Viradouro terá enredo afro sobre Griôs no Carnaval 2027

Atual campeã vai em busca do bicampeonato com o que sabe fazer de melhor

Foto: Arquivo Pessoal

Depois de emocionar a Sapucaí com um desfile arrebatador sobre Mestre Ciça e conquistar mais um título, a Unidos do Viradouro já mostrou que não pretende entrar em 2027 apenas para “cumprir tabela”. A escolha de homenagear os griôs, figuras fundamentais na preservação da memória e da tradição oral africana, parece muito mais do que um enredo bonito: é uma declaração artística. A Viradouro entendeu há tempos que carnaval campeão não vive só de luxo ou tecnologia. Vive de narrativa, emoção e identidade.  

E talvez esse seja justamente o maior diferencial da escola hoje. Enquanto muita gente ainda tenta descobrir qual é a fórmula para vencer no Grupo Especial, a Viradouro parece ter encontrado um caminho muito próprio: transformar cultura afro-brasileira em espetáculo sem perder profundidade. Foi assim em “Viradouro de Alma Lavada”, foi assim com Mestre Ciça e tudo indica que será novamente agora. O tema dos griôs abre possibilidades gigantescas para um desfile poético, ancestral e extremamente sensível visualmente.  

O mais interessante é perceber como a escola de Niterói vem construindo uma identidade artística muito sólida nos últimos anos. Existe uma assinatura nos desfiles da Viradouro. Você bate o olho e entende a proposta. Há emoção, há teatralidade, mas também existe pesquisa e respeito histórico. E isso pesa demais num carnaval em que o público está cada vez mais exigente. O sambista quer se emocionar, mas também quer sair da Sapucaí sentindo que aprendeu algo, que viveu uma experiência. A Viradouro vem entregando exatamente isso.

Se o samba vier forte — e normalmente vem —, a sensação é de que a escola já larga como uma das favoritas naturais para 2027. Porque quando um enredo consegue unir ancestralidade, potência visual e uma mensagem universal sobre memória e transmissão de saberes, o impacto costuma ser enorme na avenida. E sinceramente? A Viradouro parece viver aquele momento raro em que tudo encaixa: gestão, comunidade, bateria, identidade e confiança. É aquele tipo de fase em que a escola entra na Sapucaí já com cara de protagonista.

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