Menottista articulador, substituto de Gallardo terá tarefa difícil com elenco estrelado e preguiçoso

A chegada de Eduardo Coudet ao comando do River Plate promete inaugurar uma nova fase no clube, marcada por intensidade e protagonismo. Conhecido por seu perfil competitivo e pela obsessão por times agressivos, o treinador argentino costuma montar equipes que não esperam o jogo acontecer: elas provocam o erro do adversário. A pressão alta e a tentativa constante de recuperar a bola no campo ofensivo devem se tornar marcas registradas dessa nova etapa.
O estilo de Coudet é essencialmente ofensivo e vertical. Seus times atacam com velocidade, buscando transições rápidas e objetivas, especialmente após a recuperação da posse. A ideia é sufocar o rival, acelerar o ritmo da partida e transformar roubadas de bola em oportunidades claras de gol. Esse comportamento exige preparo físico elevado e sincronização coletiva, dois pontos que naturalmente passam a ser prioridade na rotina de treinamentos.
Taticamente, ele costuma trabalhar com estruturas como 4-1-3-2 ou 4-2-3-1, privilegiando meias próximos e atacantes móveis. A compactação entre os setores é fundamental para que a pressão funcione de forma coordenada. Além disso, Coudet valoriza jogadores dinâmicos, capazes de alternar funções e participar tanto da construção quanto da finalização das jogadas. O time tende a ser curto, intenso e constantemente ativo sem a bola.

Ao mesmo tempo, embora tenha uma identidade muito clara, Coudet não é inflexível. Ele costuma adaptar detalhes do sistema às características do elenco disponível, potencializando atletas criativos ou explorando a profundidade pelos lados quando necessário. No River, a expectativa é de um futebol vibrante, competitivo e agressivo, que combine tradição ofensiva com uma dose extra de intensidade e pressão constante.
Antes de retornar agora como treinador, Coudet viveu o River dentro de campo. Revelado pelo clube, ele atuou como meia nos anos 1990 e integrou um dos períodos mais vitoriosos da história riverplatense, trabalhando principalmente sob o comando de Ramón Díaz, seu treinador mais marcante na época. Como técnico, acumulou passagens por clubes importantes como Rosario Central, Racing Club, Internacional, Celta de Vigo e Atlético Mineiro, consolidando-se como um treinador de perfil moderno e competitivo.
Agora, ele terá o enorme desafio de substituir Marcelo Gallardo, considerado o maior técnico da história do River Plate, carregando a responsabilidade de manter o clube no topo e, ao mesmo tempo, construir sua própria identidade à beira do campo. Vai ser complicado, com o atual elenco preguiçoso que o time tem.