Preparando o presente de aniversário de quem não gosta do próprio aniversário

Foto: Instagram

Daqui uns dias é aniversário do cara que eu gosto. E justamente por saber que ele nunca gostou dessa data, por muita coisa que já passou, eu queria que este ano fosse diferente. Cuidei dos presentes, pensei nos detalhes, escrevi o bilhete, imaginei o abraço, o parabéns e a alegria de vê-lo recebendo um pouco do amor que eu sinto por ele. Mas não vou vê-lo no dia e só terei a oportunidade de abraçar ele novamente daqui um tempo. Faz parte!

Pensando nisso de organizar presentes de aniversário para alguém especial, por ironia do maldito Instagram (que eu penso em abandonar todos os dias), apareceu um post falando sobre como é bom ter alguém especial para fazermos essas coisas. E aquilo ficou na minha cabeça. Porque quando amamos alguém, é muito natural querer cuidar, agradar e querer retribuir os momentos felizes. Só que existe uma linha muito delicada entre cuidar e tentar ocupar um espaço que o outro não pediu para que ocupássemos. É difícil controlar o limite dessa linha.

Às vezes, a gente acredita que está ajudando, mas está atrapalhando. Acredita que está cuidando, mas está invadindo. Acredita que está demonstrando amor, enquanto, para o outro, aquilo pode parecer uma tentativa de controlar ou interferir em uma vida que ele aprendeu a conduzir sozinho. Existem pessoas que se sentem tão independentes, que colocam a própria vida e as próprias escolhas como prioridade — e não há nada de errado nisso.

Talvez essa seja uma das partes mais dolorosas de amar alguém. É descobrir que cuidado nem sempre é fazer. Às vezes, cuidado é esperar e deixar ela distante. É respeitar. É aceitar que você gostaria de estar perto, mas não pode. Que você gostaria de ajudar, mas não deve. Que você gostaria de dar tudo, mas o outro só quer um espaço para seguir livre. Que você gostaria de um abraço, mas é melhor não.

Existe uma solidão muito particular em amar dessa forma. O sentimento parte apenas de nós. A intenção é nossa, a preocupação é nossa, a vontade de tornar o dia especial desde o “bom dia” é só nossa. E precisamos aprender a conviver com tudo o que isso provoca dentro da gente. Faça terapia para não transformar o amor em uma cobrança. Então mesmo que você prepare os presentes e escreva o bilhete, não significa que será especial para a pessoa. E tá tudo bem. Sua parte você fez!

Comente aqui: