Retorno de Victor & Leo merecia algo melhor, mas não aconteceu

Foto: Villa Country

Quando Victor & Leo anunciaram a volta aos palcos no final de 2023, o mercado sertanejo e o público receberam a notícia com entusiasmo. Afinal, a dupla marcou uma geração com seu estilo único misturando folk, pop e sertanejo de um jeito que poucos conseguiram. Depois de anos separados, a promessa de um reencontro parecia grandiosa, e a expectativa era de uma turnê histórica, revivendo sucessos que atravessaram o tempo nos últimos 20 anos. Mas, na prática, o que se viu foi uma volta que não teve o retorno esperado.

Em 2024, os irmãos voltaram aos shows, mas rapidamente encontraram obstáculos que mostraram que a aceitação não seria tão simples. Apesar de lotarem algumas apresentações, o nome da dupla começou a ser retirado de grandes eventos após pedidos do próprio público. Outras festas tentaram contratar a dupla, mas para evitar protestos e boicotes do público preferiram nem sondar Victor & Leo na grade de programação. Isso não aconteceu por falta de qualidade musical. É que para muita gente, o passado pesou mais do que o legado artístico. A rejeição veio mais forte do que o saudosismo, e o que poderia ter sido um grande triunfo se transformou em um problema.

Mesmo com dificuldades, a dupla gravou um mega DVD no Estádio do Morumbi (Morumbis), um feito grandioso para qualquer artista do sertanejo. No entanto, o material não teve a repercussão esperada durante as gravações. Detalhe, vai completar 1 ano que essa gravação foi feita e até hoje ninguém teve acesso. Em um cenário musical onde o modismo e a efemeridade ditam as regras, o trabalho de qualidade deles poderia ser um diferencial, mas acabou na gaveta (por enquanto). O grande paradoxo é que, ao mesmo tempo em que muitos consideram o sertanejo atual “descartável” e sentem falta de artistas com identidade, quando uma dupla essencial ao gênero tenta retomar seu espaço, não recebe o apoio necessário.

É como se houvesse um desejo nostálgico pelas músicas, mas sem a disposição de abraçar os artistas que as criaram. Separar a obra do artista se tornou um dilema para o público, e Vitor & Léo acabaram sendo vítimas desse comportamento. A verdade é que eles mereciam um retorno muito maior. Se analisarmos a qualidade musical, a trajetória e a importância que tiveram para o sertanejo dos anos 2000, era de se esperar que a volta fosse triunfal.

Mas o que aconteceu foi justamente o contrário: mais se falou sobre o cancelamento do que sobre a música. O que deveria ser um resgate da boa fase do gênero virou uma batalha perdida contra o tribunal da internet. O episódio de Vitor & Léo escancara a fragilidade do atual consumo de música no Brasil. Hoje, não basta ter talento ou um repertório sólido; é preciso estar em sintonia com um público que cada vez mais julga o artista além do palco. Isso gera um cenário contraditório, pois criticam a baixa qualidade do sertanejo atual, mas boicotam aqueles que poderiam trazer algo melhor. E ninguém sabe o que esperar em 2025 se tratando da dupla.

No fim, a volta de Vitor & Léo não foi um fracasso, mas sim um reflexo do público e do mercado de hoje. Eles entregaram o que sempre fizeram de melhor, mas não encontraram um cenário disposto a recebê-los. Dava para ter sido algo muito maior. E o DVD do Morumbi, vamos conseguir ver um dia ou vai se tornar uma lenda como aquele do João Carreiro & Capataz em Cuiabá? – que só o Marcão Blognejo viu porque estava lá – já que até hoje o material está numa gaveta obscura. O sertanejo precisava das irretocáveis composições de Victor Chaves e da bela voz de Leo, tanto com suas obras conhecidas quanto com um material inédito. Mas o público preferiu seguir no mesmo caminho dos hits descartáveis.

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