Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Artistas colombianos realizaram grande evento em pról das vítimas do terremoto

Já o presidente De La Espriella não teve boa conduta na primeira crise de seu governo

Foto: RCN Noticias

A música colombiana mostrou, mais uma vez, que pode ser muito mais do que entretenimento. Neste fim de semana, Bogotá recebeu o Colombia: Voces por la Vida, um grande concerto beneficente criado para arrecadar recursos para as vítimas do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país no dia 10 de agosto. Mais de 30 artistas participaram da mobilização, em uma demonstração emocionante de união em um dos momentos mais difíceis da história recente da Colômbia. O evento arrecadou mais de 11 bilhões de pesos colombianos, destinados à reconstrução das regiões afetadas.

Entre os nomes que participaram da iniciativa estavam Maluma, Sebastián Yatra, Manuel Turizo, Greeicy, Andrés Cepeda, Silvestre Dangond, Grupo Niche, ChocQuibTown, Miguel Bosé, Pedro Capó e Eladio Carrión, entre muitos outros. Karol G, que não pôde estar presencialmente por causa de sua agenda internacional, participou por transmissão ao vivo e ainda fez uma doação milionária por meio de sua Fundação Con Cora. A cantora chegou a dizer que aquela era uma das coisas mais bonitas que já tinha visto em seu país.

E essa mobilização não começou nem terminou no palco. Carlos Vives, por exemplo, também colocou seus estabelecimentos à disposição para receber doações, enquanto Maluma transformou espaços ligados à sua fundação, restaurante e loja em pontos de arrecadação. Outros grandes nomes, como Shakira, J Balvin, Juanes e Camilo, também se movimentaram para ajudar as comunidades atingidas. É bonito ver artistas que normalmente disputam espaço nas paradas, nos palcos e nas premiações deixando qualquer rivalidade de lado quando o próprio país precisa deles.

Maluma, aliás, ainda pretende ampliar essa ajuda com outras ações em Medellín. O cantor já se colocou à frente de iniciativas de arrecadação na cidade e vem usando sua estrutura para auxiliar os afetados pelo terremoto. O que a Colômbia está fazendo neste momento é um exemplo poderoso de como a cultura pode servir à solidariedade: quando um país sofre, seus artistas também podem emprestar sua voz, seu público e sua força para ajudar quem perdeu praticamente tudo. A música, nesse caso, não foi apenas trilha sonora da dor — foi uma ferramenta para começar a reconstruir um país.

Já a atuação de Abelardo de la Espriella diante da tragédia também provocou uma forte discussão política. O novo governo foi criticado por limitar, nos primeiros dias, a entrada de equipes internacionais de busca e resgate a grupos de Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador, enquanto outros países que ofereceram apoio, como o México, não tiveram suas equipes autorizadas naquele momento. A decisão levantou suspeitas de que critérios políticos estariam pesando na distribuição da ajuda, especialmente diante da conhecida aproximação de De la Espriella com os Estados Unidos e Israel.

O governo, por sua vez, negou que tenha recusado ajuda por razões ideológicas e afirmou que a seleção das equipes considerou critérios técnicos e de certificação. Ainda assim, a controvérsia acrescentou uma dimensão política a uma crise que, para além de números e disputas diplomáticas, exigia rapidez, união e solidariedade internacional. Em suas primeiras semanas de governo, deu para perceber no que a Colômbia vai enfrentar pelos próximos quatro anos.

Minha amiga namora um piloto que mora do outro lado do mundo e me deu uma aula sobre amor à distância

Eles se encontram 4 vezes durante o ano…

Foto: Arquivo pessoal

Hoje eu tive uma conversa com uma amiga que, sinceramente, me deu uma aula sobre amor, distância, confiança e maturidade. Ela namora um piloto da Qatar Airways. Ela mora em Goiânia e ele mora no Catar. Eles se conheceram em Barcelona (ESP), quando ela viajou para lá, encontrou o perfil dele no Instagram e decidiu procurá-lo. Os dois estavam solteiros, começaram a conversar, se conectaram e, mesmo com milhares de quilômetros entre eles, decidiram investir naquele relacionamento.

