Categoria: Televisão

Série Documental de Belo desconstrói persona e exalta o artista

Em dezembro do ano passado conhecemos a série documental “Belo: Perto Demais da Luz”. Uma produção em quatro episódios que mergulha na vida pessoal e profissional de Marcelo Pires Vieira, conhecido por todos como Belo. A série, fruto de uma parceria entre o Globoplay e a AfroReggae Audiovisual, oferece uma visão abrangente da trajetória do cantor, desde sua infância até os dias atuais, destacando momentos de glória e adversidades que marcaram sua carreira. Com polêmicas, amores, brigas, amizades no meio artístico e casos policiais, a série é melhor do que muita novela já feita. Até porque, tudo ali foi uma dura realidade vivida pelo artista, com momentos de glórias após quedas sofridas.

O documentário inicia com uma breve retrospectiva desde a infância humilde no bairro de Chácara Inglesa, na zona sul de São Paulo até as influências que moldaram seu interesse pela música. Imagens de arquivo e depoimentos de familiares e amigos próximos enriquecem a narrativa, proporcionando ao espectador uma compreensão profunda das raízes do artista. A produção utiliza técnicas inovadoras de realidade virtual para recriar cenários significativos da vida de Belo, oferecendo uma experiência imersiva e nostálgica. Logo o documental segue para seus tempos de músico, quando começa a frequentar rodas de samba e inicia sua trajetória com o grupo Soweto.

Um ponto alto da série é a abordagem da formação e a ascensão do grupo Soweto, que projetou Belo ao estrelato nos anos 1990. A turnê comemorativa de 30 anos do Soweto é amplamente destacada desde o início até o último episódio, com bastidores que revelam a dinâmica entre os membros que fizeram parte do reencontro do grupo em 2024 e a relação com os fãs. Depoimentos de colegas consagrados, como Alcione, Chrigor, Ludmilla, Péricles e Dudu Nobre, enriquecem a narrativa do artista que ele é, oferecendo perspectivas diversas sobre o impacto do grupo e da carreira solo de Belo no cenário musical brasileiro.

A parceria com o renomado produtor musical, Wilson Prateado, é outro aspecto relevante explorado no documentário. Prateado foi fundamental na definição da sonoridade que caracterizou o trabalho de Belo, contribuindo para a consolidação de sua carreira solo após a saída do Soweto e seu momento pós-prisão. Foi no estúdio de Prateado que Belo fazia trabalhos durante o dia ainda no regime semi-aberto. Mesmo com sua prisão, Belo esteve com mais de 13 músicas no TOP 50 das rádios na época, em meado dos anos 2000. Os fãs ligavam nas rádios para pedirem as músicas do cantor, gesto que se repetia especialmente no Rio de Janeiro, várias vezes ao dia.

Belo ao lado de Prateado (Foto: Instagram)

A parceria de Belo com Prateado resultou em sucessos que até hoje ressoam entre os admiradores do pagode romântico, como “Reinventar” e “Pra ver o sol brilhar”. Essa música, inclusive, Prateado fez para Belo e dizia pra ele assim que ganhou liberdade novamente: “Olha pro sol, você é gigante!”. Ainda no documental, é Prateado quem melhor define a voz de Belo: “No plano superior tem música. E sem tem música, os anjos cantam. O Belo tem o timbre da voz dos anjos. Ele é uma parada de lá convivendo entre a gente!”. Recentemente no cruzeiro do cantor, Prateado estava presente – atualmente ele integra a direção musical e o baixo na banda de Thiaguinho. Belo subiu ao palco e fez uma grande referência ao produtor, a quem tem muita gratidão por tudo que viveram juntos.

O documentário não se esquiva de abordar os momentos conturbados da vida de Belo, incluindo sua prisão, como já citada. Além disso, os desafios pessoais e financeiros que se seguiram dali em diante. Em um dos episódios mais emocionantes, é retratado o momento em que Belo, durante um show no Allianz Parque, emocionou-se ao interpretar a música “Reinventar”, poucos dias após anunciar sua separação com Gracyanne Barbosa. A cena captura a vulnerabilidade do artista e sua conexão profunda com o público, evidenciando a capacidade da música de traduzir emoções complexas.

A produção também destaca a resiliência de Belo diante das adversidades. Após cumprir sua pena, o cantor enfrentou desafios para reconstruir sua carreira e imagem pública. Depoimentos de figuras importantes como seu empresário e amigos próximos, oferecem uma visão íntima de sua jornada de redenção e busca por recomeços. O que senti falta um pouquinho foi de aprofundar um pouco mais na história de seu DVD em Salvador, o melhor trabalho de Belo ao vivo até hoje. Após cantar “Derê”, ele se emociona com o público gritando seu nome. Aquele álbum foi a prova de que Belo havia voltado a ser o maior artista do pagode nacional, mesmo passando por tudo que quase enterrou sua carreira. Ali ele se consolidava como o grande artista, dando a grande volta por cima.

