Esperar por um dia feliz me custou caro

Neste 30 de outubro, completo 33 anos. Uma idade que deveria chegar acompanhada de sorrisos, conquistas e motivos para celebrar. Mas, infelizmente, não tenho nada para comemorar. Sigo lutando contra a depressão, que rouba minha alegria; contra a ansiedade, que destrói meu autocontrole e perturba meus pensamentos. Luto contra a obesidade com dor e contra a saudade de momentos felizes que vivi e jamais voltarão, pelo que percebo.
Às vezes, parece que perdi o direito de ser feliz, de realizar meus sonhos e de acreditar que coisas boas ainda podem acontecer. Perdi o direito de abraçar quem eu amo, de estar perto de quem eu gostaria e de compartilhar momentos que antes davam sentido à minha existência. É como se a vida tivesse acontecendo para todos, enquanto uma parte de mim permanecesse sem esperanças, tentando entender quando foi que tudo começou a perder o sentido e a dar errado.
Eu, que sempre amei o cinema, já não tenho vontade de sair de casa para assistir nada. Perdi a vontade de me arrumar, de cuidar de mim e de fazer coisas que antes me proporcionavam felicidade. Estou tentando emagrecer na base de dor e agulhadas. Com isso, o brilho que ainda me restava se foi. E talvez seja justamente isso que mais machuque: sentir saudade de quem eu mesma fui um dia. Olhar para trás e perceber quantos sonhos ficaram pelo caminho, quantas ausências se tornaram permanentes e quantas lágrimas precisei esconder para continuar.
Neste aniversário, não quero festa, presentes ou mensagens bonitas por algumas horas. Queria apenas recuperar meus dias felizes, o amor que perdi por mim mesma, e em especial, o carinho do homem incrível que perdi. Queria voltar a sentir alegria, a sonhar e acreditar que serei melhor amanhã. Aos 33 anos, carrego cicatrizes que ninguém vê e batalhas que enfrento sozinha. Meu maior desejo para o novo ano da minha vida é apenas recuperar aquilo que a tristeza levou de mim.