F1 na Globo: Parecia um velório, apesar da qualidade

Apenas Mariana Becker brilhou

Foto: Sky Sports

A estreia da Fórmula 1 na Globo neste retorno da categoria à emissora teve um gosto meio estranho para quem acompanha a categoria há anos. O GP da Austrália, que já foi naturalmente uma corrida pouco movimentada, acabou ficando ainda mais morno com uma transmissão excessivamente engessada. Nem cobertura de guerra é tão triste daquele jeito. As fofocas do caso Vorcaro/Banco Master na Globo News estavam mais divertidas durante a semana, do que a transmissão da corrida.

Faltou leveza, faltou emoção e, principalmente, faltou aquela sensação de espetáculo que sempre acompanhou as manhãs de Fórmula 1 na TV brasileira. Mesmo com a qualidade nas imagens e com boa cobertura, mostrando inclusive o pódio e bastidores pré e pós-corrida que eram cobrados pelo público, tudo pareceu um pouco chato.

A narração e os comentários pareciam presos a um tom sério demais, quase burocrático. Em vários momentos, a transmissão lembrava mais a cobertura de um telejornal ou até de uma situação de guerra do que de um evento esportivo que também é entretenimento. Fórmula 1 é tecnologia, estratégia, velocidade, mas também é paixão, narrativa e clima de espetáculo — algo que simplesmente não apareceu nessa primeira corrida.

Foto: Instagram

Quem acabou se destacando foi Mariana Becker. E não foi pouca coisa. A repórter, que já era um dos grandes trunfos das transmissões, brilhou praticamente sozinha. Continuou fazendo o excelente trabalho de sempre nos boxes e ainda estreou como comentarista, com observações inteligentes, naturais e muito bem contextualizadas. Foi quem trouxe vida a uma transmissão que, em vários momentos, parecia anestesiada.

É curioso porque a Band, com todos os seus defeitos técnicos e limitações, tratava a Fórmula 1 como entretenimento de verdade. Havia mais vibração, mais conversa, mais clima de corrida. Na Globo, pelo menos nesta estreia, tudo pareceu excessivamente protocolar. Claro que é apenas a primeira etapa da temporada e ajustes sempre acontecem.

Mas para quem passou a madrugada acordado para ver, lembrou a protocolar transmissão do carnaval de São Paulo. Era uma festa, mas sem emoção alguma. Vale aguardar as próximas transmissões para ver se a emissora encontra um tom mais leve — porque Fórmula 1 também precisa ser divertida de assistir! 🏁

Ser mulher no Brasil é um inferno

Não é apenas no futebol, como escrevi dias atrás. E não nos venha com florzinha dia 08

Foto: Reprodução

O Brasil vive uma pandemia que não apareceu em boletins epidemiológicos, mas que mata, dilacera e traumatiza todos os dias: a violência contra a mulher. Não é exagero, não é força de expressão — é uma realidade sustentada por números, manchetes e histórias que se repetem com uma crueldade quase automática. São atropelamentos propositais após discussões, são mulheres assassinadas por ex-companheiros inconformados, são estupros que acontecem à luz do dia e também dentro de casa. É uma rotina brutal que já deixou de chocar como deveria.

A cada semana, um novo caso absurdo ocupa os noticiários: mulheres perseguidas, agredidas em elevadores, mortas na frente dos filhos, queimadas, esfaqueadas, silenciadas. Muitas tinham medida protetiva. Muitas pediram ajuda. Muitas avisaram que estavam correndo risco. E mesmo assim, o desfecho foi o mesmo. O ciclo é perverso: ameaça, violência, omissão, luto. E depois, mais uma estatística. Como se a vida delas coubesse apenas em um número frio.

Quando se observa o cenário internacional, o alerta é ainda mais grave. O México aparece com frequência em rankings globais como um dos países mais perigosos para mulheres, especialmente pelos altos índices de feminicídio. Mas o Brasil parece disputar essa posição com uma constância assustadora. A sensação é de que estamos normalizando o inaceitável, como se fosse apenas “mais um caso” em um país que já se acostumou à barbárie.

É impossível não dizer com todas as letras: é um inferno ser mulher no Brasil. É viver com medo de voltar sozinha para casa, de aceitar um encontro, de terminar um relacionamento. É calcular roupa, horário, trajeto. É compartilhar localização em tempo real como estratégia de sobrevivência. É crescer aprendendo que a responsabilidade pela própria segurança é sempre sua — nunca de quem ameaça. Aí chega dia 08 de março é florzinha com adesivo: Feliz dia da mulher… Jura?

E o mais cruel é que essa pandemia não tem vacina simples. Ela exige educação, políticas públicas eficientes, punição rigorosa e, principalmente, mudança cultural profunda. Não basta indignação nas redes sociais depois de cada tragédia. É preciso romper o ciclo estrutural que permite que mulheres continuem sendo tratadas como propriedade, como alvo, como corpo disponível. Enquanto isso não acontecer, continuaremos enterrando sonhos, projetos e vidas. E continuaremos repetindo, com dor e revolta: não é normal. Não pode ser normal. Não aguentamos mais!