Belo: Perto Demais da Luz” é uma obra que oferece uma visão multifacetada da vida de um dos artistas mais emblemáticos da música brasileira. Um cara que canta e encanta dos pagodes clássicos, ao samba com Neguinho da Beija-Flor até os sambas-enredo do carnaval. Ao mesclar momentos de triunfo e queda, o documentário proporciona uma compreensão profunda das complexidades que permeiam a trajetória de Belo, celebrando suas conquistas e reconhecendo os desafios que enfrentou ao longo de sua jornada. A série documental humanizou o artista, que com seus erros e acertos na vida, se mostra mais um de nós, seres humanos. A diferença é que ele é um fenômeno, pelo talento, pela voz absoluta, pela persona e pelo artista que se tornou ao passar pela lama e pelo topo do mundo.

“Viver Sertanejo” é excelente, mas precisa de ajustes

Foto: Giu Pera

O programa Viver Sertanejo, apresentado pelo cantor Daniel, é uma das melhores surpresas das manhãs de domingo na TV. Com um cenário aconchegante e intimista, a produção é uma celebração à música sertaneja e aos artistas que ajudaram a construir sua história. A cada episódio, o cantor Daniel já recebeu grandes nomes do gênero, como Chitãozinho & Xororó, Gian & Giovani, Lourenço & Lourival, entre muitos outros. Eu mesma já espero pelo programa com minha dupla favorita, Rick & Renner. Além disso, o Viver Sertanejo abre espaço para compositores que embora sejam menos conhecidos pelo público, possuem uma importância gigantesca para o sertanejo, como foi o caso de Zé Henrique e Fátima Leão, uma das maiores compositoras do Brasil.

Daniel, sempre carismático e acolhedor, conduz as conversas com muita propriedade, relembrando histórias de bastidores, sucessos marcantes e momentos que definiram o sertanejo. Não é sua primeira experiência apresentando um programa. Na época em que Xuxa esteve de licença maternidade, ele assumiu o comando do “Planeta Xuxa” em um domingo no ano de 1998. Agora, no Viver Sertanejo, Daniel conecta gerações e reforça o valor do movimento sertanejo que está profundamente enraizado na cultura brasileira.

No entanto, apesar de todas essas qualidades, o programa esbarra em alguns problemas que comprometem parte de sua proposta. O tempo de duração e alguns convidados não permitem a conversa se aprofundar em assuntos mais interessantes para o público. Com pouco mais de 50 minutos de programa e muitos convidados em cada edição, o ritmo acaba ficando apressado. Tudo está atropelado, não justificando a presença de certos convidados. Muitas vezes o convidado de renome está contando algo bem legal, mas é interrompido por um artista que começou esses dias e nem tem assunto para agregar no programa. Nem um bom roteiro salva essas coisas.

A sensação é de que as conversas não fluem como poderiam e histórias riquíssimas acabam sendo atropeladas. Um exemplo muito comentado por internautas no dia em que foi ao ar é o episódio da participação de Fátima Leão, compositora de sucessos como “Dormir na Praça” e “Alô”. Apesar de sua relevância e do enorme repertório que ela tem, não houve tempo suficiente para que ela contasse suas histórias e sequer cantar o maior sucesso dela, justamente a “Dormir na Praça”, que chegou a ser gravada. No entanto, a música foi cortada na edição no episódio, cheio de gente para falar. Caberia naquele programa somente ela junto com Zé Henrique & Gabriel, por exemplo. Que fizessem outro episódio com Tierry, Grelo e Day & Lara, dando até para colocar mais um compositor relevante da atual geração.

A crítica, portanto, não é ao conteúdo ou à ideia do programa, que é maravilhosa e tem funcionado de certa forma, mas sim à execução, que poderia ser ajustada. Quem não ficou sentindo falta de boas histórias que Rionegro & Solimões no domingo passado? Inclusive, aquela famosa história em que um fã encontrou o Rionegro sozinho em um hotel e perguntou: “Cadê aquele altão que canta com você?”. Ao invés disso, foi preciso aguentar Luan Pereira com uma conversa sem pé, nem cabeça. Já aquele episódio dos Menotti com Lourenço & Lourival, mesmo com ambas às duplas sendo de diferentes gerações, funcionou porque eles realmente possuem uma ligação. Carregam história de sobra pra contar conhecendo um a carreira do outro.