E quando eu digo distância, não estou falando de duas pessoas que moram em cidades diferentes ou até em estados diferentes. Eles estão separados por um oceano, por continentes, por um fuso horário completamente diferente e por rotinas que não têm nada a ver uma com a outra. Eles conseguem se encontrar aproximadamente quatro vezes por ano: no aniversário dela, no meio do ano, perto do fim do ano e no carnaval. Quando estão juntos, aproveitam cada segundo. Quando estão longe, vivem o relacionamento da maneira que conseguem.

E foi aí que ela me deu uma verdadeira aula. Ele está presente no dia a dia dela mesmo estando do outro lado do mundo. Manda flores toda semana, manda presentes e encontra formas de demonstrar que está ali. Ela também faz tudo para estar presente na vida dele. Ajusta a própria rotina, acorda de madrugada para conseguir conversar por causa do fuso horário, acompanha a vida dele, participa, conversa e fofoca. Os dois têm suas carreiras, suas próprias vidas, seus compromissos e, ainda assim, conseguem construir um amor que existe mesmo quando não tem a presença física.

Eu fiquei pensando em quantas vezes a gente sofre por passar alguns dias longe de quem ama. Quantas vezes a saudade vira ansiedade, a ausência vira insegurança e a distância parece maior do que realmente é. E aí eu olho para ela, que passa meses longe da pessoa que ama, e vejo uma mulher que aprendeu a confiar, a lidar com a saudade, com o ciúme, com a falta do abraço, com os dias em que tudo o que ela queria era ter aquela pessoa perto. E ela faz isso com uma maturidade que eu ainda estou tentando alcançar.

Essa conversa me fez perceber que eu tenho muito a aprender. Principalmente sobre entender que amar alguém não significa necessariamente ter essa pessoa ao nosso lado o tempo inteiro. Amor também é confiança, presença mesmo à distância, escolha, paciência e capacidade de continuar vivendo a própria vida enquanto constrói uma vida com alguém. Ela me mostrou que é possível sentir falta sem transformar a saudade em sofrimento, e confiar sem precisar controlar. Talvez seja isso que amizade também significa: encontrar alguém que, sem perceber, ensina a gente a lidar melhor com as próprias dores. Eu saí dessa conversa a admirando ainda mais, principalmente, pensando em tudo o que eu ainda preciso amadurecer dentro de mim.

Gusttavo Lima fez o show mais emblemático de sua carreira no retorno a Barretos

Artista comprovou de vez que é o maior do sertanejo na atualidade, bem longe do segundo lugar e com a skin do Homem de Ferro

Foto: Globoplay

A volta de Gusttavo Lima na Festa do Peão de Barretos teve um significado que vai muito além de mais um grande show na carreira do cantor. Foi o reencontro com uma história que começou em 2016, quando, ainda sob o comando de Zezé Di Camargo & Luciano como embaixadores, Gusttavo fez um daqueles shows que entram para a memória da Festa do Peão: subiu ao palco principal e virou a noite cantando. Foi a primeira vez que um artista fez isso em Barretos. A diretoria percebeu imediatamente o tamanho daquele momento e anunciou ali mesmo: no ano seguinte, Gusttavo seria o embaixador da festa. Em 2017, ele assumiu o título e, em 2018, voltou a ser embaixador, tornando-se o primeiro artista a ocupar o posto por dois anos consecutivos.

E Gusttavo não apenas recebeu o título: ele transformou o significado de ser embaixador de Barretos. Em 2018, gravou na arena o maior DVD de sua carreira até então, colocando a Festa do Peão como cenário de um dos projetos mais importantes de sua trajetória. Em 2020, quando a pandemia impediu a realização da festa, ele manteve essa ligação com Barretos em uma live histórica. O cantor foi um dos grandes pioneiros das lives musicais no Brasil, especialmente daquele modelo grandioso, longo e extremamente produzido que marcou o período da pandemia. Antes dele, o embaixador era uma figura importante da festa; com ele, o título ganhou uma dimensão muito maior. Ele passou a viver Barretos, estar com o público, cantar até o amanhecer e fazer da festa uma parte real de sua carreira.

