Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Ramón Díaz é o favorito para assumir vaga de Diniz no Corinthians

Possível retorno do bilardista ao Timão pode dar novo gás à equipe após fracasso do dinizismo

Foto: Estadão

A demissão de Fernando Diniz, após mais uma derrota do Corinthians no Campeonato Brasileiro, encerra um trabalho que começou cercado de expectativas, mas terminou vítima de suas próprias limitações. O dinizismo, tão celebrado por sua proposta de jogo apoiado, construção desde a defesa e valorização da posse de bola, voltou a demonstrar um problema recorrente: a dificuldade de sustentar seus princípios quando os resultados desaparecem. Com o Corinthians ameaçado pelo rebaixamento, a diretoria procura uma solução imediata. E um dos nomes mais fortes é justamente o de Ramón Díaz, treinador argentino que conhece o clube, conquistou títulos e já demonstrou capacidade de recuperar equipes em situações delicadas.

A primeira passagem de “Don Ramón” pelo Corinthians, entre julho de 2024 e abril de 2025, deixou resultados importantes. Contratado quando o clube enfrentava uma séria ameaça de rebaixamento, o argentino reorganizou a equipe, recuperou a competitividade e protagonizou uma arrancada impressionante de nove vitórias consecutivas na reta final do Brasileirão de 2024. O trabalho ganhou sua maior recompensa em março de 2025, quando o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista diante do Palmeiras, encerrando um jejum de seis anos sem títulos. Ramón tornou-se o primeiro treinador argentino a conquistar o Paulistão pelo clube, deixando uma marca significativa na história alvinegra.

Entretanto, falar de Ramón Díaz significa necessariamente falar de Emiliano Díaz, seu filho e auxiliar técnico. Os dois formam uma parceria consolidada há muitos anos, construída sobre confiança, divisão de responsabilidades e uma compreensão compartilhada do futebol. Emiliano está longe de ser um simples assistente de banco de reservas. Participa diretamente dos treinamentos, da preparação tática, da organização ofensiva e defensiva e da comunicação com os jogadores. Enquanto Ramón representa a experiência, a liderança e a autoridade da comissão técnica, Emiliano acrescenta intensidade, participação ativa e proximidade com o elenco.

Um eventual retorno ao Corinthians significaria, portanto, a volta de uma dupla que já conhece os bastidores, as exigências e a pressão de trabalhar no Parque São Jorge. Do ponto de vista futebolístico, Ramón Díaz representa uma escola argentina bastante diferente daquela defendida por Fernando Diniz. Natural de La Rioja e revelado como jogador pelo River Plate, Ramón construiu sua identidade dentro de uma cultura futebolística marcada pela competitividade e pelo pragmatismo. Seu trabalho apresenta características que podem ser associadas ao bilardismo, embora não seja correto classificá-lo como discípulo direto de Carlos Salvador Bilardo. Assim como a corrente bilardista, Ramón valoriza a organização coletiva, a disciplina tática, a adaptação ao adversário e, sobretudo, a eficiência competitiva.

Não existe obrigação de dominar a posse de bola ou construir jogadas elaboradas desde o goleiro. O importante é compreender as circunstâncias da partida e encontrar os caminhos necessários para vencer. É justamente nesse aspecto que aparece o grande contraponto ao dinizismo. Enquanto Fernando Diniz procura estabelecer uma identidade baseada na circulação da bola, na aproximação entre jogadores e na construção ofensiva desde o campo defensivo, Ramón Díaz costuma trabalhar com maior flexibilidade. Suas equipes podem explorar transições rápidas, utilizar diferentes sistemas defensivos, fortalecer a marcação e buscar soluções mais diretas quando necessário. Isso não significa abandonar a qualidade técnica ou jogar exclusivamente de maneira defensiva. Significa compreender que o futebol oferece diferentes caminhos para alcançar o resultado.

O dinizismo exige que os jogadores se adaptem a uma ideia muito particular de futebol; o pragmatismo de Ramón procura adaptar a ideia às características dos jogadores disponíveis. Para o Corinthians atual, essa mudança poderia representar um benefício imediato. Em um momento de instabilidade, a equipe necessita recuperar a confiança, diminuir os espaços oferecidos aos adversários e voltar a competir com intensidade. Ramón e Emiliano já demonstraram capacidade de trabalhar sob pressão e conhecem parte dos jogadores que encontrariam novamente no clube. A experiência anterior também reduziria o período de adaptação, algo fundamental em uma competição na qual cada ponto pode fazer diferença.

