O Diabo Veste Prada 2: Melhor ver o Michael mesmo

Até Super Mario tem um roteiro mais interessante. Só o elenco salva

Foto: Arquivo Pessoal

Quase vinte anos depois, o retorno de O Diabo Veste Prada parecia aquele tipo de evento pronto para parar a internet. E parou. O hype em volta de O Diabo Veste Prada 2 foi enorme, principalmente pelo fator nostalgia. Ver pessoas indo ao cinema vestidas de Miranda Priestly, recriando looks icônicos e entrando no clima do filme acabou sendo mais divertido do que o próprio longa. O evento em torno da estreia foi muito maior do que a história entregue na tela.

O problema é que o filme não tem um roteiro empolgante. A trama é fraca, sem grandes conflitos, sem tensão e sem aquela energia que fazia o original prender do começo ao fim. Em vários momentos, o longa dispersa completamente a atenção do público. Falta moda de verdade, falta glamour, falta aquela sensação de estar vendo algo afiado, inteligente e provocador. Parece um filme feito apenas para revisitar personagens conhecidos, sem realmente construir algo interessante para eles.

E quem salva tudo é o elenco. O carisma dos atores carrega o filme nas costas o tempo inteiro. É impossível não gostar de rever aqueles personagens, principalmente pela conexão emocional criada ao longo dos anos. Só que isso sozinho não sustenta duas horas de cinema. Tem momentos em que o filme dá sono, porque simplesmente nada acontece de realmente intrigante. A sensação é que faltou coragem para criar uma história mais ousada, mais divertida e mais marcante.

No fim, valeu apenas pela nostalgia e pela experiência coletiva que o filme criou nos cinemas. Ver o público entrando na brincadeira e vivendo aquele universo da moda de novo. Mas, como filme, acaba sendo bem decepcionante. Entre os títulos em cartaz, eu ainda prefiro mil vezes Super Mario Bros. ou Michael, que conseguem entregar muito mais diversão, emoção e entretenimento pelo valor do ingresso. O Diabo Veste Prata 2 vale só o salgadinho da Americanas.

Como será o retorno de La Casa de Papel

Netflix prepara terreno para a volta de sua franquia milionária – com muito ouro

Foto: Netflix

A volta de La Casa de Papel está cada vez mais próxima em sua 6ª temporada. A Netflix lançou recentemente um vídeo recheado de easter eggs de produções que marcaram gerações e, no meio disso tudo, os fãs mais atentos perceberam referências importantes ao universo da série espanhola que virou fenômeno mundial. Uma delas chamou atenção imediatamente: a conversa entre o Professor e Berlim sobre a cidade espanhola Sevilla ser “um plano maior”. E em uma franquia como essa, nada é colocado por acaso.

A possível nova temporada pode justamente explorar tudo aquilo que ficou mal resolvido após o assalto ao Banco da Espanha. Afinal, Tamayo é praticamente a única pessoa que conhece toda a verdade sobre o ouro roubado e substituído por ouro falso no tesouro nacional espanhol. O personagem terminou a série carregando um segredo gigantesco nas costas, e isso abre espaço para chantagens, perseguições políticas, operações secretas e até um novo jogo psicológico entre ele e o Professor. E quando o Professor fala em Sevilla, fica claro que existe algo ali que ainda não foi revelado ao público.

Outro detalhe importante é que, mesmo saindo bilionários do maior roubo da história da série, o bando ainda vive escondido e sustentado por um ouro que continua guardado em Portugal. Ou seja: a história nunca terminou de verdade. O dinheiro existe, os inimigos continuam vivos, o governo sabe mais do que deveria e o Professor jamais foi um personagem capaz de simplesmente desaparecer e viver uma vida comum. Sempre existe um novo plano, um novo código e uma nova missão escondida por trás das palavras dele.

E sendo bem realista, La Casa de Papel é uma franquia multimilionária para a Netflix. O sucesso global da série foi gigantesco, gerou derivados, produtos, fantasias, músicas icônicas e virou parte da cultura pop mundial. Por isso, um retorno parece muito mais questão de “quando” do que “se”. E se realmente acontecer, tudo indica que o plano de Sevilla será o ponto de partida para um novo assalto — ou talvez para algo ainda maior do que tudo que já vimos até agora, inclusive o ouro escondido na casinha portuguesa.

Assisti ‘Michael’ pela segunda vez e estava sozinha na sessão

Foi uma das melhores experiências que tive no cinema

Foto: Arquivo Pessoal

Existem momentos que parecem pequenos pra muita gente, mas que viram memórias gigantes pra quem vive cinema de verdade. Ontem eu fui assistir Michael pela segunda vez e acabei ganhando um presente completamente inesperado: uma sessão vazia, só minha. Quem frequenta cinema à tarde sabe que isso pode acontecer quando o filme já saiu do hype do lançamento, mas eu sinceramente não imaginava que aconteceria justamente com um filme que está fazendo tanto sucesso. E talvez por isso tenha sido ainda mais especial.

