Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Feliz cumpleaños, Maestro Bilardo

Maior técnico da história da Argentina, ‘el doctor’ completa 88 anos de vida, enfrentando doença degenerativa

Foto: Clarín Deportes

O maestro mor do futebol, Carlos Bilardo completou nesta semana, 88 anos de vida. Figura emblemática do futebol argentino, ele não é apenas lembrado pelos títulos, mas principalmente por ter criado uma filosofia própria dentro do esporte. Para muitos, é o maior treinador da história da Seleção Argentina, alguém que transformou a forma de competir e pensar o jogo, sempre com um olhar obsessivo pelos detalhes e pela vitória. “El doctor” foi um técnico muito além dos gramados, usando sua profissão, a Medicina, para ter um estilo diferenciado e uma visão única que o fez ser lendário.

A consagração máxima veio na Copa do Mundo FIFA de 1986, quando liderou a Argentina ao título mundial, tendo como grande protagonista Diego Maradona. A conquista não apenas eternizou seu nome, como também consolidou o chamado “Bilardismo” — uma escola que valoriza estratégia, disciplina tática e o resultado acima de qualquer estética. Bilardo não queria só ganhar, queria controlar cada variável possível dentro de um jogo. Da sua ‘escola’ saíram devotos como Diego Simeone, Carlos Bianchi, Diego Dabove, Lionel Scaloni e Alejandro Sabella.

Mas a genialidade de Bilardo sempre veio acompanhada de histórias peculiares, quase folclóricas. Uma das mais conhecidas aconteceu em 2004, quando, comandando o Estudiantes de La Plata, deu uma mistura de coca-cola com cafiaspirina ao jogador Marcos Angeleri durante uma partida contra o Quilmes. A ideia? Ajudar na recuperação física, o acordar e manter o atleta em campo, evidenciando seu estilo nada convencional e sua disposição de ir além dos métodos tradicionais.

Atualmente, Bilardo enfrenta uma doença degenerativa desde 2014, vivendo de forma mais reservada em casa, cercado de cuidados e carinho. Ainda assim, segue recebendo visitas frequentes, especialmente de ex-jogadores daquela geração histórica de 1986, que fazem questão de retribuir tudo o que ele representou em suas carreiras. Nos últimos anos, seu estado tem sido considerado estável, dentro das limitações da doença, e há um conforto simbólico que emociona: ele pôde ver e reconhecer a conquista da Seleção Argentina na Copa do Mundo FIFA de 2022.

Existe uma imagem marcante dele, sentado no sofá, assistindo a uma entrevista de Lionel Messi com a taça nas mãos — um retrato silencioso de alguém que ajudou a construir o caminho para que a Argentina voltasse ao topo do mundo. Entre a genialidade e a obsessão, Bilardo construiu uma carreira que vai muito além das quatro linhas. Sua influência segue viva no futebol argentino até hoje, dividindo opiniões, mas sempre impondo respeito. Afinal, poucos treinadores conseguiram deixar uma marca tão forte, criando não só um time vencedor, mas uma verdadeira forma de enxergar o futebol.

(Foto feita na última segunda (16), dia em que Bilardo comemorou seu aniversário em casa)

Venezuela conquista Mundial de Beisebol pela primeira vez

País apaixonado pelo esporte com estádios impecáveis derrotou os Estados Unidos em Miami

Foto: Televisa Deportes

Em uma final eletrizante do Clássico Mundial de Beisebol 2026, disputada em Miami, a seleção venezuelana venceu os Estados Unidos por 3 a 2 e conquistou, pela primeira vez, o título mais importante do beisebol internacional. Mais do que um troféu, foi um marco simbólico para um país apaixonado pelo esporte e acostumado a formar grandes talentos que brilham na Major League Baseball. Definitivamente o dia 17 de março de 2026 entrou para a história do esporte mundial — e principalmente da Venezuela.

