Categoria: Estilo de Vida

Documentário sobre Raimundos revive grandeza da banda mergulhando no embate das personalidades de Rodolfo, Digão, Canisso e Fred

Do auge a queda, “Andar na Pedra” traz a história da principal banda de punk rock do Brasil de forma inédita no Globoplay

Foto: Reprodução

O documentário Andar na Pedra mergulha de cabeça na história de Raimundos, entregando muito mais do que uma simples linha do tempo da banda. Ao longo de cinco episódios, a produção abre os bastidores de forma crua, mostrando conflitos, excessos, decisões difíceis e, principalmente, a personalidade única de cada integrante da formação original: Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred. É aquele tipo de conteúdo que prende não só pelo que conta, mas pela forma honesta como escolhe contar.

O grande eixo emocional da narrativa está em Rodolfo. O documentário se aprofunda na mente e nas atitudes do vocalista, mostrando como sua intensidade foi tão fundamental para o sucesso quanto para a ruptura. Sua saída da banda não é tratada de forma superficial — pelo contrário, ganha camadas, contexto e peso. É ali que o espectador entende que o fim de uma era não aconteceu de repente, mas foi sendo construído aos poucos, em meio a conflitos internos e mudanças pessoais profundas.

Do outro lado, Digão emerge como uma figura central na reconstrução. O que antes era “apenas” um guitarrista se transforma em um verdadeiro pilar da banda. O documentário mostra bem esse processo de transição, quase como uma passagem de bastão forçada, em que ele precisa assumir responsabilidades, liderança e até a identidade do Raimundos em um novo momento. É um retrato de resiliência, mas também de pressão — porque manter viva uma banda tão marcante nunca foi uma tarefa simples.

E se tem algo que Andar na Pedra deixa claro é a essência do Raimundos: o caos criativo equilibrado por talento bruto. Canisso representa essa alma irreverente e visceral, enquanto Fred surge como a mente organizadora, o cara que colocava ordem na casa e transformava energia em música. O resultado é um documentário completo, viciante e impossível de assistir aos poucos — daqueles que você começa e só percebe que acabou quando já maratonou tudo. Para fãs de rock nacional, especialmente dos anos 90 e 2000, é mais do que recomendação: é praticamente obrigatório.

Feliz cumpleaños, Maestro Bilardo

Maior técnico da história da Argentina, ‘el doctor’ completa 88 anos de vida, enfrentando doença degenerativa

Foto: Clarín Deportes

O maestro mor do futebol, Carlos Bilardo completou nesta semana, 88 anos de vida. Figura emblemática do futebol argentino, ele não é apenas lembrado pelos títulos, mas principalmente por ter criado uma filosofia própria dentro do esporte. Para muitos, é o maior treinador da história da Seleção Argentina, alguém que transformou a forma de competir e pensar o jogo, sempre com um olhar obsessivo pelos detalhes e pela vitória. “El doctor” foi um técnico muito além dos gramados, usando sua profissão, a Medicina, para ter um estilo diferenciado e uma visão única que o fez ser lendário.

A consagração máxima veio na Copa do Mundo FIFA de 1986, quando liderou a Argentina ao título mundial, tendo como grande protagonista Diego Maradona. A conquista não apenas eternizou seu nome, como também consolidou o chamado “Bilardismo” — uma escola que valoriza estratégia, disciplina tática e o resultado acima de qualquer estética. Bilardo não queria só ganhar, queria controlar cada variável possível dentro de um jogo. Da sua ‘escola’ saíram devotos como Diego Simeone, Carlos Bianchi, Diego Dabove, Lionel Scaloni e Alejandro Sabella.

Mas a genialidade de Bilardo sempre veio acompanhada de histórias peculiares, quase folclóricas. Uma das mais conhecidas aconteceu em 2004, quando, comandando o Estudiantes de La Plata, deu uma mistura de coca-cola com cafiaspirina ao jogador Marcos Angeleri durante uma partida contra o Quilmes. A ideia? Ajudar na recuperação física, o acordar e manter o atleta em campo, evidenciando seu estilo nada convencional e sua disposição de ir além dos métodos tradicionais.

Atualmente, Bilardo enfrenta uma doença degenerativa desde 2014, vivendo de forma mais reservada em casa, cercado de cuidados e carinho. Ainda assim, segue recebendo visitas frequentes, especialmente de ex-jogadores daquela geração histórica de 1986, que fazem questão de retribuir tudo o que ele representou em suas carreiras. Nos últimos anos, seu estado tem sido considerado estável, dentro das limitações da doença, e há um conforto simbólico que emociona: ele pôde ver e reconhecer a conquista da Seleção Argentina na Copa do Mundo FIFA de 2022.