No começo eu fiquei naquela expectativa clássica de quem percebe a sala vazia, mas não acredita muito. Sempre existe a possibilidade de alguém entrar atrasado, comprar ingresso de última hora ou aparecer quando as luzes já estão apagando. Então eu fiquei observando, esperando, meio apreensiva. Até que o filme começou… e ninguém entrou. Quando caiu a ficha de que aquela sessão seria realmente só minha, eu senti uma mistura de êxtase com incredulidade. Parecia que eu estava vivendo uma experiência exclusiva, quase íntima, com aquela obra gigantesca acontecendo na tela.

E viver aquele espetáculo sozinha foi algo muito intenso. Porque esse filme do Michael Jackson não parece feito apenas pra ser assistido — ele parece feito pra ser sentido na telona. Eu estava no meu lugar favorito, ali no meio, geralmente a poltrona E10, às vezes a E8, que pra mim são simplesmente os melhores lugares possíveis do cinema. E fiquei ali, sem saber direito como reagir àquilo tudo. Era só eu, a tela, a música, a grandiosidade do filme e aquela sensação absurda de privilégio. Tem horas em que o cinema realmente vira uma experiência quase mágica.

Saí da sessão com aquela sensação de realização difícil de explicar. Talvez eu tenha fechado meu ciclo com Michael no cinema, talvez não. Mas acho difícil outra sessão superar essa. Porque não foi só assistir a um espetáculo mais uma vez, foi viver um momento muito único. É daqueles que parecem bobos na teoria, mas ficam guardados pra sempre na memória de quem ama cinema de verdade e é fã de música boa, afinal, na grande tela estava o maior artista de todos os tempos.

Bagunça no extracampo é o que mais atrapalha a seleção brasileira

70 pessoas da família, parças viajando pedindo ingresso, influencers querendo exclusiva com jogadores e preocupação com cabeleireiros matam a concentração do time há anos

Foto: Instagram (Granja Comari 2014)

A seleção brasileira virou um reality show ambulante. Nunca é só futebol. Tem que levar família, parça, influencer, cabeleireiro, namorada famosa, assessor, amigo do amigo, gente querendo ingresso, patrocinador querendo gravar conteúdo, imprensa querendo exclusiva, TikTok, dancinha, publi, Luciano Huck querendo invadir o treino… Tem de tudo, menos concentração. Parece que ninguém consegue ficar trinta ou quarenta dias isolado pensando apenas em ganhar uma Copa do Mundo. O ambiente da Seleção virou um desfile de vaidade e distração, enquanto outras seleções entendem que Mundial se ganha com foco absoluto. Futebol de alto nível exige sacrifício, silêncio e concentração. Não é colônia de férias.

A França, campeã de 2018, é um exemplo claro disso. Os caras ficaram praticamente isolados em Kazan, na Rússia. Quase ninguém tinha acesso aos jogadores. Não tinha bagunça, não tinha celebridade entrando em concentração, não tinha influencer fazendo conteúdo dentro do hotel. Os jogadores passaram semanas longe da família, mas voltaram campeões do mundo. Enquanto isso, o Brasil parece sempre preocupado em transformar Copa em evento social. Em 2014, dentro da concentração tinha celebridade, cantor, amigo de jogador, visita toda hora. David Brazil andando pra lá e pra cá, Turma do Pagode cantando, Bruna Marquezine e uma atmosfera completamente distante do que deveria ser uma preparação séria para uma semifinal de Copa em casa. Resultado: 7 a 1. A maior vergonha da história das Copas.

E não parou por aí. Em 2018, mais bagunça. Em 2022, a sensação era de que o extracampo novamente chamava mais atenção do que a bola rolando. Jogador preocupado com marca de cosmético, perfume, skincare, cabelo, publi e rede social. Existe um estrelismo que contaminou a Seleção há anos. Parece que alguns entram mais preocupados em fortalecer a própria imagem do que em construir um time campeão. E isso passa para o torcedor. A conexão entre povo e Seleção foi se perdendo justamente porque muita gente olha e não vê mais aquela obsessão pela vitória que existia antigamente.

Por isso não é absurdo nenhum ver brasileiros torcendo para outras seleções hoje. Estamos em um mundo globalizado. Eu em 2003 conheci Bilardo através da TyC Sports e comecei a torcer pelo Estudiantes LP. Por consequência me apeguei a seleção argentina de Jose Pékerman. Enfim… Muita gente se identifica mais com times organizados, focados e comprometidos do que com essa imagem de uma Seleção transformada em camarote VIP. Jornalistas que cobrem a Copa chegan a ficar mais de 50 dias longe da família. Os jogadores não conseguem fazer o mesmo? Precisam levar 70 pessoas numa excursão pelo país da Copa?

O Brasil sempre teve o melhor futebol do mundo quando colocou a bola acima do ego quando a prioridade era treinar, competir e vencer. Assistiram ao documentário do Zico? Aquilo era futebol em essência. Enquanto continuar existindo mais preocupação com marketing, fama e conforto do que com concentração e espírito coletivo, a Seleção continuará distante do topo do futebol mundial. Com ou sem o tal menino Ney. Ele não vai resolver nada do que estão esperando. O buraco é mais embaixo.

