, Désiré Doué, de apenas 20 anos e vivendo fase espetacular, além de Rayan Cherki, considerado um dos talentos mais criativos da nova geração francesa. E claro, mantém nomes de potência ofensiva e decisivos como Dembélé e Mbappé, formando uma seleção pronta para passar o trator por cima de praticamente qualquer adversário no Mundial.
Tudo isso é consequência de um projeto iniciado após o título conquistado na Copa do Mundo de 1998, comandado pelo técnico Aimé Jaquet. Ele foi dar aulas em escolas e nas categorias de base dos clubes franceses sobre tática, técnica e superação para vencer na vida. A conquista no Stade de France mudou a relação do país com o futebol e impulsionou investimentos pesados em formação, inclusão social e desenvolvimento esportivo que moldou novas gerações.
Mais de vinte anos depois, a França colhe os frutos de um sistema que virou referência mundial e transformou o país em uma máquina de revelar craques. Não por acaso, é carinhosamente chamada de “exército de Napoleão”, devido a postura nítida ao cantarem o hino “La Marseillaise”. Em 2026, a sensação é de que a seleção francesa chega mais forte do que nunca na busca pelo tricampeonato que Messi apenas adiou em 2022. Quem vai bater de frente com esse esquadrão?
Time do presidente Riquelme tem duas semanas para decidir se o ano ainda vai prestar ou não
Foto: TyC Sports
O Boca Juniors chega nas duas últimas rodadas da fase de grupos da Libertadores pressionado e vivendo um dos momentos mais preocupantes dos últimos anos. No Grupo D ao lado de Universidad Católica, Cruzeiro e Barcelona de Guayaquil – com apenas seis pontos conquistados – o time argentino praticamente transformou os próximos jogos em decisões. Para seguir vivo no torneio continental, o Boca precisa vencer os dois compromissos restantes e ainda torcer por combinações de resultados. A situação é delicada para um clube acostumado ao protagonismo sul-americano, mas que hoje transmite muito mais insegurança do que confiança dentro de campo.
O elenco até possui nomes importantes, e o principal deles é Leandro Paredes. Campeão do Mundo com a Argentina, o volante é a grande referência técnica e emocional da equipe, mas também vive um problema importante neste momento decisivo: está pendurado com cartões amarelos. Qualquer deslize pode tirar justamente seu jogador mais experiente de uma possível partida decisiva. E em um time que já apresenta enorme dificuldade de criação, organização e personalidade, perder Paredes seria praticamente um desastre para um Boca que parece perdido taticamente. Além dele, Laurato Blaco e A. Costa também estão por um fio.
O trabalho do técnico Claudio Úbeda também vem sendo bastante questionado. O Boca se tornou um time apático, previsível e sem intensidade, muito distante da identidade histórica que sempre marcou o clube. Nem mesmo La Bombonera tem conseguido empurrar a equipe como antes. Eliminado do Apertura pelo Huracán, o clube agora concentra todas as forças na Libertadores, justamente porque já não tem outra prioridade no semestre. E talvez isso seja a única notícia minimamente positiva para um elenco que precisa acordar imediatamente para não transformar 2026 em um fracasso ainda maior.
As próximas duas semanas podem definir completamente o rumo da temporada xeneize. O Boca ainda luta para decidir se continuará vivo na Libertadores, se ao menos cairá para a Sul-Americana ou se ficará sem competições continentais no restante do ano, disputando apenas o Clausura, pois até da Copa Argentina o time já saiu. Mais do que resultados, o clube precisa aproveitar a pausa da Copa do Mundo para reorganizar ideias, ajustar o elenco sem depender de Paredes e Merentiel, para reencontrar um padrão de jogo minimamente competitivo. Porque, hoje, o Boca parece um time sem alma, sem confiança e sem futebol.