Categoria: Televisão

Time de Julius em ‘Todo Mundo Odeia o Chris’, Dodgers tenta bicampeonato na final do beisebol

Toronto Blue Jays sonha quebrar jejum de 30 anos contra os atuais campeões da MLB (que tem o melhor cachorro-quente dos Estados Unidos)

Foto: Paramount+

A noite promete ser histórica na Major League Baseball (MLB). A final da World Series deste ano coloca frente a frente o Los Angeles Dodgers — atuais campeões — e o Toronto Blue Jays, que sonham em encerrar um jejum que já dura três décadas. A série é disputada em melhor de 7 jogos: vence quem chegar primeiro nas quatro vitórias. É o formato clássico do beisebol americano, que faz cada partida parecer uma final por si só, com drama, estratégia e emoção em cada rebatida.

O Blue Jays vive o momento da redenção. Desde o título conquistado em 1993, a franquia canadense nunca mais levantou o troféu. Foram anos de altos e baixos, tentativas frustradas e reconstruções que pareciam nunca engrenar. Agora, com uma nova geração de talentos e um elenco ajustado, o time volta à decisão com sede de história — não apenas para os torcedores locais, mas para todo o Canadá, que vê o beisebol como uma paixão silenciosa, porém fiel.

Do outro lado, os Dodgers chegam embalados e comandados pela maestria de Shohei Ohtani. Campeões na última temporada, a equipe californiana mantém o peso da tradição e do favoritismo. São um dos clubes mais simbólicos da MLB, conhecidos pelo glamour de Los Angeles, pela força do elenco e — claro — pelo título de “melhor cachorro-quente dos Estados Unidos”, segundo o lendário Julius de Todo Mundo Odeia o Chris. O personagem eternizou o amor pelos Dodgers e virou um símbolo curioso da cultura pop esportiva, mostrando como o time ultrapassa o campo e vive também no imaginário popular.

A série promete ser equilibrada, com o time de Toronto buscando quebrar o jejum e o de Los Angeles tentando manter sua dinastia moderna. A cada entrada, o que se vê é mais do que um jogo: é uma batalha de gerações, estilos e histórias. No fim, a World Series não é apenas o auge do beisebol — é um retrato fiel da emoção americana em outubro. E, desta vez, pode ser o mês em que o Blue Jays volta a sorrir ou o Dodgers confirma, mais uma vez, que o trono da MLB é mesmo de Hollywood.

Foto: ESPN

Três Graças: Enfim a novela do ano chegou

Foto: Globoplay

Desde o primeiro capítulo, “Três Graças” mostrou que Aguinaldo Silva continua sendo um dos mestres da teledramaturgia brasileira. Logo na estreia, o autor deixou claro que sabe conduzir uma boa história — com ritmo, mistério, diálogos afiados e personagens que já nasceram marcantes. É o tipo de trama que prende o público desde a primeira cena, com uma trilha sonora que caiu como uma luva – especialmente na abertura com a “Clareou”, composta por Rodrigo Leite e Serginho Meriti.

Já o elenco é simplesmente impecável. Cada ator parece ter sido escolhido a dedo, e a química entre eles salta aos olhos. Há uma harmonia de talento e presença que faz o telespectador acreditar em cada gesto, em cada emoção. Dá pra sentir que o elenco está entregue, confiante no texto e na direção. Desde Dira Paes a Grazi Massafera, Marcos Palmeira, Arlete Salles; e com a estreia de Belo nas novelas, o elenco é primoroso como não se via há tempos.

A novela está tratando de muitos temas importantes, mas um se destaca como o mais sério e necessário de ser abordado: a falsificação de remédios. Um assunto grave, com repercussões reais na vida de milhares de pessoas de baixa renda, e que ganha na trama um olhar humano e ao mesmo tempo eletrizante no roteiro. É uma mistura perfeita entre crítica social e puro entretenimento — marca registrada de Aguinaldo Silva. E cá entre nós, poucas coisas me enojam tanto na corrupção como mexer com a saúde das pessoas. Isso vai desde o hospital público sem condições de atendimento a falsificação de remédios essenciais.

Três Graças” é uma novela com um enredo sólido, que não se perde em exageros ou tramas paralelas sem propósito. Não enfia publi a todo custo como a novela anterior. É envolvente, bem escrita e visualmente linda. Ela é realista e atinge o povo de verdade. Tudo indica que, enfim, veio aí um grande sucesso do horário nobre — do tipo que o público sentia falta e a TV brasileira precisava resgatar. Depois de tanta coisa mal feita nesse horário, a emissora acertou a mão de vez para entregar um novelão. O público agradece!

“Êta Mundo Melhor” está mais para “Êta Mundo Pior”

Sobrou até pro Burro Policarpo que foi parar – acredite – na cadeia…

Foto: Globoplay

Sinceramente, a novela oriunda de “Êta Mundo Bom” devia se chamar “Êta Mundo Pior”, porque de “melhor” não tem absolutamente nada. É uma sucessão de histórias tristes, chatas, arrastadas, que deixam a gente mais desanimado do que empolgado. Parece que os vilões resolveram fazer fila pra se dar bem enquanto o pessoal legal só sofre — e sofre com gosto! Nem a abertura salva, pois a antiga era bem melhor (nada contra a Lauana Prado que canta a versão atual).