Talvez reduzir o número de convidados por edição ou ampliar a duração do programa fosse o ideal. Dá pra cortar alguns minutos daquele chatíssimo Auto Esporte para dar mais espaço na grade da manhã dominical. Assim, os artistas teriam mais espaço para se expressar e o público poderia mergulhar mais a fundo nas conversas entre os ídolos que fizeram e fazem parte de sua vida. Dava para descobrirmos mais histórias inéditas, coisas que movimentam os bastidores ou detalhes de discos que mudaram a carreira de cada artista.

O Viver Sertanejo tem tudo para ser um marco na TV brasileira, mas precisa desses ajustes de separar geração com geração para alcançar todo o seu potencial. Nem sempre um episódio com um artista renomado agrada porque no meio tem um recente. O programa pode funcionar muito bem com artistas dessa atual geração se encontrando entre si. Talvez será possível ver essa melhoria nos próximos programas que serão gravados, já que agora os episódios são fixos nas manhãs da Globo.

Com mais tempo e menos pressa, Daniel e seus convidados poderiam proporcionar uma experiência ainda mais rica e emocionante para os telespectadores. Afinal, a música sertaneja não merece ser contada às pressas – ela merece ser vivida como o próprio nome Viver Sertanejo propõe. Sem contar que tem sido ótimo acordar aos domingos e tomar aquele café, ouvindo uma prosa boa na fazenda de Daniel com os maiores nomes do gênero mais popular do país.

Após 2ª temporada sem conclusão, Round 6 tem data para final da trama

A segunda temporada de “Round 6” estreou em 26 de dezembro de 2024, dando continuidade à história de Gi-hun e aprofundando os mistérios dos jogos mortais. Com sete episódios, a temporada foi bem recebida pelo público, acumulando 68 milhões de visualizações e mais de 487 milhões de horas assistidas em 93 países. A narrativa trouxe novas dinâmicas e desafios, mantendo os espectadores engajados e ansiosos pelo desfecho da trama.

A recepção crítica também foi positiva, destacando o desenvolvimento dos personagens e a complexidade da trama. A série continuou a explorar temas como desigualdade social e moralidade, elementos que contribuíram para seu sucesso global. Os fãs elogiaram a capacidade da série de surpreender e provocar reflexões profundas, consolidando “Round 6” como um fenômeno cultural. Ao mesmo tempo, ficou sem conclusão, deixando toda resolução da trama para daqui alguns meses.

A terceira e última temporada de “Round 6” foi anunciada para estrear em 27 de junho de 2025, conforme divulgação da Netflix Coreia. O criador da série, Hwang Dong-hyuk, revelou que Gi-hun enfrentará uma crise emocional e psicológica após os acontecimentos da 2ª temporada. A narrativa promete aprofundar os dilemas morais do protagonista, questionando se ele desistirá ou persistirá em sua missão de expor os responsáveis pelos jogos. Ou se irá se tornar um deles…

Além de Gi-hun, personagens importantes retornarão, como o Líder e o detetive Hwang Jun-ho. A temporada final buscará resolver os mistérios deixados em aberto, oferecendo um encerramento satisfatório para a jornada dos personagens. Espera-se que a série mantenha sua abordagem crítica, explorando as pressões sociais e os dilemas éticos enfrentados pelos participantes dos jogos.

Com a proximidade da data de lançamento, que antes era especulada para somente o fim do ano, a expectativa dos fãs aumenta para descobrir como “Round 6” concluirá sua envolvente história. A série que se tornou um marco na cultura pop, rompendo a bolha asiática ao ser sucesso no mundo todo, promete um desfecho emocionante e reflexivo com os temas que a tornaram um éxito mundial. Estamos prontos!

“Sullivan & Massadas: Retratos e Canções” – A trilha sonora de uma geração

Foto: Globoplay

Nem preciso dizer que o Globoplay acertou em cheio ao trazer Sullivan & Massadas: Retratos e Canções, uma série documental que faz justiça à maior dupla de compositores do Brasil. Para quem viveu os anos 80, 90 e cresceu nos anos 2000, assistir a essa produção é como abrir um baú de memórias musicais e reviver sucessos que marcaram gerações. Para os mais jovens, é uma aula essencial sobre a grandiosidade de Michael Sullivan e Paulo Massadas, responsáveis por uma infinidade de sucessos que dominaram as paradas e continuam vivos até hoje.

Com um formato envolvente, depoimentos valiosos e uma trilha sonora irretocável com obras dessa parceria, a série revela não apenas o talento da dupla, mas também a influência absurda que tiveram na música brasileira. Roberto Carlos, Roupa Nova, Fafá de Belém, José Augusto, Alcione, Trem da Alegria e tantos outros nomes brilharam ao som das composições de Sullivan & Massadas. Cada episódio reforça a genialidade desses criadores de melodias e letras que grudam na memória e tocam fundo no coração.