Evidentemente, o retorno não seria garantia de sucesso, especialmente porque o próprio trabalho da dupla apresentou oscilações antes da saída em 2025. O possível reencontro entre Ramón Díaz e Corinthians também coloca em discussão duas maneiras distintas de compreender o futebol. De um lado, o dinizismo, com sua proposta autoral, estética e de forte identidade posicional-relacional, mas que frequentemente encontra dificuldades quando perde eficiência e confiança. Do outro, uma abordagem argentina mais pragmática, próxima de princípios bilardistas, que entende a vitória como consequência da preparação, da organização e da capacidade de adaptação.

O Corinthians não precisa necessariamente de um futebol bonito ou de longas sequências de passes. Precisa, antes de tudo, recuperar sua competitividade. E Ramón Díaz, ao lado de Emiliano, já mostrou que sabe conduzir esse processo. Se o retorno realmente acontecer, será mais uma oportunidade para a dupla argentina demonstrar que conhece os caminhos para reconstruir um Corinthians em crise. O mesmo treinador que chegou em 2024 para afastar o fantasma do rebaixamento e terminou levantando uma taça diante do maior rival poderá encontrar novamente um clube pressionado, necessitando de respostas urgentes. Mais do que uma simples troca de treinadores, seria uma mudança de filosofia: sair da rigidez de uma identidade de jogo para buscar a flexibilidade de um futebol orientado pelas circunstâncias. Afinal, uma das grandes lições associadas ao bilardismo é que não basta ter uma ideia de futebol. É preciso saber utilizá-la para competir e vencer.

América do Sul já fez curva à Direita

Como está o mapa sudaca após eleições na Colômbia. Brasil vive momento eleitoral decisivo para o continente

Foto: Brasil Paralelo

A América do Sul atravessa uma das maiores transformações políticas dos últimos anos. Depois de um longo período marcado pela presença de governos de esquerda e centro-esquerda, o continente assiste à consolidação de uma nova onda conservadora. O movimento ganhou força com a eleição de Javier Milei na Argentina, em 2023, e avançou significativamente entre 2025 e 2026. Atualmente, sete dos doze países sul-americanos são governados por presidentes identificados com a direita ou centro-direita. O fenômeno não se limita a uma única corrente ideológica: reúne liberais, conservadores tradicionais e lideranças nacionalistas, com propostas distintas, mas frequentemente associadas à redução da intervenção estatal, ao fortalecimento da segurança pública e à revisão de políticas econômicas adotadas por governos anteriores.

Na Argentina, Javier Milei tornou-se um dos principais símbolos dessa transformação, defendendo reformas econômicas liberais, austeridade fiscal e diminuição do tamanho do Estado. No Chile, José Antonio Kast, eleito em dezembro de 2025, encerrou o ciclo da esquerda de Gabriel Boric, levando ao poder uma agenda conservadora centrada na segurança, imigração e economia. No Paraguai, Santiago Peña, presidente desde 2023, representa a continuidade da tradição conservadora do Partido Colorado, com políticas favoráveis ao investimento privado e à estabilidade econômica. Já no Uruguai, Yamandú Orsi representa uma importante exceção regional: eleito em 2024 pelo Frente Amplio, mantém o país sob uma administração de centro-esquerda, demonstrando que a guinada conservadora não ocorreu de maneira uniforme em todo o continente.

A transformação também alcançou países historicamente associados à esquerda latino-americana. Na Bolívia, Rodrigo Paz, eleito em outubro de 2025, encerrou quase duas décadas de predominância política do Movimento ao Socialismo, apresentando uma alternativa de centro-direita voltada à recuperação econômica e à reorganização das finanças públicas. Na Colômbia, Abelardo de la Espriella, eleito em junho de 2026, sucedeu Gustavo Petro e promoveu uma mudança significativa na orientação política do país. Conservador e defensor de medidas rigorosas contra a criminalidade, aproximou-se de lideranças internacionais de direita, incluindo Javier Milei. No Peru, Keiko Fujimori finalmente conquistou a Presidência em 2026, depois de três derrotas eleitorais anteriores, levando ao governo uma plataforma conservadora associada ao legado político de seu pai, Alberto Fujimori. No Equador, Daniel Noboa, reeleito em 2025, consolidou uma administração de centro-direita, priorizando o enfrentamento ao crime organizado, a atração de investimentos e o fortalecimento da segurança nacional.