Talvez por isso Gusttavo tenha se tornado algo maior do que simplesmente um embaixador da Festa do Peão de Barretos. Ele se tornou, simbolicamente, um embaixador do próprio sertanejo. Nos últimos anos, nenhum artista solo brasileiro alcançou números comparáveis aos dele em público, bilheteria, audiência e plataformas digitais. E existe ainda aquilo que não cabe em números: a capacidade de fazer shows de sete, oito horas, de entregar uma experiência gigantesca e de permanecer no palco enquanto a madrugada vira manhã. É uma marca que ele construiu na prática. Se hoje Gusttavo é apontado como o maior artista do Brasil, isso não aconteceu por acaso. Foi resultado de uma carreira construída com repertório, presença de palco, capacidade de comunicação com o público e uma disposição incomum para ir além do que já havia sido feito.

Por isso, a noite de ontem em Barretos teve um peso especial. Foi a volta de Gusttavo ao lugar que ajudou a contar uma das maiores transformações da música brasileira dos últimos anos. Do menino que cantava “Inventor dos Amores”, com seu violão nas costas e aquele famoso CD amarelinho, ao artista que hoje reúne multidões e protagoniza alguns dos maiores shows do país. Entre uma ponta e outra dessa história estão anos de trabalho, riscos, acertos, inovação e, principalmente, uma relação construída com o público. Gusttavo Lima não chegou ao topo apenas porque recebeu o título de embaixador de Barretos; ele chegou ao topo e, no caminho, transformou o próprio título em algo que nunca mais seria igual. Ontem, ao voltar para a Arena, ele não estava apenas fazendo mais um show. Estava voltando para um dos lugares onde sua história de gigante começou a ser escrita. E de quebra, ainda estava a cara do Homem de Ferro.

Como ajudar Lito Sousa, um dos maiores conteudistas do Brasil, que enfrenta doença rara

Especialista em aviação luta contra doença neurodegenerativa ferroz, retratada no filme ‘Pacto de Redenção’ com Michael Keaton

Foto: UOL

Há momentos em que a vida nos lembra, da maneira mais dura possível, o quanto ela é frágil. O que está acontecendo com Lito Sousa é um desses momentos. Em poucas semanas, o quadro dele evoluiu de maneira assustadoramente rápida. O diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, uma enfermidade neurodegenerativa rara e devastadora, chegou depois de uma investigação difícil e de diferentes tentativas de tratamento. Hoje, infelizmente, a doença não tem cura nem um tratamento eficaz estabelecido. Mas existem pesquisas e estudos experimentais sendo realizados fora do Brasil — e é justamente aí que ainda pode existir uma possibilidade, por menor que seja, de esperança.

Quem assistiu a Pacto de Redenção, filme dirigido e estrelado por Michael Keaton, talvez tenha sentido algo parecido. A história acompanha um homem que recebe o diagnóstico de uma demência de progressão rápida e percebe que está correndo contra o tempo, enquanto tenta resolver questões com o filho e lidar com a deterioração da própria mente. O filme não retrata especificamente a doença avançada como de Lito, mas consegue transmitir, de maneira muito poderosa, a angústia de enfrentar uma enfermidade neurológica que avança rapidamente e muda completamente a relação de uma pessoa com o tempo, com a família e com a própria vida.

E então vem a pergunta: o que nós podemos fazer por Lito? Podemos ajudar de maneiras muito concretas. Uma delas é continuar assistindo ao canal Aviões e Músicas, consumindo os vídeos de maneira natural e ajudando a manter o canal ativo e sua monetização. Amigos também estão produzindo conteúdos para o canal — como o Sérgio Sacani, que neste domingo publicou um vídeo sobre El Niño e aviação. Mais importante ainda é compartilhar as informações corretas e marcar pesquisadores, universidades, instituições e empresas que trabalham com os estudos experimentais relacionados à DCJ, especialmente nos Estados Unidos. A família está tentando encontrar caminhos para que Lito possa ter acesso a pesquisas como as que envolvem ION717 e o estudo PRiSM.

