Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Corrigindo: A vida do apostador esportivo virou um inferno de vez

É hora de separar os cassinos, tigrinhos e roletas das apostas esportivas. Quem trabalha, estuda e leva o esporte a sério nas apostas não pode pagar o pato

Foto: Castorzinho / Instagram

E antes de qualquer coisa, é preciso fazer uma separação muito clara: quem aposta em Tigrinho, caça-níquel, roleta e outros jogos de cassino não pode simplesmente ser colocado na mesma categoria de quem estuda e trabalha seriamente com apostas esportivas. São atividades com dinâmicas completamente diferentes.

Eu mesma fui especialista no mercado de chutes a gol. Estudava jogadores, estatísticas, características dos esquemas táticos, adversários, escalações, minutagem, comportamento dentro de campo e uma série de fatores antes de fazer uma entrada. Existia estudo, método, análise, gestão de risco e principalmente, de banca. Durante muito tempo, essa foi uma renda importante para mim.

Por isso, incomoda ver quem trabalha dessa maneira ser tratado como se estivesse simplesmente colocando dinheiro em uma roleta ou no tigrinho/cobrinha/ratinho contando apenas com a sorte. A aposta esportiva levada a sério exige conhecimento do esporte, leitura de mercado, estatística, disciplina e controle de banca. Não significa que não exista risco — existe, e muito — nem que alguém tenha garantia de lucro. Mas reduzir tudo a “jogatina” ignora completamente a diferença entre essas atividades.

Ao mesmo tempo, entendo perfeitamente a necessidade de medidas duras contra os cassinos online, Tigrinho e similares. Esses jogos podem causar prejuízos financeiros graves, e medidas de proteção podem ajudar muitas famílias a reorganizarem suas finanças e interromperem ciclos de perdas. O que defendo é que essa discussão seja feita com inteligência e distinção. Combater os danos provocados pelos cassinos online é uma coisa.

Tornar praticamente inviável a atividade de quem estudava mercados esportivos de maneira séria e profissional é outra. Quem passa horas estudando futebol, estatísticas, atletas e mercados não deveria ser colocado automaticamente no mesmo grupo de quem gira uma roleta ou aperta um botão esperando um prêmio aleatório. Essa diferença precisa ser reconhecida. Pagamos imposto sobre as apostas, inclusive. Chegou o momento de separar os amadores dos profissionais!

Vale a pena, SIM, rever Vingadores: Ultimato no cinema

Não se deixe levar por gente reclamona e amargurada

Foto: Arquivo Pessoal

Vale a pena, SIM, assistir a Vingadores: Ultimato Encore no cinema. Não se deixem levar por gente reclamona e amargurada que fica fazendo review chato na internet, que parece ter esquecido o que esse filme representou — e ainda representa — para quem acompanhou esse fenômeno nas telonas anos atrás. Estávamos em um mundo que não existia pandemia, nem ansiedade e depressão com tanta frequência quanto hoje. E é justamente para essas pessoas, machucadas por essas duas doenças, que o relançamento desse filme pode trazer um momento de alegria.

Foi uma experiência incrível rever Ultimato na tela grande e som equalizador da sessão. Mesmo sabendo tudo o que vai acontecer, mesmo conhecendo cada batalha, cads diálogo, cada reencontro e cada despedida, existem momentos que simplesmente foram feitos para o cinema. E quando chega aquele “Vingadores, avante!!”, não importa quantas vezes você já tenha assistido: arrepia do mesmo jeito.

E que personagem é o Capitão América! Valente até o último instante, enfrentando o impossível e se recusando a desistir mesmo quando tudo parece perdido. Rever seus grandes momentos na tela do cinema só reforça o tamanho do personagem e a importância que ele teve em toda essa história. O primeiro vingador reforça sua grandeza diante de Thanos. O vilão, por sua vez, que odiamos, depois de um tempo até passamosna entender sua vontade. Tem dias que acordamos meio Thanos também com vontade de sumir com metade do planeta.

Já o Homem de Ferro emociona profundamente com sua despedida. Tony Stark (Sinhor Xtarqui na voz do Miranha), começou essa jornada lá em 2008 e vê-lo chegar ao fim de sua trajetória daquela maneira continua sendo de partir o coração. Não importa quanto tempo passe ou quantas vezes a gente reveja, sua despedida ainda pesa, emociona e dá aquela sensação de que uma era realmente chegou ao fim.

Mais do que rever um filme, foi reviver uma época. Lembrar da expectativa de 2019, da emoção de ver tantos personagens reunidos e de tudo o que aquele encerramento significou para uma geração de fãs da Marvel. E Encore ainda traz cenas pós-créditos interessantes, um complemento bacana para quem decide ficar na sala até o último segundo e se preparar para Doomsday em dezembro.

Então, para quem está na dúvida: vá ao cinema. Aproveite enquanto Ultimato está novamente onde merece estar — na tela grande, com som alto, sala escura e aquela sensação maravilhosa de estar vivendo novamente um dos maiores eventos da história do cinema de super-heróis.