Ninguém aguenta mais a reprise de Avenida Brasil

Era melhor ter reprisado o Boi Bandido…

Foto: Reprodução

Chegou a hora de falar uma verdade que muita gente já percebeu faz tempo: ninguém aguenta mais ver Avenida Brasil sendo reprisada. A novela foi um fenômeno? Foi. Marcou época? Sem dúvidas. Mas tudo que é exageradamente explorado começa a cansar. E é exatamente isso que aconteceu. A Globo insiste em colocar a novela de volta como se ainda existisse aquele mesmo impacto de 2012, mas o público claramente já saturou. O Ibope baixo não aparece por acaso. Não é falta de qualidade, é desgaste mesmo.

E também existe outro problema: a novela virou meme o tempo inteiro. Toda gritaria da Carminha, toda sagacidade da Nina, toda cara do Tufão já foi transformada em figurinha, vídeo de TikTok, montagem no X e piada de internet. A imagem da novela foi sendo consumida até o limite. Quando reprisaram durante a pandemia, ainda existia um fator nostalgia recente, uma vontade de rever aquele clássico preso dentro de casa. Mas agora? De novo? Pouca gente tem paciência para assistir tudo outra vez, principalmente o começo da trama, que é lento e demora para engrenar. Na real é que a novela só explode mesmo quando começa a vingança da Nina.

E por mais icônica que seja a Carminha — porque convenhamos, ela praticamente carrega a novela nas costas — nem isso está sendo suficiente para despertar interesse. O público já sabe todas as falas, todos os barracos e todos os acontecimentos importantes. Não existe mais surpresa. E aí ainda aparece conversa de fazer “Avenida Brasil 2”, algo que sinceramente ninguém pediu. Algumas histórias funcionam justamente porque terminam no auge. Ficar insistindo em sequência e reprise eterna só desgasta ainda mais uma obra que já foi gigante. Pior do que essa ideia é aquela de fazer um filme de A Viagem

Enquanto isso, existe um monte de novela esquecida que renderia reprises muito mais interessantes. América, por exemplo, nunca teve uma exibição de destaque à tarde e até hoje desperta curiosidade do público. E sejamos sinceros? Tem muita gente preferindo rever o Boi Bandido – verdadeiro protagonista da trama – do que assistir o Tufão sendo corno pela milésima vez. Chega uma hora que nem a nostalgia salva mais do cansaço para o público.

Di María comanda Rosario Central no mata-mata do Campeonato Argentino

Vivendo o sonho de seu retorno triunfal ao time do coração, craque mostra que é sim o Top 3 da história na terra de Messi

Foto: TyC Sports

O Rosario Central segue embalado no mata-mata do Campeonato Argentino e venceu o Independiente por 3 a 1 em uma atuação que mostrou muito mais do que talento. Mostrou personalidade. O time saiu atrás no placar, mas buscou a virada com gols de Ángel Di María, Cantizano e Verón, confirmando a classificação e incendiando o Gigante de Arroyito mais uma vez. E quando o jogo apertou, apareceu ele: Di María. O camisa 11 chamou a responsabilidade, empatou a partida ainda no fim do primeiro tempo e liderou emocionalmente um time que parece acreditar muito no próprio destino.

Di María está vivendo uma das fases mais bonitas da carreira. Talvez não pela explosão física de antigamente, mas pela conexão emocional com o futebol. Jogando no clube do coração, com a braçadeira de capitão, ele parece leve, feliz e completamente entregue ao Rosário Central. Para muita gente, inclusive para mim, Ángel Di María já está no top 3 da história do futebol argentino. Acima dele, só Messi e Maradona — e aí cada um escolhe sua ordem. “Dimagia” tem algo que poucos tiveram: protagonismo em geração campeã, gols decisivos, carreira gigantesca na Europa e agora esse retorno quase poético ao clube onde tudo começou.

Esse Rosario Central também carrega muito da identidade que Miguel Ángel Russo deixou antes de sua saída. É um time competitivo, intenso, emocionalmente forte e que sabe sofrer. Existe ali uma mistura curiosa entre o pragmatismo do bilardismo e momentos de futebol mais ofensivo e associativo nas linhas Lavolpianas aplicadas pelo técnico Jorge Almirón. Não é um time preso a um único modelo. Ele sabe pressionar, sabe atacar espaço, sabe jogar com o coração argentino que transforma mata-mata em guerra emocional. E quando você junta isso com um líder técnico como Di María, o Rosario Central vira um adversário perigosíssimo.

A sensação é que o Central chegou no momento certo da temporada. Embalado, confiante e com um estádio pulsando junto. Em mata-mata argentino, isso pesa demais. O time pode, sim, chegar a mais uma final. E se isso acontecer, vai ter muito da genialidade de Di María, mas também muito do espírito coletivo construído nos últimos anos. O time da cidade abençoada do futebol porteño voltou a ser aquela equipe chata, competitiva e apaixonante que ninguém gosta de enfrentar quando o campeonato entra na fase decisiva.