Entretanto, nem toda a América do Sul aderiu à nova onda política. Na Venezuela, Delcy Rodríguez permanece à frente de um governo vinculado ao chavismo, movimento socialista que domina a política venezuelana há décadas. Na Guiana, Irfaan Ali, do Partido Progressista do Povo, lidera uma administração de orientação própria, historicamente associada à centro-esquerda, embora marcada por políticas favoráveis ao crescimento econômico e à exploração petrolífera. No Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, eleita em 2025, também representa uma corrente política geralmente identificada com a esquerda. Portanto, além do Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname continuam fora do bloco de governos classificados como de direita.

É justamente nesse cenário de “sulamerica azul” que o Brasil chega ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, representante da esquerda brasileira e candidato à continuidade de seu governo. Do outro, Flávio Bolsonaro, representante da direita e herdeiro político do movimento liderado por seu pai, Jair Bolsonaro. A disputa ultrapassa as fronteiras nacionais pelo peso econômico, territorial e diplomático do Brasil na América do Sul. Uma vitória de Lula preservaria o país entre os governos de esquerda e centro-esquerda da região, enquanto uma vitória de Flávio Bolsonaro ampliaria o número de administrações identificadas com a direita.

O continente mudou consideravelmente nos últimos anos, e agora os brasileiros terão a palavra final sobre o próprio destino político. No dia 25 de outubro, saberemos se o Brasil continuará vermelho no mapa ideológico sul-americano ou se também fará a curva à direita, acompanhando a transformação política vivida por grande parte de seus vizinhos.

Jornalismo da Globo sai pior das eleições

Apuração deixou a desejar tanto no canal aberto quanto na GloboNews

Foto: Globoplay

O jornalismo da Globo vai de mal a pior, e essa eleição deixou isso ainda mais evidente. Da sabatina com os presidenciáveis à apuração do primeiro turno, a sensação foi de uma cobertura muito abaixo da imponência que a emissora já teve em eleições brasileiras. No domingo, durante a apuração, Renata Lo Prete foi quem mais demonstrou aquela postura de quem realmente está comandando uma noite eleitoral. César Tralli, por outro lado, parecia completamente avulso, perdido em alguns momentos, quase um “boneco de posto” no estúdio.

É evidente que Tralli não precisa — e nem deve — ser um novo William Bonner, mas ainda parece faltar a ele o peso de quem ocupa a bancada do Jornal Nacional em um dos momentos mais importantes do país. E isso ficará ainda mais evidente no segundo turno. Quem estará diante das câmeras no instante em que a eleição estiver matematicamente definida? Quem terá a presença necessária para interromper a programação e dizer: “Está eleito o novo presidente da República”? Hoje, Renata Lo Prete parece muito mais preparada para assumir esse momento.

Tralli ainda carrega, para mim, aquela imagem do apresentador do Jornal Hoje; ainda não se transformou completamente no grande nome do Jornal Nacional. Bonner tinha uma imponência muito particular nessas ocasiões. Não se trata de copiar seu estilo, mas de entender que uma eleição presidencial exige segurança, autoridade jornalística e domínio absoluto da transmissão.

Na GloboNews, o problema é outro — e talvez ainda pior. Os debates estão cada vez mais difíceis de acompanhar: comentarista falando por cima de comentarista, interrupções, gritaria e pouca preocupação em permitir que o telespectador compreenda o que está sendo discutido. Em determinados momentos, parece mais um programa de fofoca do que um canal dedicado ao jornalismo político. A GloboNews já teve discussões muito mais organizadas e interessantes; hoje, em alguns programas, chega ao nível de uma disputa para descobrir quem consegue falar mais alto.

Enquanto isso, concorrentes conseguiram se destacar nesta eleição: o SBT fez uma transmissão muito competente, e a Band manteve aquela tradição e credibilidade que construiu na cobertura eleitoral brasileira desde a redemocratização. A Globo, portanto, saiu derrotada nesta eleição não apenas pelas concorrentes, mas principalmente pelos próprios erros. O cancelamento do debate às vésperas do primeiro turno simbolizou uma emissora que parece ter perdido parte do protagonismo que durante décadas parecia incontestável.

Até profissionais do entretenimento da própria Globo fizeram críticas à condução das sabatinas, especialmente ao trabalho de César Tralli e Renata Vasconcellos, e a reação às críticas também chamou atenção. Quem ocupa a bancada do maior telejornal do país inevitavelmente será elogiado e criticado — faz parte do posto. A Globo continua sendo uma potência, mas potência nenhuma está acima de crítica. E, atualmente, quando penso em um telejornal que transmite sobriedade e credibilidade, minha preferência é clara: o Jornal da Band.

