Categoria: Estilo de Vida

Joesley Batista está no instagram: O que o empresário compartilha por lá

Foto: @joesleybatista

Sempre acompanhei o trabalho de Zé Mineiro, fundador da empresa goiana Friboi, que foi pioneiro ao levar a produção de carne de qualidade para Brasília em sua construção. E uma de suas filhas, Valere Batista é uma das maiores pecuaristas do Brasil, ao lado do filho Aguinaldo, comandam a Nelore Paranã. A marca é o maior criatório da raça nelore selecionada nos últimos anos, superando a Rima Agropecuária que ocupou esse posto durante anos na raça nelore de elite.

Toda família de seu Zé Mineiro é muito reservada. No entanto, esse ano, Joesley Batista surpreendeu a todos – inclusive a esposa e jornalista Ticiana Villas Boas – ao começar a compartilhar seu dia a dia no instagram. Joesley é um empresário conhecido por sua atuação no setor de alimentos e agronegócio, especialmente na J&F Investimentos, holding que controla empresas como a JBS S.A., uma das maiores processadoras de carne do mundo. Ao longo de sua carreira, Joesley desempenhou um papel fundamental na expansão e consolidação da JBS no mercado global.

Nos últimos meses ele tem buscado se aproximar do público e compartilhar aspectos de sua vida pessoal e profissional por meio das redes sociais. Desde janeiro, Joesley passou a manter um perfil ativo no Instagram, onde compartilha frases motivacionais que fazem parte de sua trajetória, registros de visitas a unidades da JBS, a outras empresas de seu grupo e momentos com sua família. Essa iniciativa reflete uma tendência entre líderes empresariais do agronegócio que utilizam plataformas digitais para humanizar sua imagem e estabelecer uma comunicação mais direta com diferentes públicos.

Ao compartilhar sua rotina e bastidores da vida no setor que atua nas redes sociais, Joesley Batista busca não apenas fortalecer a imagem de suas empresas, mas também inspirar e engajar uma audiência mais ampla, destacando sua trajetória e os princípios que nortearam seu sucesso empresarial. Muitos acionistas do mercado financeiro gostam de conhecer melhor aqueles que gerem parte das ações de sua carteira de investimentos – eu inclusive. Ter Joesley entre nós, instagrammers ativos, deixando a vida low profile de lado é interessante.

Foto: Joesley ao lado da mãe, Dona Flora, que se formou em mais uma faculdade – Teologia – aos 88 anos.

Argentina dá presente de aniversário para Bilardo com goleada no Monumental

Foto: Clarín Deportes

Carlos Salvador Bilardo e a Seleção Argentina sempre estiveram profundamente entrelaçados, em uma relação de devoção, obsessão e glória. Como treinador, ele marcou época ao levar a Albiceleste ao título da Copa do Mundo de 1986, comandando Diego Maradona e um grupo de jogadores que ficaram eternizados na história do futebol. Mais do que um estrategista, Bilardo personificava uma filosofia de jogo e de vida, pautada pela busca incessante por vitórias que deu origem a “Escola Bilardista”. Seu estilo, muitas vezes polêmico, dividia opiniões, mas ninguém jamais questionou sua paixão e entrega pela camisa celeste e branca.

Mesmo após deixar o comando técnico da Seleção, Bilardo nunca se afastou da entidade. Trabalhou como dirigente, comentarista e seguiu sendo uma referência para treinadores e jogadores que vieram depois, principalmente para Alejandro Sabella, vice-campeão do Mundo em 2014 – bilardista como ele. Seu nome se tornou sinônimo de futebol argentino, sendo lembrado tanto pelo sucesso quanto pelo seu jeito peculiar de ver o jogo. Para muitos, Bilardo era mais do que um técnico vitorioso: era um pensador do futebol, um mestre que enxergava além das quatro linhas e sabia como transformar grupos em equipes vencedoras.

Nos últimos anos, Bilardo tem travado uma batalha contra uma doença degenerativa, que o afastou do protagonismo, mas não do amor pelo futebol e pela Seleção. Carlitos como o chamam seus familiares, teve idas e voltas no hospital. Desde o final de 2018 a época da pandemia, “El Doctor” precisou redobrar os cuidados com a saúde em longas internações que teve. Mesmo diante das dificuldades, ele nunca deixou de acompanhar a Albiceleste e seu clube Estudiantes de La Plata, sempre que pode, assistindo aos jogos pela televisão, com o mesmo brilho nos olhos de quem dedicou a vida ao esporte. Ver a Argentina em campo continua sendo um dos momentos que mais lhe trazem alegria, um elo inquebrável com a história que ele ajudou a construir.