Falando em trilha sonora, com tanta música boa de Zezé di Camargo & Luciano, foram colocar a clichê “É o Amor”?! Os personagens dessa vez também vão de mal a pior. Aquela Dona Cunegundes, então… insuportável! Conseguiu superar a si mesma em chatice e arrogância desde a última vez que a gente assistiu. É cada cena que dá vontade de mudar de canal. Outra chata é a tal da Zuma, que atormenta a vida das crianças do orfanato e do Candinho. Nem precisamos falar da maldição do vilão Ernesto e da sua amada Sandra.

Para completar o combo do absurdo, até o Burro Policarpo foi parar na cadeia essa! Gente, prenderam o burro! O verdadeiro protagonista! Que sentido tem isso? É novela, mas poxa… tem limite pro exagero. Nem o Boi Bandido passou por uma humilhação dessas em “América”. A impressão que dá é que esqueceram a leveza, o humor e a esperança que faziam parte da primeira versão, que foi lindamente inspirada em Mazzaropi.

A novela virou uma maratona de desgraças – como a perda de memória da Estela – e o telespectador fica ali, esperando um respiro que nunca vem. Êta Mundo Melhor? Nada disso. Está tudo pior mesmo. Do jeito que a coisa vai, nem o otimismo do Candinho dá conta de salvar essa história. Aí deixam as coisas boas passarem tudo corrido no último capítulo. Ah, cansamos… Que venha a reprise de “Rainha da Sucata”. E que saudades de “Garota do Momento”!

Série sobre o legado de Chico Anysio, maior humorista do país, estreia no Globoplay

Foto/Reprodução: Globoplay

Desde sua origem humilde em Maranguape (Ceará), Chico Anysio construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras do riso fácil para se tornar uma referência artística multifacetada. Ele criou centenas de personagens — com traços exagerados, mas sempre com alguma ponta de humanidade — que permitiam caricaturar tipos brasileiros, criticar vícios sociais, explorar linguagens do humor (rádio, TV, teatro) e fazer reflexões sutis sobre identidade, desigualdade, poder. Sua versatilidade impressiona: ator, roteirista, cronista, radialista, ator de cinema e sempre reinventando formatos. É quase impossível contar a história do humor no Brasil sem passar por Chico: ele marcou o desenho do humor de massa, ajudou a formar plateias — gerar risadas, empatia, reconhecimento — e abriu espaço para que humoristas posteriores caminhassem sobre terreno fértil. Foi o primeiro a fazer stand-up quando esse termo nem era usado ainda.

No âmbito da televisão, Chico Anysio foi um dos pioneiros em construir estruturas de programas de humor em que os personagens eram centrais, mais do que as tramas propriamente ditas. Programas como Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raimundo, especiais de humor e quadros humorísticos diversos, permitiram que seu criador explorasse estereótipos regionais, sociais, de classe, expandindo o que se podia fazer em linguagem televisiva. Ele também foi importante na inovação de formatos — por exemplo no uso de videotape, de gravações externas, de personagens que “viviam” fora dos limites de cada programa, entrando em entrevistas, participações, crossovers — e tudo isso ajudou a moldar como o humor era entendido e consumido pela TV brasileira.

A série documental Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem, que estreou no Globoplay em cinco episódios, oferece uma visão renovada desse legado — não só celebratória, mas também crítica e humana. Dirigida e roteirizada por Bruno Mazzeo, filho de Chico, ela recua no tempo: infância no Ceará, primeiros passos no rádio, a chegada ao Rio, os desafios que ele enfrentou, os sucessos que consolidaram sua reputação. Segundo Bruno, “a série não é uma ‘homenagem’, um ‘especial’, mas um mergulho não só na obra, mas na alma de Chico Anysio.”  Ele diz também que esse documento lhe parece “o mais especial dos meus trabalhos”, “um filho juntando o quebra-cabeças da vida do pai”.  Ela mostra Chico como Francisco, com falhas, inseguranças, dificuldades pessoais, relações familiares complexas — não apenas o humorista eterno, mas também o homem por trás das máscaras. 

O que isso significa para o entretenimento brasileiro? Primeiro, que revisitar sua trajetória contribui para revalorizar o humor clássico, compreender de onde vieram muitas das nossas formas atuais — stand up, esquetes, comédia de personagens, sátira social. Segundo, permite uma reflexão sobre os limites do humor, sobre o que era aceitável em diferentes épocas, e como Chico soube adaptar-se, avançar, provocar — até despontar como ponto de referência para humoristas de hoje. Ter Bruno Mazzeo à frente desse projeto traz uma camada afetiva e de intimidade, uma memória de família que também serve como memória cultural. A série oferece ao público mais jovem o contato com vivências que talvez não conhecessem; para quem já era fã, a possibilidade de enxergar além do personagem, de entender decisões, contradições, sacrifícios. Em suma: a obra reforça que Chico Anysio não foi apenas um comediante de todas as classes e de muitas vozes, mas alguém cujo trabalho ajudou a moldar o Brasil que ri — e, nesse rir, se reconheceu em seu legado.