Também é fundamental acompanhar as orientações oficiais da família. A esposa de Lito, Mila Seidl, tem atualizado as pessoas pelas redes sociais, e o próprio Lito apareceu neste domingo para fazer um apelo por ajuda. A mobilização já chegou a pesquisadores e instituições no exterior. Não se trata de prometer um milagre ou vender uma esperança falsa. Trata-se de tentar abrir uma porta que hoje parece muito difícil de abrir. E, em uma doença que evolui tão rapidamente, cada porta que puder ser aberta importa.

Lito é, para muita gente, muito mais do que um influenciador e youtuber. Ele é um dos grandes nomes da internet brasileira justamente porque construiu sua trajetória ensinando, explicando e produzindo conteúdo de verdade sobre o mundo encantador da aviação. Para mim, é uma das pessoas que melhor representam aquilo que a internet pode ter de útil. E talvez por isso seja tão doloroso vê-lo enfrentando uma situação como essa.

No fim, o que está acontecendo com Lito também nos lembra de uma coisa que muitas vezes esquecemos: isso poderia acontecer com qualquer um de nós, com alguém que amamos, com uma família inteira. A vida pode mudar completamente em poucas semanas. Então, se você puder, assista aos vídeos do Lito no canal para ajudar na monetização e no instagram dele, marque as instituições e pesquisadores que podem colaborar seriamente. Não precisamos ter a solução. Precisamos ajudar a procurar uma.

Repensando a vida em uma semana ruim

Desabafo pessoal no fim de semana!

Foto: Arquivo pessoal

A última semana me atravessou de muitas maneiras. Fiquei doente, perdi o voo para o jogo do Flamengo e, no meio de tantos imprevistos, comecei a repensar tudo aquilo que tenho sentido. Estou sofrendo, não posso negar. Mas também estou tentando entender que nada na vida acontece como a gente sonha — e que, às vezes, até sonhar com pouco custa caro para quem carrega o signo mais pesado do zoodíaco: escorpião.

Continuo lutando contra uma infecção na garganta. Meu nariz reagiu mal à gripe. Continuo também apaixonada pelo meu boy – aquele que não é meu, mas eu o chamo mesmo assim. Ele quer paz… Eu queria companhia. Só que, neste momento das nossas vidas, ele não pode ser isso para mim. Às vezes me pergunto se ele tem vergonha de mim. Não estou me sentindo bonita, engordei e minha autoestima está machucada. Mas estou em tratamento e espero, aos poucos, voltar a me olhar com mais carinho — não apenas para melhorar por fora, mas para me reencontrar.

No fim, preciso entender que meu amado está num momento turbulento da vida depois de perder o fiel escudeiro Krypto. Não posso ser egoísta querendo ir ao cinema ou comer espetinho enquanto ele trabalha e tem mil problemas para resolver nesse horrível agosto. Meus problemas do lado dos dele chegam a ser ridículos. Tem razão de querer paz. Falando em cinema, estou com saudade de sair pra almoçar e ver um filme. No entanto prometi que não irei mais ao meu restaurante favorito e terei que encarar outro lugar. Faz parte de deixar o boy em paz… Bom, tem dois que ainda não vi e provavelmente perdei eles em cartaz (O Fim da Rua e Patrulha Canina).

Queria também rever o Homem-Aranha, mas sozinha não vou encarar aquele filme chatinho de novo. No meio de tudo isso, voltei a estudar o mercado financeiro e deixei meus bilhetes de apostas com meu mentor. Talvez seja uma tentativa de retomar meus projetos e lembrar que ainda existem partes de mim que não dependem da minha ansiedade. Quero me reconectar comigo mesma, embora ultimamente eu me sinta dominada por esse caralho de crise.

Faltam dois meses e alguns dias para o meu aniversário de 33 anos. Por enquanto, estou gastando o dinheiro do bolo com remédios e terapia. Não é exatamente a celebração que imaginei, mas talvez seja uma forma diferente de cuidar da pessoa que chegará aos 33. São Jorge me guiará, da lua e na rua!

