O Diabo Veste Prada 2: Melhor ver o Michael mesmo

Até Super Mario tem um roteiro mais interessante. Só o elenco salva

Foto: Arquivo Pessoal

Quase vinte anos depois, o retorno de O Diabo Veste Prada parecia aquele tipo de evento pronto para parar a internet. E parou. O hype em volta de O Diabo Veste Prada 2 foi enorme, principalmente pelo fator nostalgia. Ver pessoas indo ao cinema vestidas de Miranda Priestly, recriando looks icônicos e entrando no clima do filme acabou sendo mais divertido do que o próprio longa. O evento em torno da estreia foi muito maior do que a história entregue na tela.

O problema é que o filme não tem um roteiro empolgante. A trama é fraca, sem grandes conflitos, sem tensão e sem aquela energia que fazia o original prender do começo ao fim. Em vários momentos, o longa dispersa completamente a atenção do público. Falta moda de verdade, falta glamour, falta aquela sensação de estar vendo algo afiado, inteligente e provocador. Parece um filme feito apenas para revisitar personagens conhecidos, sem realmente construir algo interessante para eles.

E quem salva tudo é o elenco. O carisma dos atores carrega o filme nas costas o tempo inteiro. É impossível não gostar de rever aqueles personagens, principalmente pela conexão emocional criada ao longo dos anos. Só que isso sozinho não sustenta duas horas de cinema. Tem momentos em que o filme dá sono, porque simplesmente nada acontece de realmente intrigante. A sensação é que faltou coragem para criar uma história mais ousada, mais divertida e mais marcante.

No fim, valeu apenas pela nostalgia e pela experiência coletiva que o filme criou nos cinemas. Ver o público entrando na brincadeira e vivendo aquele universo da moda de novo. Mas, como filme, acaba sendo bem decepcionante. Entre os títulos em cartaz, eu ainda prefiro mil vezes Super Mario Bros. ou Michael, que conseguem entregar muito mais diversão, emoção e entretenimento pelo valor do ingresso. O Diabo Veste Prata 2 vale só o salgadinho da Americanas.

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