Presidente da Colômbia, De La Espriella declara apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno

Veja como está os primeiros meses de governo do presidente cafetero

Foto: RCN Noticias

Abelardo De La Espriella assumiu a Presidência da Colômbia em 7 de agosto de 2026 prometendo uma mudança profunda em relação ao governo de Gustavo Petro. Apenas três dias depois da posse, porém, enfrentou seu primeiro grande desafio: um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o país, deixando centenas de mortos, milhares de feridos e grandes prejuízos em diversas regiões.

Diante da tragédia, De La Espriella decretou Emergência Econômica e colocou a reconstrução entre as prioridades do início de seu mandato. O governo anunciou auxílios às famílias atingidas, recursos para recuperar moradias, escolas, energia e infraestrutura e criou o Fundo Patria Milagro. Também buscou envolver empresas privadas no esforço de reconstrução das áreas afetadas. E o povo colombiano, dividido nas urnas, se mostra hoje esperançoso.

Na segurança, uma de suas principais bandeiras eleitorais, De La Espriella rompeu com a política adotada por Petro. Encerrou a estratégia de diálogo com organizações armadas ilegais, endureceu o combate ao narcotráfico e anunciou a retomada da fumigação de cultivos ilícitos. Segundo números apresentados pelo próprio governo, agosto registrou quedas expressivas em crimes como sequestros, extorsões e massacres na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na economia e na administração pública, o novo presidente também começou a colocar sua marca. Entre as primeiras decisões estiveram a retomada das exportações colombianas de carvão para Israel, medidas para diminuir gastos e burocracia na ProColombia e maior aproximação com o setor privado. Ao mesmo tempo, a delicada situação fiscal levou o governo a iniciar conversas com o Fundo Monetário Internacional para avaliar alternativas de financiamento e reorganização das contas públicas.

Em menos de dois meses, portanto, o governo De La Espriella já apresenta uma identidade bastante clara: mais conservadora, liberal na economia e dura na segurança, além de alinhada à nova direita latino-americana. Ainda é cedo para avaliar seus resultados de longo prazo, especialmente porque boa parte do início do mandato foi marcada pela resposta ao terremoto, mas a mudança de direção em relação ao governo anterior já é evidente.

Essa aproximação política também apareceu nas eleições brasileiras. De La Espriella declarou apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, depois de Flávio terminar a primeira votação à frente de Lula. Na Argentina, Javier Milei também comemorou o desempenho de Flávio e sua chegada ao segundo turno na liderança. Uma eventual vitória de Bolsonaro fortaleceria ainda mais o novo eixo de governos de direita na América do Sul, especialmente com Milei na Argentina e De La Espriella na Colômbia.

Globo: Sem jogos da Copa, e agora, sem debate

Ano terrível pra emissora esquecer

Foto: Globoplay

O ano de 2026 tem sido um pesadelo para a poderosa Rede Globo. Primeiro veio a Copa do Mundo. Acostumada durante décadas a praticamente ser sinônimo de Copa na televisão brasileira, a Globo desta vez não teve 100% do Mundial em suas mãos. Transmitiu partidas importantes, é verdade, inclusive jogos do Brasil e do mata-mata, mas já não teve aquela exclusividade e aquela centralidade absoluta de outros tempos.

Agora veio talvez o episódio mais simbólico do ano: faltando três dias para o primeiro turno da eleição presidencial, a Globo cancelou seu tradicional debate. A emissora recebeu decisões judiciais que alteraram as regras previamente estabelecidas — uma delas proibindo o púlpito vazio destinado a Lula e outra determinando a participação de Renan Santos — e, depois da desistência de Flávio Bolsonaro, decidiu simplesmente cancelar o programa. Lula, que já havia informado que não iria ao debate, estava no Flow Podcast. Resultado: o debate mais tradicional da televisão brasileira simplesmente não aconteceu.

A Globo diz que seu propósito ao realizar debates é promover a discussão de ideias e oferecer ao eleitor a oportunidade de comparar projetos, relacionando isso ao fortalecimento da democracia. Mas eu discordo dessa dramatização de que, sem o debate da Globo, “a democracia perde”. Quem decide a eleição é o brasileiro na urna no domingo. A Globo perde um dos acontecimentos mais importantes de sua cobertura eleitoral; a democracia continua sendo exercida pelo eleitor, independentemente de quem vença.

E é impossível ouvir esse discurso sem lembrar de 1989. Depois do segundo debate entre Lula e Fernando Collor, o Jornal Nacional exibiu uma edição que se tornou um dos episódios mais controversos da história da emissora. A própria Memória Globo registra que a reportagem foi acusada de selecionar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula, além de conceder mais tempo ao candidato do PRN. A repercussão foi tamanha que a Globo posteriormente decidiu não mais editar debates políticos daquela maneira. Portanto, quando a emissora se coloca quase como guardiã indispensável do debate democrático, sua própria história recomenda um pouco mais de cautela.