Existe uma imagem marcante dele, sentado no sofá, assistindo a uma entrevista de Lionel Messi com a taça nas mãos — um retrato silencioso de alguém que ajudou a construir o caminho para que a Argentina voltasse ao topo do mundo. Entre a genialidade e a obsessão, Bilardo construiu uma carreira que vai muito além das quatro linhas. Sua influência segue viva no futebol argentino até hoje, dividindo opiniões, mas sempre impondo respeito. Afinal, poucos treinadores conseguiram deixar uma marca tão forte, criando não só um time vencedor, mas uma verdadeira forma de enxergar o futebol.

(Foto feita na última segunda (16), dia em que Bilardo comemorou seu aniversário em casa)

Coração Acelerado: Novela ultrapassada, sem enredo e difícil de assistir

Público não comprou a ideia e conta os dias para trama sair do ar. Era coisa para ser feita em 2012

Foto: Instagram

A novela Coração Acelerado chegou com a promessa de misturar drama, música e o universo sertanejo, mas na prática acabou se tornando uma produção confusa e difícil de acompanhar. O problema principal parece estar no enredo, que simplesmente não se sustenta. As histórias não se conectam direito, os conflitos não prendem a atenção e o público fica com a sensação de que está assistindo a cenas soltas, sem um rumo claro. Falta direção narrativa, falta objetivo — e novela sem história forte vira um teste de paciência.

O mais curioso é que o elenco não é o problema. Pelo contrário: há bons atores e atrizes no projeto, gente com experiência e talento suficientes para carregar tramas interessantes. Só que a novela não sabe aproveitar esse potencial. Personagens aparecem sem profundidade, arcos dramáticos começam e não evoluem, e muitos talentos acabam desperdiçados dentro de uma história que não encontra seu próprio tom.

Outro ponto que pesa contra a trama é o desequilíbrio típico das novelas mal conduzidas: a vilã parece estar sempre vencendo. Conflito é importante em dramaturgia, claro, mas quando o mal se impõe o tempo todo sem contraponto convincente, o público começa a perder o interesse. Fica cansativo acompanhar uma história em que a sensação constante é de frustração.

Nem mesmo a trilha sonora — que deveria ser um dos grandes atrativos de uma novela ambientada no universo sertanejo — consegue empolgar. Falta aquele impacto cultural que outras produções musicais já tiveram na televisão brasileira. As músicas hoje não estouram, não viram assunto, não criam identificação com quem está assistindo. É como se tudo passasse sem deixar marca. E a abertura, que todos esperavam a música “Fora do Compasso” e enfiaram uma da Ana Castela, mais saturada que tudo de tanto aparecer?

No fundo, Coração Acelerado também parece uma novela fora do seu tempo. A ideia de uma trama centrada no universo sertanejo talvez funcionasse muito melhor lá por 2012 ou 2013, quando esse tipo de estética estava mais alinhado com o momento cultural da TV. Hoje, com o público mais exigente e acostumado a narrativas mais dinâmicas, a produção soa datada — e acaba se tornando uma novela difícil de engolir.

Se quiser ter chances reais nas eleições, PSD precisa lançar Ratinho Jr para ontem

Crise do Banco Master de Vorcaro vai bater nos líderes das pequisas, Lula e Flávio Bolsonaro. Brecha para terceira via crescer é agora

Foto: Estadão SP

Caso queira ter alguma chance real de disputar a Presidência em 2026, o PSD precisa parar de hesitar e apostar logo em um nome: Ratinho Jr.. Em política, tempo é tudo — e quem demora demais para decidir acaba chegando atrasado na corrida. O partido tem hoje alguns nomes possíveis no campo de centro-direita, mas a indecisão pode custar caro.

O cenário começa a abrir uma fresta inesperada. O escândalo envolvendo o Banco Master pode respingar justamente nos dois nomes que hoje aparecem como protagonistas da polarização nacional: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Se a crise política ganhar corpo, abre-se espaço para uma alternativa fora desse duelo já conhecido que domina o debate público desde 2018.

É justamente aí que entra a possibilidade de crescimento de Ratinho Jr.. Jovem para os padrões da política nacional, governador bem avaliado no Paraná e com perfil menos ideológico, ele poderia se apresentar como um nome de renovação moderada. Mas isso exige construção de imagem nacional desde já — algo que não se faz em seis meses de campanha. Ter sangue novo ajuda muito, mas mostrar a experiência que já se tem provando capacidade para governar leva tempo ao chegar no eleitor.

O problema é que o PSD ainda parece preso em discussões internas, tentando decidir entre Ronaldo Caiado, Eduardo Leite ou o próprio Ratinho Jr.. Essa dúvida estratégica pode acabar diluindo a força de um partido que, vale lembrar, foi o que mais elegeu prefeitos nas eleições municipais de 2024, demonstrando capilaridade e presença política em todo o país.

Se existe um partido com base municipal suficiente para lançar um projeto presidencial competitivo, esse partido é o PSD. Mas para transformar estrutura em candidatura viável, será preciso abandonar a cautela excessiva. Em política, quem quer ocupar o espaço da terceira via precisa começar a caminhada antes de todo mundo — e não quando a eleição já estiver batendo à porta.

