Garoto narrando a final da Libertadores na montanha ao lado de cachorro caramelo é a imagem do ano

A Champions League tem glamour, mas só a Libertadores proporciona certas coisas

Foto: @Pol_deportes

Não é todo dia que nasce diante da gente um símbolo do jornalismo raiz, aquele jornalismo que não precisa de credencial VIP nem câmera 4K para existir. Pol Deportes, um menino de apenas 15 anos chamado Cliver Sánchez, ganhou o mundo quando narrou aa grande final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras do alto de uma montanha – cercado por crianças e por um cachorro caramelo que parecia seu assistente oficial. Enquanto alguns procuravam um estúdio perfeito, Pol transformou a precariedade em palco. Aquele vídeo não mostrou só um narrador: mostrou uma vocação.

A trajetória de Pol sempre foi guiada por essa obstinação doce de quem nasceu pra contar histórias. Ele começou registrando jogos de bairro, criando seus conteúdos, treinando a voz e a emoção na marra, sem nenhum luxo — só vontade. Mesmo novinho, ele já tinha algo que muito adulto bem formado não tem: verdade. Nada nele é montado. Nada é artificial. Ele narra com o coração, com o ambiente, com o improviso, com a vida pulsando ao redor. E talvez por isso tenha encantado tanta gente. Antes mesmo do jogo ele estava fazendo toda cobertura, ao lado de um coleguinha. Fez lives e se meteu no meio da torcida flamenguista à caminho do estádio para cantar “Acabou o caô, o Guerrero chegou!

E a prova de que talento abre portas veio esta semana, quando Pol narrou pela primeira vez direto da cabine de um estádio profissional. E não qualquer jogo: simplesmente Sporting Cristal x Alianza Lima, um dos clássicos mais importantes do Peru. Aquele menino que narrava do alto de uma montanha agora narrava de dentro, no ponto mais nobre de um estádio, onde tantos sonham chegar. Foi resultado de esforço, autenticidade e da força de uma internet que ainda sabe reconhecer talento quando vê.

No fim das contas, Pol Deportes representa uma frase que deveria estar colada no espelho de todo aspirante a jornalista: quem quer fazer jornalismo de verdade sempre dá um jeito. Seja na arquibancada, na montanha, na rua de barro, na cabine profissional ou com um cachorro caramelo como produtor. Pol já descobriu o que muita gente passa a vida inteira tentando aprender: quando a paixão é real, o dom futebolístico aparece. E o mundo escuta. Pena que a sua seleção não irá para a Copa do Mundo, mas ele, pode ir!

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