Eduardo Domínguez, de perfil bilardista, deixa o Estudiantes LP após vitoriosa trajetória

Para seu lugar, Alexander Medina, Martín Palermo e Martín Demichelis são os favoritos de Verón

Foto: TyC Sports

Foi embora pela porta da frente! Eduardo Domínguez, técnico argentino de 47 anos, encerrou seu ciclo no Estudiantes de La Plata depois de quase três temporadas marcantes no comando do clube. Sua saída já estava confirmada e ele caminha para assumir o comando do Atlético Mineiro, no futebol brasileiro, deixando um legado de títulos e identidade tática construída passo a passo no Pincha. 

Domínguez chegou ao Estudiantes em março de 2023 com a missão de devolver ao clube a competitividade que ele não vinha tendo havia anos — e conseguiu exatamente isso. Em pouco tempo, construiu um dos ciclos mais vitoriosos da história recente do clube, conquistando cinco títulos oficiais: Copa Argentina 2023, Copa de la Liga 2024, Trofeo de Campeones 2024 e 2025 e o Campeonato Argentino (Clausura 2025). Esses triunfos colocam Domínguez entre os técnicos mais vencedores da história do Estudiantes, atrás apenas de lendas como Osvaldo Zubeldía

Sua passagem pelo Estudiantes foi marcada por um crescimento tático claro. Domínguez montou uma equipe sólida, organizada e difícil de ser batida: a equipe tinha forte base defensiva, equilibrava bem as transições e nunca deixava de ser competitiva nos momentos decisivos — características que fizeram a torcida reverenciar sua gestão, mesmo nos momentos de dificuldade. 

Segundo analistas e quem acompanhou o futebol argentino, o estilo de jogo de Domínguez é mais alinhado com uma corrente pragmática e competitiva, algo que puxa mais para o perfil bilardista do que para uma filosofia menotista pura. Isso não significa um futebol negativo — longe disso — mas sim um time que prioriza organização, intensidade e equilíbrio, muito presente nos times que ele treinou. A ideia central parecia sempre ser conseguir o resultado com disciplina tática e solidez defensiva, características que ressoam com a escola de Bilardo, focada em organização e resultado. 

Treinar o Estudiantes, para ele, foi mais que uma etapa profissional: foi um projeto de reconstrução de identidade competitiva. Domínguez chegou num momento em que o clube vivia um jejum de títulos nacionais importantes e conseguiu devolver ao Pincha uma aura vencedora — títulos que não vinham há mais de uma década — e, principalmente, um estilo claro de jogo que uniu defesa e capacidade de decisão em fases cruciais. 

A decisão de sair nesse momento tem cara de oportunismo profissional: com os títulos já conquistados e uma oferta sólida do Atlético Mineiro, Domínguez entendeu que era o momento de buscar um novo desafio e avançar na sua carreira fora da Argentina. Além disso, fatores como a pressão natural de um desmantelamento de elenco e a vontade de experimentar o futebol brasileiro também influenciaram. 

No fim, sua passagem pelo Estudiantes fica como um dos capítulos mais vitoriosos e bem-construídos da sua carreira: títulos, estilo, legado e reconhecimento tático. Saída com a cabeça erguida, com a sensação de missão cumprida — e, claro, com a porta aberta para novos desafios. Para assumir a equipe pincha de La Plata, os candidatos principais são Martín Palermo, Alexander Medina e Martín Demichelis. Os três tem formação na tradicional escola de treinadores Vicente López.

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