Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Só um enredo sobre Castor de Andrade salva a Mocidade

É hora de arriscar no tudo ou nada fazendo o enredo da vida e voltar a ter um nome forte na bancada da Liesa

Foto: Mocidade Independente

Mais um ano difícil para a Mocidade Independente de Padre Miguel. O 11º lugar no Carnaval deste ano pesa — e pesa muito. Não foi um desastre visual, não foi um desfile feio, não foi um vexame plástico. Pelo contrário: estava bonito, estava colorido, organizado dentro do possível. Mas Carnaval não se ganha apenas com estética. E esse 11º lugar escancara que está faltando algo que não se compra em barracão: alma. E dói ainda mais quando a gente olha para o resultado e vê a escola atrás da Portela, que, sinceramente, não apresentou algo superior a ponto de justificar a diferença na apuração.

A sensação que fica é que a Mocidade vem correta demais, comportada demais, genérica demais. Parece que falta aquela identidade forte, aquela personalidade que nos tempos áureos fazia a escola entrar na avenida com arrogância de campeã. O enredo de Rita Lee até tinha conceito, mas soava forçado, distante da essência da comunidade. Era bonito? Era. Mas embalou? Não. O samba era difícil, a arquibancada não comprou a ideia, e o desfile passou quase como um intervalo enquanto o público aguardava a avalanche que viria depois com Beija-Flor e outras protagonistas da noite.

A Mocidade precisa reencontrar a própria história. E não tem símbolo maior dessa identidade do que Castor de Andrade. Polêmico? Sem dúvida. Mas foi sob sua liderança que a escola viveu seus tempos mais gloriosos. Um enredo sobre Castor — assumido, sem medo, trazendo também o mascote Castorzinho como símbolo dessa reconstrução — poderia devolver à escola aquilo que está faltando: personalidade. Não é sobre exaltar ilegalidade, é sobre contar a própria história, sobre assumir quem foi e o que representou para a comunidade de Padre Miguel.

Porque do jeito que está, a Mocidade parece desfilar sem pulsação. Falta emoção, falta arrebatamento, falta aquele momento de arrepio que faz o Sambódromo levantar. O 11º lugar mostra que apenas “estar bonito” não basta. Se não houver uma virada de identidade, 2026 corre o risco de ser mais um ano para esquecer. A Mocidade não precisa de mais um enredo técnico; precisa de alma. E alma ela já teve — basta ter coragem de resgatar. Além disso, precisa ainda voltar a ter um presidente de nome forte para defendê-la na Liesa. No mais, vai plantar e colher bons frutos nesse caminho.

Carnaval RJ: Como esperado, Beija-Flor e Viradouro vão disputar o título

Unidos da Tijuca foi tecnicamente bem. Mocidade sem Castorzinho fez desfile colorido. Difícil a vida das quatro escolas que desfilam nessa terça

Foto: Arquivo Pessoal

A segunda noite de desfiles na Marquês de Sapucaí foi, sem exagero, a mais impactante do Carnaval até aqui. Se na primeira noite houve equilíbrio, desta vez houve confronto direto de gigantes. Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro deixaram claro que o título passa por elas. Foi uma noite de emoções fortes, arquibancadas pulsando e a sensação de que assistimos a dois desfiles com cara de campeãs.

A Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou dentro do seu contexto atual, vivendo uma fase delicada, sem patrono e enfrentando dificuldades estruturais. Ainda assim, a escola conseguiu fazer um desfile digno, colorido e vibrante, homenageando Rita Lee com respeito e identidade. Foi um desfile emocionalmente honesto, talvez não brigando pelo título, mas importante para resgatar autoestima. A Mocidade não vinha entregando algo visualmente tão bonito há algum tempo, e isso precisa ser reconhecido.

A Unidos da Tijuca fez um desfile extremamente técnico, correto, bem acabado e totalmente dentro do regulamento para homenagear Carolina Maria de Jesus. Evolução limpa, harmonia segura e alegorias bem resolvidas. O problema? Veio depois de uma verdadeira avalanche causada por Beija-Flor e Viradouro. E no Carnaval, emoção também pesa. A Tijuca fez tudo certo, mas o impacto foi inevitavelmente menor diante do que já tinha passado pela avenida.