E 2026 já vinha sendo uma eleição problemática para a Globo antes desta quinta-feira. Na minha avaliação, as sabatinas foram péssimas. Em vários momentos, pareciam muito mais interrogatórios do que entrevistas destinadas a permitir que o eleitor conhecesse propostas. Independentemente do candidato sentado na bancada, o tom frequentemente parecia mais interessado no confronto entre entrevistador e entrevistado do que em extrair respostas claras sobre aquilo que realmente interessa ao país.

Enquanto isso, outras emissoras conseguiram ocupar espaço na cobertura eleitoral, e os podcasts se consolidaram ainda mais como alternativa. O próprio presidente e candidato à reeleição, Lula, escolheu estar no Flow justamente na noite em que aconteceria o debate da Globo. Flávio Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas divulgadas nesta reta final, desistiu poucas horas antes do programa. E Renan Santos, inicialmente fora pelos critérios de representação parlamentar, conseguiu judicialmente o direito de participar. No meio desse caos, a Globo resolveu que não haveria debate.

É um desfecho melancólico para uma emissora que durante décadas transformou o debate da véspera da eleição em um dos grandes acontecimentos da política brasileira. E talvez seja isso que mais chame atenção em 2026: a Globo parece ter perdido parte daquela capacidade de transformar determinados acontecimentos nacionais em eventos obrigatórios. No esporte, está cada dia pior. No entretenimento e nas novelas, enfrenta questionamentos e concorrência por falta de qualidade. Domingo só tem apanhado do SBT. E agora até seu tradicional debate presidencial terminou cancelado poucas horas antes de começar.

Para mim, a crise não é da política porque não houve debate na Globo. A crise é da própria Globo, que precisa olhar para dentro e entender por que tantas coisas deram errado neste ano. Tem muita coisa para ser revista em 2027. Pelo jeito não é só o futuro do Louro Mané no programa Mais Você que preocupa na emissora.

No meio de tanta mesmice, Gustavo Mioto é o único que realmente faz algo diferente no sertanejo

Ninguém aguenta mais projeto com 10 artistas série B cantando regravação num bar ou as promessas de “DVD do ano” com música ruim

Foto: Instagram

No meio de tanta mesmice, Gustavo Mioto é o único que tem feito algo realmente diferente no sertanejo atual. Em um gênero que parece cada vez mais preso às mesmas fórmulas, aos mesmos temas e às mesmas sonoridades, ele resolveu nadar contra a maré.

Seu último lançamento, “Como é que fala de Amor?”, é uma prova disso. A música traz crítica, personalidade e uma sonoridade diferente de praticamente tudo o que vem sendo lançado no gênero — um sertanejo que, infelizmente, anda cada vez pior e mais previsível. Falta identidade, sobra fórmula pronta. Só de botar um arranjo de guitarra na música ele deve ter feito Maestro Piska feliz no céu.

E é curioso lembrar que Gustavo foi muito criticado no início da carreira, pelos mais diversos motivos. Hoje, porém, é justamente ele quem demonstra coragem para fazer coisas realmente fora da curva. Enquanto muita gente anuncia o “DVD do ano”, o “hit da década” e o “projeto que vai mudar o sertanejo”, chega a hora de ouvir e… é tudo a mesma coisa. Mesmos arranjos, mesmas letras, mesmas participações e a mesma necessidade de transformar qualquer lançamento em um acontecimento antes mesmo de a música falar por si.

Sem contar a enxurrada de projetos que juntam dez artistas de segundo escalão para cantar regravações de músicas que já conhecemos há décadas, como se quantidade de participações fosse sinônimo de criatividade. O sertanejo precisa urgentemente voltar a surpreender.

E é aí que Gustavo Mioto se destaca. Sozinho, ele nada contra a maré e vai construindo uma identidade própria, sem depender apenas das tendências do momento. Compositor, cantor, músico e alguém que pensa o próprio trabalho, ele vem se mostrando um artista completo, disposto a experimentar e sair do caminho mais fácil.

Como diria Roberta Miranda, é preciso sair da “bolha de sabão”. E Gustavo parece ter entendido isso. Enquanto boa parte do sertanejo continua girando dentro da mesma bolha, repetindo fórmulas até a exaustão, ele tenta furá-la. Pode agradar ou não, mas pelo menos existe ali uma tentativa verdadeira de fazer diferente — e, no sertanejo de hoje, isso já significa muita coisa.