Ninguém aguenta mais projeto com 10 artistas série B cantando regravação num bar ou as promessas de “DVD do ano” com música ruim

No meio de tanta mesmice, Gustavo Mioto é o único que tem feito algo realmente diferente no sertanejo atual. Em um gênero que parece cada vez mais preso às mesmas fórmulas, aos mesmos temas e às mesmas sonoridades, ele resolveu nadar contra a maré.
Seu último lançamento, “Como é que fala de Amor?”, é uma prova disso. A música traz crítica, personalidade e uma sonoridade diferente de praticamente tudo o que vem sendo lançado no gênero — um sertanejo que, infelizmente, anda cada vez pior e mais previsível. Falta identidade, sobra fórmula pronta. Só de botar um arranjo de guitarra na música ele deve ter feito Maestro Piska feliz no céu.
E é curioso lembrar que Gustavo foi muito criticado no início da carreira, pelos mais diversos motivos. Hoje, porém, é justamente ele quem demonstra coragem para fazer coisas realmente fora da curva. Enquanto muita gente anuncia o “DVD do ano”, o “hit da década” e o “projeto que vai mudar o sertanejo”, chega a hora de ouvir e… é tudo a mesma coisa. Mesmos arranjos, mesmas letras, mesmas participações e a mesma necessidade de transformar qualquer lançamento em um acontecimento antes mesmo de a música falar por si.
Sem contar a enxurrada de projetos que juntam dez artistas de segundo escalão para cantar regravações de músicas que já conhecemos há décadas, como se quantidade de participações fosse sinônimo de criatividade. O sertanejo precisa urgentemente voltar a surpreender.
E é aí que Gustavo Mioto se destaca. Sozinho, ele nada contra a maré e vai construindo uma identidade própria, sem depender apenas das tendências do momento. Compositor, cantor, músico e alguém que pensa o próprio trabalho, ele vem se mostrando um artista completo, disposto a experimentar e sair do caminho mais fácil.
Como diria Roberta Miranda, é preciso sair da “bolha de sabão”. E Gustavo parece ter entendido isso. Enquanto boa parte do sertanejo continua girando dentro da mesma bolha, repetindo fórmulas até a exaustão, ele tenta furá-la. Pode agradar ou não, mas pelo menos existe ali uma tentativa verdadeira de fazer diferente — e, no sertanejo de hoje, isso já significa muita coisa.