O mais impressionante é perceber o alcance e a versatilidade de ambos. Das baladas românticas aos temas infantis, das trilhas de novela aos hinos de karaokê, eles construíram um legado imbatível. A série não só resgata essa história, como também nos lembra da importância de valorizar os grandes compositores por trás dos sucessos que cantamos sem nem perceber quem os escreveu.

Se você ainda não assistiu, corra para o Globoplay. A série é emocionante, viciante e perfeita para maratonar. Afinal, quem nunca cantou os sucessos de Sullivan & Massadas que vão de Xuxa a Tim Maia? Eles são a trilha sonora da nossa vida, e esse documentário é a homenagem que eles sempre mereceram. Além de tudo, você vai reviver memórias da sua vida em cada canção que está ali.

Mesmo sem Judite, Gottino derrota concorrência no comando do Cidade Alerta

Foto: Reprodução/Record

Um dos principais nomes do Telejornalismo nos últimos anos, Reinaldo Gottino assumiu em definitivo o comando do Cidade Alerta. E bastou uma semana para deixar claro que não veio para brincadeira. No horário mais disputado das tardes semanais, ele já se mostrou forte na briga pela audiência superando a “família Datena”. Tanto José Luiz Datena, que está no SBT; quanto Joel Datena, que assumiu o Brasil Urgente na Band com a saída do pai; foram superados por Gottino em uma semana desafiadora de fortes tempestades pelo Brasil.

Gottino, que já comandou o Cidade Alerta em outras ocasiões, retorna dessa vez após brilhar no Balanço Geral. Foi lá que ele conquistou o público com sua condução firme, seu bom humor e claro, com sua parceria inesquecível ao lado da cobra Judite na Hora da Venenosa. Muita gente reclamou bastante de sua saída do Balanço Geral assim que a notícia chegou. Agora, sem Judite, mas com a mesma energia e credibilidade, ele está à frente de um dos programas mais emblemáticos da TV brasileira no horário que todos buscam por informação.

Já nesses primeiros dias ele demonstrou ao público que manterá sua essência e que toda bagagem que ganhou no Balanço também estará presente no Cidade Alerta. Uma de suas marcas mais especiais é o abraço que dá no telespectador assim que o programa começa. Quem conhece o Gottino sabe que ele vem da “escola Marcelo Rezende” e traz no DNA aquele jornalismo popular que ouve o povo e não foge do dia a dia das ruas.

Marcelo Rezende revolucionou o formato e transformou o Cidade Alerta em um fenômeno de audiência – e, sem dúvida, estaria orgulhoso de ver seu pupilo dominando o horário e mantendo viva essa tradição. Pronto para isso Gottino sempre esteve! Mas o apresentador não é só o jornalista firme e carismático que vemos na telinha.

Quem acompanha sua trajetória, sabe que ele tem um lado apaixonado pelo futebol e outros esportes como o boxe. Palmeirense fanático e goleiro nas peladas de fim de semana, era possível que Gottino tivesse seguido a carreira no esporte, se seu caminho não fosse traçado pelo jornalismo policial e do cotidiano. Aliás, uma de suas primeiras matérias na TV foi justamente uma denúncia, contra cambistas na porta do estádio do Morumbi. E quem diria que aquele jovem repórter, que sonhava com o mundo esportivo e admirava Osmar Santos, se tornaria um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro em outra editoria.

Seu fiel público também já se divertiu muito com ele na TV. Seja rindo das fofocas dos famosos com a Fabíola Reipert, comentando crimes com o Renato Lombardi ou cantando com a Judite enquanto dava cartão vermelho pra ela pela desafinação. Como não se lembrar ainda de quando ele encarou o desafio no Domingo Record no ano passado, perdendo mais de 20KG com reeducação alimentar e exercícios. Nem Higuaín teve tanta determinação. Aliás, eles até se encontraram uma vez:

Mas diferente do centroavante argentino, Gottino está em forma – com pernas de goleiro que fariam inveja ao Oliver Kahn – e pronto para seguir escrevendo mais um capítulo importante no jornalismo da sua emissora, que é referência nesse quesito. E depois de muitos anos acordando bem cedo, agora ele pode dormir um pouquinho a mais.

Se no futebol ele precisa defender o gol, na TV ele vai continuar defendendo o jornalismo de verdade que o fez chegar até ali. E pelo visto, está fazendo essa função com muita categoria no novo horário. Gottino ainda pode deixar saudades na hora do almoço, mas esse sentimento passa quando lembramos que depois de um dia puxado, veremos ele no fim de tarde com sua competência e jeito único de nos trazer notícias e pensamentos positivos em meio ao caos.