Eu fui duas vezes, revivi, me emocionei e valeu cada minuto! ❤️💙

Teddy Vieira foi homenageado no Globo Rural

Maior compositor e produtor da música caipira no Brasil, escreveu clássicos como “O Menino da Porteira”

Foto: O Globo

Teddy Vieira foi homenageado pelo Globo Rural por sua ligação com uma das obras mais emblemáticas da história da música sertaneja: “O Menino da Porteira”. Composta por Teddy e Luizinho (responsável pelo arranjo), a canção atravessou gerações contando, de maneira simples e profundamente emocionante, uma história do interior brasileiro. É daquelas músicas que não precisam de grandes artifícios: bastam a viola, a narrativa e a lembrança das estradas de terra para transportar o ouvinte para outro tempo.

“O Menino da Porteira” tornou-se um dos maiores clássicos da música caipira, eternizada nas vozes de grandes intérpretes e incorporada definitivamente à memória popular brasileira. Sua história de boiadeiros, porteiras, estradas e de um menino cujo destino comove até hoje representa uma época em que a música sertaneja estava profundamente ligada ao cotidiano do homem do campo, às suas alegrias, tragédias, crenças e saudades.

Teddy Vieira foi um dos grandes responsáveis por transformar esse universo em música. Sua importância foi reconhecida até mesmo por Tião Carreiro, artista revelado por Teddy e que se tornaria um dos maiores nomes da história da viola caipira. Tião chegou a dizer que Teddy Vieira foi o maior compositor da história da música caipira. E ele estava certo. Poucos compositores conseguiram traduzir com tamanha força, simplicidade e poesia a vida e os sentimentos do povo do interior. É o sertanejo que traz consigo cheiro de mato, poeira de estrada, som de berrante e viola — o sertanejo de verdade, com terra embaixo do sapato, como se dizia no universo do inesquecível programa Viola, Minha Viola.

Por isso, homenagear Teddy Vieira é também homenagear uma parte essencial da história da música brasileira. E “O Menino da Porteira” é apenas uma das joias deixadas por Teddy Vieira. Seu repertório reúne clássicos como “O Rei do Gado”, “Vai de Roda”, “O Rei do Café” e “A Enxada e a Caneta”, obras que ajudam a dimensionar a grandeza de um compositor que conhecia como poucos a linguagem, os personagens, os conflitos e os sentimentos do Brasil rural.

Teddy não precisava inventar uma identidade sertaneja: ela estava em sua essência. Escrevia sobre a terra, o trabalho, o boiadeiro, o lavrador e a vida simples com a naturalidade de quem compreendia profundamente aquele mundo. Talvez seja justamente por isso que suas músicas sobreviveram ao tempo. O poeta do sertanejo raiz não apenas escreveu a história da música caipira — ele foi uma de suas expressões mais puras, autênticas e grandiosas. Sertanejo de verdade, com a viola no coração e um sexto sentido apurado para grandes canções que ficaram eternas com seu legado.

Sertanejo perde um de seus artistas mais completos: Rick

Rei das composições, escrevia obras sozinho e com grandes parceiros. Tinha um dos melhores shows da atualidade entre os medalhões da música e deixa uma discografia invejável

Foto: Peermusic

O meio sertanejo perdeu um dos artistas mais completos da sua história. Rick não era apenas dono de uma voz impecável: era um compositor de primeira linha, um artista de alto escalão e tinha um dos melhores shows entre os grandes medalhões do gênero. E isso precisa ser dito porque, na atualidade, infelizmente, existem shows em que o artista não sabe cantar, erra letra, canta música dos outros, canta com preguiça ou simplesmente parece não estar nem aí para estar no palco. Rick era o extremo oposto disso. Era fenomenal. Tinha energia, presença, domínio de palco e ainda fazia questão de colocar suas próprias composições em destaque. O bloco de músicas autorais de Rick era uma aula. Não tinha música mais ou menos. Era classe A.

E existe uma lacuna que a morte de Rick deixa no sertanejo que não vai ser preenchida. Assim como aconteceu com Marília Mendonça, perdemos um artista que reunia coisas que estão cada vez mais raras: caneta, voz e presença de palco. Rick tinha tudo isso. E o sertanejo vai ficando cada vez mais pobre quando perde artistas completos e vê o espaço ser ocupado por peão todo tatuado, por artista velho cantando com preguiça ou até subindo ao palco bêbado. É triste dizer isso, mas é a realidade de um gênero que, em muitos momentos, parece estar descendo uma ladeira sem perceber o tamanho do patrimônio que está deixando para trás.

E se existe uma obra que resume o tamanho do legado de Rick, é o Acústico Rick & Renner 10 Anos, gravado em 2003, no estúdio Gravodisc. Aquilo é irretocável. Para mim, é um dos maiores, se não o maior, acústico da história do sertanejo. Um repertório absurdo, interpretações impecáveis e músicas que atravessaram gerações. Aliás, todo repertório da dupla é essencial para entender realmente o que é sertanejo de verdade. Rick também deixa uma história gigantesca de parcerias e composições: sua parceria com João Paulo, as canções com Alexandre, Elias Muniz, Fátima Leão e Waldir Luz, entre tantos outros. São obras que já pertencem para sempre à história da música sertaneja. Sem contar no seu irretocável trabalho como produtor musical de Gino & Geno.

