
Nos últimos anos, Eduardo Costa tem se consolidado como um dos poucos artistas que mantém viva a tradição do sertanejo em sua forma mais autêntica. Em uma indústria que frequentemente se reinventa e se moderniza, ele segue um caminho distinto: resgatando a essência do gênero por meio de projetos acústicos que valorizam a música de qualidade, a melodia e a profundidade das letras, além dos arranjos fiéis de guitarras e violão que Eduardo também manteve em seus trabalhos. Esse compromisso não é por acaso. O cantor carrega consigo uma herança musical de enorme peso, sendo o único artista atual a manter vivo o legado do lendário produtor, compositor e multi-instrumentista Carlos Roberto Piazzolli, o Piska.
Para quem conhece a história da música sertaneja, Piska não precisa de introduções. Considerado o multi-instrumentista mais importante e relevante do gênero, ele deixou uma marca indelével nas canções que moldaram a identidade sertaneja ao longo das décadas. Sua genialidade musical ultrapassava os limites de um único instrumento – ele dominava diversos e contribuía diretamente para o som característico que definiu gerações. Seu trabalho não se restringia apenas à execução; Piska era um maestro dos bastidores, criando arranjos, produzindo discos icônicos e ajudando a dar vida às canções que se tornariam hinos para o público.
Músicas como “Pra Não Pensar Em Você”, “Minha Estrela Perdida”, “Antes de Voltar Pra Casa”, “Mentira Que Virou Paixão”, “Preciso Ser Amado”, entre tantos outros sucessos reconhecidos pela emblemática guitarra, fizeram história. O sertanejo moderno muitas vezes se distancia dessa riqueza instrumental e emotiva, apostando em produções eletrônicas e letras voltadas para o entretenimento. No entanto, Eduardo Costa se mantém fiel à escola de Piska, preservando a musicalidade artesanal e a profundidade interpretativa que marcaram a era de ouro do sertanejo. E não é de hoje que Eduardo tem se dedicado a projetos acústicos que são verdadeiras obras de arte.
Desde o início de sua carreira, quando seu disco era vendido como “Zezé di Camargo Acústico” nos camelôs, o artista se destaca por fazer o simples bem feito. Ao despir suas músicas dos excessos da produção contemporânea e apresentá-las em versões mais puras, ele consegue destacar o que realmente importa: sua voz, seu sentimento e os instrumentos básicos para um arranjo tocar o coração do público. Seu trabalho nesse formato não apenas resgata a nostalgia dos tempos áureos do sertanejo e de seu próprio trabalho, mas também serve como um tributo ao legado deixado por Piska. Aliás, o melhor disco ao vivo de Eduardo, competindo com seu primeiro DVD em Belo Horizonte (2007), é o Acústico de 2013 feito no Brook’s Bar.
A sonoridade de Eduardo Costa nesses projetos é carregada de emoção e técnica trazendo a guitarra, a bateria e o violão como protagonistas, exatamente como Piska sempre defendeu. Eduardo ainda acrescenta a sanfona em músicas que foram determinantes em sua carreira e ganharam releituras como “Na Saideira”, sua composição com Maestro Pinocchio. Cada acorde, cada pausa e cada interpretação são pensados por Eduardo para transmitir verdade. Em um mercado onde a música sertaneja muitas vezes se dilui em batidas genéricas e modismos passageiros, ele se firma como um guardião da qualidade que ouvíamos nos anos dourados do gênero.
A importância de Eduardo Costa para a preservação da essência do sertanejo vai muito além de seus próprios sucessos. Ele carrega consigo a responsabilidade de manter viva uma história musical construída por mestres como Piska, que moldaram o sertanejo com talento e dedicação incomparáveis. Ao seguir essa linha, ele não apenas homenageia seu mentor indireto, mas também assegura que futuras gerações tenham acesso à verdadeira música sertaneja, aquela que fala à alma e ao coração. Hoje em dia é impossível deixar Eduardo fora das playlist’s.
Em um mundo musical de constante transformação e cada vez mais eletrônico cheio de autotune, Eduardo Costa segue firme como uma ponte entre o passado e o presente, mostrando que a essência do sertanejo pode e deve conviver com a modernidade. Sua música, em formato acústico e genuíno, é mais do que um resgate: é um testemunho da grandiosidade do sertanejo e da genialidade que Piska deixou. Eduardo parece ser o único artista atualmente que consegue manter o legado do maestro. Ele sabe regravar sem estragar, sabe mencionar a importância de Piska sem precisar de ocasiões especiais e mantém vivo o nome de um pioneiro que jamais deve ser esquecido ou comparado.
Confira os últimos projetos de Eduardo Costa no link a seguir: Canal Oficial