Foto: TyC Sports

Na semana passada, Bilardo completou mais um ano de vida, 87 carnavais muito bem vividos. Embora sua saúde não seja mais a mesma, o carinho que recebe de jogadores, torcedores e admiradores demonstra o quanto ele é querido e respeitado. Sua influência segue viva, não apenas nos bastidores do futebol porteño, mas também no coração dos argentinos que reconhecem sua importância na construção do DNA vencedor da Seleção. Para cantar o “feliz cumpleaños” ele recebeu a visita de seis campeões mundiais de 1986 comandados por ele. E claro, sua imagem com o bolo rodou o país e ficamos imensamente felizes em ver um registro seu inédito.

A vitória da Argentina sobre o Brasil no Clássico desta noite disputado no épico Monumental de Núñez é, sem dúvidas, um presente de aniversário atrasado para Bilardo. 4 vs 1 para a felicidade dos bilardistas e de seu mentor. Um presente que ele certamente recebeu com emoção, vibrando como nos velhos tempos assistindo pela TV em seu sofá azul. Diz o irmão de Bilardo, Jorge, que ele está encantado com essa nova geração, a geração que devolveu a Copa do Mundo ao país depois de 36 anos. Ver a Albiceleste campeã novamente, triunfando nos grandes jogos e consolidando sua força no cenário mundial, é algo que o eterno treinador mais do que ninguém merecia presenciar. O melhor é que ele assiste tudo pela TyC Sports, melhor emissora argentina – sem clubismo.

O tricampeonato da Argentina conquistado no Qatar em 2022 e as vitórias recentes da equipe, são a prova de que o legado de Bilardo segue vivo. Sua influência ultrapassa o tempo e continua inspirando aqueles que vestem a camisa celeste e branca, até mesmo Lionel Scaloni, que teve como um de seus mentores o Sabella. A Seleção de hoje carrega sua mentalidade vencedora, sua fome de glória e superação que nunca foram perdidas, mas agora é recompensada por títulos. E, enquanto houver futebol, Carlos Bilardo será lembrado como um dos grandes responsáveis por transformar a Argentina em uma potência mundial. Sem esquecer, claro, de uma mãozinha do Maradona nisso tudo.

Piruinha se foi, mas sua vida boêmia deixou uma enorme briga pela herança

Duas mulheres e 24 filhos estão na disputa pelo espólio do mais antigo membro da cúpula dos bicheiros cariocas;

Foto/Reprodução: O Globo

O espólio do nosso querido bicheiro Piruinha se tornou um dos casos mais comentados do submundo do jogo do bicho. Figura controversa e carismática, Piruinha construiu um império em apostas, maquininhas caça-níqueis, financiamentos obscuros e influência nos bastidores da política carioca e do Carnaval. Com sua morte, uma disputa feroz por sua fortuna veio à tona, envolvendo herdeiros, uma porrada de filhos, aliados de confiança e figuras que emergiram das sombras reivindicando parte do patrimônio. O caso rapidamente virou um enredo digno de novela policial, do jeito que o boêmio gostava.

A principal questão girava em torno da real extensão de sua riqueza. Oficiais estimavam que Piruinha movimentava milhões, mas seus bens registrados eram modestos, incluindo algumas casas e uma frota de carros de luxo. No entanto, os boatos indicavam que o grosso do dinheiro estava oculto em contas no exterior, cofres secretos e investimentos feitos em nomes de laranjas. O bicheiro que parecia ser o mais simples e pregava a paz nos episódios de “Vale o Escrito”, do Globoplay, era low-profile em relação a sua verdadeira fortuna. A busca por esses valores mobilizou tanto autoridades quanto antigos associados, cada um tentando se beneficiar da herança do contraventor.