Agora, o que a Beija-Flor fez foi transformar a Sapucaí em um verdadeiro “Bem-Bé”. A escola não apenas desfilou: ela arrebatou. É a grande favorita ao título, sem dúvida. Mas do lado, brigando palmo a palmo, está a Viradouro, que homenageou Cissa e surpreendeu muita gente que criticou o enredo no pré-carnaval. As duas são, com folga, as favoritas. É difícil imaginar que Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio ou Unidos de Vila Isabel, que desfilam na terça-feira, consigam tirar o título desse duelo que já está desenhado entre Viradouro e Beija-Flor. O campeonato, hoje, tem duas donas.

Carnaval RJ: Imperatriz desfila sozinha na primeira noite do Especial

Portela e Mangueira tentaram, mas tiveram muitas dificuldades na evolução. Niterói cumpriu tabela. Duas favoritas desfilam nesta segunda

Foto: Arquivo Pessoal

A primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí começou cercada de expectativa, mas terminou com uma sensação agridoce. Tecnicamente correta, visualmente bonita, mas com pouca explosão de emoção. Faltou aquele momento de arrepio coletivo, de avenida pulsando junto, de escola varrendo o chão com autoridade. Em meio a apresentações competentes, apenas uma agremiação conseguiu transformar expectativa em grandeza: a Imperatriz Leopoldinense.

A Imperatriz fez, sim, um grande desfile. O enredo sobre Ney Matogrosso aconteceu — e aconteceu de verdade. Era um risco? Talvez. Mas a escola soube traduzir a ousadia, a teatralidade e a potência do artista em alegorias impactantes e uma narrativa clara. O samba, que vinha sendo questionado por alguns, foi cantado por todos na Sapucaí. Quando a arquibancada compra a ideia, a energia muda. E mudou. Foi o único momento da noite em que se sentiu algo próximo de arrebatamento.

A Acadêmicos de Niterói conseguiu desenvolver bem seu enredo. Houve leitura, houve coerência e organização. Mas faltou aquele diferencial, aquele detalhe que faz o desfile sair da prateleira do “bom” e entrar no campo do memorável. Foi correto, foi digno, mas não foi espetacular. Em noite de Grupo Especial, isso pesa.

Portela decepcionou. A águia passou, mas sem voar alto. Faltou impacto visual, faltou emoção e, principalmente, faltou aquela assinatura que costuma transformar a escola em protagonista. No carro de som, o saudoso Gilsinho fez muita falta. A Estação Primeira de Mangueira foi protocolar demais. Fez o dever de casa, cumpriu roteiro, mas não incendiou a avenida. Carnaval é risco, é entrega, é algo além da técnica.

Agora, a régua sobe. Nesta segunda-feira desfilam duas favoritas declaradas: a Unidos do Viradouro e a Beija-Flor de Nilópolis. Se a primeira noite foi de contenção e apenas um grande momento, a segunda promete disputa de verdade. Porque, até aqui, só a Imperatriz mostrou que quer título com força de campeã. O resto ainda precisa provar na avenida.

Carnaval SP: Mocidade Alegre e Gaviões vão disputar o título de 2026

Império de Casa Verde e Dragões podem dar trabalho para vaga no Top 5

Foto: Twitter

A segunda noite do Carnaval de São Paulo deixou claro que o título tem dono em disputa direta: Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel travaram um duelo de gente grande no Anhembi. Depois de uma primeira noite correta, mas sem grandes arroubos, o sábado entregou exatamente o que se esperava — emoção, impacto visual e escolas com cara de campeãs. Foi uma apresentação mais segura, mais vibrante e tecnicamente mais consistente, elevando o nível da competição.

A Mocidade Alegre desfilou com a segurança de quem sabe o que está fazendo e varreu a avenida. Harmonia afiada, evolução leve e um conjunto estético muito bem resolvido. A escola conseguiu unir luxo e narrativa com inteligência, conduzindo o público do início ao fim sem quedas de energia. Foi aquele desfile que envolve do início ao fim e termina com sensação de missão cumprida. Não houve buracos, não houve sustos — houve confiança.

