Do auge a queda, “Andar na Pedra” traz a história da principal banda de punk rock do Brasil de forma inédita no Globoplay

O documentário Andar na Pedra mergulha de cabeça na história de Raimundos, entregando muito mais do que uma simples linha do tempo da banda. Ao longo de cinco episódios, a produção abre os bastidores de forma crua, mostrando conflitos, excessos, decisões difíceis e, principalmente, a personalidade única de cada integrante da formação original: Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred. É aquele tipo de conteúdo que prende não só pelo que conta, mas pela forma honesta como escolhe contar.
O grande eixo emocional da narrativa está em Rodolfo. O documentário se aprofunda na mente e nas atitudes do vocalista, mostrando como sua intensidade foi tão fundamental para o sucesso quanto para a ruptura. Sua saída da banda não é tratada de forma superficial — pelo contrário, ganha camadas, contexto e peso. É ali que o espectador entende que o fim de uma era não aconteceu de repente, mas foi sendo construído aos poucos, em meio a conflitos internos e mudanças pessoais profundas.
Do outro lado, Digão emerge como uma figura central na reconstrução. O que antes era “apenas” um guitarrista se transforma em um verdadeiro pilar da banda. O documentário mostra bem esse processo de transição, quase como uma passagem de bastão forçada, em que ele precisa assumir responsabilidades, liderança e até a identidade do Raimundos em um novo momento. É um retrato de resiliência, mas também de pressão — porque manter viva uma banda tão marcante nunca foi uma tarefa simples.
E se tem algo que Andar na Pedra deixa claro é a essência do Raimundos: o caos criativo equilibrado por talento bruto. Canisso representa essa alma irreverente e visceral, enquanto Fred surge como a mente organizadora, o cara que colocava ordem na casa e transformava energia em música. O resultado é um documentário completo, viciante e impossível de assistir aos poucos — daqueles que você começa e só percebe que acabou quando já maratonou tudo. Para fãs de rock nacional, especialmente dos anos 90 e 2000, é mais do que recomendação: é praticamente obrigatório.