No embate para provar a união estável com o bicheiro José Caruzzo Escafura, nome oficial de Piruinha, que morreu em janeiro aos 95 anos, duas mulheres disputam o posto de “viúva” do contraventor. Há dezenas de fotos, contrato extrajudicial, carteirinha de visitação em presídio e até imagens da própria série “Vale o Escrito” usados como provas. Desde a morte do bicheiro, Rosilene Leonardo e Edclea das Neves, ambas de 60 anos, pediram ao juízo da 1ª Vara de Família da Regional Barra da Tijuca, por meio de seus advogados, para se habilitarem à herança de Piruinha, junto aos 24 filhos do falecido. Detalhes de todo início desse processo você confere na matéria de Vera Araújo em sua coluna no O Globo.

Recentemente, investigações trouxeram à tona detalhes obscuros sobre os negócios de Piruinha. Documentos vazados indicavam pagamentos a policiais e políticos, além de ligações com empresas fantasmas usadas para lavar dinheiro. O desenrolar do caso revelou não apenas a extensão de sua fortuna oculta, mas também o alcance da corrupção sustentada por seu império. No meio disso tudo, as autoridades tiveram dificuldades para confiscar bens, já que muitos simplesmente “desapareceram” antes mesmo que pudessem ser registrados oficialmente.

Piruinha sempre foi uma figura à parte no jogo do bicho. Diferente dos demais bicheiros, ele tinha um carisma único, um jeito conciliador que o destacava dentro da cúpula. Nos últimos anos, em meio à disputa pelo espólio de Maninho, ele tentou intervir como uma ponte mediadora, especialmente na briga entre a família Garcia e Bernardo Bello. Não era apenas um articulador, mas alguém que compreendia o peso das rivalidades e buscava evitar que o jogo saísse do controle.

Seu legado, de certa forma, transcende o próprio jogo. Ele simbolizava o prazer de viver, a ideia de que no fim das contas, nada se leva desta vida — apenas a vida que se leva. E ele soube viver, com o samba que gostava, com alegria que partilhava, bebida boa e diversão com muita mulher, como ele mesmo declarava. Além do mais, sua morte não foi nenhuma emboscada com tiros na porta de academia ou explosão num carro. Piruinha se foi porque era sua hora. Concluir a jornada no jogo do bicho assim é para poucos!

Foto: Globoplay

Poucos países abominam a Ditadura Militar como a Argentina

Foto: Boca Jrs

Hoje é o Día Nacional de la Verdad y la Justicia, um feriado na Argentina celebrado neste 24 de março, em memória das vítimas da última Ditadura Militar que governou o país entre 1976 e 1983. A data marca o golpe de Estado que, em 24 de março de 1976, deu início a um regime autoritário responsável por graves violações dos direitos humanos, incluindo perseguições, torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos de milhares de cidadãos. Criado oficialmente em 2002, o feriado tem como objetivo manter viva a memória das vítimas, promover a busca pela verdade e reafirmar o compromisso da sociedade argentina com a justiça.

Durante a ditadura, o governo militar implementou um sistema repressivo que eliminava opositores políticos, censurava a imprensa e utilizava métodos cruéis para silenciar qualquer forma de resistência. Estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham sido sequestradas e desaparecidas nesse período, muitas delas mantidas em centros clandestinos de detenção. Entre as vítimas estavam estudantes, intelectuais, trabalhadores e militantes políticos. O regime também foi responsável pelo roubo sistemático de bebês de prisioneiras grávidas, que eram entregues a famílias ligadas ao governo.

A Ditadura Argentina foi uma das mais violentas no mundo, com mortes brutais de inocentes e corpos jogados no Rio La Plata em aviões militares, com vítimas ainda vivas após muitas sessões de tortura. O tema da memória, verdade e justiça é um dos poucos capazes de unir todas as torcidas de futebol na Argentina, independentemente das rivalidades históricas entre os clubes. Nos dias que antecedem 24 de março, é comum ver faixas, bandeiras e manifestações nos estádios lembrando os desaparecidos da ditadura, muitos deles torcedores e até jogadores de diferentes equipes.

Com a redemocratização do país em 1983, começaram os esforços para julgar os responsáveis pelos crimes da ditadura e garantir que tais atrocidades nunca mais se repetissem. O Día de la Verdad y la Justicia reforça essa luta, destacando a importância de lembrar o passado para evitar que regimes autoritários voltem a se instaurar. Todos os anos, manifestações e atos públicos são organizados em diversas cidades argentinas, com a participação de organizações de direitos humanos, como as Madres y Abuelas de Plaza de Mayo, que continuam buscando informações sobre os desaparecidos e seus filhos.

Além das manifestações, a data também é marcada por atividades educativas e culturais que promovem reflexões sobre a democracia, os direitos humanos e a memória histórica. Escolas, universidades e centros culturais realizam debates, exibições de filmes e exposições para conscientizar as novas gerações sobre os horrores da ditadura e a importância de defender as liberdades individuais. Dessa forma, o feriado se torna um momento de aprendizado coletivo e reafirmação dos valores democráticos.

O Día Nacional de la Verdad y la Justicia representa um compromisso da sociedade argentina com a memória, a verdade e a justiça. Ao recordar as vítimas e exigir a responsabilização dos culpados, a Argentina reforça sua posição contra o esquecimento e reafirma a necessidade de preservar a democracia. O feriado não é apenas um dia de reflexão sobre o passado, mas também um alerta para o presente e o futuro, garantindo que as lições da história não sejam ignoradas. E poucos países tratam o assunto com tanta seriedade como a Argentina.

Um dos marcos recentes na representação desse período da história argentina é o filme “Argentina, 1985”, dirigido por Santiago Mitre. O longa retrata o histórico Julgamento das Juntas, no qual os principais responsáveis pela ditadura foram levados a tribunal e condenados por crimes contra a humanidade. Protagonizado por Ricardo Darín no papel do promotor Julio Strassera, o filme destaca a importância da busca por justiça e o desafio de enfrentar um sistema ainda influenciado por remanescentes do regime militar. Argentina, 1985 recebeu grande reconhecimento internacional, sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2023, reforçando a relevância dessa história e a necessidade de manter viva a memória dos horrores da ditadura para que nunca mais se repitam.

Ditadura nunca mais! ¡Nunca más!

Todas as gerações precisam assistir “Adolescência”, sucesso do momento na Netflix

Foto: The Guardian

Sucesso do momento na Netflix, a série “Adolescência” é composta por quatro episódios filmados em plano-sequência que mexem com a cabeça de todos que assistem. A trama gira em torno de Jamie Miller, um garoto de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, explorando as consequências desse evento para sua família, a terapeuta e o investigador encarregado do caso.   

A narrativa inicia com a prisão abrupta de Jamie pela polícia, que invade a residência dos Miller. Durante os interrogatórios, Jamie mantém sua inocência, afirmando não ter cometido o crime. A investigação, liderada pelo inspetor Luke Bascombe (Ashley Walters), enfrenta dificuldades para obter respostas claras, enquanto a psicóloga Briony Ariston (Erin Doherty) busca compreender a mente do jovem acusado. O pai de Jamie, Eddie Miller (Stephen Graham), luta para aceitar a situação e apoiar seu filho diante das crescentes pressões da mídia e da opinião pública.

“Adolescência” mergulha em questões contemporâneas como violência juvenil, bullying, masculinidade tóxica e a influência das redes sociais na vida dos adolescentes. A série destaca como a necessidade de aceitação e a exposição online podem impactar negativamente o comportamento dos jovens, levando a consequências trágicas. Ela ainda aborda o tema dos “incels”, termo que se refere aos “celibatários involuntários”, que são pessoas que se descrevem como incapazes de ter um relacionamento ou uma vida sexual, embora desejem estar em uma relação.

A série foi criada por Stephen Graham, “um dos atores britânicos mais prolíficos”, como o The Guardian define o artista do momento no streaming. Dirigida por Philip Barantini, a trama se destaca por sua técnica de filmagem em plano-sequência como já dito, proporcionando uma experiência imersiva e intensa ao espectador. Essa abordagem exige coreografias precisas e atuações sincronizadas, resultando em uma narrativa contínua e envolvente.

O elenco conta com performances notáveis: 

• Stephen Graham como Eddie Miller, o pai atormentado que busca entender os eventos que envolveram seu filho;

• Owen Cooper interpreta Jamie Miller, entregando uma atuação complexa e profunda como o jovem acusado. Para seu primeiro trabalho na vida é algo impressionante;

• Ashley Walters no papel do inspetor Luke Bascombe, determinado a desvendar a verdade por trás do crime;

• Erin Doherty como a psicóloga Briony Ariston, que tenta acessar a psique de Jamie para compreender suas motivações;

A química entre os atores e a profundidade emocional de suas interpretações são amplamente elogiadas pela crítica.. “Adolescência” recebeu aclamação internacional, alcançando 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Críticos destacam a série como uma das melhores produções da Netflix, elogiando sua abordagem realista e atuações impactantes. A produção também liderou a lista de séries mais assistidas na plataforma em diversos países, incluindo o Reino Unido, onde houve propostas para exibir-la em escolas como forma de fomentar debates sobre as questões abordadas.