Enfim uma novela de verdade: Vem aí “Três Graças”

Vilão que falsifica remédios para população de baixa renda vai movimentar a trama; Belo estreia no horário nobre como ator

Foto: Globoplay

A novela Três Graças, escrita pelo vencedor do Emmy, Aguinaldo Silva; chegará trazendo um enredo envolvente e cheio de camadas, daqueles que não apenas entretêm, mas também levantam discussões importantes. Em sua chamada de estreia, vimos que a trama central acompanha três gerações de mulheres — Lígia (Dira Paes), Gerluce (Sophie Charlotte) e Joélly (Alana Cabral) — que compartilham o mesmo destino de engravidar na adolescência e enfrentar a maternidade sem apoio paterno. Essa herança familiar permeia toda a narrativa, enquanto a comunidade fictícia de Chacrinha, em São Paulo, serve de palco para histórias de luta, afeto e resistência.

Mas se o núcleo familiar emociona, é no lado sombrio da novela que o público encontra um dos arcos mais fortes: o esquema de medicamentos falsificados. O vilão Santiago Ferette, interpretado com maestria por Murilo Benício, é um empresário da saúde que se apresenta como benfeitor, mas esconde um crime repulsivo. Em sua fundação, remédios destinados à população carente são substituídos por placebos, condenando pacientes à morte. É um tema pesado, mas necessário, que a novela não tem medo de expor.

Dentro dessa trama, um nome surpreendeu na escalação: Belo. O cantor faz sua estreia em novelas interpretando Misael, um homem marcado pela dor de perder a esposa Viviane justamente por conta dos remédios falsificados. O papel, que inicialmente seria pequeno, ganhou destaque após sua confirmação no elenco, e já mostra que a aposta valeu a pena. Belo entrega emoção e intensidade, revelando um talento dramático que surpreende. O cantor já mostrou potencial na série “Arcanjo Renegado” e agora pode despontar nas tramas de vez com sua interpretação.

Sua participação, inclusive, dá ainda mais peso à crítica social da novela. Misael não é apenas uma vítima: ele representa todos aqueles que sofrem com um sistema de saúde corrompido pela ganância. O embate indireto entre seu personagem e o poderoso vilão de Murilo Benício promete momentos eletrizantes, em que dor e indignação se transformam em luta por justiça. É o tipo de conflito que prende o espectador e amplia a relevância da trama. Outra nuance na trama será o personagem de Enrique Díaz, interpretando um pastor corrupto.

Três Graças já começou com o pé direito. Ao mesmo tempo em que emociona somente com sua primeira chamada, mostrando a saga das mulheres da família Maria das Graças, também denuncia um esquema criminoso atual e plausível, sem medo de incomodar. O público ganha um vilão à altura com Murilo Benício e uma revelação surpreendente com Belo, que mostra que pode ir muito além da música. O teaser potente chegou colocando a novela no radar das mais comentadas do ano e desperta expectativa para seus primeiros capítulos.

Se essa novela com o elenco e a história que tem não emplacar, podem desistir e colocar “O Rei do Gado” de reprise no horário nobre!

Fotos: Globoplay

‘Stans’: Documentário sobre a importância de Eminem no rap é surpreendente

Foto: The Detroit Daily

Nada convencional, o documentário dirigido pelo diretor vencedor do Emmy, Steven Leckart, conta a trajetória do artista mais influente no rap americano nas últimas décadas. “Stans” é um presente para os fãs do rapper e, principalmente, para aqueles que acompanharam a trajetória de Eminem desde o início.

Mais do que revisitar momentos marcantes da carreira, o filme mergulha na relação única entre o rapper e sua base de fãs mais leais — os “stans”, termo que nasceu de uma de suas músicas e acabou se tornando sinônimo de devoção incondicional. O longa não se limita a mostrar estatísticas ou conquistas musicais. Ele traz à tona a forma como Eminem moldou a cultura pop, rompeu barreiras dentro do rap e se consolidou como a voz mais influente e controversa de sua geração.

É impressionante ver como sua música atravessou fronteiras, inspirou artistas e se tornou trilha sonora de diferentes fases da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Mais do que um registro histórico, Stans reforça a importância de Marshall Mathers como ícone que transcende gêneros musicais.

O documentário é surpreendente, provocativo e, acima de tudo, uma celebração do impacto duradouro de um artista que redefiniu o que significa ser uma lenda do rap. Depoimentos de grandes artistas ao longo da produção só mostram como Eminem chegou ao topo, por merecer e se manter gigante em uma indústria onde muitos caem do dia pra noite. “Stans” está disponível no Paramount+, com muita história e trilha sonora nota 10.