De La Plata para Minas: Eduardo Domínguez faz trabalho eficiente no Atlético MG

Foto: TyC Sports

Eduardo Domínguez é um daqueles treinadores argentinos que tornam difícil separar o homem da escola de futebol que o formou. E, no caso dele, a pergunta é inevitável: afinal, Domínguez é menottista ou bilardista? A resposta mais justa é que ele está muito mais próximo do bilardismo, embora não seja um bilardista ortodoxo. Sua passagem pelo Estudiantes de La Plata — clube historicamente associado à linhagem de Osvaldo Zubeldía, Carlos Bilardo e Alejandro Sabella — ajudou a consolidar uma identidade baseada em organização, competitividade, estudo do adversário, bola parada, ocupação racional dos espaços e, sobretudo, capacidade de sobreviver aos diferentes momentos de uma partida. Não por acaso, Domínguez terminou sua passagem pelo Estudiantes com cinco títulos e como o segundo treinador mais vencedor da história do clube, atrás apenas de Zubeldía.

Mas seria injusto reduzir Domínguez a um simples discípulo de Bilardo. Ele pertence a uma geração que absorveu diferentes escolas e transformou o futebol argentino em algo mais híbrido. Há nele princípios que lembram o bilardismo — a preparação minuciosa, a importância da estrutura defensiva, a competitividade e a valorização das jogadas de bola parada —, mas também existe uma preocupação maior com a construção do jogo e com a utilização da posse de bola. É um treinador pragmático: não acredita que exista uma única maneira de jogar. Seu futebol procura controlar o contexto da partida e encontrar a melhor solução para cada adversário. Foi justamente essa combinação de organização e capacidade de adaptação que fez seu trabalho no Estudiantes ganhar tanto prestígio. Em 163 partidas pelo clube, foram 72 vitórias, 49 empates e 42 derrotas, com 54,19% de aproveitamento.

No Atlético Mineiro, Domínguez chegou em fevereiro de 2026, depois de uma passagem extremamente vitoriosa pelo Estudiantes, assinando contrato até dezembro de 2027. O começo, porém, esteve longe de ser perfeito. O Galo terminou o Campeonato Mineiro como vice-campeão e teve dificuldades importantes no início do Brasileirão. Em junho, após 24 partidas em todas as competições, o argentino acumulava 11 vitórias, três empates e dez derrotas, exatamente 50% de aproveitamento. No Campeonato Brasileiro, naquele momento, eram sete vitórias, três empates e oito derrotas.

O interessante é que Domínguez não abandonou suas convicções quando os resultados demoraram a aparecer. Aos poucos, o Atlético foi adquirindo justamente aquilo que caracteriza seus trabalhos: organização, força competitiva e capacidade de crescer durante a temporada. Em agosto, a transformação ficou evidente. O Galo chegou a nove partidas consecutivas sem perder depois da vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio, resultado que levou a equipe aos 32 pontos e à oitava colocação do Brasileirão. Poucos dias depois, veio outro capítulo importante: o Atlético empatou por 2 a 2 com o Red Bull Bragantino, depois de vencer o jogo de ida por 1 a 0, e garantiu vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana.

É justamente aí que Eduardo Domínguez começa a parecer cada vez mais com aquilo que o futebol argentino historicamente produziu de melhor: um treinador que entende que competir também é uma forma de jogar. Ele não é Menotti, porque não coloca a estética e a liberdade ofensiva acima de tudo; tampouco é Bilardo, porque não transforma a estratégia em uma ciência fechada e absoluta. Domínguez é, talvez, um bilardista moderno, influenciado pela tradição do Estudiantes, mas atualizado para um futebol em que a flexibilidade tática é tão importante quanto a disciplina.

E talvez seja essa a grande chave para entender o atual Atlético Mineiro. Domínguez não chegou ao Brasil para inventar uma nova escola. Chegou para recuperar uma velha ideia argentina: um time precisa saber jogar, mas antes precisa saber competir. E, depois de um início irregular, o Galo começa a mostrar justamente essa característica. O Atlético de Domínguez ainda pode evoluir muito, mas já existe uma identidade. E identidade, para um treinador argentino, costuma ser o primeiro passo para construir algo que dure.