“Adolescência” é uma série que combina uma narrativa envolvente com uma execução técnica impressionante. Ao abordar temas relevantes e atuais, a produção não apenas entretém, mas também provoca reflexões profundas sobre os desafios enfrentados pela juventude na era digital. Todas as gerações precisam assistir a série, pois a abordagem dela vai mexer com tudo o que estamos vivendo nos novos tempos do domínio da internet na mente da nova geração. A obra é recomendada para aqueles que buscam um drama intenso e significativo para refletir sobre nossos comportamentos na vida dentro e fora do mundo on-line.

Galvão Bueno precisa parar de meter Ayrton Senna em tudo

Foto/Reprodução: Gazeta Esportiva

Galvão Bueno tem muitas marcas registradas além da voz marcante. O “haja coração”, o “é tetra!”, a voz embargada de emoção… E a mania de comparar todo piloto que aparece com Ayrton Senna. Não importa se é um novato promissor ou um veterano consagrado: se fez algo marcante, lá vem o Galvão com o inevitável “Ai, me lembrou o Senna”. A Fórmula 1 muda, os tempos mudam, mas o fantasma de Senna segue sendo convocado em toda oportunidade.

O caso mais recente foi a ida de Lewis Hamilton para a Ferrari. Bastou sua estreia para Galvão soltar que isso “lembra Senna” em seu comentário no Jornal da Band. Antes disso, quando Charles Leclerc venceu em Monza pela primeira vez, a reação foi a mesma: “Ai gente, preciso falar que ele me lembrou Senna caminhando pro pódio”. Já aconteceu com Verstappen, já aconteceu com Alonso, já aconteceu até com Norris em um dia de chuva e com o Kimi Antonelli que acabou de chegar. A questão é: todo piloto talentoso precisa, obrigatoriamente, ser comparado com Ayrton Senna? O piloto brasileiro faleceu tem 31 anos, nunca terá sossego em ter o nome mencionado em vão, não só por Galvão, mas por todo mundo?

É compreensível que Senna tenha esse impacto no esporte até hoje. Ele foi um dos maiores da história e sua morte precoce congelou sua imagem no imaginário popular. Mas essa necessidade de colocá-lo como referência para tudo e todos acaba até desvalorizando seu próprio legado. Senna era único, tinha um estilo de pilotagem particular e um carisma que não se repete. Ficar tentando enxergar Senna em cada piloto que surge não apenas soa forçado, mas também tira o brilho da individualidade de cada um. Outro ponto, mencionar Senna em coisas fúteis também enche o saco.

A verdade é isso cansa. Vale lembrar que cada piloto tem sua própria história, óbvio. Hamilton é um fenômeno por méritos próprios. Leclerc venceu em Monza pelo talento e pela garra dele, não porque “parece Senna”. Verstappen domina a Fórmula 1 com um estilo muito diferente. Cada um constrói seu caminho, e forçar paralelos com Senna apenas cria expectativas irreais e comparações injustas.

No fundo, essa insistência em lembrar Senna o tempo todo diz mais sobre Galvão do que sobre os pilotos. Ele narrou a era Senna, viveu aquele auge e nunca conseguiu realmente desapegar. Seu entusiasmo é genuíno, mas chega um momento em que isso se torna cansativo. A Fórmula 1 segue em frente, novos ídolos surgem, mas Galvão continua preso ao passado. O verdadeiro viúvo de Senna é ele, nem é a Galisteu.

O mais curioso é que, se estivesse vivo, Senna provavelmente ficaria incomodado com essa mania de associá-lo a tudo. Ele queria ser lembrado como um grande piloto, mas também sabia que o automobilismo é uma evolução constante. Talvez seja hora de fazer o mesmo. Ayrton Senna foi uma lenda viva, um ícone, mas já passou da hora de deixá-lo descansar em paz. Aliás, feliz aniversário, Senninha. Hoje foi minha vez de colocar seu nome em vão, mas no intuito disso diminuir ou acabar de vez. Descanse e mande abraços aí em cima para o Gugu, outro que tem zero dias de paz.