Dentro de campo, o jogo foi digno de final. A Venezuela abriu vantagem ainda nas primeiras entradas, controlando bem o ataque americano com um sistema de arremessadores consistente. Mas, quando tudo parecia encaminhado, os Estados Unidos reagiram no oitavo inning com um home run de Bryce Harper, empatando a partida e levando a tensão ao limite. Foi então que, na nona entrada, brilhou a estrela de Eugenio Suárez, que bateu o double decisivo, garantindo a corrida da vitória. No fechamento, o arremessador Daniel Palencia selou o triunfo com autoridade, diante de um estádio tomado por torcedores venezuelanos.

O título tem um peso ainda maior quando se entende o que o beisebol representa para a Venezuela. O esporte é, ao lado do futebol, uma das maiores paixões nacionais, com forte presença cultural, social e até identitária. De bairros humildes a grandes ligas, o beisebol sempre foi uma via de ascensão e orgulho para milhares de venezuelanos. Não por acaso, o país é um dos maiores exportadores de talentos para a MLB, e essa conquista no cenário mundial funciona como uma consagração coletiva de décadas de investimento, talento e amor pelo jogo. Além disso, seus estádios tem estrutura nível LA Dodgers.

Fora das quatro linhas, a vitória também ganhou contornos simbólicos. Em meio a tensões políticas e episódios recentes envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, o resultado foi interpretado por muitos como uma espécie de revanche esportiva — um momento em que o país sul-americano superou, ao menos no campo simbólico, uma potência global. Ainda que o esporte não resolva conflitos geopolíticos, ele tem o poder de unir, emocionar e ressignificar narrativas. E, naquela noite em Miami, a Venezuela não venceu apenas um jogo: venceu um capítulo da sua própria história.

River Plate: Coudet estreia com vitória e já imprime seu estilo de jogo

Los millonarios venceram o Huracán no Estádio Tomás Ducó com gols de Driussi e Montiel

Foto: TyC Sports

A estreia de Eduardo Coudet no comando do River Plate começou com vitória. Jogando no tradicional Estádio Tomás Adolfo Ducó, em Buenos Aires, o River venceu o Huracán por 2 a 1, dando os primeiros sinais do que o treinador pretende implementar na equipe. Foi um jogo de estreia com alguns ajustes ainda em andamento, mas já com ideias claras dentro de campo.

Coudet armou o River no esquema 4-2-3-1, estrutura que costuma privilegiar intensidade na pressão e movimentação constante no ataque. O time tentou ocupar o campo ofensivo e acelerar as transições, características marcantes do estilo do treinador. Dentro desse desenho, o River encontrou seus gols com Sebastián Driussi e Gonzalo Montiel, que garantiram o resultado positivo logo na primeira partida da nova era.

Apesar da vitória, ficou claro que a equipe ainda está em fase de adaptação ao modelo de jogo. O River conseguiu chegar ao ataque em diversos momentos, mas ainda carece de maior precisão nos encaixes das jogadas e, principalmente, nas finalizações. A construção ofensiva mostrou bons sinais, mas a definição das jogadas ainda precisa evoluir para transformar volume em gols.

Para um primeiro jogo, no entanto, o saldo é positivo. Vencer fora de casa contra um adversário tradicional como o Huracán sempre tem peso, ainda mais em um cenário de início de trabalho. Agora, o desafio de Coudet será ajustar os mecanismos ofensivos e dar mais fluidez ao time para que o River consiga transformar sua proposta de jogo em um futebol mais contundente nas próximas rodadas.

A próxima parada já tem data e palco especial: a estreia de Coudet diante da torcida no Monumental de Núñez será neste domingo, contra o Sarmiento, no que promete ser o primeiro grande teste do novo River dentro de casa. A torcida tem se mostrado ansiosa para a nova era do clube, dessa vez longe de Gallardo! ⚽

Duas Paixões: Duo de Silvânia Aquino e Berg Rabelo é o grande projeto do forró neste ano

Parceria foi um acerto da Camarote Shows assim que Silvânia deixou a banda Calcinha Preta

Silvânia Aquino e Berg Rabelo decidiram unir duas histórias gigantes do forró em um mesmo palco. O projeto Duas Paixões nasceu como uma das grandes apostas do gênero em 2026, reunindo dois intérpretes que marcaram época e carregam repertórios que fazem parte da memória afetiva do público nordestino. A ideia ganhou força logo após a saída de Silvânia da banda Calcinha Preta, o mais importante grupo da história do forró eletrônico, abrindo espaço para um novo capítulo em sua carreira.