Ser mulher no Brasil é um inferno

Não é apenas no futebol, como escrevi dias atrás. E não nos venha com florzinha dia 08

Foto: Reprodução

O Brasil vive uma pandemia que não apareceu em boletins epidemiológicos, mas que mata, dilacera e traumatiza todos os dias: a violência contra a mulher. Não é exagero, não é força de expressão — é uma realidade sustentada por números, manchetes e histórias que se repetem com uma crueldade quase automática. São atropelamentos propositais após discussões, são mulheres assassinadas por ex-companheiros inconformados, são estupros que acontecem à luz do dia e também dentro de casa. É uma rotina brutal que já deixou de chocar como deveria.

A cada semana, um novo caso absurdo ocupa os noticiários: mulheres perseguidas, agredidas em elevadores, mortas na frente dos filhos, queimadas, esfaqueadas, silenciadas. Muitas tinham medida protetiva. Muitas pediram ajuda. Muitas avisaram que estavam correndo risco. E mesmo assim, o desfecho foi o mesmo. O ciclo é perverso: ameaça, violência, omissão, luto. E depois, mais uma estatística. Como se a vida delas coubesse apenas em um número frio.

Quando se observa o cenário internacional, o alerta é ainda mais grave. O México aparece com frequência em rankings globais como um dos países mais perigosos para mulheres, especialmente pelos altos índices de feminicídio. Mas o Brasil parece disputar essa posição com uma constância assustadora. A sensação é de que estamos normalizando o inaceitável, como se fosse apenas “mais um caso” em um país que já se acostumou à barbárie.

É impossível não dizer com todas as letras: é um inferno ser mulher no Brasil. É viver com medo de voltar sozinha para casa, de aceitar um encontro, de terminar um relacionamento. É calcular roupa, horário, trajeto. É compartilhar localização em tempo real como estratégia de sobrevivência. É crescer aprendendo que a responsabilidade pela própria segurança é sempre sua — nunca de quem ameaça. Aí chega dia 08 de março é florzinha com adesivo: Feliz dia da mulher… Jura?

E o mais cruel é que essa pandemia não tem vacina simples. Ela exige educação, políticas públicas eficientes, punição rigorosa e, principalmente, mudança cultural profunda. Não basta indignação nas redes sociais depois de cada tragédia. É preciso romper o ciclo estrutural que permite que mulheres continuem sendo tratadas como propriedade, como alvo, como corpo disponível. Enquanto isso não acontecer, continuaremos enterrando sonhos, projetos e vidas. E continuaremos repetindo, com dor e revolta: não é normal. Não pode ser normal. Não aguentamos mais!

Cara de Um, Focinho de Outro: Divertida e emocionante

Animação é bonita e traz forte mensagem da relação do ser humano com a natureza

Foto: Arquivo Pessoal

A nova animação da Pixar em parceria com a Walt Disney Pictures, Cara de um Focinho de Outro, é daquelas histórias que abraçam o coração da gente antes mesmo dos créditos subirem. Visualmente deslumbrante, com cenários naturais riquíssimos em detalhes, o filme mergulha no universo dos animais da floresta para contar uma fábula moderna sobre pertencimento, identidade e, principalmente, a relação do ser humano com a natureza. É leve, é engraçado, mas carrega uma mensagem poderosa que ecoa depois que a sessão termina.

A protagonista, Mabel, é o grande motor da narrativa. Curiosa, questionadora e cheia de energia, ela conduz o público por essa jornada sensível que mistura fantasia e reflexão. Em um dos momentos mais marcantes da trama, Mabel se transforma em uma pequena castor — uma castorzinha — e é justamente a partir dessa transformação que o filme ganha ainda mais força. Ao experimentar o mundo sob outra perspectiva, ela aprende (e ensina) sobre empatia, equilíbrio ambiental e responsabilidade coletiva.

Escolher castores como protagonistas é um acerto delicado e simbólico. São animais conhecidos por construir, transformar o ambiente e viver em comunidade — exatamente como nós. O reino animal é retratado de forma carinhosa, quase poética, tornando tudo ainda mais fofo e encantador. Mas não se engane: por trás da fofura, existe uma crítica sutil sobre como tratamos o planeta e como nossas escolhas impactam todo um ecossistema.

Eu assisti na pré-estreia e saí da sala com aquela sensação gostosa de ter visto algo especial. A estreia oficial é dia 5 de março, e vale muito a pena levar as crianças — e ir preparado para também se emocionar. “Cara de um Focinho de Outro” diverte, encanta e, no final, convida a gente a olhar para a natureza não como cenário, mas como parte essencial da nossa própria história. É Pixar sendo Pixar: entretenimento com alma. Vale o combo, com pipoca e balde!

Foto: Arquivo Pessoal