Já a Gaviões da Fiel veio com força e imponência. A escola apostou em impacto visual e presença cênica, com alegorias grandiosas e fantasias extremamente luxuosas. O canto foi um dos pontos altos da noite, empurrando a escola para frente com intensidade. A Gaviões não economizou em grandiosidade e mostrou que está, sim, pronta para disputar décimo a décimo com a Mocidade. Foi um desfile para brigar na cabeça.

Abrindo os trabalhos no sábado, a Império da Casa Verde cumpriu bem seu papel e também entra como postulante correndo por fora. Luxuosa, organizada e tecnicamente correta, a escola apresentou um conjunto forte, embora talvez sem o mesmo fator de arrebatamento das duas principais concorrentes. Ainda assim, é daquelas que, se a apuração apertar, pode surpreender. Carnaval se ganha nos detalhes.

No fim das contas, São Paulo entregou um carnaval bonito tecnicamente. As escolas estavam bem-acabadas, visualmente ricas e competitivas. Mas faltou aquele desfile que literalmente varre a avenida, que faz o Anhembi tremer do começo ao fim. Quem conseguiu chegar mais perto disso foram justamente Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel. Se título é sobre impacto e memória, a disputa está entre elas. E que disputa!

Carnaval SP: Colorado do Brás e Tatuapé entregam luxo; Dragões fica perdida no enredo mais uma vez

Rosas de Ouro e Vai-Vai, apesar de tradicionais, não empolgam. Campeã deve desfilar neste sábado

Foto: Samba e Carnaval (X)

A primeira noite dos desfiles no Anhembi já mostrou que o Carnaval de São Paulo veio cheio de identidade, mas o seu melhor sempre fica para o sábado – com raras exceções. Teve escola jogando para ganhar e teve escola que ficou devendo. No recorte da estreia, duas se destacaram com folga: Acadêmicos do Tatuapé e Colorado do Brás. Cada uma à sua maneira, mas ambas com leitura clara de campeonato.

A Tatuapé apresentou um enredo de narrativa forte, apostando na emoção e na construção plástica limpa. O desfile veio naquele estilo “Vila Isabel 2013” — referência inevitável ao clássico campeão da Unidos de Vila Isabel com “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”. Foi uma escola organizada, compacta, com evolução redonda e comunidade cantando do começo ao fim. Nada espalhafatoso, mas extremamente eficiente. Desfile estratégico, de quem sabe somar décimo a décimo.

Já a Colorado do Brás apostou em um enredo que brincava com os mistérios da sexta-feira 13, dia em que desfilou – e entregou luxo e riqueza visual. Diferente dos últimos anos, a escola veio imponente. Alegorias grandes, fantasias bem acabadas e uma plástica impactante. Não foi apenas correta — foi opulenta e luxuosa. A Colorado entrou para ser notada, e conseguiu. Harmonia firme, bateria pulsando forte e um conjunto que cresceu ao longo da avenida. Foi um desfile que misturou emoção com poder visual.

Entre as que ficaram abaixo da expectativa, Rosas de Ouro e Vai-Vai decepcionaram. A Rosas apresentou um enredo com proposta interessante, mas faltou impacto e leitura clara na avenida. Já o Vai-Vai, mesmo com sua tradição e peso histórico, não conseguiu transformar seu enredo em espetáculo competitivo — faltou brilho e sobrou irregularidade. Outra que entrega luxo, Dragões da Real mais uma vez desfilou bonita, mas sem emoção e desconectada ao enredo.

A Barroca Zona Sul tinha um bom enredo nas mãos, conceitualmente forte, mas encontrou dificuldades no acabamento das alegorias e fantasias, o que comprometeu a força visual do desfile. É só a primeira noite, e Carnaval se decide nos detalhes. Mas se a pergunta for quem saiu na frente, a resposta é clara: Tatuapé e Colorado do Brás entenderam o jogo. Uma pela estratégia e consistência. A outra pelo luxo e pela imponência. Campeonato aberto, mas a régua já foi colocada lá em cima pelas duas. Que venha o sábadão!