A virada veio quando Silvânia passou a integrar o casting do escritório Camarote Shows, comandado por Wesley Safadão. A partir daí surgiu a ideia de colocá-la ao lado de Berg Rabelo, outro nome de peso do forró, dono de uma trajetória consolidada e de uma voz que marcou inúmeros sucessos do gênero. A proposta é simples e poderosa: dois artistas consagrados, dois repertórios gigantes, duas vozes únicas e uma turnê que mistura nostalgia, romantismo e uma energia absurda de palco.

A primeira pista pública de que algo grande estava por vir aconteceu no ano passado, durante um show de Taty Girl. Em um momento emocionante, ela convidou Silvânia para subir ao palco, cantou ao lado da amiga e ainda fez uma homenagem tocante logo após a saída da cantora da Calcinha Preta. Foi a própria Taty quem revelou ao público que Silvânia preparava um novo projeto ao lado de Berg Rabelo, despertando imediatamente a curiosidade e a expectativa dos fãs do forró.

Agora, com o projeto Duas Paixões oficialmente lançado, o mercado do forró observa com atenção. Silvânia Aquino e Berg Rabelo representam uma geração e duas trajetórias que ajudaram a construir o gênero mais popular do país como ele é hoje. A aposta da equipe de Safadão é certeira: juntar dois gigantes, valorizar os grandes sucessos e entregar ao público um espetáculo que mistura história, emoção e potência vocal. Tudo indica que o Duas Paixões tem tudo para o grande projeto do ano, se tornando uma das maiores movimentações do mercado do forró neste ano.

Coração Acelerado: Novela ultrapassada, sem enredo e difícil de assistir

Público não comprou a ideia e conta os dias para trama sair do ar. Era coisa para ser feita em 2012

Foto: Instagram

A novela Coração Acelerado chegou com a promessa de misturar drama, música e o universo sertanejo, mas na prática acabou se tornando uma produção confusa e difícil de acompanhar. O problema principal parece estar no enredo, que simplesmente não se sustenta. As histórias não se conectam direito, os conflitos não prendem a atenção e o público fica com a sensação de que está assistindo a cenas soltas, sem um rumo claro. Falta direção narrativa, falta objetivo — e novela sem história forte vira um teste de paciência.

O mais curioso é que o elenco não é o problema. Pelo contrário: há bons atores e atrizes no projeto, gente com experiência e talento suficientes para carregar tramas interessantes. Só que a novela não sabe aproveitar esse potencial. Personagens aparecem sem profundidade, arcos dramáticos começam e não evoluem, e muitos talentos acabam desperdiçados dentro de uma história que não encontra seu próprio tom.

Outro ponto que pesa contra a trama é o desequilíbrio típico das novelas mal conduzidas: a vilã parece estar sempre vencendo. Conflito é importante em dramaturgia, claro, mas quando o mal se impõe o tempo todo sem contraponto convincente, o público começa a perder o interesse. Fica cansativo acompanhar uma história em que a sensação constante é de frustração.

Nem mesmo a trilha sonora — que deveria ser um dos grandes atrativos de uma novela ambientada no universo sertanejo — consegue empolgar. Falta aquele impacto cultural que outras produções musicais já tiveram na televisão brasileira. As músicas hoje não estouram, não viram assunto, não criam identificação com quem está assistindo. É como se tudo passasse sem deixar marca. E a abertura, que todos esperavam a música “Fora do Compasso” e enfiaram uma da Ana Castela, mais saturada que tudo de tanto aparecer?