Galvão estreia pelo SBT na vice-liderança em embate contra Craque Neto

“Galvão FC” foi bem promovido na grade da emissora e não tem gritaria como no concorrente. Continua sendo a melhor opção para as noites de segunda-feira

Foto: Reprodução

A estreia de Galvão Bueno no SBT marca um daqueles momentos que entram para a história da televisão brasileira. Depois de décadas sendo a voz oficial das grandes transmissões esportivas da Globo, Galvão começa um novo capítulo em uma emissora que respira entretenimento popular e proximidade com o público. E começou bem: vice-liderança na audiência, ficando atrás apenas da Globo, que exibia o Big Brother Brasil e um especial sobre os Mamonas Assassinas. Não é pouca coisa. É sinal claro de que o público quis ver essa nova fase.

O programa é um debate de verdade. Todo mundo fala, todo mundo é ouvido. Mesmo com o Galvão — que, como a gente sabe, adora uma boa narrativa e não economiza palavras — o formato não vira gritaria, não vira bagunça. Há organização, há respeito e há espaço para opinião. A presença de Ratinho deu um tempero especial, mostrando que o SBT soube misturar perfis diferentes sem perder o controle da mesa. É um programa que dá gosto de assistir porque tem conteúdo, mas também tem leveza.

Galvão está visivelmente feliz. E isso a gente já vinha comentando na coluna: ele precisava de novos ares. No SBT, ele parece mais solto, mais à vontade, menos engessado do que em seus últimos anos na Globo. A mudança de emissora fez bem. Ele continua sendo o grande comunicador de sempre, com a experiência de quem atravessou gerações, mas agora com um brilho diferente no olhar — aquele brilho de quem está se divertindo de novo fazendo televisão. Seu programa na Band em 2025 também foi legal, mas lá agora, no mesmo horário tem o “Apito Final” de Craque Neto como concorrente. Nesta segunda ele ficou em apenas 5º lugar na audiência.

Algo que comprova a leveza e felicidade de Galvão na nova casa, foi vê-lo participando do Passa ou Repassa, no Domingo Legal, levando tortada na cara e rindo de si mesmo. É outro Galvão. Ou melhor: talvez seja o Galvão de sempre, mas sem amarras. Ver um ícone histórico da TV se permitindo brincar, sair do pedestal e se misturar ao espírito irreverente do SBT é muito mais interessante do que acompanhá-lo preso a um formato rígido. Essa nova fase promete — e, pelo começo, será marcante. Além disso, ele continua sendo a melhor opção para as noites de segunda.

Há 30 anos, Gugu fazia o programa que mudaria sua história

Apresentador comandou a maior cobertura sobre o fatal acidente dos Mamonas Assassinas

Foto: SBT

No dia 2 de março de 1996, o Brasil acordou em choque com a morte dos integrantes do Mamonas Assassinas. E foi naquele domingo que Gugu Liberato deixou de ser apenas um apresentador de auditório popular para se tornar protagonista de um dos capítulos mais marcantes da televisão brasileira. À frente do Domingo Legal, ele transformou um programa de entretenimento em uma cobertura histórica, conduzida ao vivo, com emoção, agilidade e senso de responsabilidade.

A televisão dos anos 90 tinha dono aos domingos. Existia disputa, tensão no Ibope, guerra declarada por audiência. Mas naquele 2 de março, Gugu fez algo que poucos imaginariam: ele assumiu o papel de comunicador completo. Organizou entradas ao vivo, acionou helicóptero, mobilizou equipe e levou ao público informações em tempo real sobre o acidente na Serra da Cantareira. O resultado? 37 pontos de média e picos de 47 — um feito que até hoje ecoa como a maior audiência da história do programa e uma das maiores já registradas pelo SBT.

Mas reduzir aquele domingo a números é pequeno demais. O que Gugu fez foi entender o sentimento do país. Ele sabia que o Brasil não queria apenas chorar — queria informação, contexto, despedida. E ele entregou isso com o carisma que sempre foi sua marca registrada. Não era jornalismo tradicional, mas era comunicação pura. Era o apresentador que entrava nas casas brasileiras todos os fins de semana assumindo, ali, um papel que ia além do entretenimento. Em certo momento daquele domingo, todas as outras emissoras e veículos da imprensa foram para o estúdio de Gugu fazer a cobertura em tempo real do acidente com a banda que o Brasil mais amava na época.

Trinta anos depois da despedida dos Mamonas, falar daquele domingo na TV aberta é, inevitavelmente, falar de Gugu. Ele ajudou a moldar o formato dos programas dominicais, misturando emoção, prêmios, histórias humanas e, quando necessário, informação. Ele entendeu que domingo é ritual. É família reunida, é almoço estendido, é televisão ligada como trilha sonora da casa e banheira do Gugu pra divertir. A cobertura da morte dos Mamonas não foi apenas o maior programa de sua carreira — foi o momento em que ele mostrou que dominava o palco, a audiência e, principalmente, o coração do público.

Quando a banda foi em sua única participação no Domingo Legal, também bateu recordes de audiência (Foto: Uol)

Como vai ser o River Plate de Eduardo Coudet

Menottista articulador, substituto de Gallardo terá tarefa difícil com elenco estrelado e preguiçoso

Foto: Clarín Deportes

A chegada de Eduardo Coudet ao comando do River Plate promete inaugurar uma nova fase no clube, marcada por intensidade e protagonismo. Conhecido por seu perfil competitivo e pela obsessão por times agressivos, o treinador argentino costuma montar equipes que não esperam o jogo acontecer: elas provocam o erro do adversário. A pressão alta e a tentativa constante de recuperar a bola no campo ofensivo devem se tornar marcas registradas dessa nova etapa.

O estilo de Coudet é essencialmente ofensivo e vertical. Seus times atacam com velocidade, buscando transições rápidas e objetivas, especialmente após a recuperação da posse. A ideia é sufocar o rival, acelerar o ritmo da partida e transformar roubadas de bola em oportunidades claras de gol. Esse comportamento exige preparo físico elevado e sincronização coletiva, dois pontos que naturalmente passam a ser prioridade na rotina de treinamentos.

Taticamente, ele costuma trabalhar com estruturas como 4-1-3-2 ou 4-2-3-1, privilegiando meias próximos e atacantes móveis. A compactação entre os setores é fundamental para que a pressão funcione de forma coordenada. Além disso, Coudet valoriza jogadores dinâmicos, capazes de alternar funções e participar tanto da construção quanto da finalização das jogadas. O time tende a ser curto, intenso e constantemente ativo sem a bola.

Foto: TyC Sports

Ao mesmo tempo, embora tenha uma identidade muito clara, Coudet não é inflexível. Ele costuma adaptar detalhes do sistema às características do elenco disponível, potencializando atletas criativos ou explorando a profundidade pelos lados quando necessário. No River, a expectativa é de um futebol vibrante, competitivo e agressivo, que combine tradição ofensiva com uma dose extra de intensidade e pressão constante.

Antes de retornar agora como treinador, Coudet viveu o River dentro de campo. Revelado pelo clube, ele atuou como meia nos anos 1990 e integrou um dos períodos mais vitoriosos da história riverplatense, trabalhando principalmente sob o comando de Ramón Díaz, seu treinador mais marcante na época. Como técnico, acumulou passagens por clubes importantes como Rosario Central, Racing Club, Internacional, Celta de Vigo e Atlético Mineiro, consolidando-se como um treinador de perfil moderno e competitivo.

Agora, ele terá o enorme desafio de substituir Marcelo Gallardo, considerado o maior técnico da história do River Plate, carregando a responsabilidade de manter o clube no topo e, ao mesmo tempo, construir sua própria identidade à beira do campo. Vai ser complicado, com o atual elenco preguiçoso que o time tem.

Cara de Um, Focinho de Outro: Divertida e emocionante

Animação é bonita e traz forte mensagem da relação do ser humano com a natureza

Foto: Arquivo Pessoal

A nova animação da Pixar em parceria com a Walt Disney Pictures, Cara de um Focinho de Outro, é daquelas histórias que abraçam o coração da gente antes mesmo dos créditos subirem. Visualmente deslumbrante, com cenários naturais riquíssimos em detalhes, o filme mergulha no universo dos animais da floresta para contar uma fábula moderna sobre pertencimento, identidade e, principalmente, a relação do ser humano com a natureza. É leve, é engraçado, mas carrega uma mensagem poderosa que ecoa depois que a sessão termina.

A protagonista, Mabel, é o grande motor da narrativa. Curiosa, questionadora e cheia de energia, ela conduz o público por essa jornada sensível que mistura fantasia e reflexão. Em um dos momentos mais marcantes da trama, Mabel se transforma em uma pequena castor — uma castorzinha — e é justamente a partir dessa transformação que o filme ganha ainda mais força. Ao experimentar o mundo sob outra perspectiva, ela aprende (e ensina) sobre empatia, equilíbrio ambiental e responsabilidade coletiva.

Escolher castores como protagonistas é um acerto delicado e simbólico. São animais conhecidos por construir, transformar o ambiente e viver em comunidade — exatamente como nós. O reino animal é retratado de forma carinhosa, quase poética, tornando tudo ainda mais fofo e encantador. Mas não se engane: por trás da fofura, existe uma crítica sutil sobre como tratamos o planeta e como nossas escolhas impactam todo um ecossistema.

Eu assisti na pré-estreia e saí da sala com aquela sensação gostosa de ter visto algo especial. A estreia oficial é dia 5 de março, e vale muito a pena levar as crianças — e ir preparado para também se emocionar. “Cara de um Focinho de Outro” diverte, encanta e, no final, convida a gente a olhar para a natureza não como cenário, mas como parte essencial da nossa própria história. É Pixar sendo Pixar: entretenimento com alma. Vale o combo, com pipoca e balde!

Foto: Arquivo Pessoal