Fica aqui todo o meu sentimento à família, aos amigos, à equipe Rick & Renner e, principalmente, ao Renner, que perde não apenas um parceiro de palco, mas um irmão de uma vida inteira. Rick foi genial. E talvez seja justamente por isso que a despedida doa tanto. O sertanejo não perdeu apenas um cantor ou um compositor. Perdeu um artista brilhante, genial, daqueles que conseguem ser gigantes na caneta, na voz e no palco. E artistas assim não aparecem duas vezes. O legado fica. Mas a lacuna, infelizmente, também fica e não vai ser preenchida.

River de Leo Ponzio é ainda pior que o de Coudet

Time estrelado segue sem vontade de lutar por alguma coisa em campo

Foto: River Desde La Tribuna

Leonardo Ponzio chega em definitivo ao comando do River Plate em um dos momentos mais estranhos da história recente do clube. Um time cheio de estrelas, com jogadores de seleção e um investimento enorme no elenco, mas que parece cada vez mais distante de saber exatamente quem é. A saída de Eduardo Coudet, depois de uma sequência de resultados ruins, da eliminação para o Independiente Santa Fe na Sulamericana e de uma campanha decepcionante no Clausura, apenas escancarou uma crise que já vinha de antes.

A derrota para o Belgrano na final do Apertura foi um daqueles golpes que parecem ter deixado o River ainda mais perdido. O problema não era simplesmente perder uma final. Era a sensação de que aquele elenco, apesar de toda a qualidade individual, não conseguia transformar talento em identidade, força em competitividade e investimento em futebol. Coudet até levou o time à decisão, mas sua passagem terminou sem conseguir construir uma equipe que convencesse.

Agora, o River entrega o comando a um homem que conhece o clube por dentro. Ponzio foi capitão, símbolo de uma geração vencedora e, depois de se aposentar, continuou se preparando para novas funções no futebol. Ele também se formou na Escola Menotti, onde iniciou sua formação como treinador em 2024. Ou seja: existe uma clara influência daquilo que Menotti defendia, do jogo associado, da identidade, da criatividade e do protagonismo com a bola.

Mas talvez o grande desafio de Ponzio seja justamente não tentar transformar o River em uma cópia de nenhuma escola. Mais do que menottismo, bilardismo, bielsismo ou lavolpismo, o River neste momento precisa olhar para dentro de casa. Precisa recuperar a alma, a competitividade e, principalmente, a vontade de disputar títulos. Antes de descobrir qual futebol quer jogar, o River precisa voltar a saber por que entra em campo. E talvez seja justamente essa a primeira missão de Ponzio: fazer o gigante de Núñez voltar a se reconhecer. Mas o caminho é difícil, ontem perdeu em casa para o Huracán.

Minha Melhor Amiga: Divertido e emocionante como o cinema nacional sabe fazer

Não tinha como dar errado um filme com Ingrid Guimarães e Mônica Martelli

Foto: Arquivo Pessoal

Eu quase desisti de assistir a Minha Melhor Amiga. Estava pensativa, desanimada e sem muita vontade de sair de casa, mas alguma coisa me levou para o cinema. Fui quase no automático, sem imaginar que, algumas horas depois, sairia de lá tão feliz. E que filme gostoso de assistir! Ingrid Guimarães e Mônica Martelli entregam uma comédia divertida, leve e cheia daqueles momentos que fazem a gente rir de verdade, mas também parar para pensar.

O filme ainda é cheio de easter eggs brasileiros que deixam tudo mais especial. Tem uma homenagem muito bonita ao Paulo Gustavo, que emociona justamente por tudo o que ele representa para a comédia brasileira. E tem ainda as filhas de Ingrid e Mônica, que são suas filhas na vida real, aparecendo em uma cena e interagindo com as mães. São pequenos detalhes que dão ao filme uma sensação de carinho e proximidade, como se a gente estivesse acompanhando uma história que ultrapassa a tela.

Mas Minha Melhor Amiga não fica apenas na comédia. O filme também faz a gente refletir sobre a vida, sobre amizade, escolhas, relacionamentos e, principalmente, sobre nós mesmas. Como mulher, é impossível não se reconhecer em algumas situações e pensar sobre os caminhos que estamos seguindo. Eu me emocionei durante o filme porque, de alguma forma, ele chegou em um momento em que eu precisava exatamente disso: rir, me emocionar e esquecer um pouco os problemas.

No fim, eu percebi que precisava daquele momento mais do que imaginava. Fui ao cinema sem grandes expectativas e saí de lá com o coração leve, feliz por ter ido. E ainda consegui aproveitar o último dia da Semana do Cinema, pagando mais barato no ingresso para assistir a um filme que me proporcionou uma experiência tão especial. Às vezes a gente quase deixa de viver uma coisa boa porque está desanimada demais para sair de casa. Ainda bem que alguma coisa me levou para o cinema. Minha Melhor Amiga valeu muito o combo e também o salgadinho da Americanas.