No fundo, Coração Acelerado também parece uma novela fora do seu tempo. A ideia de uma trama centrada no universo sertanejo talvez funcionasse muito melhor lá por 2012 ou 2013, quando esse tipo de estética estava mais alinhado com o momento cultural da TV. Hoje, com o público mais exigente e acostumado a narrativas mais dinâmicas, a produção soa datada — e acaba se tornando uma novela difícil de engolir.

Trabalho de Crespo exige tempo, assim como o de Gareca

Dois dos melhores técnicos argentinos da atualidade precisam de mercado estável para seus estilos darem resultado

Foto: TyC Sports

No futebol sul-americano, é interessante observar como o trabalho de Hernán Crespo dialoga em vários pontos com a filosofia de Ricardo Gareca. Os dois treinadores não são do tipo que chegam prometendo revoluções imediatas. Pelo contrário: apostam em organização tática, repetição de movimentos e construção de identidade. Isso faz com que seus trabalhos muitas vezes precisem de tempo para maturar, algo cada vez mais raro no futebol brasileiro, onde a ansiedade por resultados costuma atropelar processos.

Taticamente, Crespo costuma montar equipes muito estruturadas. Em seus melhores momentos, como no título da Copa Sul-Americana de 2020 pelo Defensa y Justicia, utilizou variações com três zagueiros, alas muito participativos e saída de bola bem trabalhada desde a defesa. É um treinador que valoriza pressão coordenada e ocupação racional dos espaços.

Logo depois, em 2021, foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube e rapidamente marcou sua passagem ao conquistar o Campeonato Paulista 2021 sobre o Palmeiras, quebrando um jejum de títulos do clube e se tornando o primeiro técnico estrangeiro a vencer o torneio em 46 anos. Após essa primeira etapa no Brasil, seguiu carreira no futebol internacional, passando por clubes do Oriente Médio, antes de retornar ao São Paulo anos depois, em um contexto de reconstrução esportiva; porém, após pressão por desempenho e sem liberdade de trabalho, acabou demitido. 

Foto: TyC Sports

Gareca prefere estruturas mais clássicas, normalmente em 4-3-3 ou 4-2-3-1, com posse de bola, circulação paciente e confiança no talento ofensivo dos jogadores. Foi assim que conduziu a Seleção Peruana de Futebol de volta a uma Copa do Mundo FIFA de 2018 depois de 36 anos. Gareca seguiu no cargo até 2022, período em que ainda foi vice-campeão da Copa América 2019 e chegou à repescagem para o Mundial de 2022, quando o Peru acabou eliminado pela Austrália; após sete anos e 96 jogos no comando, deixou a seleção por não aceitar a redução salarial proposta pela federação peruana.

Depois de um período sem clube, o treinador voltou ao cenário internacional ao assumir a Seleção Chilena de Futebol em 2024, com a missão de reconstruir a equipe e disputar competições continentais, mas o ciclo acabou sendo curto e, no momento, ele se encontra novamente sem clube, avaliando novas oportunidades no futebol sul-americano ou em seleções.

Apesar das diferenças de desenho tático, Crespo e Gareca compartilham uma mesma matriz conceitual: acreditam em futebol ofensivo, em times organizados e em protagonismo com a bola. Nesse sentido, ambos estão muito mais próximos da tradição do César Luis Menotti do que do pragmatismo histórico de Carlos Bilardo. Ou seja, a ideia de jogo vem antes do resultado imediato — e isso explica por que seus trabalhos ganham força quando existe continuidade.

Depois da saída do São Paulo FC, o futuro de Crespo ainda é um ponto aberto, mas seu perfil parece dialogar melhor com mercados que valorizam projeto. A Argentina sempre será um caminho natural, mas ligas como a mexicana ou até algumas da Europa — especialmente em clubes de médio porte que gostam de treinadores jovens e ideias modernas — podem oferecer o ambiente ideal. Crespo ainda é um técnico em construção, mas com identidade clara. E no futebol atual, ter essa identidade já é metade do caminho para voltar mais forte.